terça-feira, 23 de agosto de 2016

Rússia e Irã reformatam a geopolítica do Oriente Médio

21/8/2016, MK Bhadrakumar, Indian Punchline


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Em declarações excepcionalmente assertivas no sábado, o ministro da Defesa do Irã general Hossein Dehqan disse em Teerã que mais bases militares iranianas poderão ser disponibilizadas para uso dos russos, dependendo de exigências operacionais, além da base aérea Hamadan que os bombardeiros russos já estão usando.

Acrescentou que não há limite algum imposto ao acesso de aeronaves russas para operarem também foram da base militar de Hamadan. Dehqan revelou que:


-- jatos e bombardeiros russos são livres para fazer reparos e carregar munição na base iraniana;


-- a cooperação militar do Irã com a Rússia nesse campo é "estratégica" por sua própria natureza; 


-- a cooperação brota de um pacto de defesa para aprofundar a cooperação militar "com vistas a agir mais harmonicamente, especialmente na luta contra o terrorismo";


-- o uso de bases militares iranianas pelos russos é tópico que está além do campo de decisão do Majlis [Parlamento] (implica dizer que se baseia em decisão do Supremo Líder);


-- a aliança Irã-Rússia visa a pôr fim rapidamente ao conflito na Síria.

A grande questão é se estaria sendo preparada uma aliança Irã-Rússia de segurança mútua – algo semelhante ao Tratado Indo-Soviético de 1971.

Senhores da guerra decidiram que "Trump, nunca!"?!

21/8/2016, Rebecca Gordon,* TomDispatch 


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Entreouvido na Vila Vudu:

Artigo interessante pelo que informa sobre os Republicanos nos EUA, mas perigosamente omisso na crítica contra a Hilária, Rainha do Caos, Senhora da Guerra, que vive de "ir, olhar, matar" e cacarejar risadas e que, em matéria de sordidez, nada fica a dever a nenhum Trump e a nenhum Temer.

Vivemos tempos interessantes... [pano rápido].



Não é todo dia que Republicanos publicam carta aberta para informar aos eleitores que o candidato deles à presidência dos EUA não pode chegar à Casa Branca. Seja como for, esse tipo de coisa tem acontecido cada vez mais frequentemente. O mais recente é o caso de 50 representantes do aparelho de segurança, homens – e umas poucas mulheres – que trabalharam nos governos Republicanos de Ronald Reagan a George W. Bush. Todos muito preocupados com Donald Trump.

Todos eles e elas entendem que devem nos alertar para o fato de que o candidato que os próprios Republicanos escolheram "não tem caráter, valores nem experiência para ser presidente".

Provavelmente é verdade, mas vindo de quem vem, pode ser ainda pior. Entre os signatários estão, além de outros, o homem que serviu como consultor jurídico no gabinete de Condoleezza Rice quando ela dirigiu o Conselho de Segurança Nacional (John Bellinger III); um dos diretores da CIA de George W. Bush, que também presidiu a Agência de Segurança Nacional (Michael Hayden); um embaixador do governo Bush à ONU e ao Iraque (John Negroponte); um arquiteto da política neoconservadora para o Oriente Médio adotada no governo Bush e que levou à invasão do Iraque, o qual, desde então, trabalha como presidente do Banco Mundial (Robert Zoellick). Em resumo, dada a história da "guerra global ao terror", aí está lista de criminosos de guerra potenciais, que ainda detêm muito poder.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Estratégia russo-iraniana muda o jogo, por Pepe Escobar

21/8/2016, Pepe Escobar, Strategic Culture Foundation


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Os bombardeiros russos Tu-22M3 Backfire – além dos jatos Sukhoi-34 – decolam do campo de pouso iraniano em Hamadan para bombardear jihadistas e sortimento variado de "rebeldes moderados" na Síria, e imediatamente nos vemos diante de movimento geopolítico da mais alta importância, não previsto, que muda tudo.

Os registros mostram que a última vez que a Rússia esteve militarmente presente no Irã aconteceu em 1946; e essa é a primeira vez, desde a Revolução Islâmica de 1979, que o Irã autoriza outra nação a usar território iraniano para operação militar.

Pode-se apostar que o Pentágono enlouquecerá completamente, feito gangue de adolescentes mimados furiosos. Já começou, com reclamações de que o aviso que os russos distribuíram não permitiu tempo suficiente para "preparação" – quer dizer, para se porem a bradar por todo o planeta que teria acontecido mais um episódio da "agressão russa", e, para piorar, em conluio com "os mulás". Na sequência, ainda mais desespero, com Washington a pretender que o Irã teria violado resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Hillary Clinton voa 35km em jato privado, para participar de reunião dos Rothschild em Nantucket e recolher fundos de campanha

21/8/2016, Tyler Durden, Zero Hedge


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Como noticiamos há poucos dias, Bill e Hillary Clinton passaram a noite de 6ª-feira em Martha's Vineyard celebrando os 70 anos de Bill. Foi negócio grande, que valeu a trabalheira de Obama, que deixou p'rá lá os flagelados da enchente em Louisiana e correu para a festa.

