quinta-feira, 12 de maio de 2016

Guerra do Ópio - Carta de Conselhos à Rainha Vitória

De: Lin Zixu (tb. Lin Tse-Hsu), c. 1839 (Chinese Cultural Studies e CyberHarvard)*

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


[De "Introdução", in Kishlansky, 1995] Lin Tse-Hsu (1785-1850) foi o Comissário Chinês em Cantão, cujas ações precipitaram as Guerras do Ópio (1839- 1842). Embora o ópio fosse consumido na China há séculos, só depois do início do comércio de chá com a Holanda e mercadores ingleses, surgiram na China os meios que permitissem importar grandes quantidades da droga. No início do século19, o ópio era o principal produto que a empresa inglesa Companhia das Índias Orientais comerciava na China – e a dependência de ópio ia-se convertendo em problema social grave. Quando seu próprio filho morreu por overdose de ópio, o imperador decidiu pôr fim ao comércio.

Lin Tse-Hsu foi mandado ao Cantão, principal porto comercial da Companhia das Índias Orientais, com instruções para negociar o fim da importação de ópio para dentro da China. Os negociantes ingleses não mostraram qualquer boa vontade ou disposição para negociar. Diante da intransigência, Lin Tse-Hsu ocupou os armazéns de ópio da empresa. Essa ação levou à reação militar imediata. Os chineses foram derrotados de modo arrasador e tiveram de assinar tratado humilhante que legalizou o comércio de ópio. E o Comissário Lin foi demitido e expulso da China. 
A "Carta de Conselhos à Rainha Vitória", desse mesmo Comissário Lin Tse-Hsu, que aqui se lê foi escrita antes de eclodirem as Guerras do Ópio. É documento de impressionante franqueza, dada, sobretudo a linguagem altamente estilizada da diplomacia chinesa. Não se sabe com certeza se a Rainha Vitória chegou a ler a carta. Quem a escreveu, sem dúvida possível, sim, morreu no exílio.
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CARTA:


Sua Magnificência Nosso Grande Imperador tranquiliza e pacifica a China e países estrangeiros e olha para todos com idêntica gentileza. Se há lucros, ele os partilha com todos os povos do mundo; se há ofensa, ele a remove de onde esteja, para o bem do mundo. Tudo isso, porque leva na mente os saberes de céu e terra. 

terça-feira, 10 de maio de 2016

Elites sórdidas desgraçaram EUA.

Agora se põem a 'denunciar' Trump e Sanders, para fazerem-se de salvadores 
8/5/2016, Anis Shivani, 
Salon (apud Naked Capitalism)

Entreouvido na Vila Vudu:

Aplicado ao golpe Brasil-2016, pode-se dizer o mesmo: "Elites sórdidas desgraçaram o Brasil. Agora se puseram a 'denunciar' Cunha/Maranhão como se esses fossem os únicos responsáveis pelo golpe para derrubar Dilma: queimam arquivos, para fazerem-se de salvadores".
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Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Essa semana, na noite da primária de Indiana, li [New York Reviewum dos mais repugnantes artigos políticos em que tive a infelicidade de tropeçar.

Foi um 'sinal de alarme', disparado por Andrew Sullivan, provavelmente o mais consumado hipócrita de toda a era Bush (ao lado de Christopher Hitchens, parceiro dele em inúmeros crimes; lembram-se do "islamofascismo"?). Sullivan declara que a eleição de Trump seria evento de nível "de extinção total" ["Democracias morrem, se são democráticas demais", New York Times, 1/5/2016]. OK. Talvez seja.

Mas a extinção que mais preocupa Sullivan é, claramente, a extinção das elites linha dura, nas quais ele está incluído, que sempre darão importância zero aos seres humanos comuns que não encontram emprego e que vivem nas piores condições de moradia que os EUA jamais vimos, e que estão tão desesperados à procura de uma saída da armadilha fatal em que foram metidos, que, para eles, até um sujeito como Trump começa a parecer racional.

