quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Redatores do Partido Comunista da China: O livro vermelho de Xi

11/10/2017, Jun Mai, South China Morning Post











A convocação chegou em 2015. He Yiting, vice-presidente do Setor de Treinamento para Quadros de Comando do Partido Comunista da China, recebeu ali a missão que ocuparia completamente os dois anos seguintes de sua vida.

Dez professores universitários, dois anos e um só trabalho chave, com dedicação integral – para definir o pensamento de Xi Jinping para todos os quadros do PCC.

Veterano assessor de três presidentes, He é especialista reconhecido em ideologia e propaganda, altamente qualificado para esse novo serviço.

Passou 24 anos no Gabinete Central de Pesquisa Política, onde trabalhou numa equipe de conselheiros de políticas nacionais e como redator-chefe de discursos oficiais.

Também é visto há muito tempo como assessor no qual o presidente Xi Jinping confia.

A nova missão de He: pesquisar e definir o modo como Xi aborda a questão de governar a China e, na sequência, pôr esse conhecimento em formato palatável para os 90 milhões de membros do Partido, até os escalões mais inferiores, de modo que todos possam absorver o conhecimento novo e aplicá-lo.

O professor He foi auxiliado nessa missão de dois anos por nove outros professores especialistas da Escolha Central do PCC e, juntos, a equipe de redatores construiu uma campanha de propaganda para conquistar corações e mentes e interessar os chineses no modo de pensar do presidente Xi.

Foi esforço monumental, que teve de lidar também com a juventude de Xi, nos anos de tumulto da Revolução Cultural – como Xinhua noticiou na 3ª-feira.

Detalhes do projeto de dois anos vieram à tona agora, no momento em que o Partido prepara-se para a reunião, semana que vem, de seu Congresso quinquenal o qual, como todos esperam, consagrará o nome e o pensamento político de Xi nos anais do PCC, com o mesmo status e destaque que mereceram dois falecidos líderes, Mao Tse Tung e Deng Xiaoping.

A partir do instante em que foram encarregados da tarefa histórica, ela se tornou o principal foco da instituição e dos professores – diz o jornal.

"A escola tratou essa missão como sua principal tarefa política e constituiu imediatamente um painel com 10 dos principais especialistas chineses" – prossegue o jornal.

O painel foi constituído com professores de várias gerações e idades que vão dos 30 aos 80 anos. Esse painel era parte de um projeto mais amplo, intitulado "Estudo e construção de teoria marxista", dedicado a catalogar os termos que circulam no partido e respectivos significados.

Um dos conselheiros do projeto, Cao Zhenghai, especialista em comunicação, faleceu, aos 58 anos, antes de o projeto estar concluído.

Outro membro do grupo foi o jornalista e quadro do PCC Xu Guangchun. Xu foi o porta-voz do Partido no Congresso Nacional do PCC em 1997 e chegou a ser chefe do Partido na província de Henan.

E sem demora o painel começou a produzir e lançar seus volumes.

Quando Xi foi elevado à posição de "núcleo" do Partido, em reunião de alto nível no outono passado, o painel rapidamente lançou um volume em que explicava por que o presidente fora elevado ao mesmo status de Mao, Deng e Jiang Zemin antes dele.

O painel também publicou livro muito divulgado em que se detalham os sete anos de trabalho duro de Xi durante a Revolução Cultural.

Xi foi mandado para uma vila remota na província de Shaanxi, de 1969 a 1975, e o livro Xi Jinping’s Seven Years as an Educated Youth, publicado anonimamente no início de 2017, reúne uma seleção de entrevistas com pessoas que conviveram e trabalharam com ele naquele momento. Há detalhes também de como Xi e outros adolescentes de Pequim descobriram chocados a pobreza da vila e tiveram de se adaptar a tudo, das moscas à dieta pouco nutritiva.*****



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