Weimar 2.0?
13/11/2016, Pepe Escobar, Facebook
Só 2017 pode dizer. Escrevo de Paris – dia sombrio, triste, tempo péssimo, com a nação rememorando os ataques de jihadistas nos boulevards, há um ano. O clima psicológico na Europa está p'rá lá de sombrio. Não consigo tirar Walter Benjamin da cabeça, um dos meus bem-amados mestres. Escreveu passagens esplêndidas sobre o modo como o fascismo converteu política, em estética. Para o fascismo, a experiência estética definitiva é a guerra.
Trump pode ser um enigma, mas não quer guerra. Mas está cercado de interesseiros. Mais uma vez: só saberemos se isso é a nova Weimar, em janeiro. Trump não quer guerra, mas o estado profundo quer. Essa, tanto quanto posso ver, será a batalha crucial do governo Trump.
13/11/2016, Pepe Escobar, Facebook
Só 2017 pode dizer. Escrevo de Paris – dia sombrio, triste, tempo péssimo, com a nação rememorando os ataques de jihadistas nos boulevards, há um ano. O clima psicológico na Europa está p'rá lá de sombrio. Não consigo tirar Walter Benjamin da cabeça, um dos meus bem-amados mestres. Escreveu passagens esplêndidas sobre o modo como o fascismo converteu política, em estética. Para o fascismo, a experiência estética definitiva é a guerra.
Trump pode ser um enigma, mas não quer guerra. Mas está cercado de interesseiros. Mais uma vez: só saberemos se isso é a nova Weimar, em janeiro. Trump não quer guerra, mas o estado profundo quer. Essa, tanto quanto posso ver, será a batalha crucial do governo Trump.
Então, aí está: Brexit, como sugeri noutro artigo, não foi evento inexplicável, um flash na escuridão, mas manifestação de descontentamentos mais amplos e mais profundos na sociedade ocidental. Sejamos claros: não votaram em Donald Trump exclusivamente 60 milhões de norte-americanos; mais outros 13 milhões que votaram em Bernie Sanders (nas primárias) também votaram a favor de mudança estratégica – embora a partir de orientação política diferente.
Não quero aqui fazer algum tipo de necropsia das eleições nos EUA, mas tentar ver o que talvez continue oculto por trás do Brexit e dos eventos Trump – obscurecido, por hora, pela presença dominante desses eventos no palco da mídia-empresa e da política.

