quarta-feira, 24 de maio de 2017

Samuel Pinheiro Guimarães: “Quanto mais cedo Temer cair, pior para a oposição”

24/5/2017, Samuel Pinheiro Guimarães,* Socialista Morena







1. A vitória ideológica/econômica/tecnológica dos Estados Unidos sobre a União Soviética, a adesão russa ao capitalismo e a desintegração da Rússia e a adesão da RPC ao sistema de instituições econômicas liderado pelos Estados Unidos e a abertura chinesa controlada às MNCs levaram à consolidação da hegemonia política/imperial dos Estados Unidos.

2. As diretrizes da política hegemônica norte-americana são:

– induzir a adoção, por acordos bilaterais e pela imposição, por organismos “multilaterais”, dos princípios da economia neoliberal;

– manter a liderança tecnológica e controlar a difusão de tecnologia;

– induzir o desarmamento e a adesão “forçada” dos países periféricos e frágeis ao sistema militar norte-americano;

– induzir a adoção de regimes democráticos liberais, porém de forma seletiva, não para todos Estados;

– garantir a abertura ao controle externo da mídia.

Ahmadinejad: "Confronto com sauditas não terá fim"

22/5/2017, Claudio Gallo, La Stampa, Itália




"Mas o que Ahmadinejad realmente disse foi que nenhum confronto com os sauditas jamais terá vencedor: não é exatamente o que se lê na manchete de La Stampa" [Entreouvido no bochicho aqui]












Os EUA se querem divididos e fracos" (Ahmadinejad)


O quartel-general de Mahmoud Ahmadinejad está instalado no elegante quarteirão de Velenjak, no setor norte de Teerã. Presidente do Irã por oito anos, Ahmadinejad fez alguns movimentos para voltar à política, mas o Guia Supremo o proibiu. Sessenta anos, de aparência jovem e saudável, vestido com elegância, tem às costas de sua poltrona a bandeira do Irã. Continua muito presidencial. Sabíamos que não tinha autorização para falar com a mídia, mas Ahmadinejad é homem de infringir e desobedecer. Antes de iniciar a entrevista reza a primeira sura do Corão. 

Senhor Ahmadinejad, o que pensa da vitória de Rohani?

"Tenho muito a dizer sobre essa discussão, mas não falaremos disso".

Como o senhor avalia o acordo nuclear e o novo estilo presidencial de Trump?

"O problema dos EUA é que querem governar o mundo inteiro, especialmente o Oriente Médio. Trump veio para trazer mais guerra por conta dos capitalistas, mas fracassará. O capitalismo está em vias de se esgotar, perdeu a capacidade de se renovar. A economia foi convertida em espaço de injustiça, também na Europa. A democracia está submetida e controlada. O sistema que Trump representa está condenado a desaparecer, ainda que não seja imediatamente. Mas não se deve focar exclusivamente a figura do presidente dos EUA, porque quem decide não é ele, são outros."

A Nova República acabou, e ninguém sabe o que vem depois

20/5/2017, Diário Classe Operária Online (Editorial)










É tradição na política francesa separar as etapas da política do País em repúblicas. A Primeira República começou com a Revolução e se encerrou com a coroação de Napoleão. A tradição continua até hoje, nestas eleições, um candidato pelo Partido Socialista defendeu a criação da Sexta República, para substituir a que existe desde 1958.

As repúblicas representam um regime político, é natural que a França, uma nação de tradição de debate político, apresente isso de maneira clara. 

O Brasil também teve as suas “repúblicas”, tivemos a República Velha, o Estado Novo, o período entre a ditadura varguista e os anos de chumbo foi chamado de República Liberal, todos delimitavam uma clara diferença de regimes políticos.

Em todas estas repúblicas havia uma relação específica entre a burguesia e as classes oprimidas, entre setores da burguesia, existia um pacto social. Representado por partidos políticos da época, instituições e seus papéis, quando o pacto se rompia, abria-se uma crise e começava um processo de destruição do regime, de criação de outro.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

História de como os neoconservadores tomaram os EUA (Parte 4)

10/5/2017, Paul Fitzgerald e Elizabeth Gould, in Truthdig e The Vineyard of the Saker



Parte 4/4 – Estágio final da tomada dos EUA pelas elites 'maquiavélicas': de Trotsky a Burnham e de Burnham e 'Maquiavélicos' ao neoconservadorismo: fecha-se o ciclo do imperialismo britânico[9]
















Capa da edição de 1550 de "O Príncipe" de Machiavelli e "A Vida de Castruccio Castracani".

A recente afirmativa, pela Casa Branca de Trump de que Damasco e Moscou teriam distribuído "falsas narrativas" para desviar a atenção do mundo, de modo a que ninguém visse o ataque com gás sarin dia 4 de abril em Khan Shaykhun, Síria, é perigoso passo adiante na guerra de propaganda em torno de "fake news" lançada nos últimos dias do governo Obama. E é passo cujas raízes profundas na IV Internacional Comunista de Trotsky [muito mais, isso sim, de 'seguidores-deformadores' de Trotsky (NTs)] têm de ser bem compreendidas, antes de se decidir quanto ao que realmente se passa aí.

