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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A debacle de Kerry em Viena




Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Pode alguém me explicar por que o presidente Obama decidiu anunciar que vai enviar soldados das Forças Especiais dos EUA para a Síria, no mesmo dia em que o secretário de Estado John tinha reunião com diplomatas russos e iranianos para discutir o fim de uma guerra que já dura quatro anos e meio?


Do que, afinal, se trata? 

Será que Obama supõe que assustaria russos e iranianos com esse agitar cenográfico de sabres?

Será que pensa que os russos cancelariam a ofensiva militar e retirariam o apoio que dão a Assad?

O que Obama estaria pensando?

O próprio Kerry mostrou-se constrangido pelo anúncio presidencial, que nada obteve, exceto convencer os presentes de que a política externa dos EUA é conduzida por amadores, sem nem ideia do que fazem. Foi o que conseguiu.

Segundo o New York Times, "o secretário Kerry disse aos jornalistas que o timing do anúncio fora 'uma coincidência', e que ele não tinha conhecimento de que alguma decisão havia sido tomada, até a manhã daquela 6ª-feira." (Obama Sends Special Operations Forces to Help Fight ISIS in SíriaNew York Times)

"Coincidência"? Kerry acha que foi coincidência?

Por sorte, o Times tem melhor noção que Kerry do que se passava, e até admite qual o real objetivo do 'movimento'. Vejam vocês mesmos:


"O presidente Obama anunciou na 6ª-feira, que ordenou o envio de várias dezenas de soldados das Operações Especiais dos EUA à Síria, para a primeira missão sem fim previsto de soldados dos EUA em solo daquele país (...)

(...) o envio dos soldados norte-americanos (...) visou a reforçar as ações diplomáticas do secretário de Estado John Kerry, que, na 6ª-feira, obteve um acordo em Viena, com países que têm interesses divergentes, para explorar "um cessar-fogo em todo o país" (...) (
Obama Sends Special Operations Forces to Help Fight ISIS in SíriaNew York Times).

Viram bem? Não foi coincidência, não, de modo algum. Foi intencional. Teve o objetivo de "reforçar as ações diplomáticas do secretário de Estado John Kerry". Em outras palavras: foi ameaça, pura e simples ameaça.


Para que se consiga avaliar a real estreiteza de visão desse 'movimento', é preciso tentar compreender, para começar, por que essas conversações foram propostas. 

Qual o objetivo dessas negociações e quem as propôs? Ora... Foi Washington quem propôs! Não foi Rússia, não foi Irã, nem Arábia Saudita, nem Turquia e nem Europa. Foi Washington. Washington. E a razão por que Washington quis essas reuniões é que (como o Times diz) os norte-americanos queriam "explorar um cessar-fogo em todo o país". O governo dos EUA quer o fim dos combates. E já. Essa é a razão pela qual Kerry correu feito galinha recém-degolada de um lado para outro, para conseguir pôr todos os diplomatas em torno de uma mesma mesa – e o mais depressa possível.

Mas que ninguém suponha nem por um instante que, dado que Washington deseja um cessar-fogo, Washington também deseje alguma "solução política", ou "acordo negociado", nem alguma paz, porque Washington não deseja nada disso. Não há paz alguma na agenda dos EUA, e nunca houve. 

Ao longo dos últimos quatro anos e meio, os EUA vêm apoiando empenhadamente os terroristas sunitas e outros grupos militantes, para garantir que esses e outros evitem a qualquer custo qualquer paz, porque paz seria mais um obstáculo ante o real objetivo dos EUA, que é derrubar o governo da Síria, "mudar o regime" no jargão oficial.

Assim sendo, o que mudou? Em outras palavras, por que Kerry parece agora repentinamente tão desesperado para promover reuniões, quando, durante os últimos quatro anos e meio, teve todas as oportunidades do mundo para recolher seus animais ao canil?

O que mudou foi Vladimir Putin. Putin cansou-se, cansou-se totalmente, definitivamente, dos EUA a rasgarem em farrapos, um depois do outro, tantos países do Oriente Médio. E Putin decidiu pôr fim àquela farra. E formou uma coalizão (os 4+1: Irã, Iraque, Síria e Hezbollah). E começou a empurrar os terroristas para o inferno, à bomba.

