sábado, 24 de junho de 2017

EUA enfrentam revés histórico no Oriente Médio, por MK Bhadrakumar

23/6/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline










O bloco dos quatro países árabes puxados pela Arábia Saudita que impôs um embargo contra o Qatar dia 5/6 apresentou afinal sua carta de exigências. Despacho da AP [leia aqui], lista as 13 demandas. As que mais chamam a atenção incluem que Doha reduza os laços com o Irã, que rompa relações com o Hezbollah e a Fraternidade Muçulmana, que feche uma base militar turca que há no país e que extinga a rede estatal de comunicação Al Jazeera e vários outros veículos.


Interessante, o Qatar também deve "aceitar auditorias mensais durante o primeiro ano depois de aceitar todas as demandas; depois uma por trimestre, durante o segundo ano. Pelos seguintes dez anos, o Qatar será monitorado anualmente, para verificar o exato cumprimento das demandas." Tudo isso significa que só a capitulação incondicional, abjeta do Qatar satisfará seus 'grandes irmãos' – nada menos. E há também um cronograma a seguir – dentro dos próximos 10 dias –, ou todas as demandas perdem a validade.

Para mim, o Qatar verá rapidamente que essa 'ação' não passa de mal disfarçado movimento para 'mudança de regime'. A resposta do regime só pode ser uma: que aqueles figurões árabes se enforquem.

O que acontece a seguir? Dito em poucas palavras, o Oriente Médio Muçulmano (sunita) está à beira de um racha histórico, que terão consequências profundas para a segurança regional e internacional.

Medo e Delírio na Rota da Seda Afegã, por Pepe Escobar

21/6/2017, Pepe Escobar, Asia Times










Será que algum dia as Novas Rotas da Seda, também conhecidas como Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE), algum dia conseguirá atravessar o Hindu Kush?

O nome do jogo é "temeridade". Embora estrategicamente colocado a cavalo sobre a Antiga Rota da Seda, e virtualmente contíguo ao Corredor Econômico China-Paquistão (CRCP) de US$50 bilhões – nodo chave da ICE –, o Afeganistão continua atolado em guerra.

É fácil esquecer que nos idos de 2011 – antes até de o presidente Xi Jinping anunciar a ICE, no Cazaquistão e Indonésia, em 2013 – a então secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton inventou uma Rota da Seda só dela, em Chennai. Não surpreende que a visão do Departamento de Estado tenha dado com a cara na poeira do Hindu Kush –, porque pressupunha um Afeganistão destroçado pela guerra, como eixo central do plano.

O estado do jogo no Afeganistão em 2017 é ainda mais deprimente. Dizer que o governo que emergiu das eleições presidenciais de 2014 e até hoje passa por governo é disfuncional é muito pouco.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

The Saker: A mais recente escalada na Síria - O que está realmente acontecendo?

23/6/2017, The Saker, Unz Review The Vineyard of the Saker











A essa altura, a maioria dos leitores já ouviram a mais recente má notícia vinda da Síria: dia 18/6 um jato F/A-18E Super Hornet (1999) dos EUA usou um míssil Advanced Medium-Range Air-to-Air Missile [Míssil Avançado de Médio Alcance Ar-ar, ing.] AMRAAM, AIM-120 (1991) para derrubar um Su-22 da Força Aérea Síria (1970). Dois dias depois, dia 20/6, um F-15E Strike Eagle dos EUA derrubou um drone Shahed 129 do Corpo de Guardas Revolucionários Islâmicos do Irã. Nos dois casos, o pretexto foi que haveria ameaça contra os EUA ou forças apoiadas pelos EUA.

A verdade, claro, é que os EUA estão simplesmente tentando deter o avanço do Exército Árabe Sírio. Foi portanto mais um 'show de músculos' tipicamente norte-americano. Ou seria, se derrubar um bombardeiro de combate Su-22, de 47 anos, relíquia da velha era soviética, tivesse alguma importância. E derrubar um drone pilotado à distância tampouco tem importância alguma. 


Há aí um padrão: nenhuma ação dos EUA até esse momento – ataque falhado contra a base militar síria; ataque à bomba contra uma coluna do Exército Sírio; derrubar um bombardeiro de combate e um drone do Irã – tem qualquer real valor militar. Todas essas ações contudo têm valor de provocação, porque cada vez que acontecem coisas desse tipo, todos os olhos voltam-se para a Rússia, para ver se os russos responderão ou não.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Grandes avanços do Exército Árabe Sírio transformam a guerra na Síria

21/6/2017, Alexander Mercouris, The Duran











Um furacão de avanços do Exército Árabe Sírio desorientou completamente o ISIS e posicionou os sírios para recuperarem toda a Síria central e de leste, do Mediterrâneo até a fronteira do Iraque.

Embora a mídia-empresa ocidental nada noticie, as últimas semanas marcaram total transformação na guerra na Síria.

Até a libertação do leste de Aleppo em dezembro, a guerra síria estava sendo combatida principalmente no oeste da Síria, numa estreita faixa do litoral sírio mediterrâneo, guerra de atrito entre o Exército Sírio e vários turcos apoiados por grupos Jihadistas, todos, de fato, comandados pela Al-Qaeda.

A pressão intensa dessa guerra obrigou o Exército Sírio a deixar quase todas as regiões do leste da Síria, para proteger os principais centros populacionais do país e de poder ao longo da costa. O vácuo resultante no leste da Síria foi preenchido inicialmente por grupos Jihadistas, mas depois pelo ISIS, cujos terroristas ganharam em 2015 o importante controle dessa área, exceto a cidade isolada de Deir Ezzor.

