segunda-feira, 24 de abril de 2017

Tudo em jogo. França prepara-se para rasgar a partitura política, por Pepe Escobar

20/4/2017, Pepe EscobarAsia Times (escrito antes da eleição)










O Declínio do Ocidente, o destino da civilização ocidental, o desmonte da União Europeia, até o futuro da própria democracia. Todos os breques acionados, no que tenha a ver com como as eleições presidenciais francesas modelarão a geopolítica de um jovem e turbulento século 21.

E tudo a um passo de se resumir ao destino de três homens e uma mulher – nenhum exatamente talhado para a ocasião, muito mais sucumbindo, todos, sob o peso dela.

A corrida pelo primeiro turno no [próximo] domingo revelou-se uma versão galesa de House of Cards, entretenimento de primeira qualidade.

À direita, sucumbido sob o peso da mais massiva impopularidade, o conquistador da Líbia, ex-presidente Nicolas Sarkozy, codinome "Sarkô Primeiro, foi eliminado logo de saída com o conservador favorito, prefeito de Bordeaux, Alain Juppé.

Porque Rússia e China apavoram Washington, por Pepe Escobar

21.04.2017, Pepe Escobar, SputnikNews


Tradução de btpsilveira


Unindo os países que o Pentágono declarou serem as principais ameaças “existenciais” para os Estados Unidos, a parceria estratégica Rússia-China não se revela através de um tratado assinado com pompa e circunstância – e uma parada militar.




Mesmo escavando camada após camada de sofisticação sutil, não há como saber a profundidade dos termos acordados entre Pequim e Moscou, nos bastidores dos inumeráveis encontros entre Xi Jinping e Vladimir Putin.

Diplomatas, desde que mantidos no anonimato, ocasionalmente insinuam que uma mensagem em código pode ter sido entregue à OTAN quantos ao que poderia acontecer se um desses parceiros estratégicos fosse maltratado seriamente – seja na Ucrânia seja no Mar do Sul da China – a OTAN teria que lidar com os dois.

Por enquanto, vamos nos concentrar em dois exemplos de como a parceria funciona na prática, e porque Washington não tem noção de como lidar com a situação.

domingo, 23 de abril de 2017

MK Bhadrakumar: Eleição presidencial no Irã toma rumo cauteloso

22/4/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline












O ‘não sabido sabido’ na fatídica decisão tomada na 5ª-feira pelo Conselho dos Guardiões do Irã quanto à lista de candidatos aprovados para a próxima eleição presidencial que acontecerá dia 19 de maio era o que seria decidido quanto à candidatura do ex-presidente Mahmoud Ahmedinejad. Isso, por três razões principais. 

Primeira, porque é personalidade vistosa, que tem lugar cativo próprio no espectro político iraniano, suficiente para ser qualificado como ‘de esquerda’. A política do Irã muito precisa da plataforma de Ahmadinejad, dada a natureza dos problemas de desenvolvimento do país.

Uma disputa entre a Direita Conservadora e a Direita Moderada depõe contra a autenticidade da arena eleitoral. O paradoxo é que, embora haja no Irã uma facção conhecida como ‘os reformistas’, ela serve aos mesmos interesses de classe do establishment conservador religioso. A revolução de 1978 tinha amarrações que a ligavam à esquerda, dada sua gênese de movimento popular democrático; mas depois se alinhou ao lado do establishment do primeiro estado islâmico do mundo. E depois de luta amarga dentro da revolução, os progressistas foram eliminados. Tudo isso permanece como capítulo extremamente controverso da história moderna do Irã e volta e meia reaparece à tona, sempre reabrindo velhas feridas.

The Saker: Por que votar em Trump foi o mais certo a fazer (7 razões)

21/4/2017, The Saker, Unz Review e The Vineyard of the Saker


O choque causado pelas primeiras medidas da administração Trump, traindo praticamente todas as suas promessas de campanha, tem motivado o debate entre aqueles que acreditaram que o candidato resistiria ao assédio do Establishment Sionista/Neocon. Neste artigo, The Saker enumera as razões que justificariam o apoio ao candidato Republicano [Nota do Blog].











