terça-feira, 31 de maio de 2016

Linha vermelha, infringida; na alça de mira; dedo no gatilho — À espera da 'Surpresa de Outubro'

30/5/2016, John Helmer, Dance with Bears (Moscou)


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Primeiro, foi o anúncio da linha vermelha infringida. Na 6ª-feira passada em Atenas, a coisa foi sobre alça/área de mira. Em outubro, um mês antes das eleições nos EUA, será dedo no gatilho. 

EUA e aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, estão a caminho de guerra contra a Rússia, acelerando a inevitabilidade de a Rússia atacar em procedimento de autodefesa. Isso precisamente é o que dizem os dois avisos que o presidente Vladimir Putin já deu. Para a fase dedo no gatilho, não haverá novo aviso.

Atacar Rússia. Atacar China. Atacar Irã, por Pepe Escobar

28/5/2016, Pepe Escobar, Strategic Culture Foundation


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Não passa um dia sem que a Think-Tankelândia dos EUA faça o que faz de melhor: promover todos os tipos imagináveis de guerra fria – e quente – contra a Rússia, mais miríades de provocações/confrontos com China e Irã.

Combina com as Cinco Principais ameaças existenciais contra os EUA listadas pelo Pentágono, lista na qual Rússia e China têm o trono e o Irã aparece em 4º lugar – à frente do "terrorismo" do tipo falso "Califato" do Daech [a lista clássica do gen. Clapper: 1) Rússia, 2) China, 3) N. Korea, 4) ISIL (NTs)].

Aqui já reuni alguns fatos resumidos de realpolitik para contra-atacar a histeria – mostrando como a vantagem real dos russos com seus mísseis supersônicos torna inútil todo o constructo da retórica paranoica da OTAN.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O Escracho como Ferramenta de Luta Democrática, por Wanderley Guilherme dos Santos


A MENSAGEM POPULAR É CLARA: FORA COM OS USURPADORES!


O governo interino de Michel Temer age com a truculência de força de ocupação em território estrangeiro: desconsidera a história local, subverte os laços de solidariedade e cancela as políticas aprovadas coletivamente. Mesmo um governo de oposição eleito segundo as regras do jogo evita bagunçar a vida da comunidade, e não só porque os padrões de relacionamento entre o poder público e os grupos da sociedade estão incorporados ao cálculo de futuro das pessoas. 

A prudência recomenda reconhecer que são vocacionadas para o fracasso as tentativas de apagar completamente os vestígios dos antecessores. O custo seria elevadíssimo, a fraude descomunal e o desmascaramento certo. Explicam-se, portanto, as idas e vindas das autoridades interinas, a atabalhoada adoção de políticas antes anunciadas pelo governo destituído e a pirraça de renomear o que já existe. Baratas tontas enfurecidas e míopes. Acresce o comprovado envolvimento em traficâncias da maioria dos mandachuvas interinos, com previsão de que não causará surpresa se o próprio presidente precário vier a ser exposto como estrela da turma. 

Como o cargo de Delegado Federal está chocando o Ovo da Serpente



Quando se discute a conjuntura política atual, um equívoco muito comum é ignorar um dos principais elementos de atuação e interferência na dinâmica do Estado Democrático de Direito atual, a participação da Polícia Federal, sobretudo do ponto de vista do uso de informações sigilosas adquiridas ao longo da Operação Lava Jato.

Quem comete esse equívoco não só retira da análise um fator crucial para entender a dinâmica dos acontecimentos, como mascara que a posição da Polícia Federal, para ser mais específico, de uma categoria dela, os delegados, nunca foi uma postura de neutralidade. Na verdade, os sucessivos acontecimentos evidenciam cada vez mais como os delegados estão operando uma ruptura do ponto de vista das funções do Departamento de Polícia Federal e, sobretudo, da legalidade democrática.

Houve um golpe de Estado no Brasil, por Paul Craig Roberts


Traduzido por Tanya & Eugene



No Brasil, o maior jornal do país publicou transcrição de uma gravação privada vazada para o jornal. As palavras registradas constituem a trama das ricas elites brasileiras, envolvendo tanto os militares brasileiros corrompidos pelos EUA quanto o Supremo Tribunal Federal, para remover a presidenta democraticamente eleita do Brasil, sob falsas acusações, a fim de parar as investigações das elites corruptas que habitam no Senado brasileiro, e por um fim à participação do Brasil nos BRICS. A tentativa Russo-Chinesa para organizar um bloco econômico independente de Washington já perdeu 20% de seus membros.

A democracia foi derrubada no Brasil, como na Ucrânia, Honduras – na verdade, em todos os lugares em que Washington coloca suas mãos sujas, incluindo os próprios Estados Unidos.

Glenn Greenwald relata sobre o extraordinário vazamento da gravação de 75 minutos das conversas entre as elites brasileiras, que planejaram a trama para enquadrar a Presidenta do Brasil, a fim de se protegerem.

