Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu
[De "Introdução", in Kishlansky, 1995] Lin Tse-Hsu (1785-1850) foi o Comissário Chinês em Cantão, cujas ações precipitaram as Guerras do Ópio (1839- 1842). Embora o ópio fosse consumido na China há séculos, só depois do início do comércio de chá com a Holanda e mercadores ingleses, surgiram na China os meios que permitissem importar grandes quantidades da droga. No início do século19, o ópio era o principal produto que a empresa inglesa Companhia das Índias Orientais comerciava na China – e a dependência de ópio ia-se convertendo em problema social grave. Quando seu próprio filho morreu por overdose de ópio, o imperador decidiu pôr fim ao comércio.
Lin Tse-Hsu foi mandado ao Cantão, principal porto comercial da Companhia das Índias Orientais, com instruções para negociar o fim da importação de ópio para dentro da China. Os negociantes ingleses não mostraram qualquer boa vontade ou disposição para negociar. Diante da intransigência, Lin Tse-Hsu ocupou os armazéns de ópio da empresa. Essa ação levou à reação militar imediata. Os chineses foram derrotados de modo arrasador e tiveram de assinar tratado humilhante que legalizou o comércio de ópio. E o Comissário Lin foi demitido e expulso da China.
A "Carta de Conselhos à Rainha Vitória", desse mesmo Comissário Lin Tse-Hsu, que aqui se lê foi escrita antes de eclodirem as Guerras do Ópio. É documento de impressionante franqueza, dada, sobretudo a linguagem altamente estilizada da diplomacia chinesa. Não se sabe com certeza se a Rainha Vitória chegou a ler a carta. Quem a escreveu, sem dúvida possível, sim, morreu no exílio.
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CARTA:
Sua Magnificência Nosso Grande Imperador tranquiliza e pacifica a China e países estrangeiros e olha para todos com idêntica gentileza. Se há lucros, ele os partilha com todos os povos do mundo; se há ofensa, ele a remove de onde esteja, para o bem do mundo. Tudo isso, porque leva na mente os saberes de céu e terra.