Agora que Trump já traiu amplamente, sem faltar uma, todas as suas promessas de campanha e que seus primeiros 100 dias de governo estão já marcados por coisa alguma que não seja total caos, incompetência, traição contra os melhores amigos e aliados dele mesmo, grandiloquência irresponsavelmente perigosa e gigantescamente inefetiva na política exterior, muita gente por aí só faz repetir “Eu bem que avisei!”, “Como você pôde levar a sério esse palhaço?!” e “Será que, afinal, você está acordando do seu delírio alucinado?”. Sim, qualquer leitura amadora superficial do que Trump fez desde que chegou à Casa Branca pode até fazer crer que essas vozes do contra teriam alguma razão. Mas, de fato, erram completamente. Permitam-me explicar por quê.

sábado, 22 de abril de 2017

Champs-Élysées: para alguns, perfeito timing

21/4/2017, Ramin Mazaheri,* The Vineyard of the Saker













Na noite de 21 de abril, estava em meu escritório em Paris, a apenas 100m da [avenida] Champs-Élysées, quando recebi telefonema de jornalista amigo, falando do ataque mortal contra policiais, naquele local.

Estava trabalhando, escrevendo o novo boletim sobre as eleições presidenciais na França para a rede Press TV do Irã.

Quando recebi a chamada, acabava de escrever a seguinte frase, e ainda mexia nela:

"As duas últimas semanas assistiram a duas grandes surpresas, que podem empurrar para a direita eleitores indecisos: a suposta descoberta de um complô terrorista de dois homens para atacar um dos três principais candidatos de direita; e o início, surpreendentemente agendado para esse momento, do julgamento de 20 pessoas acusadas de participarem de uma célula terrorista em 2012."

Claro... como já entenderam, tive de acrescentar uma terceira grande surpresa: o atentado suposto terrorista na Avenida Champs-Élysées.

Ucrânia, Coreia, Irã, Síria… Tio Sam luta falsificando a história

22.04.2017, Finian Cunningham - Strategic Culture



tradução de btpsilveira






No discurso pronunciado pelo presidente Vladimir Putin no Fórum Internacional do Ártico, ele ressaltou os perigos reais e presentes apresentados pela falsificação da história. Afirmou que esta distorção deliberada da história corrói a lei e a ordem internacional, criando caos e levando a conflitos futuros.

O líder russo lamentou o uso da história como uma “arma ideológica” para demonizar terceiros, e disse que sem uma compreensão apropriada da história somos levados a repetir erros do passado.
Também recordou uma das máximas de Karl Marx que certa vez afirmou: “a história se repete primeiro como tragédia, depois como farsa”.
Como que para exemplificar, enquanto Putin enumerava os perigos de falsificação da história, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko era recebido em Londres pela Primeira Ministra inglesa Theresa May durante uma visita de dois dias.
O regime sediado em Kiev e liderado por Poroshenko teve origem em um golpe ilegal e violento em 2014 contra um governo eleito democraticamente, contando com apoio encoberto de Washington e da União Europeia. Desde então, o governo militar ucraniano está enfronhado em uma guerra contra a região leste do país, na qual até agora já houve mais de 10.000 mortos, e cerca de um milhão de pessoas foram deslocadas. Tudo porque a população de etnia russa da região do Donbass se recusou a reconhecer a legitimidade do governo de Kiev, por causa da forma ilegal pela qual assumiu o poder há três anos.
No entanto, a se acreditar na maneira pela qual Poroshenko e o regime de Kiev descrevem os acontecimentos, a Ucrânia estaria lutando contra uma invasão pela Rússia. A falsificação da história pelo presidente ucraniano foi legitimada pela sua hospedeira britânica que acenou respeitosamente enquanto Poroshenko afirmava que seu país era um baluarte da defesa europeia contra a invasão russa.

Exército japonês pode escolher o caminho da guerra

22.04.2017, Ivan Konovalov - Katehon



tradução de btpsilveira





Continua crescendo a crise entre EUA e Coreia do Norte (CN). Nem Washington nem Pyongyang mostram qualquer vontade de ceder seja no que for. A retórica ameaçadora entre os dois países se torna cada vez mais agressiva. O vice presidente Mike Pence disse que a “paciência estratégica” de seu país chegou ao fim e que o presidente Trump está mandando mais porta aviões dos Estados Unidos para as proximidades da Península Coreana. Como resposta, o exército da CN continua a testar mísseis balísticos e preparando outros testes de armas nucleares. 

