quinta-feira, 31 de março de 2016

Ódio Seletivo, por Leandro Fortes

31.03.2016 - Leandro Fortes em seu Facebook




Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, deixou as catracas do metrô livres para que, em 13 de março, os manifestantes contra Dilma - entre os quais estavam fascistas, racistas e dementes defensores da intervenção militar - pudessem encher a Avenida Paulista.

Em 18 de março, quando a manifestação foi pró-Dilma, cada um teve que pagar a sua passagem.

O custo da operação para os coxinhas, portanto, foi para o bolso do contribuinte paulista. Dinheiro público.

A Fiesp forneceu filé mignon para esses manifestantes, montou um pato gigante (e patético) no Congresso Nacional e gastou estimados 16 milhões de reais em publicidade para jornais e revistas se alinharem ao golpe do impeachment.

A Fiesp, nem todo mundo sabe, não vive só do dinheiro dos industriais de São Paulo. Ela recebe recursos do imposto sindical (único caso em todo o mundo) e do chamado Sistema S, que incluem o Sesi e o Senai, que vive de repasses de dinheiro público.

Acusar manifestantes de serem financiados por dinheiro público, no caso das manifestações de esquerda, não é só irresponsável, ainda mais vindo de um jornalista - é covardia. Porque é o tipo de acusação que conta com a blindagem da mídia e com a ignorância dos analfabetos políticos que a disseminam.

Ao contrário dos almofadinhas que costumam encher de verde-e-amarelo a Esplanada dos Ministérios, essas pessoas não moram no Plano Piloto nem nas proximidades de Brasília. Não podem vir de carro com papai e mamãe e depois ir lanchar no McDonald's. 

Muitas delas enfrentaram 48 horas de viagem e precisam, sim, de ajuda para comer e dormir. E é por isso, também, que existem sindicatos, centrais sindicais, associações e federações de trabalhadores. Para ajudá-los nessas horas.

Que sejam, portanto, bem vindos a Brasília, que recebam kits, marmitas, sanduíches, refrigerantes, dinheiro e abraços.

Eles merecem. E nós somos gratos que eles tenham vindo até aqui defender o Brasil e a democracia brasileira.***

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