quinta-feira, 7 de abril de 2016

Um fantasma assombra Curitiba: o fantasma da inocência.



A LAVA-JATO É NOSSA, DEMOCRATAS!




Um fantasma assombra Curitiba: o fantasma da inocência. Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva desafiam todos os órgãos brasileiros de investigação a encontrar evidências comprometedoras da moral pública de ambos. Há ano e meio os executivos da Lava-Jato prometem, insinuam, ameaçam, tentam intimidar, prendem e deixam pessoas incomunicáveis, interrogam, denunciam e sentenciam. Nada. Os repórteres por assim dizer investigativos dos boletins da oposição arrancam os cabelos ao invés de furos, bem como os canais de televisão, difusores de jornalismo fantástico, eliminaram o intervalo entre as novelas e os noticiários: é tudo ficção. Nada.

Visitei o sítio “Lava-Jato em Números” e o sítio “Conjur” (Consultor Jurídico) buscando informações sobre os resultados efetivos da investigação. O último relatório, publicado em 16 de março de 2016, anuncia que dos 1 114 procedimentos instaurados resultaram 484 buscas e apreensões, 117 mandados de condução coercitiva, 64 prisões preventivas, 70 temporárias e 5 prisões em flagrante. Com o concurso de inúmeras invasões de domicílios, escritórios de profissionais liberais e 49 acordos de delações premiadas, a intensa mobilização do Ministério Público e da Polícia Federal produziu 37 acusações contra 179 pessoas, concluídas por 17 sentenças (mais ou menos 50% das acusações, com número não desprezível de absolvições). Compete aos especialistas estimar a relação entre o investimento de pessoal, tempo e recursos materiais e os resultados parciais, bem como a utilização preferencial do sistema Globo de comunicação (televisão, rádios, jornais e revistas) e a reincidência de manipulação criminosa da opinião pública mediante vazamentos de informação.

No sítio Conjur estão resumidas as 17 acusações, denúncias e sentenças concluídas, mas só consegui acessar 15 processos. Não obstante a contaminação de denúncias e algumas sentenças com considerações hipotéticas (parece que, é possível que, etc.), o que espanta é justamente o afã de encontrar uma realidade para além da realidade diante de seus narizes. Fundados em esforços de inegável mérito e consistência, os fatos acumulados são suficientes para a denúncia da maioria esmagadora dos acusados. A Lava Jato constitui a mais importante investigação da história da República. Por isso mesmo não deve continuar em mãos adestradas pela paixão partidária e a obsessão punitiva, tanto mais alucinadas quanto mais fracassam as incursões descabeladas, conduções coercitivas a um cubículo em aeroporto, grampos inacreditáveis e ousadia suicida na divulgação de conversas sem outro sentido que não o de expor a intimidade dos invadidos. A Lava Jata deve ser entregue a procuradores e juízes que zelem pela integridade da investigação, agora sob a ameaça de que seja impugnada, tantas as infrações ao direito natural e aos códigos legais. Em coro com os cidadãos racionais do País, insisto em que a Lava Jato é nossa, livre da ganância partidária animalesca dos que dela tentam se aproveitar. É importante atentar: em ano e meio de frenética e dura investigação, permanece imaculado o desafio de Dilma Rousseff e de Lula – não encontrarão crime em suas vidas públicas. Se encontrarem, saberemos tomar posição; por ora, não é o que está diante dos narizes de qualquer alfabetizado.

As quinze sentenças do Juiz Sergio Moro revelam, com uivos de Nelson Rodrigues, a veterana operação criminosa do reincidente Alberto Youssef, agora em companhia de Paulo Roberto Costa (“se não fosse a posição do PP eu não seria indicado diretor da Petrobrás”), Pedro Barusco e Renato Duque, e seus lugares tenentes Fernando Baiano, um certo “Ceará” e outros que lá estão. Intermediários, estado-maior e o consagrado administrador de dinheiro roubado: Alberto Youssef. Eles estão na maioria esmagadora dos 15 processos sentenciados, e me refiro a 12 sentenças porque em 3 o assunto nada tem a ver com a Petrobrás, um deles sobre tráfico de drogas, outro sobre manipulação de câmbio no mercado negro e o terceiro relativo à apropriação de dinheiro por parte de Andre Vargas, o qual, aproveitando-se da posição de deputado e de vice-Presidente da mesa da Câmara, achacou a Caixa Econômica e o Ministério da Saúde para obter contratos de publicidade  para empresa de familiares. Esse foi um assalto autônomo, sem participação da quadrilha.

