terça-feira, 17 de novembro de 2015

Lavrov da Rússia: "EUA não combatem a sério contra os terroristas na Síria"

17/11/2015, Moon of Alabama





Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Durante toda a semana passada, a Força Aérea da Rússia atualizou sua lista de alvos na Síria. Prepararam-se planos, as unidades foram designadas, a munição foi carregada.


Hoje, o presidente Putin anunciou que a destruição do avião russo de passageiros com 224 pessoas a bordo sobre a península do Sinai foi ação dos terroristas do grupo ISIS/ISIL/Daich, codinome "Estado Islâmico". Foram encontrados traços de explosivo em partes que estavam sendo examinadas do avião destruído.

Agora, a missão russa na Síria deixa de ser ajudar o governo sírio e passa a ser  assunto da autossegurança nacional da Federação Russa. O Parlamento Russo não poupou palavras, sobre os culpados reais pelo atentado:

"Os recentes trágicos desenvolvimentos confirmam o acerto e a relevância das repetidas advertências, feitas pela Rússia, de que a desestabilização permanente do Oriente Médio, pelos que reivindicam para eles a dominação global – em primeiro lugar os Estados Unidos da América –, pode levar à expansão da zona de caos sangrento e gerar numerosas outras tragédias humanas" – diz o documento.  – "França e outros estados europeus estão, como afinal se vê, colhendo as consequências da visão míope e da política autista de Washington."


Não há retorno nem prazo marcado para a Rússia.


Enquanto Putin falava, navios russos no Mar Cáspio, submarinos no Mediterrâneo e bombardeiros estratégicos de longo alcance que decolavam da Rússia lançaram 34 mísseis cruzadores contra alvos dos terroristas na Síria.

O ministério da Defesa da Rússia anunciou que duplicará o número de ataques aos terroristas usando 5 TU-160, 6 TU-95MS, 14 TU-22m3, 8 SU-34 e 4 SU-27sm além das 34 aeronaves que já estão na Síria. Os novos dispositivos de ataque são todos de longo alcance e provavelmente decolarão diretamente de território russo. Atacarão alvos estáticos que a inteligência conjunta russa-síria lhes designarão. 

Os aviões estacionados na Síria terão agora missão mais tática, no apoio direto a combate aéreo para o Exército Árabe Sírio e forças aliadas em campo. 

A capacidade de ataque será imediatamente duplicada e há planos para ampliá-la ainda mais, sendo o caso.

Os franceses, que agora bombardeiam terroristas do ISIS/ISIL/Daich, codinome "Estado Islâmico" em retaliação pelos ataques em Paris, também estão aumentando sua capacidade de ataque, movendo para a costa síria o seu principal porta-aviões. 

O presidente Putin ordenou pessoalmente que todos os navios russos no Mediterrâneo reconheçam as forças francesas na categoria de aliadas. Pode ser uma abertura à França e uma oferta para que Hollande abandone sua linha de oposição ferrenha à Síria e ponha fim ao apoio que a França continua a dar aos insurgentes anti-Síria.

Depois que Putin praticamente obrigou Obama a bombardear os pontos de venda de petróleo dos terroristas do ISIS/ISIL/Daich, codinome "Estado Islâmico", seu ministro de Relações Exteriores Lavrov deu ainda um passo adiante. Lavrov acusou diretamente os EUA de não estarem combatendo a sério contra os terroristas do ISIL/ISIS/Daich/Estado Islâmico, na Síria:

"O problema com a coalizão liderada pelos EUA é que, apesar de dizerem que o objetivo deles é combater contra exclusivamente os terroristas do Estado Islâmico e outros grupos, e de se terem comprometido a atacar o Exército Árabe Sírio (...), se se analisam os ataques feitos pelos EUA e sua coalizão contra posições terroristas durante, já, um ano inteiro, chega-se necessariamente à conclusão de que sempre foram ataques seletivos, eu diria, ataques para poupar, não para enfraquecer os terroristas, e na maioria dos casos são ataques que 'evitaram' cuidadosamente os terroristas que pudessem pressionar o Exército Árabe Sírio" – disse Lavrov. 

"Parece gato que quer comer o peixe, mas não quer molhar os pés. Eles querem que os terroristas enfraqueçam Assad o mais rapidamente possível, para forçar o presidente da Síria a renunciar de um modo ou de outro, mas não querem ver os terroristas com força suficiente para tomarem o poder."

Que os EUA não estavam combatendo a sério contra os terroristas do ISIL/ISIS/Daich codinome "Estado Islâmico" já era perfeitamente evidente para qualquer observador. Mas agora é avaliação pública e posição exposta universalmente pela Rússia, e os EUA terão de reagir.


Talvez o plano de Lavrov seja forçar os EUA a lutarem com mais seriedade contra os terroristas. Com os ataques na França e o atentado contra o avião russo já decifrado (e mais coisas provavelmente virão à tona), as chances de que aconteça como Lavrov talvez deseje não são assim tão fracas.

A Rússia 'isolada' que nunca esteve de fato isolada, agora está totalmente não isolada. A posição retórica dos EUA é agora defensiva, com a Rússia assumindo a liderança na luta contra os terroristas na Síria. Mas os EUA ainda querem dar a impressão de que estariam fazendo alguma coisa:

O secretário de Estado dos EUA John Kerry disse na 3ª-feira que seu país está iniciando uma operação com a Turquia, para completar a segurança na fronteira norte da Síria. 

"Toda a fronteira norte da Síria – 75% dela já está fechada. E estamos entrando numa operação com os turcos, para fechar os restantes 98 quilômetros" – disse Kerry em entrevista à CNN.

Não é mudança assim tão impressionante. Doravante, atravessar a fronteira e todas as modalidades de contrabando exigirão alvará, ou de algum serviço secreto turco ou da CIA. 


Só haverá mudança real na posição dos EUA, quando pararem de garantir apoio a todas as variadas forças terroristas que combatem contra o governo sírio. Mas isso talvez exija choque ainda maior que um ataque em Paris ou um avião russo derrubado no Sinai. *****

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