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quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Brasil: A Nação Arde, por Pepe Escobar

3/9/2018, Pepe Escobar, pelo Facebook, 11h


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



O incêndio que consumiu o Museu Nacional do Brasil, de 200 anos, é metáfora cruel, sórdida, de uma tragédia de proporções monstruosas.


O Museu Nacional ardeu como resultado direto da 'austeridade' [a palavra correta é ARROCHO] estrutural imposta pela gangue – ilegal – que tomou o poder no golpe institucional-político-judicial-midiático de 2016, a mais sofisticada variante de Guerra Híbrida de que se tem notícia em todo o Sul Global.


Uma das primeiras medidas dessa gangue neoliberal subalterna, ao chegar ao poder, foi fazer aprovar uma Emenda à Constituição que congela o gasto público por vinte anos.


A queima de itens vitais para a memória histórica coletiva do Brasil é metáfora trágica do lento desmonte da nação.


É hora de converter tristeza em fúria. Fúria. Enfureçam-se. E ponham os patifes daí p'ra fora.*******

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

De volta ao (Grande) Jogo: A vingança das potências terrestres da Eurásia, por Pepe Escobar


30/8/2018, Pepe Escobar, Consortium News vol. 24, n. 242



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Preparem-se para uma grande sacudida no tabuleiro de xadrez geopolítico: doravante, cada borboleta que bater as asas e deflagrar um tornado conecta-se diretamente à batalha entre a integração da Eurásia e as sanções usadas como política exterior do ocidente.

É a mudança de paradigma trazida pelas Novas Rotas da Seda da China versus É-do-nosso-jeito-ou-é-pé-na-bunda à moda dos EUA. Vivíamos sob a ilusão de que a história acabara. Como se chegou a isso?

Pule a bordo, para uma essencial viagem no tempo. Durante séculos a Antiga Rota da Seda, pela qual viajavam nômades, estabeleceu o padrão de concorrência para a conectividade no comércio por terra, uma rede de estradas ligando a Eurásia ao – dominante – mercado chinês.

No início do século 15, baseado no sistema tributário, a China estabelecera uma Rota Marítima da Seda pelo Oceano Índico diretamente às costas da África, puxada pelo lendário almirante Zheng He. Mas não tardou, e a Pequim imperial concluiu que a China era autossuficiente o bastante – e que devia enfatizar as operações por terra.

Privados de conexão comercial por corredor terrestre entre Europa e China, os europeus partiram pelas suas próprias rotas marítimas da seda. Todos conhecemos o resultado espetacular da empreitada: por meio milênio o ocidente dominou o mundo.

Até que recentemente os últimos capítulos desse Admirável Mundo Novo foram conceptualizados pelo trio Mahan, Mackinder e Spykman trio.

sábado, 25 de agosto de 2018

Sun Tzu e a arte de guerrear guerra comercial, por Pepe Escobar

Será longa e  será suja, e Trump é doido se subestimar Xi e a firmeza da China
23/8/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Entreouvido na Vila Vudu:

Fato sempre apagado por quantos tenham resolvido que "a China não é Marx", é que Marx escreveu livro intitulado "O Capital", não escreveu livro intitulado "A Comuna". Se se considera, pois, que Marx foi especialista – dos melhores que o mundo já conheceu – em CAPITAL, e o que estamos vendo na China é O CAPITAL in progress, o fato de esse in-progress acontecer em estado comunista, absolutamente não desrespeita coisa alguma nos conceitos marxianos. Na verdade, Deng Xiaoping considerado, até confirma as conclusões de Marx. Marx hoje poderia dizer, coberto de razão, que
"Wall Street não é capitalista" (é sionista mafiosa) [NTs].
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Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Imagine a liderança chinesa sumir durante quase duas semanas – praticamente posta em hibernação, imersa num debate secreto. Foi precisamente o que aconteceu em Beidaihe, resort de férias de verão na província ocidental de Hebei.

Por mais que circulem por aí teorias da conspiração à moda James Bond sobre esse rito anual, não há dúvidas sobre o tema-chave das discussões: a guerra comercial EUA-China.