A quadrilha, conforme essas sentenças, não é grande: Alberto Youssef, mais aquele estado-maior, certamente substituído em outras roubalheiras, mais os lugares tenentes de confiança. Além desses, o grupo de corrompidos varia de processo para processo, de acordo com a trapaça em andamento – compras de sondas aqui, de petroleiros alí, Odebrecht aqui, OAS ali, Camargo Correa acolá, e por aí vai. Políticos? Por enquanto só Luiz Argolo (PP), ex-deputado, sentenciado em 3 ou 4 dos 12 processos concluídos, o já mencionado André Vargas (ex-PT) e João Vaccari (PT). E é no processo de Vaccari que os procuradores e o Juiz decidiram acrescentar a eventuais delitos que tenha cometido o desvio de propinas de empreiteiras, “sob o disfarce de doações de campanha ao PT”. Não há confissão nem documentação, mas é neste processo e só nele até agora que os responsáveis pela Lava Jato têm promovido, juntamente com a imprensa, ré confessa e falsamente arrependida pelo apoio que deu à ditadura de 1964, a maior campanha difamatória de homens públicos já vista no Brasil. Entre eles, a perseguição ao maior líder popular desde as greves de final dos anos 70, em plena ditadura apoiada por essa mesma imprensa. Mas a verdade que assombra Curitiba e todas e todos os histéricos advogados, cronistas, jornalistas e paneleiro(a)s é a seguinte: Dilma e Lula são inocentes de todas as acusações em circulação. É isso que os faz babar inconformados e enfurecidos. A Lava Jato é nossa.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Dancinha do vazamento limitado 'de curtição' do Panamá, por Pepe Escobar

5/4/2016, Pepe Escobar, Telesur (do Facebook)
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Atenção mundo! Hora de pôr na cabeça o chapéu Panamá made in Ecuador e começar a agitar os quadris freneticamente, na dancinha do vazamento limitado de curtição.

E se você acredita na pureza de intenções do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, CIJI [ing.International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ)] no centro do vazamento, tenho aqui um chapéu Panamámade in Shenzhen, China (A Quem Interessar Possa: Nunca fui, e jamais serei, membro desse CIJI). 

O CIJI, que tem sede em Washington, recebe dinheiro para sustentar-se e todos os seus "procedimentos organizacionais" de um Centro para a Integridade Pública [ing. Center for Public Integrity] – o nome, já é orwelliano – com sede no Excepcionalistão. Os fundos fluem principalmente da Ford Foundation, da Carnegie Endowment, do Fundo da Família Rockefeller, da Kellogg Foundation e da ONG "Sociedade Aberta" [ing. Open Society] de George Soros. 

E há também sua organização parceira na Europa Oriental, OCCRP, negócio ainda mais orwelliano, autodefinido como prestador de alguma espécie de serviço alternativo progressista de 'mídia'. E essa OCCRP é mantida com fundos de Soros e da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional [ing. USAID]. 

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Joaquim Barbosa e o "bonito apartamento em Miami, Florida"*

03/04/2016, Tyler Durden, Zero Hedge (excertos)

"Mossack Fonseca: As conexões nazista, da CIA e de Nevada ... e por que agora é a vez de Rothschild"


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


"EUA são hoje o paraíso fiscal preferido dos endinheirados do planeta e especificamente, no território dos EUA, estados como Nevada, Wyoming e South Dakota."
"E, dado que Mossack Fonseca já era, os Rothschild já pularam para ocupar o trono vacante". Nunca faltarão Joaquims Barbosas."



"Nos PanamaPapers, NENHUMA referência a empresas e magnatas norte-americanos. O Guardian apressa-se a garantir que "grande parte do material vazado permanecerá privado". E nenhuma referência à intenção de 'oferecer' massivo material para calúnia às mídia-empresas comerciais em incontáveis países-alvos dos EUA. 

Mas vocês queriam o quê?! 

