domingo, 20 de agosto de 2017

A hipocrisia das lágrimas por Barcelona, por Peter Koenig

19.08.2017, Peter Koenig - The Vineyard of the Saker



tradução de btpsilveira









Barcelona, dia 17 de agosto, 17h00 – Uma van branca avança a 70 km/hora diretamente contra de uma massa de pedestres, a maioria turistas, na famosa Rambla, no coração de Barcelona. O total de mortos, 13, além de mais de 100 feridos. Nos eventos paralelos, a polícia matou um dos alegados perpetradores do atentado. O principal suspeito fugiu e ainda estaria foragido. Estaria mesmo? – Talvez ele também já esteja morto.
Em todos os atentados recentes com carros foram utilizadas vans brancas. Será que isso significa alguma coisa? Talvez não. Mais importante que isso é que o Estado Islâmico já reivindicou responsabilidade, através de sua agência de notícias, Amaq, que então, foi repetida pela mídia presstituta. Mais alguém checou, além da imprensa corporativa? – Provavelmente não. Mas não importa. Quando o Estado Islâmico reivindica responsabilidade, instantaneamente os corações e mentes se quedam tranquilos. Os culpados foram encontrados. São sempre aqueles sanguinários jihadistas islâmicos. Podemos descansar em paz. E segue a vida…

sábado, 19 de agosto de 2017

Empurrados pelos neocons, EUA e o mundo caminham para uma crise perigosa

18.08.2017, The Saker - The Vineyard of the Saker



tradução de btpsilveira








Primeiro, o que escrevi no muro

Em outubro do ano passado escrevi uma análise denominada Os EUA estão prestes a encarar a pior crise de sua história e como o exemplo de Putin pode inspirar Trump e penso que está na hora de revisitá-la. Comecei aquele artigo analisando as calamidades que poderiam recair sobre os Estados Unidos se Hillary fosse eleita. Desde que isso não aconteceu (graças a Deus!), podemos ignorar essa parte com segurança e partir para minhas predições do que poderia acontecer se Trump fosse eleito. Eis o que escrevi:

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Pepe Escobar: E os vencedores na era pós-Daech são...

O caso de amor entre a Casa de Saud e o líder iraquiano nacionalista Muqtada al-Sadr revela o desespero dos sauditas depois da miserável derrota na Síria e de uma mudança para se opor ao Irã em Bagdá, em vez de se opor a Damasco.



18/8/2017, Pepe Escobar, Asia Times










O líder xiita Muqtada al-Sadr reúne-se com o príncipe coroado da Arábia Saudita Mohammed bin Salman em Jedá, Arábia Saudita, dia 20/7/2017. Foto: Reuters via Bandar Algaloud/Cortesia da Real Corte Saudita

Muqtada al-Sadr está aprontando alguma. No Iraque ocupado de 2004, o líder nacionalista que adiante construiu o movimento Sadrista chegava a ser demonizado como inimigo número 1 dos EUA – destronando rapidamente Osama bin Laden. Agora está sendo pintado – pelos bajuladores de Wahhabistas de sempre – como uma espécie de Reconciliador.

Mês passado, al-Sadr voou para Jedá para encontrar o príncipe coroado Mohammed bin Salman, codinome MBS, o destruidor saudita do Iêmen. Isso, apenas um ano depois de al-Sadr convocar protestos à frente da embaixada de Riad em Bagdá pela execução do importante clérigo xiita Nimr al-Nimr.

Há poucos dias, al-Sadr voou para Abu Dhabi para se encontrar com o príncipe coroado Mohammed bin Zayed Al Nahyan – nada mais nada menos que o mentor de MBS.

Steve Bannon não se arrepende nem se dobra

16/8/2017, Robert Kuttner, The American Prospect (sobre o veículo, aqui)














Você talvez suponha, pelo que tenha lido nos veículos da mídia-empresa nos EUA, que Steve Bannon estaria nas cordas, semidestruído e, porisso, agindo com mais cautela. Ainda há poucos dias, logo depois dos eventos em Charlottesville, ele estava sendo culpado pela insistente indulgência de Trump para com os brancos suprematistas. Aliados de HR McMaster, conselheiro de Segurança Nacional, declararam Bannon responsável por uma campanha de Breitbart News, do qual Bannon foi diretor, para demonizar o chefe da Segurança dos EUA. Na conferência com a imprensa na 3ª-feira, Trump defendeu Bannon, mas foi defesa morna, no máximo.

