quarta-feira, 6 de março de 2019

“Coletes Amarelos propõem questões tão fundamentais, que nenhum governo europeu conseguiu responder”

22/2/2019, Mohsen Abdelmoumen* entrevista Jean Bricmont **American Herald Tribune[1]


Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



Mohsen Abdelmoumen:  Como você explica a submissão dos governos ocidentais e respectivas mídia-empresas a Israel?

Jean Bricmont: Pela pressão dos lobbies, a repetição incansável das solenidades que celebram o holocausto, etc. Cria-se assim uma situação na qual os intelectuais sionistas não podem ser criticados, sob pena de quem os critique ser declarado fascista ou nazista. Funciona muito eficazmente, e as pessoas calam-se por falta de coragem.

Mohsen Abdelmoumen: Por que, na sua opinião, todos que condenem a política criminosa de Israel são declarados antissemitas?

Jean Bricmont: Nem todos que criticam as políticas de Israel são tratados como antissemitas, não exageremos. Mas a crítica tem sempre de ser feita num quadro relativamente limitado. Podemos criticar em nome de direitos humanos, mas ninguém pode falar do direito de retorno para os palestinos, ou de temas que afetariam a legitimidade de Israel ou do que se conhece como “direito de existir”, de Israel. 

Mas “direito de existir” é conceito oco em termos de Estados. Por exemplo, não acho que alguém possa afirmar que a Bélgica tenha “direito de existir”. Porque pode desaparecer amanhã, caso o país divida-se. Qualquer país pode escolher fundir-se com outro ou separar-se; o regime pode mudar. Mas quando se trata de Israel, ninguém é autorizado a avançar demais na crítica, ou propor boicote, por exemplo. Você ouvirá que estaria ‘singularizando’ o caso de Israel na crítica que estiver fazendo, que você critica Israel mais do que critica outros Estados. ‘Então’, seria antissemitismo.

O prisioneiro que diz NÃO ao Grande Irmão, por John Pilger


4/3/2019, John Pilger, discurso numa manifestação em Sydney pela liberdade de Julian Assange, organizado pelo Partido da Igualdade Socialista (in Information Clearing House)


Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



Sempre que visito Julian Assange, nos falamos numa sala que ele conhece muito bem. Há uma mesa nua e quadros do Equador pelas paredes. Há uma estante cujos livros nunca variam. As cortinas sempre fechadas, nenhuma luz natural. É sufocante, cheira mal.

Eis a Sala 101.

Antes de entrar na Sala 101, tenho de entregar passaporte e telefone celular. Meus bolsos e o que eu leve comigo são vasculhados. A comida que levo para Julian é inspecionada.

O homem que faz guarda à entrada da Sala 101 fica sentado no que parece ser uma antiga cabine telefônica, de olhos postos numa tela, vigiando Julian. Há outros agentes do Estado escondidos por ali, vigiando, ouvindo tudo.

Venezuela, 2019 - Juan ‘Qualquer-Um’ Guaidó, volta... E é novamente ignorado

4/3/2019, Moon of Alabama


Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



Juan Guaidó, o cara que poderia ser outro qualquer, qualquer-um, tanto-faz, que diz ser ‘presidente interino’ da Venezuela, chegou (ontem) de volta a Caracas. Ninguém se deu o trabalho de o prender. Parece que a estratégia do presidente Maduro é simplesmente ignorar o tal Guaidó e esperar que quem do nada saiu, ao nada volte. Enquanto isso, a mídia-empresa norte-americana e o governo Trump fazem o diabo para adiar o evanescimento da criatura.

New York Times noticiou os planos do ‘Qualquer-Um’ Guaidó, de voltar à Venezuela:



O artigo conclui com essa curiosa passagem:


Esses aliados regionais são alguns dos 50 países, dentre os quais os EUA, que reconhecem [o ‘Qualquer-Um’ Guaidó] como presidente, não Maduro, que se autoempossou em janeiro para um segundo mandato, depois de eleições amplamente considerada não democráticas.


