sexta-feira, 20 de julho de 2018

MoA: Israel declarou-se estado de apartheid

19/7/2018, Moon of Alabama


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Hoje, Israel declarou-se estado de apartheid:

"O Knesset [parlamento israelense] aprovou nessa 5ª-feira uma lei muito controversa que define Israel oficialmente como pátria nacional do povo judeu e afirma que "a realização do direito de autodeterminação em Israel é exclusivo para o povo judeu", com 62 deputados votando a favor da nova lei, e 55 contra.
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A lei do estado-nação também inclui cláusulas pelas quais uma "Jerusalém unida" é a capital de Israel; e o hebraico é idioma oficial do país. Outra cláusula diz que "o estado vê o desenvolvimento de assentamentos [são colônias (NTs)] como valor nacional e agirá para encorajar e promover o estabelecimento e a consolidação [de mais colônias]."




"A lei, que tem status de lei básica (aproximadamente o mesmo de uma lei constitucional em países que têm Constituição escrita), foi aprovada na madrugada da 5ª-feira por 62 votos a favor e 55 contra, depois de horas de discussão e debates ferozes. Entrará em vigor logo que seja publicada no Diário Oficial do Knesset.
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Numa cláusula que enfureceu os deputados árabes, a lei declara explicitamente que "o direito de exercer autodeterminação nacional no Estado de Israel é exclusivo do povo judeu."


A lei determina a segregação:


[parte da lei visa a promover o] "estabelecimento e a consolidação de assentamentos de judeus".


Israel jamais definiu as próprias fronteiras. Apossou-se ilegalmente de toda a terra pública na Cisjordânia ocupada. Essa terra passa agora a ser garantida com exclusividade a colonos judeus:


"Ao longo das cinco décadas de controle sobre a Cisjordânia, Israel demarcou como terra pública centenas de milhares de acres, e alocou quase metade disso para uso público.

Mas apenas 400 desses acres – 0,24% do total da terra alocada até agora – foi destinada a ser usada por palestinos, segundo dados obtidos por um grupo que se opõe às colônias em terra palestina, e que recebeu informações solicitadas nos termos da lei da liberdade de informação. Cerca de 80% da população da Cisjordânia são palestinos.
O grupo Peace Now disse que os demais 99,76% da terra foi entregue para uso de colonos israelenses."

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Conversações de Helsinki Trump tenta reequilibrar o triângulo global

17/7/2018, Moon of Alabama


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


"No futuro hoje previsível, o mundo terá três centros de poder. Uma Anglo-América atlanticista, Rússia e China. (A Europa, envelhecida e desunida, irá para onde os ventos a levem.) Esses centros de poder jamais farão guerra direta uns contra outros, mas não pararão de criar situações para desestabilizar as respectivas periferias. Coreia, Irã e Ucrânia estarão no centro desses conflitos. E interesses na Ásia Central, na América do Sul e na África também terão papel e peso."


As reações dos EUA polidos à conferência de imprensa dos presidentes Trump e Putin são engraçadíssimas. A 'mídia' está enlouquecendo. Parece que foi Pearl Harbor, Golfo de Tonkin e 11/9 tudo no mesmo dia. A guerra começa amanhã. Mas contra quem?

Por trás do pânico estão visões de Grande Estratégia que competem entre elas.

Agora, relendo a transcrição dos 45 minutos da conferência de imprensa (vídeo, ing.), pareceu-me tediosa. Trump nada disse que já não tivesse dito. Poucas referências ao que os dois presidentes realmente disseram, sobre o que realmente conversaram e em que pontos se acertaram. Mais tarde, Putin disse que a reunião foi mais substantiva do que havia previsto. Do que falaram a sós, haverá poucos vazamentos, se houver. Para compreender o que aconteceu, teremos de esperar para ver como se desenvolverão agora as situações nas várias áreas de conflito, na Síria, na Ucrânia e em outros pontos.

O lado 'liberal' dos EUA fez de tudo para impedir que o encontro acontecesse. A recente acusação encaminhada por Mueller foi cronometrada para sabotar o encontro. Antes da reunião em Helsinki, o New York Times retuitou uma charge homofóbica já publicada há três semanas, em que Trump e Putin são mostrados como amantes. 

É realmente uma desgraça para a "Grey Lady" [lit. "A Dama Grisalha", o New York Times[1]] publicar tal lixo, mas dá o tom que os demais repetirão incansavelmente. Depois da conferência de imprensa, os agentes de campo anti-Trump de sempre entraram em surto:

Rolê pelo lado selvagem. Trump encontra Putin na Estação Finlândia, por Pepe Escobar

17/7/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


"Todo mundo tinha de pagar e pagava
um michê aqui, um michê ali"
Rolê pelo lado selvagem (Lou Reed)

"O outro elemento do gênio de Marx é uma intuição psicológica peculiar: ninguém jamais enxergou com olhos tão implacáveis a infinita capacidade humana de não perceber ou de encarar com indiferença a dor que infligimos aos outros, quando temos oportunidade de tirar algum lucro, da dor infligida" (WILSON, Edmund, Rumo à Estação Finlândia. Escritores e Atores da História, trad. Paulo Henrique Brito. São Paulo: Companhia das Letras, 1972).*
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"A Guerra Fria é coisa do passado". Quando o presidente Putin disse tal coisa, nos comentários preliminares à conferência de imprensa que os dois presidentes, Trump e Putin deram em Helsinki, já era claro que não poderia durar. Não depois de tamanho investimento, dos conservadores norte-americanos, na Guerra Fria 2.0.