O 'vazamento' é administrado pelo altissonante mas risível “International Consortium of Investigative Journalists”, sustentado, pago e organizado pelo Center for Public Integrity, dos EUA. Entre os fundadores contribuintes listam-se Ford Foundation, Carnegie Endowment, Rockefeller Family Fund, W K Kellogg Foundation e Open Society Foundation (Soros), dentre muitas outras empresas. Que ninguém conte com exposição genuína dos protagonistas do vicioso capitalismo ocidental. Revelações, só selecionadas pela cara do criminoso, uma espécie de queima de arquivo. O segredos realmente sujos, permanecem bem guardados."

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Apesar de todo o excitamento das mídia-empresas e 'jornalistas' sobre as 'revelações' dos chamados "Panama Papers" vazados – nesse caso, longa lista de clientes da empresa Mossack Fonseca –, essa história pouco tem a ver com 'revelações' de como-os-super-ricos-fazem-de-tudo-para-não-pagar-impostos-preservar-o-anonimato-financeiro-e-de-modo-geral-cercar-a-própria-riqueza. 

Primeiro, que o mundo está cansado de saber que os super-ricos fazem precisamente isso. E não é surpresa que continuem a fazer, especialmente depois que a mesma ONG ICIJ revelou, ano passado, uma lista de 100 mil clientes do banco HSBC que há muito tempo não faziam outra coisa q não fosse roubar o fisco.

Dessa vez, os 'vazamentos' têm a ver com o mundo nebuloso dos paraísos offshore da evasão de impostos mas baseados em dados do Banco Mundial, FMI, ONU e bancos centrais, onde se escondem algo entre $21 e $32 trilhões de dólares, e onde agentes de incorporação e escritórios de advocacia em pequenos países do Caribe (e também em estados nem tão pequenos dos EUA) tornam possíveis a lavagem do dinheiro e as operações para "dar sumiço" no dinheiro dos super-ricos, convertendo aquele dinheiro em números irrastreáveis ocultados em empresas de fachada, inalcançáveis por autoridades do resto do mundo.

ATENÇÃO: Converter o próprio dinheiro em "números irrastreáveis ocultados em empresas de fachada" é, muito provavelmente, o que explica que Joaquim Barbosa, ministro aposentado do STF do Brasil, tenha criado duas empresas nos EUA (talvez outras; mas até agora só falou de duas). 

Ontem, pelo Twitter o ministro Joaquim Barbosa 'explicou':


Esse ministro Joaquim Barbosa é o mesmo 'ético' que perseguiu o ministro José Dirceu, com fúria de McCarthy caçador de comunistas. 
Adiante, o ministro José Dirceu foi condenado SEM PROVAS pela ministra Rosa Weber, "porque" a literatura lhe permiti(ria).
Hoje, quando o ministro Joaquim Barbosa curte seu apartamentinho em Miami, o ministro José Dirceu continua preso – sem processo e sem sentença [NTs].

LIBERTEM JOSÉ DIRCEU! LIBERTEM JOSÉ DIRCEU!
LIBERTEM JOSÉ DIRCEU! LIBERTEM JOSÉ DIRCEU!
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(...) Sobre o estado de Nevada, EUA

Em 2013, o relatório de um Procurador argentino expôs ligações entre empresas de fachada no estado de Nevada envolvidas em grande escândalo de corrupção, e Mossack Fonseca. Quando aquelas empresas de fachada viraram tema de batalha judicial numa corte federal de Nevada, como mostravam os arquivos vazados, empregados de Mossack Fonseca providenciaram para remover registros em papel e apagar registros em computadores e arquivos telefônicos dos escritórios de MF em Las Vegas. Um empregado até viajou da América Central a Nevada para levar arquivos. “Quando Andrés veio a Nevada limpou tudo e levou todos os documentos para o Panamá,” segundo e-mail datado de 24/9/2014.

Mossack Fonseca negou "categoricamente" que ocultasse ou tivesse destruído documentos, nas declarações à ONG ICIJ: “Sejamos bem claros: não é política de nossa empresa destruir ou ocultar documentação que tenha relevância para qualquer investigação ou inquérito em curso.”

