(traduzido ru.-ing., por Ollie Richardson & Angelina Siard, aqui retraduzido)
________________________________________
“Por essa razão é impossível exigir hoje de Putin [e de Lula, de Cristina Kirshner, de Rafael Correa e de alguns outros] que transforme radicalmente e derrube a elite: porque as condições internas e externas para que isso aconteça ainda não se desenvolveram, infelizmente.
O sistema atual ainda não exauriu todos os seus recursos, e continuará a lutar pela própria vida. O fim de qualquer formação social historicamente é processo longo; e não há como acelerá-lo ou empurrá-lo adiante. O problema não é quebrar o que existe. O problema está em compreender o que ocupará o espaço do que agora se acaba. Enquanto essa noção não estiver construída, o que aí está aí permanecerá.”
O capitalismo está reduzido a restos, vai-se enfraquecendo, mas ainda é forte demais para simplesmente sumir. O novo ainda está em formação e ainda não consegue desalojar o velho sistema.”
________________________________________
Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga
Quando tentava compreender, durante muitos anos, por que Putin não derruba a elite ainda governante na Rússia, mas trabalha com o que encontra no poder, percebi que pouca gente compreendia o que, de fato, estava em discussão. Especialistas já conhecem praticamente decorados, todos os fatos possíveis e imagináveis relacionados ao presidente, a biografia de Putin e toda a história de sua chegada ao cargo mais algo do governo russo. Mas poucos estudam a elite russa, motivo pelo qual se sabe muito menos sobre o que representa aquela elite e sobre se o presidente teria hoje algum espaço para influenciar radicalmente a elite – como fez Stálin, por exemplo –, ou se as oportunidades hoje são muito limitadas.