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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Rússia usa submarinos em ataques com mísseis cruzadores contra alvos do Daech na região de Palmyra

31/5/2017, SputnikNews













A Marinha Russa destruiu vários alvos no Daech, na área de Palmyra na Syria, com mísseis cruzadores Kalibr – disse o Ministério da Defesa da Rússia nessa 4ª-feira.

Os ataques visaram grupamentos de militantes a leste de Palmyra onde havia equipamento pesado e pessoal transferidos de Raqqa, fortaleza do Daech no norte da Síria.

"A fragata Almirante Essen e o submarino Krasnodar da Marinha Russa serviram-se de quatro mísseis cruzadores Kalibr, disparados do Mar Mediterrâneo, contra terroristas do Estado Islâmico (Daech) na área de Palmyra" – disse o ministério. – "Todos os alvos foram destruídos."

O Ministério de Defesa da Rússia distribuiu vídeo no qual se veem os disparos contra o grupo terrorista Daech.




O vídeo postado na rede social russa VK (VKontakte) mostra os mísseis sendo disparados de um navio de guerra e de um submarino. As imagens também mostram os vários alvos destruídos pelos mísseis russos.

Militares dos EUA, Turquia e Israel foram informados antecipadamente dos ataques – disse o Ministério nessa quarta.

"Os comandos militares de EUA, Turquia e Israel foram informados devidamente e a tempo, pelos canais operacionais de interação, sobre os mísseis cruzadores que seriam disparados do Mar Mediterrâneo" – disse o Ministério, em declaração oficial.*****

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Pepe Escobar: Daech, o Ocidente e o impassível fedor de morte

25/5/2017, Pepe Escobar, Sputnik News













Cada vez que o Daech acrescenta mais um, na litania trágica de seus ataques de "lobo solitário" e/ou de "redes" – em Manchester, Paris, Londres, Nice, Berlim – o Ocidente volta às cenas de fúria contra aqueles "desgraçados perdedores" (copyright Donald Trump).

Cada vez que a formidável máquina militar do Ocidente acrescenta mais um, na trágica litania de "danos colaterais" – na Líbia, Iêmen, Somália, nas áreas tribais do Paquistão – reina o silêncio. Nenhuma manchete de primeira página com nomes muçulmanos completos.

Cada vez que representantes do CCG-OTAN acrescentam mais um, na sua própria trágica litania de massacres premeditados – em toda a Síria, em todo o Iraque – os perpetradores são desculpados porque são "nossos" rebeldes "moderados" e combatentes da liberdade.

Essa lógica inexorável, perversa, não será alterada. Agora com um toque extra, porque o presidente Trump explicou a um mundo assustado, via seu redator islamófobo de discursos Stephen Miller, a culpa é toda do Irã.

Trump já fez sua profissão de fé jurando sobre uma esfera brilhante aninhada em Riad, a alma mater de todas as modalidades do terror wahhabista ou jihadista-salafista.

sábado, 13 de maio de 2017

O declínio do Ocidente revisitado, por Pepe Escobar

11/5/2017, Pepe Escobar, SputnikNews



Europa, na mitologia grega, foi uma princesa fenícia raptada por Zeus e arrastada para Creta. Com o tempo, Europa viria a designar o extremo ocidental da Eurásia. Essencialmente, Europa foi a semente ocidental muito provinciana que gerou um polvo de mil braços: o ocidente global.










Mais de cinco séculos depois da Era dos Descobrimentos, todos sabemos que um longo ciclo histórico está chegando ao fim. O Declínio do Ocidente é forma abreviada de uma trama de complexidade imensa – diretamente proporcional à ascensão do século da integração da Eurásia, puxada adiante pelas Novas Rotas da Seda da China.

