22/2/2019, Mohsen Abdelmoumen* entrevista Jean Bricmont **, American Herald Tribune[1]
Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga
Mohsen Abdelmoumen: Como você explica a submissão dos governos ocidentais e respectivas mídia-empresas a Israel?
Jean Bricmont: Pela pressão dos lobbies, a repetição incansável das solenidades que celebram o holocausto, etc. Cria-se assim uma situação na qual os intelectuais sionistas não podem ser criticados, sob pena de quem os critique ser declarado fascista ou nazista. Funciona muito eficazmente, e as pessoas calam-se por falta de coragem.
Mohsen Abdelmoumen: Por que, na sua opinião, todos que condenem a política criminosa de Israel são declarados antissemitas?
Jean Bricmont: Nem todos que criticam as políticas de Israel são tratados como antissemitas, não exageremos. Mas a crítica tem sempre de ser feita num quadro relativamente limitado. Podemos criticar em nome de direitos humanos, mas ninguém pode falar do direito de retorno para os palestinos, ou de temas que afetariam a legitimidade de Israel ou do que se conhece como “direito de existir”, de Israel.
Mas “direito de existir” é conceito oco em termos de Estados. Por exemplo, não acho que alguém possa afirmar que a Bélgica tenha “direito de existir”. Porque pode desaparecer amanhã, caso o país divida-se. Qualquer país pode escolher fundir-se com outro ou separar-se; o regime pode mudar. Mas quando se trata de Israel, ninguém é autorizado a avançar demais na crítica, ou propor boicote, por exemplo. Você ouvirá que estaria ‘singularizando’ o caso de Israel na crítica que estiver fazendo, que você critica Israel mais do que critica outros Estados. ‘Então’, seria antissemitismo.






