quinta-feira, 9 de junho de 2016

Bernie, o Donald e os pecados do 'liberalismo esquerdista'

02.06.2016 - Steve Fraser,*  TomDispatch

Uma versão à norte-americana da luta de classes

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Erguendo-se das sombras do que os EUA reprimiram, Bernie Sanders e Donald Trump têm provocado calafrios pelos corredores do poder do establishment. Quem imaginaria tal coisa? Dois homens, dois marginais – embora em sentidos absolutamente diferentes –, parecem estar liderando rebeliões contra os masters do destino dos norte-americanos nos dois partidos; isso, depois de décadas durante as quais até imaginar a possibilidade de coisa semelhante seria tomado como pensamento ingênuo, no melhor dos casos; e delirante, no pior. A presença desses dois, maior que a vida, sobre o palco nacional talvez seja o evento mais improvável de todo o último meio século da vida norte-americana. Sugere que os norte-americanos estamos entrando em nova fase de nossa vida pública.

Há um ano, em meu livro The Age of Acquiescence [Era da Aquiescência], tentei decifrar um mistério já sugerido no subtítulo: "Ascensão e queda da resistência norte-americana contra a riqueza e o poder organizados." Dito de modo bem simples, aquele mistério era: Por que as pessoas rebelam-se em alguns momentos e aquiescem em outros?

A Destruição do BNDES, por Mauro Santayana

05.06.2016 - Mauro Santayana


O PORTA-AVIÕES BNDES


Na falta do que fazer, alguns segmentos da plutocracia brasileira, que tem proventos gordos - em muitíssimos casos, de mais que o dobro do Presidente da República - e que, ao contrário de nós, trabalhadores comuns e empreendedores, conta com estabilidade no emprego, insiste em dar lições aos "políticos" e meter-se, sem um voto reles de quem quer que seja, a administrar indiretamente o país.

Enfurecidos, ideologicamente, com o Estado que os alimenta - desde que não se mexa em seu salário, carreiras e privilégios - eles querem agora “diminuir” e ajudar a arrebentar com o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, um dos maiores símbolos do poder brasileiro - vejam, bem, da Nação, e não apenas do Estado nacional.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A Grande Muralha da Impotência do Pentágono, por Pepe Escobar

7/6/2016, Pepe Escobar, RT



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Ninguém nunca perdeu dinheiro apostando em que o Pentágono conseguiria controlar a própria retórica excepcionalista. 


Mais uma vez, o atual El Supremo do Pentágono e neocon de carteirinha Ash Carter, não desapontou no Diálogo Xangrilá – fórum anual regional de segurança em Cingapura e absoluto must-go, do qual participam ministros da Defesa, intelectuais e empresários executivos de toda a Ásia.

O contexto é tudo. O Diálogo Xangrilá é organizado pelo International Institute for Strategic Studies (IISS), com sede em Londres, que é, na essência, think-tank pró anglo-norte-americanos. E acontece no transportador privilegiado dos interesses geoestratéticos imperiais no sudeste da Ásia: Cingapura. 

Como disse o neocon Carter, a retórica do Pentágono – fiel à avaliação que o próprio Carter fez e divulga, segundo a qual a China seria a segunda maior "ameaça existencial" contra os EUA (a primeira seria a Rússia) – dá volta sempre em torno dos mesmos temas: o poderio e a superioridade militar dos EUA durará para sempre; somos o "principal avalista da segurança asiática" por, ok, sim, por toda a eternidade; e a China que se comporte no Mar do Sul da China, se não... a China já sabe!

Com a OTAN chegando lá, é hora de os russos incluírem a América Latina em seus jogos militares



Entreouvido na Vila Vudu:


Não se trata de 'recomendar' que os russos façam e aconteçam por aqui. Trata-se, isso sim, de fazer-ver que o mundo vê muito claramente a importância crucial que tem a América Latina nos jogos de guerra do século 21, nos quais se disputa o futuro: (i) ou perdura por mais algum tempo a dominação do já fracassado mundo unipolar sob 'comando' dos EUA -- talvez da Hilária "Vamos, vemos, todo mundo morre por lá" Clinton (Tesconjuro!); ou (ii) avança sobre o planeta o projeto de mundo multipolar sem comando dos EUA e coordenado pelos países BRICS.

O golpe no Brasil, a tentativa persistente de golpe na Venezuela, o avanço da direita na Argentina, dentre outros são, todos eles, eventos da grande disputa estratégica planetária em curso no século 21.
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Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Com Washington empenhada na maior expansão militar da história do mundo, sem qualquer atenção às ramificações globais de tamanhas arrogância e audácia, é mais que hora de a Rússia fazer um gesto simbólico no quintal dos EUA. 