Sempre que cavo mais profundamente no Declínio do Ocidente, tenho de voltar às raízes. E isso significa – ecos de Stendhal, Keats, Nietzsche – uma Jornada à Itália. Recentemente embarquei longo diálogo com Maquiavel em Florença. Dessa vez, a eleição presidencial na França se aproximava, amplamente comentada como momento em que o ocidente "civilizado" estaria diante de uma divisão crucial.

Decidi-me a ler Decadence, do explosivo filósofo e fundador da Universidade Popular de Caen, Michel Onfray.[1] Sua tese é devastadora: a civilização judaico-cristã, vale dizer, o Ocidente, foi erguida sobre uma ficção, "de um Jesus que jamais teve existência que não fosse alegórica, metafórica, simbólica e mitológica." Mais de mil anos de história da arte lhe conferiram "o corpo de um homem branco, de cabelo alourado e barba rala" (e onde melhor examinar o tal corpo, se não mediante a arte do Renascimento?) E "nada que constitui esse retrato emblemático encontra qualquer justificativa em algum versículo, nem num único, que fosse, do Novo Testamento."

sábado, 29 de abril de 2017

EUA: Russofobia sem alívio, por Pepe Escobar

27/7/2017, Pepe Escobar, Sputniknews













No fim das contas, nem chegou a ser um reset; mais, uma espécie de pausa na Guerra Fria 2.0. Dias intermináveis de som e fúria, em marcha com o presidente, até que finalmente Trump resolveu que a OTAN "já não é obsoleta". Mesmo assim, ainda quer "entender-se" com a Rússia.

Pouco antes de se encontrar com o secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson em Moscou, o presidente Vladimir Putin havia dito na TV russa, que a confiança (entre Rússia e os EUA) está "num nível no qual se pode trabalhar, especialmente na dimensão militar, mas não melhorou. Ao contrário, degradou-se". Ênfase na muito clara ideia de "nível no qual se pode trabalhar", mas, sobretudo, na parte "degradou-se" –, como no relatório distribuído pelo Conselho Nacional de Segurança no qual os EUA essencialmente acusam Moscou de disseminar noticiário falso.

No auge da histeria do Russiagate, mesmo antes do extremamente controverso incidente químico na Síria e o subsequente Tomahawk Show – muito duvidoso projeto cinematográfico –, qualquer possibilidade de algum reset conduzido por Trump já havia sido fuzilada em combate, tomahawkeada por Pentágono, Capitol Hill e opinião pública desorientada e desencaminhada pela mídia.

Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC): O que é? Como o futuro do mundo multipolar depende dele?

24/4/2017, Andrew Gorybko, SputnikNews



Entreouvido na Vila Vudu:

Artigo interessante para q se comece a 'contextualizar' o golpe no Brasil e a correria em que se meteu o governo Temer-golpista, para implantar as tais 'reformas': os EUA exigiram pressa, porque precisam modelar o próprio quintal e torná-lo maximamente atraente para empresas norte-americanas – e quanto mais predadoras, melhor –, antes que Rússia e China tenham tempo para incorporar nossa região num desses BRICS+ ou BRICS++ e ideologias de "ganha-ganha" à chinesa... Os EUA nunca mudam!













A ordem mundial passa atualmente por mudanças profundas, na transição, de sistema unipolar controlado pelo Ocidente, para um modelo não ocidental de multipolaridade. A fricção multifacetada que se tem hoje entre as forças opostas é como um resumo complexo da Nova Guerra Fria. EUA e aliados lutam para preservara absoluta dominação sobre todos os assuntos globais; e Rússia, China e respectivos parceiros trabalham com empenho para conseguir avanços pacíficos no trabalho de minar o controle até aqui exercido pelo lado adversário.