Carta-Resposta do advogado de Lula, Cristiano Zanin a Merval Pereira

21.04.2017, Cristiano Zanin






Ao

Merval Pereira

Colunista de O Globo

Membro do Conselho Editorial da Globo


Senhor jornalista,



Verdadeiro “segredo de polichinelo”, título de sua coluna de hoje (edição 21/04/2017), é a participação ampla, direta e ilegítima das Organizações Globo na perseguição judicial imposta ao ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o intuito de prejudicar ou inviabilizar sua atuação política. A aliança entre a Globo e os agentes públicos que integram a Lava Jato – hoje alçados à condição de artistas de um filme estarrecedor, que viola os mais elementares direitos fundamentais do investigado – já foi mais discreta. Hoje, a Globo dita as acusações contra Lula e disponibiliza os seus veículos de comunicação para colocá-las em pé.

A história do chamado triplex do Guarujá é um bom exemplo disso. Foi a Globo, em 2010, que iniciou essa farsa de que Lula seria proprietário do apartamento 164-A do Condomínio Solaris. Deu holofote a 3 promotores de Justiça de São Paulo que promoveram um grande espetáculo midiático, transmitido ao vivo pela emissora. Na sequencia, o assunto do Guarujá foi parar em Curitiba, nas mãos de uma nova instituição criada no País à revelia da Constituição Federal - a chamada Força Tarefa Lava Jato. E, mais uma vez, o tríplex foi alvo de coletiva transmitida ao vivo pela emissora, com a ajuda de um anedótico PowerPoint. Mas o que dizem os fatos? Após 24 audiências e o testemunho de 73 depoentes compromissados com a verdade, ruiu a acusação de que Lula teria recebido a propriedade desse apartamento como contrapartida de 3 contratos firmados entre a OAS  e a Petrobras. No rol de testemunhas estavam funcionários da OAS que afirmaram não ser Lula o proprietário e que o ex-Presidente visitou o local uma única vez, para verificar se tinha interesse na compra, mas rejeitou.

A Globo e seus aliados não se rendem à verdade. E isso pode ser bem observado ontem. O jornal Valor Econômico - hoje 100% de propriedade do grupo - publicou, 3 horas antes do depoimento de Leo Pinheiro ao Juízo de Curitiba, o script da  audiência de ontem. Antecipou a troca dos advogados que iria ocorrer, considerando retomada das negociações em busca de uma delação premiada. E deixou claro que o executivo da OAS iria acusar Lula - sem provas - como condição de ver a sua delação aceita pelo MPF. Foi o que ocorreu. Léo Pinheiro deu aos Procuradores da República a sonhada narrativa contra Lula - na contramão dos 73 depoimentos anteriormente colhidos - e com isso viu crescer a chance de sair da prisão ou obter outros benefícios.

Trump depois da Síria e da 'mãe de todas as bombas': Encenações e ameaças fake

19/4/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline











A meio caminho zapeando pelos programas de TV no fim de semana pelos dois dos principais canais em língua malaiala, afinal me convenci de que algum "pensador estratégico" cabeça-fraca local, sem dúvida, andou espalhando um boato segundo o qual a 3ª Guerra Mundial está a caminho, 'porque' o presidente dos EUA Donald Trump abandonou suas promessas de campanha e abraçou as políticas imperialistas clássicas dos EUA – que os mísseis contra a Síria, a detonação da 'mãe de todas as bombas' e as nuvens de guerra sobre a Coreia do Norte são claros sintomas do Armageddon.


Claro, tentei raciocinar e pus-me a detalhar, porque é evidência empírica, que muito do que está acontecendo explica-se mais facilmente pela confusão reinante em Washington, sob presidente desesperantemente sitiado, e que as coisas estão na realidade muito distantes do que a vista alcança.



Assim que, hoje, tive um ataque de riso, ria sem poder me controlar, quando começaram a aparecer matérias na mídia dando conta de que, sim, o show de força de Trump no Extremo Oriente não passou de jogada de cena. A formidável armada norte-americana, o porta-aviões Carl Vinson e todo um grupo de ataque parece que nunca tomaram o rumo da Coreia do Norte! Foi 'pegadinha'!


EUA esqueceram o que fizeram à Coreia do Norte?

3/8/2015, VoxMax Fisherman 










Bombardeiro EUA B-26 ataca a cidade norte-coreana de Wonsan in 1951.
(Interim Archives/Getty Images)

Talvez nenhum outro país na Terra seja mais mal compreendido pelos cidadãos norte-americanos que a República Popular Democrática da Coreia, RPDC (não por acaso rebatizada "Coreia do Norte" pelos EUA). Por mais que os líderes do país sejam invariavelmente pintados como bufões, mesmo como débeis mentais, na verdade são, sim, extremamente duros na tarefa de agarrar-se ao poder. Mas, por mais que o país seja pintado como comunista ao estilo soviético, verdade é que é muito mais corretamente descrito como depositário do fascismo japonês.