Estranho que alguém se ‘autoemposse’ em cargo público. Nem é o que a Constituição da Venezuela prescreve:

segunda-feira, 4 de março de 2019

Caxemira, Coreia, Venezuela, Irã: guerra híbrida, quente, fria, por Pepe Escobar

28/2/2019, Pepe Escobar, Asia Times

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



Girando e girando numa espiral crescente, a geopolítica do jovem século 21 parece uma mandala psicodélica concebida por Yama, Senhor da Morte.

Kim Jong Un, governante da República Popular Democrática da Coreia, repousado ao final de uma viagem de 70 horas por trem, reúne-se, na comunista e próspera Hanoi com seu concorrente na disputa pelo Prêmio Nobel da Paz Donald Trump, sob o olhar benevolente de Tio Ho.

Essa sentença, não faz muito tempo, teria sido recebida com uivos transcontinentais de escárnio.

Presidente Bashar al-Assad da Síria: “A guerra foi entre os sírios e o terrorismo. Os sírios triunfamos juntos, não uns sírios contra outros.”

17/2/2019, Presidente da República Árabe Síria, Bashar al-Assad, em Damasco, em reunião com os líderes recém eleitos dos Conselhos Locais de todas as províncias (Agência SANA).

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



Disse o Presidente al-Assad:

– “Estudos lançados durante a guerra contra a Síria por centros de pesquisa nos países que apoiam o terrorismo, e declarações de funcionários daqueles países, deixam ver que as políticas daqueles países contra a Síria apoiam-se sobre dois pilares: o apoio ao terrorismo, que é pilar temporário; e aplicar um tipo de descentralização diferente do que propõe a lei 107; a descentralização que enfraquece e marginaliza a autoridade do Estado, assim debilitando a soberania e a coesão nacional e o nacionalismo, o que pode levar à divisão social e, afinal, à divisão do território.

– Os que perseguem esses planos são limitados no modo de pensar, porque seus objetivos não podem ser alcançados sem efetiva divisão social na Síria, o que jamais aconteceu, ou a Síria já teria sido dividida logo nos primeiros anos, ou mesmo meses, da guerra.

“Mas nossos inimigos não aprendem com seus erros, e talvez seja até bom que não aprendam, porque assim continuam a repetir os mesmos erros” (...) “Há duas verdades que nunca mudam: a conspiração para tomar o controle não só da Síria, mas de todo o mundo, conduzida por Estados liderados pelos EUA; e o desejo de resistir do povo sírio, que permanece firme e cada vez mais firme e fundamente enraizado.”

Trump dobra-se à China, na guerra comercial: ainda bem!

26/2/2019, Tom Luongo, Gold Goats 'n Guns


Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



No fim de semana, 15 minutos antes da abertura dos mercados de futuros, o presidente Trump prorrogou as conversações comerciais entre EUA e China.

Não que surpreenda alguém. Porque o problema principal não é a China. O problema principal somos os EUA. Por que? Continue lendo.

A banalidade do Império

25/2/2019, Kenn OrphanCounterpunch

18/2/2019, Donald Trump, à comunidade de venezuelanos em Miami, na versão publicada pela Embaixada dos EUA em Cuba): “O socialismo, pela própria natureza, não respeita fronteiras. Não respeita fronteiras nem os direitos soberanos dos próprios cidadãos e de estados vizinhos. Sempre procura expandir-se, invadir e subjugar aos seus desejos populações inteiras.
Mas agora soou a hora final do socialismo em nosso hemisfério – e, francamente, também em muitos, muitos locais por todo o mundo. Os dias do socialismo e do comunismo estão contados, não só na Venezuela, mas também na Nicarágua e em Cuba”.
__________________________

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



Esse mês, a deputada Democrata recém chegada à Câmara de Deputados dos EUA Ilhan Omar criticou Trump por ter escolhido Elliot Abrams como seu enviado à Venezuela. Apesar de o questionamento ter sido muito suave, no que disse respeito ao imperialismo norte-americano (para  Ilhan Omar , “não há dúvidas” de que o objetivo dos EUA sempre foi apoiar a democracia e defender os direitos humanos), mesmo assim a deputada trouxe à baila o papel dos EUA nos massacres em El Salvador nos anos 1980s. Massacres nos quais Abrams está implicado. Também foi instrutivo, porque toda a cena foi imagem clara de o quanto está profundamente degradada a paisagem política norte-americana.