quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Desmascarada: Doutrina Trump e a carnificina do neoeixo do mal, por Pepe Escobar

20/9/2017, Pepe Escobar, Asia Times (reproduzido em The Vineyard of the Saker)









Nada de "discurso profundamente filosófico". Sequer um show de "realismo com princípios" – como a Casa Branca havia espalhado. O presidente Trump na ONU foi de "carnificina à EUA", tomando emprestada a expressão do autor de discursos e nativista Stephen Miller.

É preciso deixar 'baixar' a enormidade do que acaba de acontecer, devagar. O presidente dos EUA, diante da burocracia enfatuada que se faz passar por "comunidade internacional", ameaçou "varrer do mapa" toda a República Popular Democrática da Coreia (25 milhões de almas, metade da população do estado de São Paulo, NTs). E também varrerá (se varrer a Coreia do Norte) vários outros milhões de sul-coreanos como dano colateral.

Regime nos EUA não age de boa fé, por Neil Clark

31/8/2017, Neil Clark, RT








© Omar Sobhani / Reuters

A única surpresa quanto à recente reviravolta nas falas de Donald Trump sobre o Afeganistão é que tantos pareçam tão surpresos.

Eleito para o Salão Oval como crítico severo do envolvimento dos EUA em caríssimos conflitos no Oriente Médio, por uma população cansada de guerras, "O Donald" acabou por se revelar precisamente tão presidente pró-guerras quanto os que vieram antes dele. Ordenou ataque com 59 mísseis Tomahawk contra um campo de pouso do governo sírio e lançou a 'Bomba Mãe de Todas as Bombas' sobre o Afeganistão. Isso, além de ameaçar Coreia do Norte e Venezuela e escalar o envolvimento dos EUA contra um Iêmen devastado pelo cólera.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Irã revoluciona a Arte de Negociar, por Pepe Escobar

16/9/2017, Pepe Escobar, Asia Times








O Irã é um elo chave de conectividade nas rotas seja da Ásia Central seja do Cáucaso. Foto: iStockphoto/Getty

Com o presidente Hasan Rouhani preparando-se para falar à Assembleia Geral da ONU em New York e o governo Trump e aliados em lobby incansável para desqualificar o acordo nuclear do Irã, Teerã só faz assinar acordos e mais acordos de negócios com asiáticos e europeus.


Para o governo chinês, Irã – e Paquistão – são tão importantes em termos geopolíticos que os dois são tratados como nações de interesse do ministério do Interior no leste da Ásia (não no Oriente Médio, no caso do Irã), ao lado de Japão e Indonésia.

E precisamente como o Paquistão via o Corredor Econômico China-Paquistão (CECP), o Irã é nodo essencial das Novas Rotas da Seda, também conhecidas como Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE).

EUA na Guerra da Coreia: Matar a esperança




16/9/2017, William Blum, in Information Clearing House









Como aconteceu de a Guerra da Coreia não ter sido objeto de protestos equivalentes aos que cercaram a guerra no Vietnã? Tudo que vimos no Vietnã foi verdade histórica, antes, na Coreia: o apoio dos EUA a uma tirania corrupta, as atrocidades, o napalm, os massacres em massa de civis, cidades e vilas reduzidas a escombros, a gestão planejada do noticiário, sabotagem para desmontar toda e qualquer conversação de paz. Mas os norte-americanos foram convencidos de que a guerra na Coreia teria sido caso indiscutível de um país que, sem provocação, invade outro. Caso de os bandidos atacando os 'mocinhos', que estavam sendo salvos por super 'mocinhos', sem nem vestígio da dúvida moral, histórica e política que foi o dilema do Vietnã. A Guerra da Coreia 'começou' de um modo bem claro: a Coreia do Norte atacou a Coreia do sul, bem cedo na manhã de 25/6/1950. No caso do Vietnã... sempre foi como se ninguém tivesse ideia de como, quando ou por quê a guerra começou.

"Nações soberanas", principal tema de Trump na ONU

19/9/2017, Moon of Alabama








A ratificação do Tratado de Münster", 15/5/1648 (Maior)

Hoje o presidente dos EUA Donald Trump falou (rascunho de transcrição) à Assembleia Geral da ONU.