Pois Bannon parecia estar em excelente estado de espírito quando me telefonou, na 3ª-feira à tarde, para discutir a política de adotar linha mais dura contra a China, e não mediu palavras para expor os esforços que tem empreendido para neutralizar seus rivais no Departamento de Estado, da Defesa e do Tesouro. "Estão mijando nas calças" – disse ele, passando a detalhar o que faria para tirar do caminho alguns de seus oponentes no [Departamento de] Estado e na Defesa.

Neoliberais e neoconservadores norte-americanos são muito, muito, muito mais perigosos que a extrema direita

13/8/2017, Adam Garrie, The Duran



Os que pregam guerra violenta, ilegal, imoral e cruel não têm em que se apoiar para criticar qualquer outra causa.










A mídia-empresa liberal norte-americana hegemônica acolheu uma história que começou em Al-Jazeera veículo estatal de propaganda do Qatar e que tenta associar a extrema direita norte-americana, às vezes chamada "Alt-right"[1], e o presidente sírio Bashar al-Assad e seu Partido Socialista Árabe Ba’ath.

Como escrevi ontem em The Duran,

"Para começar, Bashar al-Assad é socialista. É membro do partido governante na Síria, o Partido Socialista Árabe Ba’ath. Embora a chave esteja na denominação do partido, é útil compreender melhor as origens intelectuais do Ba’athismo.

Os três principais fundadores do Baa'thismo, Salah al-Din al-Bitar, Zaki al-Arsuzi e Michel Aflaq eram todos árabes sírios, Aflaq era árabe cristão com Salah, e al-Arsuzi era muçulmano. Na essência, o Ba’athismo combina valores culturais árabes tradicionais com o conceito anti-imperialista do nacionalismo árabe, acolhendo as ideias do socialismo tradicional como um escudo contra a agressão imperialista e como meio para permitir que povos pós-coloniais elevem com eficiência e rapidez a própria independência econômica.

História de Charlottesville foi escrita em sangue na Ucrânia

17/7/2017, Ajamu BarakaCounterpunch










Qual o traço mais marcante da política da direita racista nos EUA hoje? É a atividade dos suprematistas ensandecidos que se atiram contra uma manifestação antifascistas em Charlottesville, VA, ou a garantia, que lhes dá Lindsay Graham de que um ataque contra a Coreia do Norte até pode resultar em milhares de mortos... mas são mortos "do lado de lá"? 

E o que dizer da decisão unânime das duas casas do Congresso, de apoio a Israel e crítica à ONU, que teria posição enviesada contra Israel? 

Será que essas ações também são denunciadas como racistas e de extrema direita, dado que, como se sabe, o sofrimento dos palestinos não tira o sono de ninguém nessa parte do mundo?

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Estado Social de Bem-estar Um alicerce, não uma rede

15/8/2017, Matt Bruenig, Jacobin Magazine











Um Estado Social de Bem-estar é mais que apenas uma rede de segurança. É um alicerce sobre o qual as pessoas podem construir a vida.

Rede de segurança. Rede de segurança. Rede de segurança. Aparentemente essa é a única metáfora que circula para descrever o estado de bem-estar, pelo menos no discurso político norte-americano. Cada político liberal, cada think-tank liberal e todos os especialistas liberais parecem jamais se cansar do eufemismo, mesmo que ceda tão rapidamente à metáfora conservadora igualmente chocante da rede de dormir [rede da preguiça] do Bem-estar [ing. welfare hammock].

Apesar da popularidade, a metáfora da rede de segurança sempre me chama atenção, como no mínimo muito confusa; e no máximo como indicativa de más políticas de bem-estar social. A mensagem da rede de segurança é que todos precisamos de amparo quando caímos, o que, claro, é verdade. Mas o papel de um bom estado de bem-estar social é precisamente proteger contra catástrofes, e muitos benefícios do bem-estar não são sequer usados para aquele fim.

