quinta-feira, 30 de junho de 2016

Brexit e a implosão da União Européia

27.06.2016, Samir Amin (texto enviado pelo autor, por e-mail)

Soberania nacional: para quê?

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

"Nessas circunstâncias é preciso afirmar a soberania nacional, para permitir os avanços fatalmente desiguais entre um e outro país, mas sempre em conflito contra a lógica do ordoliberalismo.
O projeto nacional soberano popular, social e democrático proposto neste artigo é concebido sempre com isso em mente. O conceito de soberania que opera aqui nada tem a ver com a soberania burguesa-capitalista; ele difere da soberania burguesa-capitalista e, nesse sentido, deve ser definido como soberania popular."



A defesa da soberania nacional crítica leva a mal-entendidos graves, se a retiramos do conteúdo social de classe da estratégia na qual se inscreve. O bloco social dirigente nas sociedades capitalistas sempre concebe a soberania como um instrumento necessário para promover seus próprios interesses, que se baseiam ao mesmo tempo na exploração capitalista do trabalho e na consolidação das suas posições internacionais. 

Hoje, no sistema neoliberal globalizado (que prefiro chamar de ordoliberal, tomando emprestado a Bruno Ogent esse excelente termo) dominado por monopólios financeirizados da tríade imperialista (EUA, Europa, Japão), as potências políticas responsáveis pela gestão do sistema para benefício exclusivo dos monopólios em questão concebem a soberania nacional como o instrumento que lhes permite melhorar suas posições "competitivas" no sistema global.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Elites? Vocês estão demitidas!

28/6/2016, Dmitry Orlov, Club Orlov

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

 "Expressão quase perfeita do fascismo são os recentes acordos de 'parcerias' comerciais trans-Atlântico e trans-Pacífico que o governo Obama negociou em segredo e os quais hoje, para grande alívio de todos, parecem ter morrido afogados. (...)
Mas muito mais importante que essas superficialidades financeiras, o que está realmente acontecendo é que a luta de classes voltou – voltou p'rá quebrar tudo –, até aqui só na Grã-Bretanha com o referendo pró-Brexit, mas com todo o jeito de se alastrar."


 Dado o que acontece nesse momento na União Europeia (UE) redux, é difícil não escrever um pouco sobre aquilo. De minha parte, nem resistirei à tentação. Bolsas despencam; bancos, à beira da bancarrota; o ouro, nas alturas e aqueles sujeitos na City de Londres e em Wall Street correm à caça do próprio rabo, com a cabeça em fogo. Mas muito mais importante que essas superficialidades financeiras, o que está realmente acontecendo é que a luta de classes voltou – voltou p'rá quebrar tudo –, até aqui só na Grã-Bretanha com o referendo pró-Brexit, mas com todo o jeito de se alastrar.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Brexit: tendências perturbadoras para Israel

25/6/2016, Jonathan CookMondoweiss 


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Saberes correntes dizem, depois de anunciado o resultado do referendum na Grã-Bretanha na 6a-feira, que a diferença pequena a favor de o país deixar a União Europeia – dito Brexit– é prova de que parte da Europa estaria re-afundando no nacionalismo e no isolacionismo. São saberes errados ou, no mínimo, muito simplistas.

O resultado, que surpreendeu muitos observadores, atesta a natureza profundamente viciosa da campanha que precedeu o referendum. Isso, por sua vez, refletiu uma falha chave da política moderna, não só na Grã-Bretanha, mas em quase todo o mundo desenvolvido: a reemergência de uma classe política absolutamente opaca, sem transparência, da qual não se exige que preste contas de coisa alguma, a ninguém.

O traço mais claro da campanha foi a ausência de campo de batalha ideológica identificável. Não se discutiram visões de mundo em confronto, valores ou sequer argumentos de qualquer tipo. O que se viu foi um concurso para ver quem metia mais medo no adversário, mais efetivamente.

domingo, 26 de junho de 2016

Um passo real a favor da paz e da democracia: Por que os britânicos disseram não à Europa

24.06.2016, John Pilger, Counterpunch


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


O voto da maioria dos britânicos a favor de seu país deixar a União Europeia foi ato de democracia crua e bruta. Milhões de pessoas comuns recusaram-se a ser assediadas, intimidadas e descartadas com desprezo não disfarçado, pelos seus eleitos, pressupostos os melhores, pelos grandes partidos, por 'líderes empresariais', pela oligarquia da banqueiragem e pela mídia-empresa.