Impedimento venceu. Golpe gorou, por Vanderley Guilherme dos Santos






IMPEDIMENTO VENCEU



Não há reversibilidade possível no processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff. O atual Supremo Tribunal Federal não tem coesão para tanto ousar, declarando inconstitucional a decisão iniciada pela Câmara dos Deputados e completada pelo Senado Federal. 


Os fundamentos da acusação à presidente são precários, a sentença é notoriamente desproporcional, mas a convergência de conspirações entre agentes econômicos, maiorias parlamentares conservadoras, ressentimentos de ricos e remediados, com a liga propiciada pelo oligopólio dos meios de comunicação, historicamente antidemocráticos, alcançou eficácia inédita na contra-história golpista brasileira. 


A nova normalidade: Guerra Fria 2.0, por Pepe Escobar

5/6/2016, Pepe Escobar, SputnikNews

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Todos estamos vivendo tempos de Guerra Híbrida. Da R2P ("responsabilidade para proteger") às 'revoluções coloridas'; de ataques a moedas, a manipulação no mercado de ações.


De golpes 'brandos' organizados e perpetrados pelo complexo judiciário-financeiro-político-midiático – como se vê hoje em andamento no Brasil – a apoio a jihadistas 'moderados', estágios variados de Guerra Híbrida operam hoje a polinização cruzada de vários vírus e geram uma máquina operada por vírus mutantes.



O conceito de Guerra Híbrida, concebido na Av. Beltway em Washington, já foi virado de pernas para o ar pelos próprios conceptualizadores. 



A OTAN, fingindo surpresa até por o conceito existir, interpreta o que chama de "invasão" da Ucrânia pelos russos, como Guerra Híbrida. Assim, os teóricos iniciais criadores da Guerra Híbrida, como a corporação RAND, recebem alvará para avançar, inventando cenários de jogos de guerra nos quais a Rússia seria capaz de invadir e ocupar os estados do Báltico – Estônia, Latvia, e Lituânia – em menos de 60 horas.


Trump e seu jogo de longo prazo

Elizabeth Drew, New York Review of Books, vol. 63, n. 9, 26/5/2016


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Desde que entrou na corrida presidencial, Donald Trump só faz derrubar pressupostos e 'certezas'. Agora, a questão central é se a abordagem que escolheu para conseguir a indicação do Partido Republicano lhe servirá também nas eleições gerais. De pouco adianta estudar mapas de resultados passados no colégio eleitoral, principalmente da eleição de Obama em 2012, e tentar projetar o futuro a partir daqueles dados – exercício que sugere uma provável vitória de Hillary Clinton. Por um lado, não estamos mais em 2012; além do mais, obviamente, Donald Trump não é Mitt Romney. (Nem Hillary Clinton, Barack Obama.) 


sábado, 7 de maio de 2016

The Saker - Contrapropaganda à moda russa

6/5/2016, The Saker, Unz Review The Vineyard of the Saker

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Quem acredite na mídia-empresa 'ocidental' tem a impressão de que o Kremlin controla toda a mídia-empresa russa com mão de ferro, e que não se permite nem uma palavra de crítica contra a Rússia, e contra Putin, então, nem se fala(ria). 


Essa situação está tão feia, que os anglo-sionistas puseram-se agora a prover fundos para novos esforços "de informação" para contra-atacar a máquina de propaganda russa e assegurar que o povo russo – que claramente não suspeita(ria) de que só lhe são fornecidas mentiras – receba a tão necessária "informação"; assim os anglo-sionistas cuidarão para que o povo russo só ouça verdades e opiniões 'do outro lado'.

De fato, nada mais longe da realidade.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O STF e a Coalizão Satânica do Golpe





A hora da longa resistência


Por ação e omissão o Supremo Tribunal Federal é a mais recente instituição recrutada pelo cronograma do golpe de Estado patrocinado pela coalizão satânica entre o Legislativo e o Ministério Público. A expressão “satânica” não é arroubo retórico nem irritação partidária.

Não custa repetir, reconheço no surgimento e crescimento do Partido dos Trabalhadores a mais importante novidade na história brasileira, fazendo com que a classe trabalhadora estreasse no mercado de consumo de bens de segunda e terceira necessidades e, por sua própria conta e risco, na competição política.