Os arquivos vazados também contradizem depoimentos feitos por Jurgen Mossack, no tribunal e sob juramento. JM disse à corte federal que sua empresa era separada de “MF Nevada” e de seus escritórios em Las Vegas, e que não tinha controle sobre eles. Mossack Fonseca “jamais manteve escritório, sede ou base principal de negócios em Nevada” – testemunhou JM em julho de 2015.

Mas, segundo a investigação da ONG ICIJ, documentos internos mostram realidade oposta; indicam que a sede da empresa na Cidade do Panamá controlava a contra bancária de MF em Nevada; e que os co-fundadores da empresa e um outro funcionário da empresa eram donos de 100% das ações de MF Nevada.

Por que Nevada é tão importante? Porque nos faz recordar que, segundo investigação recente do jornal Bloomberg, "EUA são hoje o paraíso fiscal preferido dos endinheirados do planeta" e especificamente, no território dos EUA, estados como Nevada, Wyoming e South Dakota.

Depois de anos e anos a 'denunciar' outros países e governos, que estariam ajudando milionários norte-americanos a ocultar dinheiro em paraísos fiscais offshore, o que afinal se viu foi que os EUA são paraíso fiscal preferido de ricos de todo o mundo que tentam escapar do fisco dos próprios países. 

Agora, ao resistir contra novos padrões globais de fiscalização e processo criminal, os EUA estão criando mercado novo e 'quente', convertendo-se em lugar preferencial para ocultar todo tipo de riqueza em fuga dos países de origem. 

Todos, de advogados londrinos a fundos suíços, estão nessa, ajudando os ricos do mundo a mover suas contas, tirando-as de locais como Bahamas e Ilhas Virgens britânicas, para Nevada, Wyoming e South Dakota.

“É irônico – não, é perverso –, que os EUA, sempre tão 'sérios' na condenação dos bancos suíços, tenham-se convertido na jurisdição preferencial para questões de sigilo bancário,” escreveu Peter A. Cotorceanu, advogado da empresa Anaford AG, de Zurique, em artigo publicado recentemente em periódico especializado, para advogados. “Estão ouvindo esse ruído 'de aspirador gigante que tudo suga'? É o ruído do dinheiro mundial sendo sugado para dentro dos EUA” – escreveu ele.

E todo aquele dinheiro corre hoje para os EUA, por uma razão muito simples: todo e qualquer dinheiro sujo – estrangeiro ou local – é bem-vindo nos EUA, sem perguntas, para ser protegido no mais total e impenetrável sigilo anti-impostos que há no planeta.

Ainda há quem suponha que, hoje, paraísos fiscais para norte-americanos, para dinheiro que foge de pagar impostos ainda seriam a Suíça, ou Bahamas ou, até, o Panamá. Mas, na verdade, para a maioria dos norte-americanos, outros paraísos fiscais já se tornaram inalcançáveis, depois de aprovada a Lei de Conformidade Tributária de Contas Estrangeiras [ing. FATCA], que tornou praticamente impossível enviar para outros países qualquer dinheiro norte-americano sujo. Assim sendo, se não tem para onde ir... o dinheiro norte-americano sujo (e também o dinheiro sujo do ministro Joaquim Barbosa do STF-Brasil)  permanece nos EUA. (...)

Além de tudo mais, há uma firma específica, que está comandando a conversão dos EUA, num neo-Panamá: o Banco Rothschild (...).

* * *

Para conselheiros financeiros, o atual estado de coisas é simplesmente uma boa oportunidade de negócios.
ATENÇÃO: Para o ministro Joaquim Barbosa, provável sonegação de impostos (o que, diabos, afinal, são "razões fiscais e sucessórias"?!), a coisa talvez tenha parecido "boa oportunidade de negócios". 
Explicaria a poka-vergonha TOTAL da 'explicação', no tuíto já citado... [NTs]
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Nas notas de uma apresentação que fez em San Francisco, Penney, do Banco Rothschild, escreveu que "os EUA são efetivamente o maior paraíso fiscal do mundo.” Os EUA – acrescentou ele, num trecho das notas excluído da apresentação – "não têm recursos para aplicar aqui leis estrangeiras sobre pagamento de impostos, e bem pouca vontade de fazê-lo.”