E há outra concepção errada, que os norte-americanos provavelmente não querem conhecer, mas que é importante para compreender o "reino ermitão" [orig. hermit kingdom]. Sim, grande parte do antiamericanismo dos coreanos do norte é fabricado cinicamente como arma de propaganda; e, sim, a maior parte dele é baseado em mentiras. Mas há muita verdade histórica por trás daquele ressentimento. 



Os EUA realmente fizeram coisas terríveis, pode-se dizer criminosas, maléficas, contra a RPDC, "Coreia do Norte". E se o que os coreanos sofreram, aqueles incontáveis abusos, não explica tudo, nem perdoa, tampouco pode ser declarado irrelevante.



Os fatos são os seguintes: No início dos anos 1950s, durante a Guerra da Coreia, os EUA lançaram mais bombas sobre a Coreia do Norte do que em todo o teatro do Pacífico durante toda a 2ª Guerra Mundial. Esse ataque descomunal, planejado para não deixar em pé sequer uma parede, e que incluiu 32 mil toneladas de napalm, em quase todos os casos fez mira deliberada contra alvos civis, além dos alvos militares, e devastou o país muito além do que fosse exigido pelos eventos da própria guerra. Destruíram-se cidades inteiras, morreram muitos milhares de civis inocentes e ainda muitos mais milhares foram abandonados sem teto e sem comida.


"Mãos Limpas" e a 'engenheirização' da corrupção - Entrevista com o juiz Antonio Di Pietro

30/3/2015, redazionekeynesMilão, Itália






Ver também
 13/4/2015, Motta Araújo, "O desastre político e econômico da Operação Mãos Limpas", JornalGGN





Antonio Di Pietro, nascido em 1950, é político, advogado e ex-juiz. Vice-Procurador no Tribunal de Milão fez parte do grupo de juristas que trabalharam na "Operação Mãos Limpas". Entrou na política em 1996, como católico liberal de centro, e em 1998, fundou o partido "Itália dos Valores", do qual se separou em outubro de 2014. Di Pietro concedeu essa entrevista ao nosso pessoal, respondendo a perguntas sobre "Mãos Limpas", política e sua carreira política pessoal.

PERGUNTA: A época da Operação Mãos Limpas – todos recordam, foi caracterizada por uma série de investigações judiciais feitas entre 1992 e 1996 em plano nacional que envolveram políticos, membros de órgãos econômicos e de instituições italianas – foi dada por encerrada há cerca de vinte anos. Neste momento o que mudou na Itália sobre a legalidade do mundo político? Não lhe parece que tudo continua praticamente sem alteração alguma?

ANTONIO DI PIETRO: Talvez sim, continue tudo como sempre foi. Ao longo dos anos houve uma "engenheirização" da corrupção, hoje muito mais difícil de combater, a prevaricação enraizou.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

NSA de Trump, só blefe: China e Rússia seguem mais unidas do que nunca! Por MK Bhadrakumar

18/4/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline











O Ministério de Relações Exteriores da China anunciou hoje cedo que o Secretário Geral de Administração do Partido Comunista da China Li Zhanshu visitará a Rússia nos dias 25-27 de abril, atendendo a convite de seu contraparte, chefe da Administração da Presidência no Kremlin Anton Vaino. O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Lu Kang disse em Pequim que os dois funcionários discutirão relações China-Rússia "como foi combinado entre os líderes dos dois países" e que o lado chinês confia que a visita aprofundará ainda mais as relações sino-russos. (TASS)

Li será a segunda alta autoridade chinesa a visitar Moscou nesse mês de abril. O presidente Vladimir Putin recebeu o 1º vice-premier da China Zhang Gaoli (que é também membro do Comitê Central do Politburo do Partido Comunista Chinês) no Kremlin dia 13 de abril, um dia depois, por falar em datas, da visita do secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson a Moscou.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Robert Fisk: Se Trump se preocupa tanto com bebês sírios, por que não condenou rebeldes que chacinaram as crianças?

A mãe de todas as hipocrisias


18.04.2017, Robert Fisk - The Independent/Information Clearing House



tradução de btpsilveira







Falamos da mãe de todas as hipocrisias. Algumas crianças sírias mortas importam, penso. Outras não. Um assassinato em massa duas semanas atrás matou crianças e bebês e levou nossos líderes a mais justa indignação. Mas o massacre deste final de semana na Síria matou ainda mais crianças e bebês – e mesmo assim não gerou mais que silêncio daqueles que antes bradaram pela salvaguarda de nossos valores morais. Por que desta vez não?