Agora se sabe que, na manhã seguinte, Hillary, que não é de perder tempo com arranjos de viagens plebeias, embarcou em seu jato privado e voou 30 quilômetros até Nantucket onde os Rothschilds organizavam uma reunião para levantar fundos de campanha. Evento aberto a todos... quer dizer, a todos que possam pagar $100 mil por cabeça, pelo convite. Façamos votos de que aí esteja um bom sinal de que a coisa do aquecimento global já foi resolvida e todos podemos dormir em paz, certos de que estamos protegidos de ataques violentos nas mãos do GUP (Grande Urso Porco) [ManBearPig].

domingo, 21 de agosto de 2016

Theresa May e o novo paradigma pós-neoliberal, por Jacques Sapir

9/8/2016, Jacques Sapir, RousseuropeHypothèses 


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Negócio MUUUUUUITO estranho:

(1) Grã-Bretanha foge do neoliberalismo globalizante (leia aí);
(2) 
Rússia foge do neoliberalismo globalizante;
(3) 
até EUA fogem do neoliberalismo globalizante...

Mas #ForaTemer insiste em re-afundar o Brasil nessa porra de neoliberalismo globalizante?!
 Como assim?! Aí tem coisa...

PARA NÃO ESQUECER

"Nós vamos ter um enfrentamento grave. Vocês se preparem."
(Presidente Lula da Silva, do Brasil, maio de 2006).
"Nosso programa para o segundo mandato é (1) mercado interno de massa, apoiado em um amplo programa de distribuição de renda; (2) revolução educacional; (3) política de exportações agressiva; e (4) integração sul-americana que adicione respostas continentais aos impasses econômicos gerados pela volatilidade mundial"
(Ministro José Dirceu, "O que está em jogo em 2006", 22/6/2006, Jornal do Brasil).




A Grã-Bretanha acaba de passar por evento de considerável importância, que pode indicar uma virada importante na política britânica e, também, por suas repercussões, também na França e em outros países europeus.

Mrs. Theresa May, primeira-ministra britânica, que acaba de substituir David Cameron depois do referendo que decidiu pela saída da Grã-Bretanha da União Europeia (o famoso Brexit), acaba de tomar uma medida lógica, quer dizer, praticamente revolucionária, no contexto de seu país. Ao presidir a primeira reunião da Comissão Interministerial sobre a "estratégia econômica e industrial, na 2ª-feira, 2 de agosto, May declarou-se decidida a pôr em pé uma verdadeira política industrial. Na Grã-Bretanha arrasada por mais de 35 anos de "neoliberalismo", essa declaração equivale a uma minirrevolução. O fato de que a decisão seja tomada por primeira-ministra conservadora, do partido de Margaret Thatcher, destaca o caráter revolucionário da medida tomada por Theresa May.

É movimento que anuncia mudança de paradigma. Os mais recentes estudos divulgados por organizações como o FMI pintam a globalização e o preço que custou e custa aos povos de modo bem mais claramente negativo do que há dez, 15 anos. Hoje se compreende que o conceito de globalização promovido pelo FMI (há dez anos) ou da OCDE, não é absolutamente a solução. Já é visível a volta atrás, sob uma forma de voluntarismo, que já se notava com [ministro da Economia] Arnaud Montebourg em 2012-2013.

Das palavras aos atos: Eixo Teerã-Pequim-Moscou muda tudo



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




No espaço de apenas uns poucos dias, a situação no Oriente Médio em geral e na Síria em especial passou por mudanças radicais. Mais importante, são boas mudanças, das quais podemos nos orgulhar, daquelas que fazem muita gente no Pentágono perder o sono. Putin está extraindo completa vantagem da paralisia institucional em que os EUA afundam-se em período de campanhas eleitorais e está, literalmente diante dos olhos vesgos e confusos dos norte-americanos, redistribuindo esferas de influência numa das regiões chaves do mundo. 

sábado, 20 de agosto de 2016

E se Trump aparecer com uma coalizão pós-partidos? Por Pepe Escobar

17/8/2016, Pepe Escobar, SputnikNews


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Hillary Clinton, Rainha do Caos, Senhora da Guerra, Golden Goldman Girl, GGG [Garota Goldman Dourada] é atualmente, para todas as finalidades práticas, candidata oficial bipartidária, representante seja dos neoconservadores seja dos neoliberais conservadores.

Além desses, devem-se incluir também Wall Street; fundos hedge selecionados, garotos(as)-propaganda da Parceria Trans-Pacífico [ing. TPP], os intervencionistas reunidos no Conselho de Relações Exteriores [ing. Council on Foreign Relations, CFR); os barões da mídia-empresa; as feras das empresas multinacionais; de fato, virtualmente todo oestablishment excepcionalista dos EUA, devidamente subscrito pelo mega-ricos e bipartidários 0,0001%.

Assim sendo, Donald J. Trump acaba relegado à surpreendente posição de marginal bilionário ególatra o qual, não se sabe como, delira que pode(ria) fazer o que bem entenda de todo o sistema, movido por inexaurível e desavergonhada audácia .


Sob esse tipo de dinâmica, Trump está sendo demonizado com fervor medieval pela mídia-empresa norte-americana. Sem nunca calar o bico – e gorjeando furiosamente por Twitter – a situação dele não melhora, e dá a impressão de que vive de comprar briga com multidões, em tempo integral. Para o establishment, os bilhões do homem nada significam: continuam a tratá-lo como escória, um joão-ninguém. É possível que seja insensível a qualquer tipo de empatia; mas fato é que o modo como está sendo tratado tem valido a Trump muita simpatia, que se alastra entre as massas norte-americanas brancas, sem acesso à universidade, iradas, semifalidas.