Desenvolver sistemas alternativos de governança, como o grupo BRICS, a Associação de Cooperação de Xangai, OCX [ing.Shanghai Cooperation Organization (SCO)] e o Banco Asiático para Infraestrutura e Investimento, BAII [ing. Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB)] é iniciativa central para que projetos já concebidos como multipolares comecem a alterar o sistema mundial. Mas o mais imediatamente necessário é integrar os países afro-eurasianos do Hemisfério Ocidental numa rede ganha-ganha de relações econômicas de setores reais. A solução chinesa para essa necessidade premente é o projeto "Um Cinturão, Uma Estrada" [ing. One Belt, One Road (OBOR)], visão global da conectividade das Novas Rotas da Seda, que visa a construir uma série de projetos de infraestrutura ligados por conectividade transnacional multipolar – para operar precisamente aquela interligação.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Porque Rússia e China apavoram Washington, por Pepe Escobar

21.04.2017, Pepe Escobar, SputnikNews


Tradução de btpsilveira


Unindo os países que o Pentágono declarou serem as principais ameaças “existenciais” para os Estados Unidos, a parceria estratégica Rússia-China não se revela através de um tratado assinado com pompa e circunstância – e uma parada militar.




Mesmo escavando camada após camada de sofisticação sutil, não há como saber a profundidade dos termos acordados entre Pequim e Moscou, nos bastidores dos inumeráveis encontros entre Xi Jinping e Vladimir Putin.

Diplomatas, desde que mantidos no anonimato, ocasionalmente insinuam que uma mensagem em código pode ter sido entregue à OTAN quantos ao que poderia acontecer se um desses parceiros estratégicos fosse maltratado seriamente – seja na Ucrânia seja no Mar do Sul da China – a OTAN teria que lidar com os dois.

Por enquanto, vamos nos concentrar em dois exemplos de como a parceria funciona na prática, e porque Washington não tem noção de como lidar com a situação.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Pepe Escobar: Novo normal da política exterior de Trump Mamão com Açúcar ("Lindo Bolo de Chocolate")

13.04.2017, Pepe Escobar - SputnikNews












No vídeo, o comandante-em-chefe da Escola de Política Externa do LBC (Lindo Bolo de Chocolate), discorrendo sobre seu novo movimento com vistas à Coreia do Norte.

"Estamos mandando uma armada. Muito poderosa. Temos submarinos. Muito poderosos. Muito mais poderosos que o porta-aviões. Lá isso eu garanto! Não há dúvidas!"


Como se bombardear uma Coreia do Norte armada com bomba atômica fosse tão mamão com açúcar ("lindo bolo de chocolate") como Tomahawkear uma base-aérea semideserta na Síria. Mas essa é a beleza de uma política externa de caixinha de chocolates: você nunca sabe o que haverá dentro.

OTAN era "obsoleta." Depois, "deixou de ser obsoleta". China era manipuladora de moeda, depois, deixou de ser manipuladora de moedas. Fim das aventuras no Oriente Médio. Depois, volta a ser como com Hillary, e bombardeia a Síria. Rússia era dita parceira – basicamente em negócios de petróleo e gás. Depois, num remix do Dividir para Governar de Kissinger, tenta minar a parceria estratégica Rússia-China. Depois, a Rússia é do mal porque apoia Assad, "aquele animal" (sic).

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Síria: Fissão Tóxica, por Pepe Escobar

6/4/2017, Pepe Escobar, SputnikNews















"Esses atos odiosos do regime Assad não podem ser tolerados." Assim falou o presidente dos EUA.

Tradução instantânea: Donald Trump – e/ou toda a sopa de letras das agências de inteligência dos EUA, sem qualquer investigação detalhada –, estão convencidos de que o Ministério de Defesa da Rússia está simplesmente mentindo.

É acusação gravíssima. O porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, major-general Igor Konashenkov, reforçando que se tratava de informação "absolutamente objetiva e verificada",  identificou um ataque da Força Aérea Síria lançado contra um depósito "rebelde moderado" a leste da cidade de Khan Sheikhoun usado pelos rebeldes para produzir e estocar ogivas carregadas com gás tóxico.