Criou-se assim enorme problema para Washington, porque muitos desses extremistas violentos e terroristas foram armados e treinados pelos EUA. São "os rapazes" de Washington, e estão fazendo o trabalho sujo de Washington, combatendo guerra por procuração para derrubar do poder o presidente Bashar al Assad da Síria. Por isso Kerry 'solicitou' as reuniões: porque os EUA precisam desesperadamente de um cessar-fogo, para proteger o maior número possível de terroristas, bandidos, assassinos e ladrões que os EUA treinam e armam. Eis o que disse Kerry depois das conversas da 6ª- feira:


"A teoria do cessar-fogo é muito simples: certas partes controlam ou influenciam o pessoal armado e com habilidade para lutar. E se alcançarmos um acordo com respeito a trechos da estrada à frente, haverá uma responsabilidade dos que influenciam aqueles que... aqueles que têm controle direto sobre algumas partes, e vão controlá-las. Claro que no que tenha a ver com Daesh e al-Nusrah, não há cessar-fogo, nada disso, e esses são os parâmetros iniciais. Mas há muito mais a discutir entre militares, políticos... Há todos os tipos de possibilidades, mas ainda estão por ser exploradas."

Não lhes parece, caros leitores, que Kerry está muito mais interessado em discutir detalhes de um cessar-fogo, do que em pôr fim à guerra? Isso, porque seu real objetivo nada tem a ver com paz ou socorro humanitário. O verdadeiro objetivo de Kerry é salvar o maior número possível daquelas hienas sedentas de sangue. Esse é o único e verdadeiro objetivo de Washington.


E que importância tem nós sabermos disso?

É muito importante, porque, se Washington realmente não deseja paz alguma, nesse caso é forçoso concluir que as conversações são pura farsa, e que Kerry só está tentando ganhar tempo para reorganizar os seus exércitos de terroristas, que agora estão sob efetivo ataque da Força Aérea Russa, para adiante logo que possam, voltarem à guerra.

E como sabemos disso tudo?

Sabemos porque Kerry fez uma palestra na [ONG] Carnegie Endowment for International Peace [Dotação Carnegie para a Paz Internacional], um dia antes de embarcar para Viena, na qual anunciou exatamente qual é a estratégia dos EUA. Eis o que disse lá:


"No norte da Síria, a coalizão e seus parceiros empurraram o Daesh (ISIS) para fora de mais de 17 mil quilômetros quadrados de território, e já securitizamos a fronteira turco-sírio a leste do rio Eufrates. É cerca de 85% da fronteira turca, e o presidente está autorizando mais ações para securitizar o resto (...).

Também estamos reforçando nossa campanha aérea, para ajudar a empurrar o Daesh, que antes dominava a fronteira sírio-turca, para fora da faixa de 70 milhas, que o grupo controla" (
US Secretary of State John Kerry on the Future of US Policy in the Middle EastCarnegie Endowment for International Peace)

Aí está, preto no branco. Kerry está dizendo, basicamente, ao círculo de seus amigos mais íntimos, que Washington está mudando-se para o Plano B, um plano de conservação, que envolverá estabelecer uma "zona segura" no lado sírio da fronteira sírio-turca onde EUA e seus parceiros possam continuar a armar, treinar e enviar de volta à Síria aquele seu exército de terroristas bandidos, sempre que acharem interessante. 


Agora, então, compreende-se perfeitamente o que as Forças Especiais de Obama farão na Síria, não é mesmo? Lá estarão para supervisionar operações para pôr em andamento esse projeto.

Será que Putin gostará da ideia de Washington tentar anexar território sírio soberano, para que os EUA tenham meios para manter guerra naquela região para todo, todo um longo futuro?

Não. Absolutamente não gostará. De fato, pode vir a ser problema grave para ele. Se os EUA securitizam área na qual os terroristas extremistas se possam plantar por longo tempo, então, sim, os EUA podem até conseguir converter o conflito sírio em mais um sorvedouro de tipo Afeganistão – que parece ser o objetivo/desejo de muitos atuais planejadores estratégicos em Washington.

E o que Putin deve fazer? Como alcançará os seus objetivos, sem esbarrar no projeto dos EUA?

Bem. Para começar, primeira coisa, tem de entender que Viena é piada. Que o governo Obama não fala a sério, que não tem qualquer interesse em nenhuma solução diplomática. Só fumaça e espelhos. Kerry ter admitido que os EUA já controlam "cerca de 85% da fronteira turca, e o presidente está autorizando mais ações para securitizar o resto" prova acima de qualquer dúvida que Washington já está acionando o Plano B. Em resumo, é isso.