A segunda maior economia do mundo sob o presidente Xi Jinping está já muito avançada na longa marcha rumo ao status de superpotência. O status quo geopolítico e geoeconômico anterior está morto.

Xi já disse incontáveis vezes e muito claramente que não basta, para a China, tornar-se simples "acionista responsável" na ordem liberal internacional pós-Guerra Fria controlada pelos EUA.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Silenciosa arma de Washington, para guerras nada silenciosas, por F. William Engdahl - Com atualização de Pepe Escobar

20/8/2018, F. William Engdahl, New Eastern Outlook, NEO

+ ATUALIZAÇÃO: 
Pepe Escobar, 22/8/2018, Facebook, 14h50 (hora BSB) (no final)


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Hoje, a mais mortal das armas de destruição em massa do arsenal de Washington não está no Pentágono nem é qualquer daquelas armas de matar tradicionais. É arma silenciosa: a capacidade que tem Washington para controlar a oferta global de dinheiro, de dólares, mediante ações do banco (privado) Federal Reserve coordenadas com o Tesouro dos EUA e seletos grupos financeiros ativos em Wall Street.

Desenvolvida ao longo de décadas, desde que dólar e ouro foram separados por ato de Nixon, em agosto de 1971, o controle sobre o dólar é arma financeira contra a qual poucas nações, talvez nenhuma, têm hoje condições de enfrentar, pelo menos ainda não, até esse momento.

Do Mar Báltico ao Mar Negro, Rússia busca ganha-ganha, por Pepe Escobar

20/8/2018, Pepe Escobar, Asia Times

Vem aí reunião ampla de Alemanha, Rússia, França e Turquia. Praticamente, Eurovision expandido

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Quando o presidente Vladimir Putin, esfuziante depois de uma aparição de grande astro no casamento da primeira-ministra da Áustria Karin Kneissl, surgiu no Palácio Meseberg, do século 18, ao norte de Berlim, no sábado à noite, para uma conversa face a face com a chanceler alemã Angela Merkel, a surpresa foi geral: a reunião fora anunciada apenas uns poucos dias antes.

Conversaram durante três horas, com cardápio variado: acordo nuclear iraniano; o impasse sem fim na Ucrânia; o aspecto humanitário, na Síria; o gasoduto Ramo Norte 2.

Lula arrasa o quarteirão da Guerra Híbrida dos EUA, por Pepe Escobar

22/8/2018, Pepe Escobar, Facebook, 8h50 (horário de BSB)

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


O Brasil está sob ataque do que já descrevi como Guerra Híbrida econômica total – globalmente articulada por especuladores de Wall Street via Bloomberg e recebendo munição extra via Forbes e o WSJ.

O campo de batalha são os mercados de câmbio de moedas.

O ataque à lira turca empalidecerá, comparado ao ataque contra o real – que já começou, embora o primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil seja em setembro.

Para os "mercados" e para o variado sortimento de gângsteres nas elites do Excepcionalistão – do Pentágono e NED à CIA e ao Departamento de Estado dos EUA – há anátema absoluto, não-e-não-e-nunca, em dois campos:

1) Vitória eleitoral de Lula – o prisioneiro político mais importante do mundo, hoje.

2) Vitória de candidato que Lula indique e apoie (F. Haddad, ex-prefeito de São Paulo) caso a pateticamente enviesada Comissão Eleitoral Brasileira desconsidere o parecer da Comissão de Direitos Humanos da ONU, que decidiu que Lula TEM DIREITO DE CONCORRER.

O campo 1 acima é exatamente o que a maioria dos brasileiros deseja.

E quanto ao campo 2, 31% dos eleitores dizem que apoiarão o candidato apoiado por Lula, nome que tem rejeição muito baixa, comparado aos demais candidatos.

A pesquisa divulgada mais recentemente apresenta Lula – que continua preso para que não possa concorrer – com ampla vantagem à frente, com 39% de intenções de voto.

Um fascista conhecido, sujeito desclassificado, aparece em 2º lugar, bem distanciado, com 19% (basicamente é um sub-sintoma de tendência global).

Depois vem o candidato "pró-mercado" de Wall Street/Guerra Híbrida – porta-estandarte do sistema de fake-justiça que arquitetou o golpe de Estado no Brasil em duas etapas 2016/2018 (Dilma derrubada por impeachment/Lula preso). Esse rico candidato tem hoje míseras 6% das intenções de voto.