Konashenkov acrescentou que os mesmos produtos químicos foram usados pelos "rebeldes" em Aleppo no final do ano passado, conforme amostras recolhidas por especialistas militares russos.

Pois mesmo assim Trump sentiu-se compelido a telegrafar a linha que, hoje, virou sua pessoal linha vermelha na Síria: "Militarmente, não gosto de dizer quando e o que faço. Não estou dizendo que não farei coisa alguma de um modo ou de outro, e com certeza não diria a vocês [à mídia]."

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pentágono & ISIS/Daech: o alvo é o Irã, por Pepe Escobar

31/3/2016, Pepe Escobar, SputnikNews













Na 4ª-feira, o general Joseph Votel comandante do Comando Central (CENTCOM) do Exército dos EUA mobilizou todo o Dr. Fantástico que nele habita, diante da Comissão das Forças Armadas da Câmara de Deputados dos EUA.

"Temos de procurar oportunidades nas quais possamos quebrar [o Irã], por meios militares ou outros." 

Por mais Orwellianos que sejam nossos tempos, a ideia de Votel ainda é declaração de guerra. Com a consequência nela embutida de reduzir a pó de traque o acordo nuclear da ONU, firmado com o Irã no verão de 2015.

Joseph Fantástico Votel não se deu o trabalho de medir palavras.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Estado Islâmico (Daech): cria do Ocidente, por Pepe Escobar

24/3/2017, Pepe Escobar, SputnikNews










James Shea, Vice-secretário Assistente da OTAN para Ameaças Emergentes – mas... que título adorável! – fez recentemente uma palestra num clube privado em Londres sobre o Estado Islâmico (Daech). Shea, como muitos recordarão, fez fama como porta-voz da OTAN durante da guerra da OTAN contra a Iugoslávia em 1999.



Depois da palestra, Shea meteu-se numa discussão com fonte que prezo muitíssimo. E a fonte, adiante, bateu cá para mim a verdade nua e crua.



Segundo a inteligência saudita, o Daech foi inventado pelo governo dos EUA – em Camp Bucca, perto da fronteira com o Kuwait – como muitos recordarão –, essencialmente para pôr fim ao governo de maioria xiita de Nouri al-Maliki em Bagdá.


Claro que não aconteceu desse modo. Então, dez anos depois, no verão de 2014, Daech atacou o Exército Iraquiano, que estava a caminho para conquistar Mosul. O Exército Iraquiano fugiu. Agentes do Daech anexaram o armamento ultramoderno que instrutores norte-americanos haviam consumido de seis a 12 meses para ensinar os iraquianos a usar e... surpresa! Em 24 horas o Daech já incorporara aquelas armas ao próprio arsenal.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Dores do parto de um novo Oriente Médio, por Pepe Escobar

19/3/2017, Pepe Escobar, SputnikNews










Vocês todos lembram bem do que a ex-secretária de Estado dos EUA Condi Rice previu em 2006 em matéria de "dores do parto de um novo Oriente Médio". Fiel ao regime de George "Dábliu" Bush/Cheney, Condi errou tudo, fragorosa e espetacularmente, não só sobre o Líbano e Israel, mas também sobre Iraque, Síria e a Casa de Saud.

O governo Obama aplicadamente manteve uma tradição que se pode chamar sem medo de errar de Escola Sex Pistols de Política Exterior ("no future for you[não há futuro para você]). Ela está perfeitamente exposta pela imbatível porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia Maria Zakharova, em poucas e precisas palavras.

sábado, 4 de março de 2017

Trump vs. Estado Profundo: bastidores da rinha, por Pepe Escobar

28/2/2017, Pepe Escobar, SputnikNews











Segundo me diz minha fonte insider, que aqui chamei de "X", "Flynn foi removido porque estava agitando a favor de um ataque ao Irã, que teria consequências desastrosas. Levaria os iranianos a atacarem suprimentos ocidentais de petróleo no Oriente Médio, o que faria subir o preço do petróleo a mais de $200 o barril, e a União Europeia teria de unir-se ao bloco russo-chinês para conseguir energia suficiente para sobreviver. E os EUA estariam, nesse caso, completamente isolados."