Foi, em grande medida, um voto dos desmoralizados e mortos de medo, das vítimas da arrogância descarada dos que fizeram apologia do "Fica", agentes do desmembramento de uma vida civil socialmente justa na Grã-Bretanha.


Último bastião das reformas históricas de 1945, o Serviço Nacional de Saúde foi subvertido pelos privateiros apoiadores dos Tories e dos Trabalhistas, em luta para sobreviverem.


O primeiro aviso veio quando George Osborne, do Tesouro da Grã-Bretanha, encarnação simultânea do ancient regime britânico e da máfia da banqueiragem europeia, ameaçou cortar £30 bilhões dos serviços públicos, se a população votasse 'errado'. Foi chantagem em escala chocante.

Think-tank-elândia dos EUA sonham com colapso e agressão russa, apesar dos fatos, por Pepe Escobar

18.06.2016, Pepe Escobar, SputnikNews


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Funciona feito relógio. Os preços do petróleo estão outra vez em alta, como essa coluna previu que estariam, no início do ano. E a crescente possibilidade de Brexit põe em roda vida os centros de decisão da União Europeia (UE).


Assim sendo, é hora de a Think-tank-elândia dos EUA – da qual faz parte Stratfor, da CIA – renovar a ofensiva de 'noticiário', misturando "análises" de um iminente colapso econômico da Rússia com conclamações a favor de mais pressão pela OTAN contra as fronteiras ocidentais russas.

Há fortes argumentos a favor da noção de que Moscou não precisa de montanhas de investimento ocidental; é possível criar crédito na Rússia. Sobretudo, no ocidente há pouco dinheiro para investimento produtivo; o que abunda é dinheiro ferozmente especulativo. É caso, sempre mais, de dinheiro e crédito tipo fiat – que Moscou não precisa ir até o ocidente, para encontrar.

25/6/2016, Relatório de Situação (SITREP) by Scott Humor

25.06.2016 - Scott Humor, Vineyard of the Saker


Semana excelente para a sociedade russa, com muitas vitórias gigantescas, algumas inesperadas.

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Na 4ª-feira, o presidente Putin assinou uma lei federal que proíbe o Banco Central da Rússia de alterar as taxas de seguros de veículos durante o primeiro ano depois de contratados os seguros, noticiou o portal oficial russo de informação sobre leis.


Mas a essência dessa notícia nada tem a ver com seguros. A notícia é que Vladimir Putin realmente ocupou o Banco Central da Rússia. É evento que merece reflexão mais detida.

Agora, afinal, é bom que todos entendam, em perfeita clareza, quem realmente controla o Banco Central da Rússia: o presidente da Rússia.

sábado, 25 de junho de 2016

Inevitável novo tratado Alemanha-Rússia de cooperação econômica

24.06.2016, John Helmer, Dances with Bears, Moscou


Alô-alô Rapallo (1920 e 1922)!

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Estão em andamento negociações secretas já há algum tempo entre altos funcionários alemães e russos – das quais a chanceler Angela Merkel foi excluída. Avisada pela secretária de Estado assistente Victoria Nuland, e também em recente comunicado cifrado do presidente Barack Obama (em final de mandato), de que ela trate de agir para salvar sua autoridade e fazer valer as sanções da União Europeia contra a Rússia, Merkel também recebeu um ultimato do próprio partido e do próprio gabinete. Teve a forma de uma página arrancada de uma antiga Bíblia Germânica, na qual foi pintado um grande ponto negro. Ou ela se retira secretamente do comando do governo, ou será obrigada a renunciar publicamente.

Para mais detalhes sobre o significado do Ponto Negro leia aqui [em port., encontra-se também "Marca Negra"; ing. The Black Spot (NTs)].