O Governo da Presidente Dilma Rousseff estava lidando com a corrupta elite brasileira de forma estritamente legal, não revolucionária. Este foi um erro estratégico, uma vez que nem as elites brasileiras, nem os seus apoiadores em Washington dão a mínima para a legalidade. Para eles, o poder é a única força eficaz.

Eles usaram o seu poder para remover Rousseff da presidência, provando aos brasileiros que seus votos não são efetivos para decidir quem governa.

O mundo viu isso tantas vezes. É por isso que a Revolução Francesa, Marx, Lenin, e Pol Pot concluíram que a mudança era impossível a menos que as elites fossem exterminadas.

Na América Latina, os governos populistas, que conseguiram, contra todas as probabilidades, serem eleitos, amarram suas próprias mãos, estendendo a proteção do Estado de Direito a seus amargos inimigos domésticos, que se aproveitam da proteção que lhes foi dada para para usar seu poder para derrubar o governo eleito.

Sempre será assim. Sem Lenin, não haverá mudança na América Latina ou em qualquer lugar no mundo ocidental, corrupto e controlado pelas elites. No mundo ocidental, votar é perda de tempo. A farsa das eleições não é nada além de cobertura para o controle das elites. Os eleitores, sempre esperançosos, nunca compreendem.
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Dr. Paul Craig Roberts foi Secretário Assistente do Tesouro para Política Econômica e editor associado do Wall Street Journal. Ele era colunista do Business Week, Scripps Howard News Service, e Creators Syndicate. Ele teve muitas nomeações Universitárias. Suas colunas de internet têm atraído público em todo o mundo. Os livros mais recentes de Roberts são O Fracasso do Capitalismo Laissez-Faire e a Dissolução Econômica do Oeste (NT: em inglês, The Failure of Laissez Faire Capitalism and Economic Dissolution of the West), Como a América Foi Perdida (NT: em inglês, How America Was Lost), e A Ameaça Neoconservadora para a Ordem Mundial (NT: em inglês, The Neoconservative Threat to World Order).

EUA em silêncio preparam-se para a guerra, por John Pilger

27/5/2016, John PilgerCounterpunch


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Voltando aos EUA em ano de eleições, o que mais me espanta é o silêncio. Cobri quatro eleições presidenciais, a primeira em 1968; estava ao lado de Robert Kennedy quando foi assassinado e vi o assassino preparando-se para matá-lo. Foi um batismo à moda dos EUA, com a violência que salivava, da polícia de Chicago na conturbada convenção do Partido Republicano. Começava a grande contrarrevolução.

O primeiro que foi assassinado naquele ano, Martin Luther King, ousara associar o sofrimento dos afro-norte-americanos e do povo do Vietnã. Quando Janis Joplin cantou "Freedom’s just another word for nothing left to lose" ["liberdade é só mais uma palavra que resta para [significar] nada a perder"], falava, talvez inconsciente por milhões de vítimas dos EUA em terras distantes.

"Perdemos 58 mil soldados jovens no Vietnã, e eles morreram defendendo a liberdade de vocês. Tratem de não esquecer." Foi o que disse num serviço religioso no National Parks Service semelhante ao que filmei semana passada no Lincoln Memorial em Washington. Falava a um grupo de jovens adolescentes vestidos em camisetas cor-de-laranja. Como se sempre, rotineiramente, mostrasse a história oficial sobre o Vietnã como mentira nunca antes desmascarada.

domingo, 29 de maio de 2016

A Imprudência Norte Americana e as perspectivas de uma Terceira Guerra Mundial


Traduzido por Tanya & Eugene

Enquanto nossas guerras passadas são glorificadas neste final de semana do Memorial Day, reflitam um pouco sobre nossas perspectivas contra os russos e chineses em uma Terceira Guerra Mundial



O Saker relata que a Rússia está se preparando para a Terceira Guerra Mundial, não porque a Rússia pretenda iniciar a agressão, mas porque a Rússia está alarmada com a soberba e a arrogância do Ocidente, pela demonização da Rússia, por ações militares provocatórias pelo Ocidente, por interferência americana na província russa da Chechênia e nas antigas províncias russas da Ucrânia e da Geórgia, e pela ausência de qualquer restrição da Europa Ocidental sobre a capacidade de Washington de fomentar a guerra.

Como Steven Starr, Stephen Cohen, eu mesmo, e um pequeno número de outros analistas, o Saker entende a irresponsabilidade imprudente de persuadir a Rússia de que os Estados Unidos pretendem atacá-la.

É surpreendente ver a confiança que muitos americanos colocam na capacidade de suas forças armadas. Após 15 anos, os EUA têm sido incapazes de derrotar alguns Talibãs levemente armados e, depois de 13 anos, a situação no Iraque continua fora de controle. Isso não é muito animador para a perspectiva de enfrentar a Rússia, muito menos a aliança estratégica entre Rússia e China. Os EUA não conseguiram sequer derrotar a China, um país do Terceiro Mundo na época, na Coreia, 60 anos atrás.