terça-feira, 27 de junho de 2017

Moon of Alabama: Casa Branca diz que forjará "ataque químico" na Síria

27/6/2016, Moon of Alabama










A Casa Branca disse que o governo sírio estaria preparando "ataques com armas químicas". O que a Casa Branca disse é evidente falsidade. A Síria está derrotando os EUA e aliados, que atacaram o país. Qualquer ataque forjado teria efeito contra os sírios, não a favor deles. A 'declaração' da Casa Branca, portanto, tem de ser interpretada como preparação para mais um ataque dos EUA contra a Síria, em "retaliação" por conta de um "ataque com armas químicas" que os EUA estão preparando e que, na sequência, será declarado obra do governo sírio.

Em agosto de 2013, a Síria convidou inspetores da Organização para Proibição de Armas Químicas a investigar os ataques desse tipo que o Exército Sírio sofreu. No instante em que os inspetores chegaram a Damasco, um "ataque químico" foi encenado em Ghouta, perto de Damasco. Montanhas de vídeos jihadistas mostrando crianças mortas apareceram na 'mídia' 'ocidental' culpando o governo sírio pelo 'massacre'. Ninguém jamais explicou como ou por que o governo sírio teria a ideia de atacar em região militarmente irrelevante, no momento em que os inspetores chegavam à Síria e o governo sírio já começava a retomar o controle e o prestígio internacional.

O tal "ataque" foi indiscutivelmente forjado pela oposição ao governo sírio e seus aliados estrangeiros. O governo Obama havia planejado vários ataques contra o governo sírio, mas suspendeu esses planos quando a Rússia construiu a estratégia, vitoriosa, de retirar de território sírio as armas químicas estratégicas sírias orientadas contra Israel.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Onda de nacionalismo saudita, contra interesses dos EUA

24/6/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline












Ler folhas de chá na política saudita é missão arriscada. O que torna muito intrigante o júbilo em Moscou ante a nomeação de Mohammed bin Salman como príncipe coroado da Arábia Saudita.

O príncipe coroado que o rei Salman descartou, Mohammed bin Nayef, foi ministro do Interior da Arábia Saudita ininterruptamente desde 2012 e tem anos de experiência no serviço de inteligência. MbN costumava ser visto como o elemento mais pró-EUA na liderança saudita. Em fevereiro, Mike Pompeo fez sua primeira viagem internacional como chefe da CIA a Riad, para entregar a Medalha George Tenet a MbN, como reconhecimento por seu "excelente desempenho na Inteligência, no domínio do contraterrorismo, e sua inestimável contribuição para a segurança e a paz no mundo". (Al Jazeera)

Agora, passados apenas três meses, o rei Salman descartou MbN e substituiu-o pelo filho em quem mais confia. Estranho, não?

Elijah J. Magnier: EUA e Rússia à beira do abismo na Síria - Curdos sírios, os que mais perdem













A batalha entre aliados dos EUA e aliados da Rússia está em flagrante escalada no nordeste da Síria, criando risco real de que as superpotências deslizem para confronto direto, para protegerem cada um os próprios interesses. Mas ao final, Washington absolutamente não vencerá na Síria, e seus aliados – liderados pelos curdos sírios sob a bandeira de "Forças Democráticas Sírias, FDS [ing. Syrian Democratic Forces, SDF) – pagarão o mais alto preço.

House of Cards (saudita): A história por dentro, por Pepe Escobar

24/6/2017, Pepe Escobar, SputnikNews













Bem quando comentaristas de geopolítica recolhiam apostas para uma mudança de regime no Qatar – orquestrada por uma Casa de Saud desesperada –, a mudança de regime acabou por acontecer em Riad, orquestrada pelo Príncipe Guerreiro, Destruidor do Iêmen e Bloqueador do Qatar, Mohammad bin Salman (MBS).

Considerando a impenetrabilidade daquela oligarquia familiar do petrodólar do deserto travestida de nação, dar conta desse mais recente Game of Thrones árabe é tarefa de uns poucos estrangeiros com acesso garantido. E também não ajuda, que o abundante dinheiro dos lobbies sauditas – e dos Emirados – em Washington reduza virtualmente todos os think-tanks e jornalistas venais, à mais abjeta máquina de calúnia e difamação.

"Temos um baita problema", por Seymour M. Hersh

25/6/2017, Seymour M. Hersh, Welt Am Sonntag, Alemanha












Trump com seus auxiliares em Mar-a-Lago


Oficiais de inteligência não acreditaram no suposto ataque com gás sarin em Khan Sheikhoun. Welt Am Sonntag apresenta o protocolo de uma conversa entre um conselheiro de segurança e um soldado norte-americano da ativa, em serviço numa base chave da região.



Fizemos abreviações: Soldado Americano (SoldAm) e Assessor de Segurança (AsseSeg). Welt Am Sonntag sabe o local preciso do encontro. Por razões de segurança, alguns detalhes de operações militares foram omitidos.

6 de abril, 2017

Soldado Americano (SoldAm): Temos um baita problema.

Assessor de Segurança (AsseSeg): O que aconteceu? É Trump, que está ignorando a inteligência e vai atacar os sírios? Estamos mijando nos russos? É isso?

sábado, 24 de junho de 2017

Crise no Qatar: Origens e consequências

22/6/2017, SouthFront






A crise em curso que cerca o Qatar é o mais grave conflito surgido entre estados árabes do Golfo desde o fim da Guerra Fria. Enquanto esses petromilionários e autocráticos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) historicamente sempre foram na maioria aliados de conveniência unidos por medos partilhados (da URSS, de Saddam Hussein, do Irã, etc.), a desconfiança nunca antes cresceu entre eles, a ponto de algum deles exigir nada menos que rendição incondicional de outro 'colega' de OPEP. Vários traços interessantes dessa crise imediatamente saltam aos olhos.

EUA enfrentam revés histórico no Oriente Médio, por MK Bhadrakumar

23/6/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline










O bloco dos quatro países árabes puxados pela Arábia Saudita que impôs um embargo contra o Qatar dia 5/6 apresentou afinal sua carta de exigências. Despacho da AP [leia aqui], lista as 13 demandas. As que mais chamam a atenção incluem que Doha reduza os laços com o Irã, que rompa relações com o Hezbollah e a Fraternidade Muçulmana, que feche uma base militar turca que há no país e que extinga a rede estatal de comunicação Al Jazeera e vários outros veículos.


Interessante, o Qatar também deve "aceitar auditorias mensais durante o primeiro ano depois de aceitar todas as demandas; depois uma por trimestre, durante o segundo ano. Pelos seguintes dez anos, o Qatar será monitorado anualmente, para verificar o exato cumprimento das demandas." Tudo isso significa que só a capitulação incondicional, abjeta do Qatar satisfará seus 'grandes irmãos' – nada menos. E há também um cronograma a seguir – dentro dos próximos 10 dias –, ou todas as demandas perdem a validade.

Para mim, o Qatar verá rapidamente que essa 'ação' não passa de mal disfarçado movimento para 'mudança de regime'. A resposta do regime só pode ser uma: que aqueles figurões árabes se enforquem.

O que acontece a seguir? Dito em poucas palavras, o Oriente Médio Muçulmano (sunita) está à beira de um racha histórico, que terão consequências profundas para a segurança regional e internacional.