O real significado da ameaça da Coreia do Norte à Ilha de Guam

15.08.2017, Richard Parker - Politico Magazine / GGN

Kim Jong-un sabia o que estava dizendo quando ameaçou atacar a Ilha de Guam. Antes que mero blefe na escalada de hostilidades verbais entre Estados Unidos e Coreia do Norte, a declaração agressiva do líder norte-coreano mirava o calcanhar logístico das forças militares norte-americanas no Pacífico, como se dissesse: “nós conhecemos muito bem os seus pontos nevrálgicos, e eles estão ao nosso alcance de tiro”.



Tradução de Ricardo Cavalcanti-Schiel





Numa tarde úmida de maio na base de Anderson da Força Aérea, na Ilha de Guam, o tráfego aéreo militar parece convergir de todas as partes: [bombardeiros - NT] cinzentos B-52, vindos da Dakota do Norte; KC-130 [Hércules de abastecimento - NT], vindos da Pensilvânia; e C-130 [Hércules de transporte - NT], vindos da Coréia do Sul.
As instruções da torre alertam os pilotos para iniciar sua aproximação a não menos de 60 metros, evitando as áreas de nidificação dos corvos durante a época de reprodução, a ter cuidado com as pistas escorregadias e com travagens intermitentes após o pouso. E, em seguida, vem o sinal padronizado: “Cuidado: tenha extrema atenção quanto ao uso extensivo de aeronaves não tripuladas nas vizinhanças da base aérea da Anderson!”.
À medida que os B-52 começam a aterrissar na pista de 3.350 metros conhecida como 24-Esquerda, um [drone - NT] Global Hawk cinzento [de 40 metros de envergadura], com sensores eletro-ópticos, se prepara na pista 6-Direita, exatamente às 2:30 da tarde. Sua missão é sigilosa, o avião-robô acelera seu motor a jato para taxiar e ganhar velocidade para o início de sua missão de espionagem de 24 horas sobre 5.600 quilômetros de oceano azul do Pacífico.
Essa é a base de Anderson, da Força Aérea dos Estados Unidos, um dos postos militares mais movimentados do mundo ― e um lugar que Kim Jong-un, o jovem rei eremita da Coréia do Norte, quer mandar para os ares. Esse não é apenas um ponto distante no mapa, um troféu colonial esquecido, expropriado durante a Guerra Hispano-Americana [de 1898, que, a pretexto de apoiar o movimento independentista de Cuba, arrebatou para os Estados Unidos o controle não só de Cuba como também de Porto Rico e Filipinas, além de vários outros territórios insulares no Caribe e no Pacífico, e determinou o colapso do Império Colonial Espanhol]. Guam é também um pilar do império global norte-americano, e Kim Jong-un ― com todos seus adereços bufônicos, do cabelo à la Macklemore [o rapper Ben Haggerty] à sua pança proeminente, que lhe dão um jeitão de vilão de estória em quadrinhos ― sabe que arrebatá-lo seria um triunfo para a posteridade.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Como evitar uma guerra nuclear: Porque a estratégia de Kim Jong-un faz sentido, por Federico Pieraccini

11.08.2017, Federico Pieraccini - Strategic Culture



Para observadores dos dois recentes testes de mísseis intercontinentais pela Coreia do Norte, fica a impressão de que Pyongyang deseja aumentar ainda mais as tensões na região. Porém, uma análise mais cuidadosa mostra que a República Popular Democrática da Coreia (nome correto do país) está dando curso a uma estratégia que pode vir a ter sucesso para evitar uma desastrosa guerra na península.