Agitando o lodo para turvar as águas com empenho jamais visto desde os anos do senador Joe McCarthy e do "Medo Vermelho" [ing. Red Scare] nos anos 1950s, a "Lei de Combate à Desinformação e à Propaganda" [ing. "Countering Disinformation and Propaganda Act" assinada e convertida em lei quase clandestinamente por Obama em dezembro de 2016 autoriza oficialmente a ação de uma burocracia de censores só comparável ao Ministério da Verdade que George Orwell nos mostra em seu romance 1984.

Vitória e derrota das ideias soberanistas, por Jacques Sapir


16/5/2017, Jacques Sapir, Russeurope, Hypotheses











O período atual está marcado por uma forte contradição. O 1º turno da eleição presidencial na França trouxe a vitória cultural das forças soberanistas. O 2º turno, uma derrota confirmada, das mesmas forças. A derrota nesse caso explica-se pela persistência dos mecanismos ideológicos de demonização da Frente Nacional. Mas os mesmos mecanismos foram reativados também pela incapacidade, muito visível na última semana, para articular com clareza um projeto coerente e, sobretudo, pela incapacidade de levar esse projeto, com dignidade, ao debate televisionado antes da votação. Essa derrota confirma tanto as limitações da candidata – sejam limitações ideológicas, políticas ou de organização –, como também confirma a divisão da corrente soberanista.

Recordemos os fatos: os soberanistas explicitamente alcançaram mais de 47% dos votos no 1º turno, se se somam os votos dados ao conjunto de candidatos que defendem posições ou teses soberanistas. Além desses, também se pode supor que exista um 'exército de reserva' de eleitores soberanistas entre os eleitores de François Fillon. Certo número desses apoios, inclusive entre os deputados, nunca fizeram segredo de sua adesão às teses soberanistas. É claro portanto queimplicitamente, o soberanismo já foi maioria no 1º turno. E em momento algum cedeu fosse o que fosse de suas posições, especialmente quanto ao euro. Mas no 2º turno essa maioria desfez-se. A oposição entre esses dois eventos, ambos indiscutíveis, traz à luz ao mesmo tempo a diversidade das posições soberanistas e as dificuldades para reuni-las.

João Pedro Stedile convoca o povo para NÃO sair das ruas


Belo Horizonte, Entrevista, 18 de Maio de 2017 às 14:51, Brasil de Fato


Ver também
"Donos do golpe iniciam a demissão de Michel Temer",
Rui Costa Pimenta, 
GGN, 18/5/2017 









João Pedro Stedile, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Frente Brasil Popular, analisa em entrevista o cenário político brasileiro, o papel da Globo, as divisões no campo golpista e fala sobre a necessidade de construção de um governo de transição e da construção de um projeto popular para o Brasil.

Brasil de Fato - Qual o interesse da Globo em divulgar esses áudios e por que eles insistem em eleições indiretas?

João Pedro Stedile - A Rede Globo se transformou no principal partido da burguesia brasileira. Ela cuida dos interesses do capital, utilizando sua força de manipulação da opinião pública e articulando os setores ideológicos da burguesia, que inclui o poder judiciário, alguns procuradores, a imprensa em geral, etc. Eles sabem que o Brasil (e o mundo) vive uma grave crise econômica, social e ambiental, causada pelo modus operandi do capitalismo. E isso aqui no Brasil se transformou numa crise política, porque a burguesia precisava ter hegemonia no Congresso e no governo federal para poder aplicar um plano de jogar todo peso da saída da crise sobre a classe trabalhadora. Portanto, a Globo é a mentora e gestora do golpe.

Porém, a saída Temer, depois do impeachment da Dilma, foi um tiro no pé, já que a sua turma - como revelou o próprio Eduardo Cunha - era um bando de lúmpens, oportunistas e corruptos, que não estavam preocupados com um projeto burguês de país, mas apenas com seus bolsos.

A Operação Carne Fraca foi um tiro no pé, que ajudou a desacreditar essa turma do PMDB, pois vários deles estavam envolvidos e provocaram um setor da burguesia agroexportadora. Agora, eles precisam construir uma alternativa ao Temer. A forma como ele vai sair se decidirá nas próximas horas e dias, se por renúncia, se cassam no TSE ou mesmo aceleram o pedido de impeachment no Congresso. E nas próximas semanas se decidirá quem colocar no lugar.

Muitos fatores incidirão e o resultado não será algum plano maquiavélico de algum setor, mesmo da Globo, mas será resultado da luta de classes real, de como as classes se comportarão nas próximas horas, dias e semanas.

Putin e Xi alinhados na montagem da nova ordem (comercial) mundial, por Pepe Escobar

16/5/2017, Pepe Escobar, RT










A história recordará que o Fórum Cinturão e Estrada em Pequim marcou o momento e as circunstâncias em que as Novas Rotas da Seda do século 21 assumiram o pleno caráter de Globalização 2.0 – a "globalização inclusiva", como o presidente Xi Jinping definiu-a em Davos, no início desse ano. 

Já falei das apostas monumentais que rolam nesse quadro (aqui e aqui). Terminologia, claro, permanece, como problema de importância secundária. Antes definido como "Um Cinturão, Uma Estrada" [ing. One Belt, One Road (OBOR)] está agora promovido a "Iniciativa Cinturão e Estrada" [ing. Belt and Road Initiative (BRI). Muita coisa permanece perdida na tradução ao inglês, mas o que importa é que Xi deu jeito e pôs na cabeça, principalmente de todo o Sul Global, a miríade de possibilidades que há no conceito.