O principal tema do discurso foi soberania. A palavra ocorre 18 vezes (!). Enfatizou os princípios de Westphalia.



Esperamos que todas as nações cumpram esses dois deveres soberanos centrais, respeitar o interesse do próprio povo e os direitos de todas as demais nações soberanas.



Todos os líderes devem pôr o próprio país em primeiro lugar, disse ele, e "o estado-nação continua a ser o melhor veículo para elevar a condição humana."



A mensagem central do discurso de Trump foi a soberania. Boa rima com a ênfase, pode-se dizer isolacionista, daquele "EUA em primeiro lugar" da campanha eleitoral.


A segunda parte do discurso começou com ameaças à soberania de vários países que a classe governante dos EUA detesta tradicionalmente.

O "eixo do mal" esse ano incluiu Coreia do Norte, Irã, Venezuela, Síria e Cuba:



Os EUA temos muita força e muita paciência, mas se formos forçados a nos defender ou a defender nossos aliados, não teremos escolha que não seja destruir totalmente a Coreia do Norte. O homem do foguete está em missão suicida, dele e do seu regime. Os EUA estamos prontos, dispostos e capazes, mas esperemos que não seja necessário."


Muitos criticarão, que seria uso ultrajante e irresponsável das palavras. E é. Mas não é novidade.

Derrota militar dos EUA na Síria: gatilho para o colapso financeiro, por Dmitry Orlov

19/9/2017, Dmitry Orlov,* Club Orlov









Nos idos de 2007, escrevi Reinventing Collapse, onde comparei o colapso da URSS e o iminente colapso dos EUA. Há dez anos passados escrevi o seguinte:

"Os EUA que continuem imaginando que levar ao colapso uma moderna superpotência militar-industrial seria como fazer sopa: pique alguns ingredientes, aqueça e mexa. Os ingredientes que gosto de usar na minha sopa de colapso de superpotência são: déficit severo e crônico na produção de petróleo cru (esse elixir viciante mágico das economias industriais); severo e sempre crescente déficit na balança de pagamentos; orçamento militar descontrolado e crescente dívida externa. Obtêm-se o aquecimento e a mexida, muito eficientes, com alguma humilhante derrota militar e medo disseminado de catástrofe que se aproxime" (p. 2).


Uma década depois, todos esses ingredientes estão reunidos, com alguns pequenos acertos. A falta de petróleo não é, no caso dos EUA, falta de petróleo físico, mas falta de dinheiro: no cenário de declínio terminal do petróleo convencional nos EUA, o único aumento significativo na oferta vem do fracking, mas foi financeiramente ruinoso. Ninguém jamais fez dinheiro vendo petróleo extraído por fracking: o processo é caro demais.

Ao mesmo tempo, o déficit na balança de pagamento só faz alcançar recordes e mais recordes, o gasto da Defesa só faz aumentar, e os níveis da dívida não só já são estratosféricos como, além disso, continuam a aumentar. O medo da catástrofe advém dos furacões que acabam de pôr debaixo d'água partes significativas do Texas e da Flórida, dos incêndios de proporções jamais vistas no ocidente, dos aterradores rugidos do supervulcão de Yellowstone e da compreensão de que toda uma densa espuma de bolhas financeiras pode começar a espoucar a qualquer momento. Só faltava um ingrediente nos EUA: uma humilhante derrota militar.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Para ler Donald Trump - Sobre queimar livros, mas não ideias

14/9/2017, Ariel Dorfman,* Tom Dispatch








Os organizadores da reunião de suprematistas brancos em Charlottesville mês passado sabiam bem o que estavam fazendo quando decidiram carregar tochas em marcha noturna para protestar contra a derrubada de uma estátua de Robert E. Lee. Aquelas chamas dentro da noite visavam a evocar memórias de terror, de marchas passadas movidas a ódio e agressão puxadas pela Ku Klux Klan nos EUA e do Freikorps de Adolf Hitler na Alemanha.