Quando um ataque com gás na Síria matou mais de 70 civis em 04 de abril, incluindo bebês e crianças, Donald Trump ordenou um ataque com mísseis contra a Síria. O país aplaudiu. A imprensa também. Da mesma forma grande parte do mundo. Trump chamou Assad de “mau” e “um animal”. A união Europeia condenou o regime sírio. O governo britânico chamou o ataque de “bárbaro”. Quase todos os líderes ocidentais afirmaram que Assad deveria ser removido do poder.

Desta vez, quando um homem bomba atacou um comboio de refugiados civis nas proximidades de Alepo, matando 126 sírios, mais de 80 deles crianças, a Casa Branca manteve silêncio. Mesmo sabendo que o total de mortes foi maior, Trump não se lamentou nem mesmo no twitter. A marinha dos Estados Unidos sequer lançou um disparo simbólico na direção da Síria. A União Europeia se fingiu de tímida e não quis dizer nem uma palavra. Aquela conversa de “barbarismo” foi sufocada no ninho no governo britânico.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Um governo de Cretinos, por Paul Craig Roberts

15.04.2017, Paul Craig Roberts



traduzido por btpsilveira






Está se tornando embaraçoso ser (norte)Americano. Nosso país teve quatro presidentes em sucessão, todos criminosos de guerra. Clinton lançou dois ataques militares contra a Sérvia, ordenando que a OTAN bombardeasse a antiga Iugoslávia duas vezes, em 1995 e 1999, cometendo assim dois crimes de guerra.

George W. Bush invadiu o Afeganistão e o Iraque e atacou províncias do Paquistão e do Iêmen pelo ar. Quanto a Bush, são então quatro crimes de guerra. Obama usou a OTAN para destruir a Líbia e mandou mercenários para destruir a Síria, cometendo desta forma dois crimes de guerra. Trump atacou a Síria com as forças dos Estados Unidos, cometendo assim um crime de guerra logo no início de seu regime.

Na medida em que a ONU participou destes crimes de Guerra junto com os vassalos europeus, canadenses e australianos, também é culpada de crimes de guerra. Talvez fosse bom que a própria ONU fosse levada aos tribunais de crimes de guerra junto com Estados Unidos, União Europeia, Austrália e Canadá.

É um belo currículo. A civilização ocidental, se é que pode ser chamada de civilização, é a maior criminosa de guerra da história da humanidade.

domingo, 16 de abril de 2017

China e Coreia do Norte: Cálculo errado de Trump pode desencadear a guerra. Veja porquê

15.04.2017, Alexander Mercouris, The Duran



O presidente pensa que pode blefar com os chineses e que um ataque contra a Coreia do Norte terá consequências limitadas. Está errado nas duas conclusões.



Tradução btpsilveira





Enquanto a marinha dos Estados Unidos se aproxima da península coreana, a Coreia do Norte (CN) ameaça contra-atacar as bases dos EUA e contra a Coreia do Sul (CS) e a China alerta para a possibilidade de guerra, a pergunta ainda sem resposta é: existe realmente uma estratégia por trás desses movimentos?

Dificilmente pode ser encarado como uma novidade ver um porta-aviões dos Estados Unidos nas proximidades da Península Coreana, e quando os EUA ameaçam tomar medidas unilaterais contra a CN estão apenas repetindo ameaças já feitas antes por várias vezes. É de conhecimento geral que as administrações de Clinton, George W. Bush e Obama consideraram seriamente bombardeios preventivos contra a CN, sendo certo que a administração Clinton chegou bem perto de realizar a façanha. Todas as três administrações, porém, desistiram da medida ao avaliar que a consequência poderia ser uma guerra que devastaria a Península Coreana.

Crises do mundo multipolar, por Jacques Sapir














É hoje claro que a erosão da superpotência norte-americana permitiu a emergência de um mundo multipolar, o mundo multipolar pelo qual o general de Gaulle tanto clamava. É também claro que essa emergência absolutamente não implica que os EUA tenham perdido toda a capacidade para intervenção militar pelo mundo. O ataque contra a Síria, da noite de 6-7 de abril aí está como mostra. Essa emergência demonstra também os impasses do unilateralismo norte-americano.

Ataque terrorista em Estocolmo. Será que eles pensam que somos estúpidos?

