“Quanto mais a informação prestável alastra-se e alcança mais e mais pessoas, mais o mundo compreenderá o desastre que são as ações do establishment euro-norte-americano em todo o mundo” [o golpe de 2016 no Brasil é uma dessas ações desastrosas (NTs)]. ______________________________
Entreouvido na Vila Mandinga: “Equilibradores externos” É A PUTA QUE OS PARIU. _______________________________
Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga
Dia 20 de setembro, em New York City, o websiteIntelligence Squared organizou um debate vitalmente importante para ajudar a compreender muito do que hoje estamos vendo acontecer na cena global.
O debate travou-se em torno de três questões principais. (1) Sobre o papel da OTAN (“A OTAN já não serve à finalidade para a qual foi criada”); (2) sobre a Rússia (“A ameaça russa está super inflada”); e (3) (“É hora de adotar linha dura contra o Irã”).
Para discutir essas importantes questões, lá estava uma seleção de convidados especiais: Derek Chollet, vice-presidente executivo do German Marshall Fund of the United States e ex-secretário-assistente da Defesa dos EUA; Stephen F. Cohen, professor emérito de História e Estudos Russos da New York University; Reuel Marc Gerecht, pesquisador-sênior da Fundação para Defesa das Democracias e ex-analista da CIA; John J. Mearsheimer, cientista-político e professor na University of Chicago; e Kori Schake, vice-diretora geral do International Institute for Strategic Studies.
Tive recentemente o prazer de assistir a uma breve palestra do Professor Stephen F. Cohen intitulada "Putin Repensado" [ing. Rethinking Putin] (no cruzeiro anual de estudos de Nation dia 2/12/2017 (aqui o artigo de Nation e aqui o vídeo). Embora em fala rápida, o Professor Cohen faz trabalho soberbo, explicando o que Putin *não é*. Adiante uma parte da lista do que Putin *não é* (mas, por favor, assistam ao vídeo antes de continuar).
8/7/2017, Charles Bausman: Stephen Cohen, em entrevista a Tucker Carlson, Russia Insider
A entrevista de Cohen no programa de Carlson ontem à noite demonstrou mais uma vez a rapidez com que a opinião pública nos EUA sobre Putin e a Rússia está mudando para melhor.
Cohen é sempre bom, mas ontem ele acertou no olho do alvo: disse que a cobertura jornalística nos grandes veículos dos EUA, do encontro de Hamburg foi "uma espécie de pornografia".
Ahh, o poder da frase justa, na hora certa.
Faz apenas um ano, antes de Trump, que o professor Cohen foi banido de todas as redes, de todos os principais veículos nos EUA, incansavelmente ridicularizado pela mídia sionista neoconservadora como idiota ingênuo, que insistia em defender Putin e a Rússia.
Ontem à noite, lá estava ele, convidado especial do programa de notícias de maior audiência no país, elogiado pelo âncora – que sempre o recebeu como convidado respeitado.
E ninguém pode dizer que Cohen seja conservador. É co-editor da revista Nation, super liberal, da qual sua esposa é editora-chefe. Nada nos EUA é mais progressista que isso.
Adiante, algumas frases selecionadas. Mas a entrevista merece ser ouvida na íntegra:
"A primeira coisa que se percebe é o quanto a mídia-empresa está empenhada para fazer fracassar esse encontro entre nosso presidente e o presidente da Rússia.
É um tipo de pornografia. Assim como não se cogita de amor na pornografia, também não se cogita de interesse nacional no que a mídia-empresa faz para degradar Trump e Putin.
Como historiador, posso lhe dizer a manchete que eu escreveria:
"O que vimos hoje em Hamburgo foi uma nova détente potencialmente histórica. Começou uma parceria anti-Guerra Fria, construída por Trump e Putin. Mas crescem também os esforços para sabotá-la."
Assisti a muitas reuniões de cúpula entre presidentes norte-americanos e russos (...) e acho que o que vimos hoje é o encontro potencialmente mais decisivo e frutífero (...) desde a Guerra Fria.
A razão disso é que o relacionamento com a Rússia é tão perigoso e temos um presidente que poderia ter-se encolhido ou acovardado, depois de todos os ataques que sofreu, do chamado Russiagate. Mas não. Não se encolheu nem se acovardou.
O presidente Trump foi politicamente muito corajoso. E deu tudo certo. Os dois conseguiram fazer a coisa andar.
Acho que todos testemunhamos hoje o momento em que o presidente Trump emergiu como um estadista norte-americano."
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Cohen prossegue: diz que os EUA devem aliar-se a Assad, ao Irã e à Rússia, para esmagar os terroristas do ISIS – com o entrevistador concordando enfaticamente com a cabeça.
Carlson tentou fazer Cohen falar sobre por que exatamente Washington tanto se opõe a Assad, e por quê, e Cohen esquivou-se de responder: "Não sei. Não é minha especialidade."
Mas é claro que sabe, como Carlson também sabe. É sempre a mesma aliança nada santa de Israel, Arábia Saudita e seus amigos neoconservadores em Washington e no complexo comunicacional midiático, que vivem de promover aquela política criminosa, que garante deliberadamente apoio aos terroristas do ISIS. Mas não é coisa que se possa dizer, porque... porque... Perguntem a Rupert Murdoch.
As coisas estão começando a melhorar na mídia-empresa nos EUA, mas ainda ninguém pode dar nomes verdadeiros às coisas, na terra dos livres e lar dos valentes.*****