Quando ainda de serviço como Conselheiro Nacional de Segurança, Flynn, disse publicamente que já pusera o Irã "de sobreaviso". Para todas as finalidades práticas, virtual declaração de guerra. "X" elabora sobre as ramificações: "A chave aqui é a Turquia, e a Turquia quer acordo com o Irã. O perigo chave para a OTAN é a Turquia, que controla a Sérvia, e Turquia-Sérvia mina a Romênia e a Bulgária, numa manobra de contornar pelo flanco até a parte sul-sudeste da OTAN. A Sérvia ligada à Rússia na 1ª Guerra Mundial, e a Turquia ligada à Alemanha. Tito ligado à Rússia na 2ª Guerra Mundial, e Turquia neutra. Se Turquia, Sérvia, Rússia se unem as três, a OTAN estará deixada de fora e para trás. Rússia está ligada ao Irã. Turquia está ligando-se à Rússia e ao Irã, depois do que, como Erdogan vê as coisas, foi tentativa fracassada de golpe da CIA contra ele. E tudo isso é muito mais do que Flynn conseguiria operar simultaneamente."

quinta-feira, 2 de março de 2017

Pepe Escobar: Integração da Eurásia avança em terceira

25/2/2017, Pepe Escobar, SputnikNews















A Europa, relativamente integrada, vive em velocidade de segunda marcha de facto. A integração da Eurásia, work in progress e com alcance muitíssimo maior, é processo que avança nesse momento em terceira marcha, como se vê pelo posicionamento dos três '-stões' centro-asiáticos.

Longe do ciclo frenético do noticiário 24 horas/dia, 7dias/semana, o Turcomenistão caminhou silenciosamente para as urnas. O presidente Gurbanguly Berdymukhamedov, no poder agora há dez anos, alcançou 97,69% dignos da Coreia do Norte dos votos, entre 3,22 milhões de cidadões registrados para votar.

Tudo indica que o nome de Gurbanguly não será jamais corretamente pronunciado no Departamento de Estado dos EUA na Av. Beltway, como Melissa 'Spicey' McCarthy sugere fortemente num sketch de TV já legendário. Nada que preocupe alguém que fez erigir em ouro uma estátua de si mesmo em Ashgabat e trabalha também como cantor folk superstar.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O Pântano revida, por Pepe Escobar

15/2/2017, Pepe Escobar, SputnikNews












A espalhafatosa novela de Michael Flynn resume-se à CIA jorrando uma hemorragia de vazamentos para o jornalão a serviço do manda-chuva da cidade, tentando fazer acontecer o desejado fim de jogo: uma vitória retumbante das facções mais linha-dura dos neoliberais/neoconservadores do Estado Profundo dos EUA, numa específica batalha. Mas a guerra não acabou; de fato, está só começando.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Pepe Escobar: Andrew Jackson Trump dará corpo à Doutrina Bannon?

09/02/2017, Pepe Escobar, SputnikNews














Nos recônditos profundos da Trumpologia – a nova disciplina infestada de 'especialistas', todos tentando decodificar o novo governo norte-americano – tornou-se moda zombar do estrategista chefe da Casa Branca Steve Bannon, como se se tratasse de criatura sociopata do pântano estilo Jurassic Park, um "quase-fascista" comparável a islamofascistas.

(Mesmo que Bannon só metaforicamente opere como degolador em chefe.)