tradução de btpsilveira






Nas últimas quatro semanas a Coreia do Norte aparentemente já conseguiu completar a segunda fase de sua estratégia contra a Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos. O programa nuclear norte coreano parece ter alcançado uma fase importante, com dois testes levados a efeito no início e no final de julho. Ambos os mísseis aparentam ser capazes de atingir o território (norte)americano, embora ainda haja dúvidas da capacidade de Pyongyang para miniaturizar uma bomba nuclear a ser montada em seu míssil balístico intercontinental (ICBM). Portanto, a forma tomada pelo programa nuclear do país assegura uma estratégia de contenção importante contra o Japão e a Coreia do Sul e até, em alguns aspectos, contra os Estados Unidos, o qual permanece como a principal razão do desenvolvimento de ICBMs pela Coreia do Norte. Há exemplos repetidos na história recente que demonstram a insensatez de confiar no ocidente (o destino de Kaddafi ainda está fresco em nossas memórias), e sugere ao invés disso a sabedoria da construção de um arsenal que represente um alto nível dissuasivo contra a belicosidade daquele país. Não é nenhum mistério que de 2009 até agora, a capacidade nuclear da Coreia do Norte cresceu na proporção direta ao nível de desconfiança exibido por Pyongyang em relação ao ocidente.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Moon of Alabama: Promover a RPDC, para relançar a Guerra nas Estrelas de Reagan?

14/8/2017, Moon of Alabama











Desde que Trump fez ameaças de "fogo e fúria" contra a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), passou a haver certa sanidade entre as autoridades. A conversa sobre ataques preventivos contra a RPDC entre a comunidade dos entendidos praticamente acabou. Jamais houve qualquer possibilidade séria. A Coreia do Norte tem muitas opções para retaliar contra qualquer ataque e todas virão acompanhadas de danos catastróficos à Coreia do Sul e ao Japão e, portanto, aos interesses dos EUA na Ásia.

A Coreia do Norte (RPDC) pode ser contida com sucesso do mesmo modo que todos os demais estados nucleares são contidos e não usam os respectivos arsenais nucleares. Infelizmente, o Conselheiro para Assuntos de Segurança Nacional dos EUA McMaster ainda não recebeu essa mensagem:

EUA querem terceirizar a guerra do Afeganistão para empresas militares privadas.

Fugindo da responsabilidade de uma missão fracassada



11.08.2017, Andrei Akulov - Strategic Culture


tradução de btpsilveira






Até agora, o presidente Donald Trump não teve sucesso em apresentar uma política coerente para o Afeganistão. Ele está frustrado com assessores e comandantes militares, entre os quais o General John Nicholson, que comanda as forças (norte)americanas no país conflagrado.

Com tanto cozinheiros na beira do fogão, alguns estão advogando por um papel extremamente limitado dos Estados Unidos na Guerra, enquanto outros pressionam por um aumento de vários milhares de tropas (norte)americanas no terreno. Trump já é o terceiro Supremo Comandante-em-Chefe que tenta vencer a mais longa guerra da história dos EUA, em vão. Depois de dezesseis anos de esforço constante, ainda não há luz no fim do túnel. Esperava-se por uma nova estratégia que deveria ser entregue em julho. Não foi, enquanto debates intermináveis sobre o que fazer continuam.
Os Estados Unidos já gastaram, até agora, mais de 800 bilhões de dólares no conflito, embora alguns analistas digam que o custo real estaria na casa dos trilhões. Durante a campanha eleitoral, o candidato Trump descreveu a Guerra no Afeganistão como um “desperdício total”. Já aconteceram mais de 2.400 mortes entre os militares dos EUA e mais de 20 mil foram feridos. A produção de ópio cresceu 43% de 2015 para 2016 e a tendência tem sido ascendente desde 2001. As Nações Unidas acreditam que o Afeganistão permanece sendo um dos mais perigosos e mais violentos países em crise no planeta.

A Coreia do Norte, RPDC, conhece as lições brutais da 'mudança de regime' à EUA e não se desarmará

13/8/2017, Neil Clark, RT














Será que a 3ª Guerra Mundial começará essa semana, por causa das ações belicosas de um presidente fanfarrão com corte de cabelos patético e seu sinistro estado bandido belicista armado com bomba atômica? Ou ainda é possível conter Donald Trump e os EUA?