Muito provavelmente, Putin já percebeu que Viena é golpe e fraude, o que explicaria por que o homem dele, o ministro russo de Relações Exteriores Sergei Lavrov, recusou-se a fazer qualquer concessão em qualquer dos pontos que estavam em discussão (em Viena). No que tenha a ver com Lavrov, ou todas as demandas da Rússia são atendidas, ou nada de acordo. O estado e as instituições do estado sírio permanecem intactos; os terroristas serão exterminados até o último terrorista; Assad participará do "governo de transição"; e o povo sírio decidirá, só ele, quem governará a Síria. É o mapa do caminho básico de Genebra, e Lavrov permanece firmemente colado a ele. Washington aceitará, porque não terá escolha, a não ser aceitar.


Quanto ao cessar-fogo: Lavrov também bombardeou a ideia. Disse precisamente que "Se se declarar algum cessar-fogo, nenhuma organização terrorista será coberta". Em outras palavras, a coalizão comandada pelos russos continuará a bombardear bandidos degoladores até que o último deles seja mandado prestar contas ao Criador.

As palavras de Lavrov não foram publicadas em nenhum veículo da mídia-empresa privada ocidental, provavelmente porque deixam bem claro quem, de fato, comanda a agenda: a Rússia. Quem está definindo a agenda na Síria é a Rússia. Sugerem também que não há espaço para tergiversações na abordagem russa, e não há. Terroristas, 'moderados' ou radicais, serão caçados até o último e exterminados. Ponto, parágrafo. 

Eis um detalhe a mais, do que Lavrov disse:


"A Rússia permanece firme em sua posição de que o combate ao terrorismo tem de ser conduzido de acordo com as bases sólidas da lei internacional. Falemos de intervenções militares por ar ou por terra, todas terão de ser conduzidas em comum acordo com o governo ou com o Conselho de Segurança da ONU."


Em outras palavras, se um país, os EUA, digamos, decide realizar operações militares ilegais na Síria (e todas as operações que os EUA mantêm na Síria hoje são ilegais), o país o fará por sua conta e risco. A Rússia continuará a implementar agressivamente seu plano de combate ao terrorismo, haja ou não haja ali soldados das Forças Especiais dos EUA combatendo ao lado dos terroristas e expostos em situação conhecida de altíssimo risco.


A ofensiva comandada pelos russos também reestabelecerá as fronteiras soberanas da Síria. Se Obama quer 'reservar' uma parte do território sírio, para presentear como valhacouto aos seus assassinos de aluguel, melhor preparar-se para lutar por eles. É o preço. 

Putin mostrou notável capacidade para antecipar os movimentos de Washington e tomar medidas preventivas para minimizar-lhes o impacto. Mesmo assim, haverá disputa duríssima, se Obama conseguir criar um santuário na fronteira turca para garantir abrigo aos terroristas, por onde eles possam entrar e sair da Síria à vontade, mantendo o país em estado permanente de guerra. Nesse caso, Putin terá de enfrentar o seu pior pesadelo: que os russos tenham de ficar na Síria para sempre.

Será que Putin tem alguma carta na manga, para reagir contra essa ameaça? Estará disposto, por exemplo, a mandar para lá as suas próprias tropas de elite das Forças Especiais da 7ª Divisão Aérea (de Montanha) de Guardas de Assalto  [orig. 7th Guards Airborne-Assault (Mountain) Division], que já têm sido vistas perto de Latakia, para impedir a presença de terroristas e de 'combatentes rebeldes' na fronteira, o que poria rápido fim ao plano pervertido de Washington para dividir a Síria em enclaves não estatais e criar um paraíso seguro permanente para terroristas e extremistas islamistas?

Putin vê o terrorismo como ameaça direta à segurança nacional da Rússia. Fará o que tiver de ser feito para derrotar o inimigo e vencer a guerra. Se significar pôr coturnos russos em solo para dar conta do serviço, assim Putin fará.*****

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

E Trump? Será presidente nuclear? Por Pepe Escobar

13/10/2016, Pepe Escobar, RT








Donald Trump, que nada tem a perder, bem pode, afinal, estar pronto para a bomba. Não literalmente, é claro. Estamos falando de Guerra Fria 2.0. 