Descartar Bannon como se fosse uma espécie de Maquiavel/Richelieu remixado para o século 21 que veste calças cobertas de bolsos e gravatas estranhíssimas é resposta barata, de adolescente entediado. Kelyanne Conway pode até ser "especialista em luta-de-faca, com palavras"; Jared Kushner pode até ter tomado a linha D do trem dos negócios imobiliários em Manhattan para vir fazer-se de secretário de Estado 'sombra', com cadeira cativa na sala de situação. Mas o homem a estudar nos detalhes mais excruciantes tem de ser Bannon, que devora ensaios de história e teoria política de café da manhã. Quem quiser descartá-lo que o descarte. E pague o preço.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

'Liberalização' da esquerda e crescimento da extrema direita

03/02/2017, Neil Clark, SputnikNews 


















No brilhante livro que acabam de publicar(ing.) The Rise of the Right, [A Ascensão da Direita]* três criminologistas de renome Simon Winlow, Steve Hall e James Treadwell, dedicam-se a explicar o crescimento do nacionalismo de direita na Inglaterra.

Embora o livro se dedique principalmente à sociedade e à política inglesas, há ali lições valiosas para todos os leitores nos EUA e também no resto da Europa. De fato, posso até dizer que se a esquerda ocidental não ouvir com atenção o que Winlow et al têm a dizer, pode acontecer de ela ser varrida do palco para sempre.

A situação é realmente, muito, muito grave.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

As 10 notícias mais desnoticiadas de 2016

03/1/2017, Neil Clark, SputnikNews











O que George Orwell teria feito de 2016?! Muitas das notícias mais promovidas pela mídia-empresa pró-establishment revelaram-se ou completamente falsas, como o 'noticiário' em dezembro de que estaria acontecendo um 'Holocausto' em Aleppo Leste, sem nem fiapo de prova, ou o 'noticiário' de que a Rússia teria interferido nas eleições nos EUA.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

De volta ao futuro: da URSS ao Século Eurasiano, por Pepe Escobar

25/12/2016, Pepe Escobar, SputnikNews












Um quarto de século atrás, na noite de 25/12/1991, a bandeira vermelha foi retirada do mastro na cúpula do Kremlin – e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, URSS, deixou de existir. Pode-se dizer que o evento que o presidente Putin descreveria adiante, em 2005, como "a maior catástrofe geopolítica do século 20" seria também a mais ampla queda de império de toda a história moderna.

Muito além dos arquivos históricos do marxismo-leninismo repentinamente sitiados pelos signos do consumo os mais claros e reluzentes, o que aconteceu no plano pessoal humano foi o "drama real" (outra vez, palavras de Putin) de milhões de russos repentinamente despejados da Federação, dispersos entre 12 novas repúblicas espalhadas pela Eurásia. Num flash o mundo ficou unipolar; sumiu uma modalidade do autoritarismo para beneficiar outra, apoiada em dois pilares: a OTAN, impulsionada para o papel de Robocop global; e o exorbitante privilégio de imprimir o dólar norte-americano, como moeda fiat. 

Ofegantes funcionários neo-Hegelianos do Império correram a anunciar o fim da História. Para euforia incontida dos neoconservadores, aquele momento parecia apagar para sempre o veredito de Paul Kennedy, historiador de Yale, em Ascensão e Queda das Grandes Potências, que disse, em 1997, que o império global norte-americano, como todos os impérios antes dele, estava já em declínio. Todos lembram o dia 25/12/1991. Permitam um rápido interlúdio pessoal. 

Naquela fatídica noite de inverno, eu estava em Varanasi, junto ao rio Ganges, imerso em assuntos muito mais espirituais. Com o pé na estrada sem pouso certo, por todo o Sudeste Asiático, dali para a Índia, Nepal e a florescente China, muito antes da era da conexão instantânea 24 horas/dia, sete dias por semana, só percebi a enormidade do que havia acontecido depois que, viajando de Pequim pela Trans-Siberiana, cheguei afinal à Moscou já privada da URSS, mais de dois meses depois do fato. Foi aquela viagem que me fez deixar o Ocidente, para conhecer e aprender a Ásia por dentro, para acompanhar o que adiante eu chamaria de O Século Eurasiano.