No momento em que escrevo, três bombardeiros US B-52 Stratofortress acabam dedecolar de uma base norte-americana no estado de North Dakota, a caminho dos Estados Bálticos, onde participarão num jogo de guerra da OTAN que atende pelo codinome fofinho de "Golpe de Sabre" [ing. Saber Strike]. Esse congresso da gangue toda envolverá 10 mil soldados de 13 países da OTAN, além de vários aspirantes à condição de membro, como Suécia e Finlândia.

Alguma filosofia algum dia impedirá banqueiros de roubar?

7/6/2016, Lynn Parramore, The Institute for New Economic Thinking


Entreouvido na Vila Vudu:

Artigo ingênuo – mas, sim, emocionante. -- É mais uma tentativa para ajudar a fazer-ver o que há de muito grave em termos históricos, políticos e, claro, também éticos –, se UM BANQUEIRO ENGENHEIRO (Meirelles não é economista) com training na banqueiragem norte-americana – e preocupação ética nenhuma – assume o Ministério da Fazenda de um GOVERNO GOLPISTA (?!), no Brasil-2016.*
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Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Haveria algum espaço para a questão da moralidade no campo do banking e da regulação dos bancos? É muito conveniente para os banqueiros – que dedicam todas as horas do dia e todo o próprio trabalho em atividades temerárias e daninhas – que a simples pergunta já cause tanto mal-estar. 

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Rússia e o mundo multipolar, por Jacques Sapir

4/6/2016, Jacques Sapir, Rousseurope, Hypothèses


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



O conceito de "democracia soberana"

"Surkov, para construir seu argumento, apoia-se numa frase de Ernesto 'Che' Guevara, que distingue os países realmente soberanos, de um lado; e, de outro, os países que têm apenas 'aparência' de soberania e cuja política está em mãos das empresas multinacionais. 

Assim, a noção de "democracia soberana" não exige só o controle sobre organizações comandadas do exterior e que intervêm na vida política local, mas também exige que se controlem as empresas cuja atividade econômica tem impacto direto sobre o contexto da implantação ou da concepção das escolhas políticas locais. (...)

A noção de soberania portanto não se constrói só numa oposição à ingerência estrangeira, mas também na oposição à capacidade que têm algumas forças internas para esvaziar de todo o seu conteúdo real, o exercício da democracia. Daí que interpretar a noção de soberania unicamente no contexto das relações do Estado-nação com os outros atores das relações internacionais é erro evidente e um contrassenso."
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A Rússia soube adaptar-se ao que se conhece como "mundo multipolar". Mas, se a Rússia extraiu, deliberadamente ou obrigada a isso, todas as conclusões que se impunham a partir da evidência de que o mundo já é multipolar, o mesmo não se pode dizer da União Europeia (UE). É o que explica o crescimento dos desacordos entre UE e Rússia, que começaram bem antes da "crise ucraniana" e dos eventos dramáticos de 2014-2015 e que já se constatavam desde os anos 2003-2005.

domingo, 5 de junho de 2016

Míssil Fogo do Inferno (Hellfire) do Bem não acabará com os Talibã, por Pepe Escobar

31/5/2016, Pepe Escobar, Strategic Culture Foundation

Pois a picape Toyota Corolla branca do líder supremo dos Talibã Mulá Mansour batia pino pelo deserto do Baloquistão pouco depois de cruzar a fronteira iraniana, quando um míssil Hellfire disparado de um drone norte-americano a incinerou e fez dela um monte de ferro queimado e retorcido.

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Essa é a narrativa oficial. O Pentágono disse que Mansour estava na lista de matar de Obama porque se tornara "um obstáculo à paz e à reconciliação".

Claro que há muito mais do que isso. Mansour era empresário arguto que andava viajando muito frequentemente a Dubai – lavanderia histórica do dinheiro dos Talibã, onde se fazem todos os tipos de negócios escusos. Estava também em íntima conexão com Jundullah – codinome da muito hardcore milícia sunita anti-Teerã ativíssima na província iraniana do Sistão-Baloquistão.


Daquela vez, Mansour estava no Sistão-Baloquistão para uma consulta médica – supostamente para evitar hospitais no Paquistão, todos pesadamente monitorados pelo serviço secreto, o ISI [Inter-Services Intelligence]. Seja como for, a inteligência paquistanesa sabia sobre a tal consulta médica – e portanto a inteligência dos EUA pode também ter sido informada e pôde rastreá-lo.


Mas é aí que está a verdadeira bola na caçapa: a Nova Guerra do Ópio.