Com mais e mais brasileiros mais bem informados que vão vendo os movimentos da incansável estratégia da Guerra Híbrida, a candidatura de Lula – defendida pela ONU – cada vez mais se parece a "The Rock" que salva sua família daquele arranha-céu em chamas em Hong Kong: candidatura vencedora, contra todos os inimigos e dificuldades.*******

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

E agora? O que fará o supergrupo Os Sancionados?* Por Pepe Escobar

A cena solo de Trump nunca vencerá os presidentes hard rock do oriente elétrico

17/8/2018, Pepe Escobar, Asia Times

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Longe vão os dias, da Guerra Fria dos 1960s e 1970s, quando realmente imperavam na terra os supergrupos de rock – de Cream a Led Zeppelin, a Yes e a Emerson, Lake & Palmer.

Bem-vindos de volta, amigos, ao show que nunca termina – e ao remix geopolítico pós-verdade do supergrupo. Com vocês, Os Sancionados; banda multinacional das estrelas multi-instrumentistas Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Hassan Rouhani (Irã) e Recep Tayyip Erdogan (Turquia).

Como todo o universo rock sabe, Os Sancionados correm eternamente o risco de serem ofuscados – por efeito de camadas e mais camadas de sanções –, pelo inigualável solo & purpurina de Donald Trump (EUA).

Os dois reais virtuosos da banda deliciam-se com tocar em perfeita sincronia. Putin vez ou outra cede e entrega-se a um solo ocasional à Jimmy Page (como quando lançou mísseis do Cáspio, contra o Daech na Síria); mas é mais como Keith Emerson invocando Mussorgsky, compositor russo clássico. Xi adora álbuns conceituais Pink Floyd-escos, à moda Nova Rota da Seda. Rouhani poderia ser Jack Bruce, do Cream – oferecendo aqueles momentos sutis de musicalidade sem mácula. E Erdogan, que não consegue resistir, colabora com as fanfarronices de homem da porta dos fundos[1] de Robert Plant.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Guerra econômica contra o Irã é guerra contra a integração da Eurásia, por Pepe Escobar

14/8/2018, Pepe Escobar, Asia Times



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

NOTA DOS TRADUTORES: Enquanto durar o golpe no Brasil, escreveremos "(B)RICS" (o Brasil entre parênteses), para fazer lembrar que desde 2/12/2015 o Brasil vive sob golpe. Ninguém deve pressupor que, por estarem presentes às reuniões dos (B)RICS, as autoridades brasileiras que lá apareçam tenham qualquer legítima representação democrática.





A histeria reina suprema depois que a primeira rodada de sanções dos EUA entrou em vigência novamente contra o Irã, semana passada. São vários os cenários de guerra, mas mesmo assim o aspecto chave da guerra econômica lançada pelo governo Trump tem passado despercebido: o Irã é peça central num tabuleiro de xadrez muito maior.

A ofensiva de sanções dos EUA, lançada depois da retirada unilateral de Washington do acordo nuclear iraniano, tem de ser interpretada como um gambito para avançar no Novo Grande Jogo, em cujo centro estão a Nova Rota da Seda da China – o mais importante projeto de infraestrutura, pode-se dizer, do século 21 – e a integração da Eurásia.

Todos com as mãos à vista: Cáspio veleja rumo à integração da Eurásia, por Pepe Escobar

4/8/2018, Pepe Escobar, Asia Times The Vineyard of the Saker

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

Os cinco estados que cercam o mar – Rússia, Azerbaijão, Irã, Turcomenistão e Cazaquistão – alcançaram um difícil acordo sobre direitos soberanos e exclusivos, e sobre liberdade de navegação



O longamente esperado acordo sobre o status legal do Mar Cáspio assinado no domingo no porto cazaque de Aktau é momento que define a continuada, massiva deriva rumo à integração da Eurásia.