Claro que na mídia ocidental sempre a favor do que ordene o Departamento de Estado, é a Coreia do Norte e o governante norte-coreano que aparecem pintados como se fossem os doidos da hora. Mas você não precisa carregar tochas pela rua a favor do governo coreano, nem ser membro de carteirinha da Sociedade dos Adoradores de Kim Jong-un para saber que, dessa vez, o governo da Coreia do Norte está agindo muito racionalmente. Porque a história recente ensina que o melhor meio para conter ataques dos EUA e aliados absolutamente não é desarmar-se, fantasiar-se de John Lennon e pôr-se a fazer declarações sobre o quanto você deseja a paz. Nas circunstâncias presentes, doido é quem não souber que é preciso fazer exatamente o oposto.

Coreia do Norte não se deixará intimidar

9/8/2017, John Catalinotto, Workers.org








Pyongyang, República Popular Democrática da Coreia, depois de atacada por aviões norte-americanos, em 1950.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade dia 5/8/2017 a imposição de duríssimas sanções econômicas contra a República Popular Democrática da Coreia, RPDC, porque o país recusa-se a desistir de desenvolver seu programa nuclear com função de conter outras potências nucleares.

O Conselho de Segurança é dirigido por cinco membros permanentes com poder de veto: EUA, França, Grã-Bretanha, Rússia e China. Outros dez países integram também o Conselho de Segurança, mas só por dois anos e sem poder de veto.

Pepe Escobar: Coreia do Norte mostra que o Imperador está nu?

11/8/2017, Pepe Escobar, SputnikNews















Apesar do denso nevoeiro da guerra (retórica) entre Washington e Pyongyang, ainda é possível detectar algo de fascinante escrito no muro (não construído).

Já se disse que o presidente Trump está usando a Coreia do Norte para tirar de pauta e do ciclo de notícias dos EUA a narrativa do tal Rússia-gate incansavelmente repetida dia e noite, todos os dias e noites. Sem dúvida está funcionando. Afinal, naweltanschauung [visão de mundo, al. no orig.] do Excepcionalistão, a perspectiva de guerra e suas possíveis recompensas com certeza tira da mesa de jogo as nebulosas acusações de que os russos teriam hackeado documentos dos EUA e interferido nas eleições.

Pulando dentro do “fogo e fúria”

11.08.2017, Jonathan Marshall - Information Clearing House

“Esteja preparado. Há uma pequena chance de que nossa governança horrível possa inconscientemente nos levar a uma Terceira Guerra Mundial” – Donald Trump, 31 de agosto de 2013


tradução de btpsilveira






Agindo igualzinho um diretor demoníaco de Hollywood, o presidente Donald Trump continua a nos fazer pular da cadeira, mesmo quando já pensávamos que tínhamos visto tudo. Na terça feira, ele se superou por duas vezes ao prometer que a Coreia do Norte, se continuar a ameaçar os Estados Unidos, se encontraria “com fogo e fúria como o mundo jamais viu”.

Estes comentários sensacionalistas foram incendiários o suficiente para que os funcionários da Casa Branca corressem a assegurar aos repórteres (e à população em geral) que o presidente estava apenas improvisando e não falando a partir de um script oficial e aprovado. O Secretário de Estado Rex Tillerson insistiu que o presidente simplesmente quis dizer que “os Estados Unidos têm a capacidade total de se defender de qualquer ataque... Assim, os (norte)americanos podem dormir tranquilos esta noite.”

sábado, 12 de agosto de 2017

NYT: "Rússia é capitalista, ok, mas capitalista do mal" [risos]

10/8/2017, Moon of Alabama









Todos os dias nos dizem e repetem que a Rússia é 'do mal". Interferiu nas eleições dos EUA, como dizem, mesmo quando há provas claras de que isso não aconteceu. A opinião pública está sendo 'convencida', mesmo que só parcialmente, por insistente campanha de propaganda anti-Rússia.

A tentativa para reacender um processo de 'guerra fria' e demonizar a Rússia é comprometida porém pelo fato evidente de que a Rússia já não é inimiga ideológica do 'ocidente'. A Rússia já não é comunista e não é mais governada por sovietes. Hoje, a Rússia é realmente capitalista e, inclusive, neoliberal.

O novo modo de demonizar a Rússia tem, portanto, de adotar via completamente diferente. O melhor que conseguiram é "Rússia é capitalista, ok, mas capitalista do mal..." 