Sim, é possível que Mossack Fonseca já seja história, com seus incontáveis clientes mega-ricos já expostos à execração pública, mas a fila anda: Rothschild já saltou e já se instalou no trono vacante do dinheiro mundial sugado para dentro dos EUA – maior paraíso fiscal do mundo. Nunca faltarão Joaquims Barbosas.*****

* 3/4/2016, Joaquim Barbosa, em tuíto, em  https://twitter.com/joaquimboficial/status/716791101286428673


Os vazamentos seletivos dos #PanamaPapers: Potencial monstro para gerar chantagem

4/4/2016, Moon of Alabama

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Um verdadeiro vazamento de dados realmente vazados de escritório de advogados no Panamá seria muito interessante. Muita gente rica e/ou políticos esconde dinheiro em empresas de fachada que lhes são fornecidas por empresas como essa, do Panamá. 

Mas o atual "vazamento" pesadamente promovido e propagandeado de dados, distribuídos para várias mídia-empresas que apoiam a OTAN e uma 'organização não governamental' que trabalha para o governo dos EUA[1] e é sustentada por ele, não passa de tentativa bem clara para 'queimar' gente que está incomodando o Império EUA. 

Serve também, sim, para gerar oportunidade monstro para chantagem contra os que NÃO TIVERAM dados publicados (em retribuição por um ou outro favor).

Há já 16 meses, Ken Silverstein produziu matéria para Vice sobre um grande fornecedor de empresas de fachada, Mossak Fonseca, no Panamá. (Pierre Omidyar de Intercept, para quem Silverstein trabalhava naquele momento, recusou-se a publicar a matéria.)

Yves Smith publicou várias grandes matérias sobre o negócio de lavagem de dinheiro de Mossak Fonseca. Silverstein também repetiu fato bem conhecido sobre Rami Makhlouf, milionário primo do presidente Assad da Síria, que tinha algum dinheiro escondido em empresas de fachada de Mossak Fonseca. E explicou o mecanismo:

Para fazer negócios, empresas de fachada como Drex precisam de um agente registrado, às vezes de um advogado, que preencha a papelada exigida e cujo escritório quase sempre serve como sede de fachada da 'empresa'. Esse processo cria uma 'camada intermediária' entre a empresa de fachada e o proprietário, especialmente se a falsa empresa estiver registrada num desses paraísos de sigilo total, nos quais informações sobre propriedade são guardadas a sete chaves e protegidas por muralhas de leis e regulações. No caso de Makhlouf – e, como descobri, também no caso de vários outros empresários escroques e gângsteres internacionais – a organização que ajudou a incorporar a empresa de fachada e a protegê-la da fiscalização internacional, foi um escritório de advocacia chamado Mossack Fonseca, que serviu como agente registrado da Drex, de 4/7/2000 até o final de 2011.
Há um ano, alguém forneceu toneladas de dados da empresa Mossak Fonseca a um jornal alemão, Sueddeutsche Zeitung. O diário de Munique é politicamente de centro-direita e aplicadamente pró-OTAN. Coopera com o Guardian, a BBC, o Le Monde, o International Consortium of Investigative Journalists [Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos] e com algumas outras mídia-empresas, todas conhecidas apoiadoras do establishment.

Sueddeutsche diz que os dados "vazados" dizem respeito a cerca de 214 mil empresas de fachada e a 14 mil clientes de Mossak Fonseca. Sem dúvida há muita sujeira escondida aí. Quantos senadores dos EUA têm envolvimento com essas empresas? Que políticos da União Europeia? O que bancos e fundos hedge de Wall Street escondem dinheiro no Panamá? Oh, desculpe! O Sueddeutsche e seus parceiros não responderão essas perguntas. Eis como 'analisaram' os dados:

Os jornalistas compilaram listas de políticos conhecidos, criminosos internacional, atletas profissionais famosos, dentre outros. O processamento digital permite pesquisar a massa de vazamentos por nomes, naquelas listas. O "escândalo de doações para partidos" continha 130 nomes; e a lista das sanções da ONU, mais de 600. Em apenas poucos minutos, o poderoso algoritmo de busca comparou as listas com os 11,5 milhões de documentos.
Para cada nome encontrado, iniciou-se um processo de pesquisa detalhada, que apresentava as seguintes questões: qual o papel dessa pessoa na rede de empresas? De onde vem o dinheiro? Para onde vai? A estrutura é legal?