Até o início do século 19, o corpo de água quintessencialmente eurasiano – um corredor de conectividade entre Ásia e Europa sobre riqueza gigantesca de petróleo e gás – era propriedade exclusiva dos persas. A Rússia Imperial tomou então a margem norte. Depois do racha da URSS, o Cáspio acabou sendo dividido entre cinco estados: Rússia, Irã, Azerbaijão, Turcomenistão e Cazaquistão.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

"(B)RICS+" conflitam com guerra econômica EUA vs Irã, por Pepe Escobar

28/7/2018, Pepe Escobar, Asia Times (de Johanesburgo, África do Sul)


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


NOTA DOS TRADUTORES: Nessa tradução escreveremos "(B)RICS" (o Brasil entre parênteses), para fazer lembrar que desde 2/12/2015 o Brasil vive sob golpe. Ninguém deve pressupor que, por estarem presentes à reunião dos (B)RICS, as autoridades brasileiras que lá apareçam tenham qualquer legítima representação democrática.




A principal conclusão a extrair da reunião de cúpula dos (B)RICS em Johannesburgo é que (B), Rússia, Índia, China e África do Sul – importantes players do Sul Global – condenam fortemente o unilateralismo e o protecionismo.

A Declaração de Johannesburg é perfeitamente clara: "Reconhecemos que o sistema de comércio multilateral enfrenta desafios sem precedentes. Compreendemos a importância de uma economia mundial aberta."Exame mais minucioso do discurso do presidente chinês Xi Jinping expõe detalhes agudos.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Guerra dos EUA ao Irã: informe importante, por Pepe Escobar

27.07.2018, Pepe Escobar - Facebook





"Deixem-me dar um conselhinho aos meus amigos norte-americanos: 
a última coisa que vocês devem querer na vida é arrumar briga com ESSE cara" (Pepe Escobar, Facebook)

Teerã nega que os houthis tenham atacado navios petroleiros: só jatos de guerra sauditas. Está absolutamente correto. Confirmei com três fontes diferentes. Os palhaços da CIA no instituto Stratfor – ah, sim, sou obrigado a ler, por motivos profissionais, uma montanha de porcaria – estão dizendo que o ataque justifica ação internacional. Loucura. Os iranianos estão certos: foi encenação.

O cólera alastra-se pelo Iêmen como fogo em mato seco, com mais de um milhão de doentes; desastre humanitário de proporções absolutamente monumentais. O OCIDENTE ÉTICO DO BEM NÃO DÁ NEM BOLA. Tem de proteger MBS, seu fantoche.

Há consenso em todo o Irã: se o JCPOA [acordo nuclear iraniano] não se mantém, e os europeus destituídos de espinha dorsal acabarem por boicotar as exportações de petróleo do Irã, podemos esperar um choque do petróleo semelhante ao de 1973 – de fato pior, muito pior.

E há também o caso do sinuoso mercado negro de armas atômicas. Conversei com alguns pesos pesados no Golfo Persa.

terça-feira, 24 de julho de 2018

A verdadeira razão pela qual os EUA precisam falar com a Rússia, por Pepe Escobar

21/7/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Historiadores do futuro bem poderão identificar o discurso do presidente Putin da Rússia, dia 1º de março de 2018, como um dos marcos que virou o jogo no Novo Grande Jogo no século 21 na Eurásia. Os motivos disso estão detalhados em minúcias em Losing Military Supremacy: The Myopia of American Strategic Planning, um novo livro do analista militar/naval russo Andrei Martyanov.


Martyanov é excepcionalmente qualificado para a tarefa. Nascido em Baku, no início dos anos 1960s, foi oficial da Marinha da URSS até 1990. Mudou-se para os EUA em meados dos anos 1990s e trabalha atualmente como diretor de laboratório numa empresa da indústria aeroespacial. É membro de grupo extremamente rarefeito de altos analistas militares/navais especializados na relação EUA-Rússia.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Rolê pelo lado selvagem. Trump encontra Putin na Estação Finlândia, por Pepe Escobar

17/7/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


"Todo mundo tinha de pagar e pagava
um michê aqui, um michê ali"
Rolê pelo lado selvagem (Lou Reed)

"O outro elemento do gênio de Marx é uma intuição psicológica peculiar: ninguém jamais enxergou com olhos tão implacáveis a infinita capacidade humana de não perceber ou de encarar com indiferença a dor que infligimos aos outros, quando temos oportunidade de tirar algum lucro, da dor infligida" (WILSON, Edmund, Rumo à Estação Finlândia. Escritores e Atores da História, trad. Paulo Henrique Brito. São Paulo: Companhia das Letras, 1972).*
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"A Guerra Fria é coisa do passado". Quando o presidente Putin disse tal coisa, nos comentários preliminares à conferência de imprensa que os dois presidentes, Trump e Putin deram em Helsinki, já era claro que não poderia durar. Não depois de tamanho investimento, dos conservadores norte-americanos, na Guerra Fria 2.0.