14.04.2017, Seth Ferris - New Eastern Outlook




Tradução btpsilveira







Vamos lá, tentar entender essa bagunça, OK?

Donald Trump disse que houve um ataque terrorista na Suécia. Ninguém na Suécia faz a menor ideia do que ele está falando. A declaração fez Trump parecer um idiota.

Em Londres, um homem dirigiu um carro contra uma multidão de pedestres e tentou atacar o Parlamento Britânico. Os governantes ocidentais imediatamente insistiram que se tratava de um ataque terrorista. As investigações tornaram claro que o atacante agiu sozinho, que não houve planejamento nem um mandante e que o homem não pertencia a qualquer organização terrorista. Isso fez de Trump e vários outros líderes parecerem um bando de imbecis. Mas mesmo assim nenhum deles retirou a acusação de que se tratava de um ataque terrorista.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Pepe Escobar: Novo normal da política exterior de Trump Mamão com Açúcar ("Lindo Bolo de Chocolate")

13.04.2017, Pepe Escobar - SputnikNews












No vídeo, o comandante-em-chefe da Escola de Política Externa do LBC (Lindo Bolo de Chocolate), discorrendo sobre seu novo movimento com vistas à Coreia do Norte.

"Estamos mandando uma armada. Muito poderosa. Temos submarinos. Muito poderosos. Muito mais poderosos que o porta-aviões. Lá isso eu garanto! Não há dúvidas!"


Como se bombardear uma Coreia do Norte armada com bomba atômica fosse tão mamão com açúcar ("lindo bolo de chocolate") como Tomahawkear uma base-aérea semideserta na Síria. Mas essa é a beleza de uma política externa de caixinha de chocolates: você nunca sabe o que haverá dentro.

OTAN era "obsoleta." Depois, "deixou de ser obsoleta". China era manipuladora de moeda, depois, deixou de ser manipuladora de moedas. Fim das aventuras no Oriente Médio. Depois, volta a ser como com Hillary, e bombardeia a Síria. Rússia era dita parceira – basicamente em negócios de petróleo e gás. Depois, num remix do Dividir para Governar de Kissinger, tenta minar a parceria estratégica Rússia-China. Depois, a Rússia é do mal porque apoia Assad, "aquele animal" (sic).

Entrevista do presidente da Síria Bashar al-Assad à AFP

14.04.2017, Bashar al-Assad - AFP








PERGUNTA: Senhor presidente, você deu a ordem de atacar Khan Sheikhun com armas químicas?

RESPOSTA: Na verdade, ninguém investigou até agora o que aconteceu naquele dia em Khan Sheikhun. Como você sabe, Khan Sheikhun está sob o controle da Frente al-Nusra, que é um braço da Al-Qaeda. As únicas informações que o mundo tem até agora são as publicadas pelo braço da Al-Qaeda. Ninguém tem outras informações. Não sabemos se todas as fotos ou imagens de vídeo que vimos são verdadeiras ou se estão manipuladas. É por isso que pedimos a realização de uma investigação em Khan Sheikhun.

Além disso, fontes da Al-Qaeda disseram que o ataque ocorreu entre as 06h00 e as 06h30 da manhã, enquanto o ataque sírio na mesma região foi por volta do meio-dia, entre as 11H30 e as 12H00. Falam, portanto, de duas histórias ou eventos diferentes. Não foi emitida nenhuma ordem para lançar um ataque. E, além disso, não temos armas químicas porque renunciamos ao nosso arsenal há vários anos. E mesmo que tivéssemos essas armas, nunca as teríamos usado. Ao longo de nossa história, nunca utilizamos o nosso arsenal químico.

P: Então o que aconteceu naquele dia?

R: Como acabo de dizer, a única fonte destas informações é a Al-Qaeda, que não podemos levar a sério. No entanto, nossa impressão é de que o Ocidente, principalmente os Estados Unidos, é cúmplice dos terroristas e armou toda essa história para que servisse de pretexto ao ataque. O ataque não ocorreu por causa do que aconteceu em Khan Sheikhun. Estamos diante de um único e mesmo evento: a primeira etapa era o espetáculo ao qual assistimos nas redes sociais e nas redes de televisão, e a campanha midiática desencadeada. A segunda etapa era a agressão militar. Foi o que aconteceu, na nossa opinião. Porque foram apenas alguns dias, ou inclusive 48 horas, entre a campanha midiática e o ataque americano, sem a menor investigação, sem a menor prova tangível do que seja. Nada além de acusações e campanhas midiáticas, e depois o ataque.