Essencialmente, o Sueddeutsche compilou uma lista de criminosos conhecidos e gente de organizações que os EUA não apreciam, e cruzaram esses nomes com o banco de dados 'vazado'. Coisas que surgiram nesses cruzamentos passaram por outra avaliação. O resultado são histórias como a tentativa anual que nunca falha e sempre aparece, de cobrir de lama o presidente Vladimir Putin da Rússia – o qual não é sequer mencionado nos dados de Mossak Fonseca; acusações contra gente da associação internacional de futebol, FIFA – detestada nos EUA; e algumas referências a outros infiéis de importância menor.

Não há sequer uma linha sobre qualquer norte-americano, pessoa ou empresa, nada; nem sobre qualquer político importante da OTAN. 

Até agora, a "baixa" de mais alto escalão político é o irrelevante primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson, o qual, com sua esposa, era proprietário de uma das empresas de fachada. Mas não há prova alguma de que a propriedade ou o dinheiro pertencente à empresa deles fossem ilegais.

Assim sendo, onde está o filé mignon?

Como o ex-embaixador britânico Craig Murray escreveu, o filé mignon (se é que existe algum, e nem isso se sabe) está, até agora, não na parte publicada, mas na parte ocultada pelas empresas de mídia que estão gerenciando os "vazamentos":

A filtragem pela qual passa a informação desse escritório Mossack Fonseca, executada pela mídia-empresa, acompanha estritamente uma agenda ocidental de governo. Nem uma palavra sobre o uso massivo dos serviços de Mossack Fonseca por empresas e bilionários ocidentais – que são os principais clientes. E o Guardian foi rápido em garantir que "muito do material vazado permanecerá privado". 
Mas... vocês queriam o quê?! O vazamento está sendo gerenciado por uma entidade de nome pomposo, mas cômico – Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, financiado e inteiramente mantido e organizado pelo Centro de Integridade Pública dos EUA [USA’s Center for Public Integrity]. O dinheiro ali circulante pertence, dentre outros, a 

– Ford Foundation– Carnegie Endowment– Rockefeller Family Fund– W K Kellogg Foundation– Open Society Foundation (Soros, #SorosPapers)


O que foi "vazado" são dados selecionados de um banco de dados, por organização pró-EUA, banco de dados provavelmente obtido pelos serviços secretos dos EUA, banco no qual com certeza há também muita sujeira sobre pessoas e organizações "ocidentais".






Publicar exclusivamente dados muito cuidadosamente selecionados daquela base gigante que teria sido "vazada", tem dois objetivos:
  • Cobre de lama vários "inimigos do império", mesmo que, por falta de coisa melhor, apenas por associação remota com os presidentes Putin e Assad.

  • Faz saber a outros personagens importantes, com certeza mencionados no banco de dados, mas dos quais ainda nada foi publicado, que os EUA ou seus "parceiros" midiáticos podem, a qualquer momento, expor outras roupas sujas, de outros sujos, à opinião pública. O 'vazamento' seletivo é, portanto, perfeito instrumento para chantagem.

    O "vazamento" arquitetado dos "Panama Papers" é movimento concebido para incriminar algumas pessoas e organizações 'não apreciadas' pelos EUA. E é também demonstração 'ao vivo' dos "instrumentos de tortura" que podem ser usados contra qualquer um, pessoa ou empresa, no planeta, que tenha tido negócios com Mossak Fonseca, mas ainda não viu seu nome divulgado (ainda). Estão todos, agora, nas mãos dos que controlam o banco de dados. Terão de marchar como mandar o manual... ou se arrependerão muito.******




[1] No Brasil, os 'vazamentos' foram entregues a O Estado de S.PauloUOL e mais um ou outro veículo, cujo nome nem interessa, porque, aqui, todos os jornais são iguais e todos os jornalistas neles empregados apoiam "a OTAN", mesmo que a maioria nem saiba o que significa a sigla. Apoiam, porque a embaixada e consulados dos EUA lhes ordenam q apoiem [NTs].

quinta-feira, 31 de março de 2016

Ódio Seletivo, por Leandro Fortes

31.03.2016 - Leandro Fortes em seu Facebook




Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, deixou as catracas do metrô livres para que, em 13 de março, os manifestantes contra Dilma - entre os quais estavam fascistas, racistas e dementes defensores da intervenção militar - pudessem encher a Avenida Paulista.