Só isso explica a manchete e a matéria que o NYT publicou: (ing.) Rússia deseja inovação, mas prende seus inovadores:

Mapa da derrota da direita na Venezuela

8/8/2017, Marco Teruggi (La Tabla)












A essa hora a direita estaria, pelos cálculos dela mesma, numa posição de força totalmente diferente da atual. Ou sentada no Palácio de Miraflores, ou tratando de um governo paralelo combinado com movimentos de massa e ações violentas, inclusive militares. Apostou no tudo ou nada/agora ou nunca, e hoje está enredada numa disputa interna para ver como seguir, tentando para não acabar pior que ao começar a escalada dos 100 dias.

Aconteceu o que tantas vezes acontece à direita: erraram nas análises. Superestimaram a própria força, subestimaram o chavismo, leram de maneira errada o estado de ânimo das massas, calcularam mal as coordenadas do campo de batalha. E nas batalhas as responsabilidades são coletivas, mas diferenciadas: o peso maior cai sobre os generais – como ensina, dentre outros livros, A Estranha Derrotade Marc Bloch.  

Porque fato é que houve a derrota, derrota tática, no marco de um equilíbrio instável prolongado, mas derrota, sim, e derrotas implicam mudanças, rompimentos, debandadas e mudanças de posição.

Desmascarando os mitos sobre as entregas de armamento para a Ucrânia

11.08.2017, The Saker - The Vineyard of The Saker / The Unz Review.



tradução de btpsilveira






A mais nova mania jornalística versa sobre a possibilidade de entrega à junta nazista em Kiev de armas antitanques dos Estados Unidos (o Javelin FMG-148 sempre é mencionado [sistema portátil de mísseis antitanques desenvolvido pelos EUA-NT]). Tipicamente, estas histórias sempre incluem uma discussão de armas “defensivas X ofensivas” e “letais X não letais” e revelam uma crença infantil na existência de algum tipo de tecnologia mágica que faria milagres no campo de batalha. Nada disso tem a ver com o mundo real e é por isso que esse pessoal escreve esse tipo de nonsense tentando esconder a própria ignorância, semeando pelos seus artigos números sem sentido tais como alcance, capacidade de penetração de blindagem, sistemas de orientação, expressões do tipo “dispare e esqueça”. A verdade é que todos esses autodenominados especialistas citam uns aos outros e todos papagueiam juntos a propaganda de linha chapa branca que sugere que a entrega dessas armas para a Ucrânia seria uma espécie de divisor de águas. Divisor de águas realmente é, mas não em termos militares. Pois bem. Vamos tentar colocar um pouco de razão nessa besteirada toda.

Da série "Recordar é viver": "Agora, é encarar[1]: o Czar voltou", por Pepe Escobar

6/3/2012, Pepe Escobar, Al-Jazeera (de Bangkok, Tailândia)











 O Czar chegou às lágrimas – improvável remake de Moscou contra 007 (From Russia with love, 1967). A Igreja Russa Ortodoxa – que apoiou firmemente sua campanha – estava contentíssima. As lágrimas do Czar rolaram, em teoria, em homenagem aos cidadãos daquele "grande país", aos quais ele quer garantir "vida decente". Ele está de volta –, como uma vingança; o mais gentil, o mais doce Putinator.

A tarefa que terá pela frente é gigantesca. Seu modelo vertical de soberania democrática – concebida pelo ex-conselheiro Vladislav Surkov [2] – já começa a beliscar. Tem de simultaneamente combater a corrupção horrenda, dobrar a burocracia e disciplinar as oligarquias centrais e locais.

Tem de enfrentar a drenagem ininterrupta de cérebros russos: até aqui, mais de dois milhões de russos já partiram.

Tem de maximizar os lucros de espantosos $1,5 trilhão das exportações de petróleo, desde que chegou ao poder pela primeira vez, em março de 2000. E que ainda não bastam para melhorar substancialmente a infraestrutura russa.

Recordo vivamente março de 2000 em Moscou: ninguém sabia, sequer, se o Czar teria competência para erguer a Rússia, depois dos pantanosos anos de Yeltsin e dependência de Washington; ou se, ao contrário, deixar-se-ia arrastar como um fantoche.