Russofobia é indústria que opera 24 horas/dia, 7 dias/semana, e inclui tudo e todos, também a mídia-empresa vassala, que permanece lívida de fúria ante a "amaldiçoada" conferência conjunta Trump-Putin. Trump está em "colusão" com a Rússia. Traidor. Como pode o presidente dos EUA promover a "equivalência moral" com um escroque de fama mundial"?

Não faltaram oportunidades para surto de indignação apoplética.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Sabotadores da paz correm para Helsinki - Agora, é Trump contra o Partido da Guerra

16/7/2018, Justin Raimondo, Antiwar.com


Traduzido (e comentado) pelo Coletivo Vila Vudu






Se ainda houvesse qualquer dúvida de que a boataria chamada "Russia-gate" [lá; cá no Brasil-do-golpe, a boataria chama-se "Lava-Jato"] é esquema inventado pelo Partido da Guerra [lá; aqui é inventado pela tucanaria e paulistada do PMDB kurruptos plus STF-com-tudo] para tentar salvar sua fracassada política exterior [lá; aqui é para salvar o autocu deles mesmos] e depor presidente democraticamente eleito [nos EUA, Trump; no Brasil, o presidente Lula], nesse caso a acusação formal feita por Robert Mueller [lá; e pelos Moros-Dalanhóis-STF-4 & STF-com-tudo, cá] de 12 supostos agentes do serviço secreto russo (GRU), acusados de "interferir" nas eleições de 2016 [lá; aqui todo mundo é formalmente acusado de corrupção, exceto os mais conhecidos, identificados, fotografados e premiados pela Globo corruptos do Brasil,], resolve a questão de uma vez por todas.

Querem que todos acreditemos que foi simples coincidência a acusação ter sido divulgada exatamente na véspera de Trump encontrar-se com o presidente da Rússia Vladimir Putin em Helsinki?

Acusação de 12 indivíduos que jamais contestarão as acusações, e que não terá de ser provada acima de qualquer dúvida razoável em tribunal legal – é distribuída para quem? Não para algum júri competente, mas para os jornais e televisões. Só propaganda. Pura propaganda para sabotar o encontro entre Trump e Putin – uma iniciativa Helsinki de paz –, antes mesmo de a reunião acontecer!

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Encontro Putin-Trump em Helsinki: Objetivos maiores que Síria e o Oriente Médio, por Elijah J. Magnier




Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Presidentes Vladimir Putin e Donald Trump (...) discutiram em Helsinki, Finlândia, questões muito mais importantes que eventos no Oriente Médio. Apesar da importância intrínseca, a situação na Síria não é tão urgente quanto esclarecer as intenções dos EUA em relação à Rússia e o desejo potencial de ambas as partes de desenvolver o relacionamento comercial-militar-de segurança entre os dois países.


Os EUA parecem não ter compreendido até hoje que a Rússia não tem qualquer intenção de engajar-se numa guerra nem numa corrida armamentista, cujos resultados seriam caríssimos para os dois lados. Ao contrário, Putin aspira a uma cooperação comercial com Trump e à abertura dos mercados mundiais, com benefício para a prosperidade econômica em todo o mundo.



Os EUA parecem viver ainda o complexo dos "vermelhos" (os partidos comunistas), apesar de a União Soviética comunista já não existir, nem o Partido Comunista da União Soviética. A realidade por trás da abordagem agressiva dos EUA contra a Rússia tem a ver com disputas pela dominação planetária ou (dito talvez mais claramente), só tem a ver com a "contribuição" dos russos para pôr fim à hegemonia mundial dos EUA.

EUA: "Sairemos de al-Tanf e do norte, se Irã sair da Síria." por Elijah J. Magnier

13/07/2018, Elijah J Magnier, Blog


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu






Alto funcionário do governo sírio informa que "EUA enviaram mensagem ao presidente Bashar al-Assad da Síria, para informar sobre o que deseja o establishment dos EUA. Segundo a mensagem, haveria um projeto de Israel compatível com o projeto de Donald Trump de retirarem as respectivas forças da Síria com o mínimo dano possível. Trump gostaria de evitar o destino dos soldados norte-americanos durante os anos de Georges Bush, quando milhares de soldados norte-americanos foram mortos em ação".

Segundo a mesma fonte envolvida em supervisionar toda a operação militar para os últimos anos de guerra na Síria, "o presidente Assad respondeu com absoluta clareza ao establishment norte-americano. "A Síria" – disse Assad – "está decidida a libertar todo o território sírio sejam quais forem as consequências. Todos sabemos que há um preço a pagar pela libertação do norte da Síria, ainda ocupada por EUA e Turquia, forças que não foram convidadas pelo governo sírio. É preço que pagaremos, se for preciso pagar."

A Cruzada Geopolítica de Trump

14/7/2018, Rostislav Ishchenko, uckraina.ru, in Stalkerzone [trad. ru.-ing. Ollie Richardson e Angelina Siard, in The Vineyard of the Sakerversão aqui retraduzida]


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Apesar de não concordar com inúmeros pontos trazidos no 
artigo, o Blog o publica para que o leitor faça seu julgamento.




Se se aborda essa questão com sensibilidade, sem excesso de emoções, logo se vê claramente que o "imprevisível Trump" é, na verdade, mais previsível que o "previsível Obama".


Ouvimos incontáveis vezes que Trump seria o empresário que não entende de política e age com ousadia e firmeza, mas atira para todos os lados, sem sistema, e estaria destruindo a ordem ocidental existente sem nada oferecer em troca. Será mesmo?