Em 18 de março, quando a manifestação foi pró-Dilma, cada um teve que pagar a sua passagem.

O custo da operação para os coxinhas, portanto, foi para o bolso do contribuinte paulista. Dinheiro público.

A Fiesp forneceu filé mignon para esses manifestantes, montou um pato gigante (e patético) no Congresso Nacional e gastou estimados 16 milhões de reais em publicidade para jornais e revistas se alinharem ao golpe do impeachment.

A Fiesp, nem todo mundo sabe, não vive só do dinheiro dos industriais de São Paulo. Ela recebe recursos do imposto sindical (único caso em todo o mundo) e do chamado Sistema S, que incluem o Sesi e o Senai, que vive de repasses de dinheiro público.

Acusar manifestantes de serem financiados por dinheiro público, no caso das manifestações de esquerda, não é só irresponsável, ainda mais vindo de um jornalista - é covardia. Porque é o tipo de acusação que conta com a blindagem da mídia e com a ignorância dos analfabetos políticos que a disseminam.

Ao contrário dos almofadinhas que costumam encher de verde-e-amarelo a Esplanada dos Ministérios, essas pessoas não moram no Plano Piloto nem nas proximidades de Brasília. Não podem vir de carro com papai e mamãe e depois ir lanchar no McDonald's. 

Muitas delas enfrentaram 48 horas de viagem e precisam, sim, de ajuda para comer e dormir. E é por isso, também, que existem sindicatos, centrais sindicais, associações e federações de trabalhadores. Para ajudá-los nessas horas.

Que sejam, portanto, bem vindos a Brasília, que recebam kits, marmitas, sanduíches, refrigerantes, dinheiro e abraços.

Eles merecem. E nós somos gratos que eles tenham vindo até aqui defender o Brasil e a democracia brasileira.***

China já vive em 2020, por Pepe Escobar

28/3/2016, Pepe Escobar, Strategic Culture Foundation


(o "Excepcionalistão") faz contra o Brasil hoje visa, também, a empurrar o Brasil bem para trááááááás, para nos isolar e nos distanciar dos demais países BRICS, principalmente de Rússia e China.

Esse, precisamente, é o assunto sobre o qual
 NINGUÉM jamais lerá nos veículos da indústria da informação, no Brasil-2016.

(Entreouvido na Vila Vudu)

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Consumido por incontáveis manifestações da própria crise existencial, mais uma vez o 'ocidente' não viu ou subestimou o mais importante show na política chinesa – as famosas "duas sessões", a Conferência Política Popular Consultiva e o Congresso Nacional do Povo, o mais alto corpo legiferante do país – que concluiu com a aprovação do 13º Plano Quinquenal da China.

Evento chave foi o comunicado, pelo premiê Li Keqiang, de que Pequim trabalha para alcançar crescimento médio, de 2016 a 2020, superior a 6,5% ao ano – baseado em "inovação". Se forem bem-sucedidos, à altura de 2020 nada menos que 60% do crescimento econômico da China virá de avanços no campo da tecnologia e da ciência.

Ataque sempre o país errado, por Dmitri Orlov


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Há incontáveis táticas acessíveis aos que visam a tornar os problemas sempre piores, ao mesmo tempo em que fingem que os estariam resolvendo, mas apontar para qualquer outro lado é sempre a tática preferida. O motivo pelo qual tanto se interessam em tornar piores os problemas é que problemas sempre geram lucros – para alguém. E o motivo pelo qual tanto fingem que os resolvem está em que causar problemas e, em seguida, piorá-los, expõe os que lucram no pioramento como gente ruim, o que é mau.

Na arena internacional, esse tipo de mira aparentemente desencaminhada tende a assumir aspecto farsesco. Os que lucram no pioramento dos problemas do mundo são os membros dos establishments da política exterior e das forças armadas dos EUA, empresas fornecedoras da Defesa e políticos em todo o mundo, especialmente na União Europeia, que aqueles establishments já subornaram para que nada façam. A tática de mira desencaminhada é condicionada por um tique que se observa na opinião pública norte-americana, pelo qual ninguém, ali, se preocupa muito com o que se passe no resto do mundo.