Russofobia é indústria que opera 24 horas/dia, 7 dias/semana, e inclui tudo e todos, também a mídia-empresa vassala, que permanece lívida de fúria ante a "amaldiçoada" conferência conjunta Trump-Putin. Trump está em "colusão" com a Rússia. Traidor. Como pode o presidente dos EUA promover a "equivalência moral" com um escroque de fama mundial"?

Não faltaram oportunidades para surto de indignação apoplética.

sábado, 14 de julho de 2018

Trump, OTAN e a 'agressão russa', por Pepe Escobar

13/7/2018, Pepe Escobar, Asia Times, em The Vineyard of the Saker

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




A guerra-relâmpago [orig. blitzkrieg] que o presidente dos EUA faz na reunião de cúpula em Bruxelas, ao dizer que a OTAN é obsoleta e que os estados-membros tratem de gastar mais e se autodefender, está correta.





A histeria está no auge. Depois da cúpula da OTAN em Bruxelas, a definitiva Decadência do Ocidente é favas contadas, enquanto o presidente Trump prepara-se para se reunir com o presidente Putin em Helsinki.

O próprio Trump estipulou que conversará com Putin com portas fechadas, cara a cara, sem assessores e, em teoria, com sinceridade, depois do que a reunião preparatória entre o secretário de Estado Mike Pompeo e o ministro de Relações Exteriores da Rússia Sergey Lavrov foi cancelada. A reunião acontecerá no Palácio Presidencial em Helsinki, construção do início do século 19 e ex-residência de imperadores russos.

Como preâmbulo para Helsinki, a espetacular guerra relâmpago de Trump contra a OTAN foi espetáculo que os séculos reverenciarão; sortimento variado de "líderes" em Bruxelas nem viram o trem que os atropelou. Trump sequer se deu o trabalho de chegar com pontualidade às sessões matinais que discutiram o possível ingresso de Ucrânia e Geórgia. Diplomatas confirmaram para Asia Times que, depois da tirada certeira do "paguem, senão...", Ucrânia e Geórgia foram mandadas para fora da sala, porque a questão a ser discutida passava a ser questão estritamente interna da OTAN.

domingo, 8 de julho de 2018

Começam hoje 50 anos de guerra de tarifas? Por Pepe Escobar

6/7/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Muito mais que primeiro tiro à meia-noite de hoje do que pode converter-se em terrível guerra comercial, a queda de braços de tarifas entre EUA e China deve ser vista no contexto de grande virada no Grande Quadro geopolítico e econômico.

O jogo de passar adiante as culpas, e todos os tipos de cenários de especulação de como pode evoluir a disputa de tarifas, são questões periféricas. O alvo crucialmente decisivo do que hoje se inicia não é algum "livre comércio" que seria disfuncional; o alvo é o projeto "Made in China 2025" – a China autoconfigurada como usina geradora de alta tecnologia equivalente, ou mesmo superando EUA e UE.

É sempre importante destacar que foi a Alemanha que, na verdade, forneceu o molde para "Made in China 2025", mediante sua estratégia Indústria 4.0.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Drama das sanções anti-Irã e a OPEP-plus, por Pepe Escobar

29/6/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




É possível que a história já tenha conhecido mais estranhos parceiros de cama geopolítica. Mas no mundo atual da OPEP-plus, as regras do jogo já são controladas de facto pela Arábia Saudita, usina de produção de petróleo da OPEP, em uníssono com a Rússia, non-OPEP.