O ministro das Finanças da Alemanha Frank-Walter Steinmeier está preocupado com o clima entre EUA e Rússia, hoje ainda mais perigoso que durante a Guerra Fria. O conselheiro para política exterior do Presidente Putin, Sergey Karaganov argumenta que já não chegávamos a situação de pré-guerra já há oito anos, desde o fiasco da Geórgia. Há até conclamações para "trazer de volta a Guerra Fria" – quando as regras de engajamento eram claras.

Há seis meses, o Clube Valdai publicou relatório crucialmente importante, assinado conjuntamente por Andrey Sushentsov, professor-associado do Instituto de Relações Internacionais de Moscou, e por Michael Kofman do Wilson Center, alertando para a evidência de que uma guerra quente EUA-Rússia pode avançar "inesperadamente" numa simultânea "escalada vertical e horizontal".

sábado, 7 de novembro de 2015

Erdogan vai à guerra

06/11/2015, Mike WhitneyCounterpunch

"Você queria saber por que 58 mil norte-americanos (e número vergonhosamente muito maior de vietnamitas) morreram na Guerra Americana [que é como se conhece, no Vietnã, o que nos EUA chama-se 'Guerra do Vietnã']? Morreram para estimular o surgimento de empresários, aumentar as exportações e fazer emergir muitos tecnocratas por todo o sudeste da Ásia."

11/3/2015, "Como criar um estado de insegurança", Andrew J. Bacevich,
TomDispatch, traduzido em 
redecastorphoto (epígrafe acrescentada pelos tradutores)
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"ISIS ameaça nosso modo de vida e nossa segurança (...) Temos planos para agir militarmente contra eles nos próximos dias. Vocês verão" (ministro turco de Relações Exteriores Feridun Sinirlioğlu).




Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu 



Vitória ampla nas eleições extraordinárias de 1º de novembro na Turquia afastaram o último obstáculo que ainda continha o ímpeto do presidente Recep Tayyip Erdoğan rumo à guerra. O surpreendente resultado das urnas, amplamente denunciado por observadores internacionais das eleições turcas como "injusto e distorcido pela violência e pelo medo", deu ao Partido Justiça e Desenvolvimento (tu. AKP) de Erdogan 49% dos votos e restabeleceu governo de partido único em Ancara. Pouco depois de anunciados os resultados das eleições, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu convocou os partidos políticos turcos a descartarem a Constituição vigente, para dar quase ilimitada autoridade executiva ao presidente Erdogan.


Segundo o jornal turco Today's Zaman, Davutoglu disse: "Conclamo todos os partidos que chegam ao Parlamento a produzir nova constituição nacional civil (...) Vamos trabalhar juntos para uma Turquia onde o conflito, a tensão e a polarização são inexistentes e todos se saúdam em paz."

Em outras palavras, as urnas estão sendo usadas para sabotar a democracia e dar poderes supremos não controlados ao presidente. Menos de 24 horas depois de Erdogan ter reconstruído seu controle sob governo de partido único, lá estava ele a 'reiterar' o apelo de Davutoglu para aumentar os poderes do presidente mediante referendo nacional.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Barack esbofeteia Bibi

27/12/2016, Patrick Buchanan, Buchanan.org











Será que o organizador comunitário formado na Faculdade de Direito de Harvard acaba de aplicar uma espécie de resposta sua, pessoal, ao grupo especial de combate do Exército de Israel?Há quem diga que sim: ao se abster de votar naquela resolução do Conselho de Segurança que declara ilegais e inválidos as colônias (ilegais e inválidas) de israelenses em territórios palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém Leste, o que enfureceu Bibi, que declarou que o president Obama "não cuidou de proteger Israel do ataque daquela gangue da ONU e compactuou com ela."

O pessoal de Obama, Bibi acusou, "iniciou essa resolução, defendeu-a sempre, coordenou a redação e mandou que fosse aprovada."

Ben Rhodes, auxiliar da Casa Branca, disse que as acusações não passam de "falsidades".

Seja como for, temos um líder israelense espinafrando nada menos que um presidente dos EUA, denunciando-o com traidor e homem que ataca pelas costas; e a Casa Branca chama Bibi de mentiroso.

Não é questão que se possa descartar como sem importância.