Pode acontecer até de a Rússia unir-se à OPEP como membro associado. Una-se ou não, já há uma cláusula chave no acordo bilateral Riad-Moscou, que estipula que, agora, a nova regra para elevar ou reduzir a produção de petróleo são as intervenções conjuntas.Alguns dos principais membros da OPEP não estão exatamente muito felizes. No encontro recente em Viena, três estados-membros – Irã, Iraque e Venezuela – tentaram, mas não conseguiram, vetar o movimento na direção de aumentar a produção. A produção na Venezuela está declinando. O Irã enfrenta declaração tácita de guerra econômica que lhe movem os EUA. E o Iraque precisará de tempo para aumentar a produção.

sábado, 23 de junho de 2018

Metais sexy: peça que faltava no quebra-cabeça coreano, por Pepe Escobar

30/6/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Talvez, afinal, nem se trate de condomínios de luxo nas praias norte-coreanas. Tudo sugere que o xis da questão no abraço que o governo Trump oferece a Kim Jong-un tenha tudo a ver com um dos maiores depósitos de terras raras (ing. rare earth elements, REEs) do mundo, a apenas 150km ao norte de Pyongyang que vale, parece, vários bilhões de EUA-dólares.

Todos os implementos da vida movida a tecnologia do século21 dependem das propriedades químicas e físicas de 17 elementos preciosos da Tabela Periódica, conhecidos como (ing.) REEs.

Atualmente, acredita-se que a China controle mais de 95% da produção global de terras raras , com depósitos estimados em 55 milhões de toneladas. A República Popular Democrática da Coreia, por sua vez, tem pelo menos 20 milhões de toneladas.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

A palavra-chave no show Trump-Kim, por Pepe Escobar

13/6/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




reality-TV show geopolítico de Trump-Kim – para alguns, evento surreal – recebeu atenção sem igual nos anais da diplomacia internacional. Será difícil superar a cena em que o presidente dos EUA abre um iPad e mostra a Kim Jong-un um trailer estiloso à moda dos filmes de ação classe "B" dos anos 1980s – completado com a efígie de Sylvester Stallone – em que os dois líderes são apresentados como heróis destinados a salvar os 7 bilhões de habitantes do planeta.

Longe da TV, o ex-"Homem Foguete", hoje já tratado respeitosamente por Trump como "Chairman Kim", marcou formidável gol de placa, ao fazer varrer completamente a temida sigla CVID – de "completa, verificável e irreversível desnuclearização" – do texto final da declaração conjunta.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

O "duelo das cúpulas" desse fim de semana tem algo para os livros de História, por Pepe Escobar

10/6/2018, Pepe Escobar, Asia Times, The Vineyard of the Saker


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




O inferno desabou sobre o G6+1, também chamado G7, em La Malbaie, Canadá, quando todos só pensavam na divina integração eurasiana na Organização de Cooperação de Xangai, OCX, em Qingdao, China, em Shandong, província natal de Confúcio.

O presidente Donald Trump dos EUA foi a estrela previsível do show no Canadá. Chegou atrasado. Saiu mais cedo. Faltou a um desjejum de trabalho. Discordou de tudo e de todos. Fez uma "proclamação de livre comércio", pró nenhuma barreira e nenhuma tarifa, nenhuma, em lugar algum, depois de impor tarifas ao aço e ao alumínio contra Europa e Canadá. Propôs que a Rússia voltasse ao G8 (Putin mandou dizer que tem outras prioridades). Assinou o comunicado final, em seguida retirou a própria assinatura.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Pepe Escobar: "Vem aí o ciclone do petróleo".

7/6/2018, Pepe Escobar, pelo Facebook


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu







Aí vai a versão curta e doce.

Analistas amigos enviam uma tonelada de estudos técnicos sobre o colapso histórico da perfuração de novas reservas de petróleo.

Todos conhecemos o básico dos baixos preços do petróleo nos últimos quatro anos; tática para ferir, sobretudo, a Rússia. Paralelamente, houve uma aceleração da taxa de depleção – cerca de 8 milhões de barris/dia.

Como especialistas em energia explicam, a extração de petróleo caiu cerca de 50% a partir de 2014 até agora. A média de substituição de reservas teria sido de cerca de 4 milhões de barris/dia – dos oito milhões de barris/dia perdidos para a depleção.