A derrota da Al-Qaeda em dezembro em Aleppo, e o fracasso de sua ofensiva da província de Idlib para a província de Hama em abril, deixaram o governo sírio no controle de todas as grandes cidades sírias – Damascos, Aleppo, Hama e Homs –, com a província de Latakia e respectiva capital já então firmemente sob controle das forças oficiais. Embora ainda haja presença de Al-Qaeda em algumas áreas do país próximas de Damasco, e permaneça no controle da província de Idlib, são áreas para as quais Rússia e Turquia já construíram acordos em dezembro, suplementados por outros acordos firmados por Rússia, Irã e Turquia em maio, que implantaram as chamadas "áreas de desconflitação" nesses territórios.

Teerã sempre foi o destino final dos EUA e, portanto, do ISIL, por Toni Cartalucci

10/6/2017, Toni Cartalucci, New Eastern Outlook, NEO












Foram vários mortos e muitos feridos nos ataques terroristas coordenados contra a capital do Irã, Teerã. Tiros e bombas no Parlamento iraniano e no mausoléu do Aiatolá Khomeini.

Segundo a Reuters, o chamado "Estado Islâmico" reivindicou a autoria do ataque, desencadeado apenas poucos dias depois de outro ataque terrorista, aquele em Londres. O Estado Islâmico também reivindicou autoria da violência em Londres, apesar de já haver provas de que os três suspeitos de envolvimento já serem conhecidos da segurança e das agências de inteligência britânicas, há muito tempo. Simplesmente teriam sido deixados à vontade para organizar os ataques e atacar.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Ajustes no Oriente Médio, por Thierry Meyssan

21/6/2017, Thierry Meyssan, Voltaire.net 


Tradução: Alva





Enquanto os Estados do Oriente Médio Expandido se dividem entre partidários e adversários do clericalismo, Washington, Moscou e Pequim negociam uma nova orientação. Thierry Meyssan avalia o impacto deste tremor de terra sobre os conflitos palestino, sírio-iraquiano e iemenita.


A crise diplomática em torno do Catar congelou diversos conflitos regionais e mascarou as tentativas de resolução de alguns outros. Ninguém sabe quando terá lugar o levantar da cortina, mas tal deverá fazer surgir uma região profundamente transformada.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Quando a Associated Press distribui #Fakenews - Avaliação pericial

18/6/2017, Moon of Alabama



"Notícias falsas podem ser perigosas. Mas não são as falsas notícias de um ou outro blogueiro ou de veículo que ninguém lê/ouve/vê as que mais ameaçam a segurança e a vida dos cidadãos e a qualidade das políticas. O mais grave perigo está no falso noticiário disseminado por grandes veículos e grandes agências das grandes mídia-empresas."













Noticiário não factual, de notícias falsas, tem consequências políticas. Isso, especialmente quando propagandistas de partidos políticos recolhem o noticiário falso para promover as respectivas agendas. Não é fácil investigar cientificamente o rastro das notícias falsas, mas ofereço aqui um caso recente, "colhido in natura".

Associated Press é agência de distribuição de notícias sem finalidades de lucro e política, dita neutra, mantida por mídia-empresas (de jornais e outras mídias) norte-americanas de várias filiações políticas. A ampla faixa de consumidores (quase sempre) impede a agência de produzir exclusivamente reportagens domésticas partidarizadas. Mas nas questões internacionais, isso muda muito. 

A seleção de itens de noticiário que AP recolhe, produz e distribui é orientada pelos interesses de seus consumidores e, portanto, nada tem de 'isenta'. Mas o noticiário de eventos, de itens noticiosos é em geral direto – ou há quem creia que seria. Às vezes, tomam-se decisões políticas baseadas em noticiário da AP. É motivo portanto de justa preocupação, quando a AP distribuiu noticiário obviamente falso.

Pepe Escobar: O momento Sarajevo da Síria

20/6/2017, Pepe Escobar, pelo Facebook











Segundo uma das minhas principais fontes para inteligência russa no Oriente Médio, a Rússia deu aos EUA um 'aviso Sarajevo'.


Falando sobre a derrubada pelo Pentágono de um avião de combate sírio, diz meu informante, "os EUA não usaram a linha de desconflitação, o que enfureceu os russos. O movimento tem de ser interpretado como provocação premeditada contra a Rússia, para iniciar uma guerra. E os russos responderam."

O Pentágono parece ter entendido a mensagem – e decidiu recuar, pelo menos por enquanto.

Minha fonte acrescenta: "Enquanto isso, o Senado dos EUA quase por unanimidade decidiu declarar guerra à Rússia (sanções são guerra), e a Alemanha ameaçou retaliar contra os EUA por tentar interromper o gasoduto Ramo Norte 2 (Nordstream 2) da Rússia para a União Europeia, de modo a impedir que os EUA exportem seu gás natural para a UE, o que torna a UE dependente dos EUA."

As novas sanções contra a Rússia consistem basicamente em dizer à UE que compre o caro gás norte-americano, em vez do barato gás russo. Os alemães e austríacos basicamente disseram aos norte-americanos que caiam fora.

Diz a fonte: "Se começar uma guerra comercial entre EUA e União Europeia, é o fim da OTAN. A agressão premeditada, no caso da derrubada do avião sírio, pode ser vista como uma forma de distração, para pôr a Alemanha em linha, criando uma guerra no Oriente Médio."

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Moon of Alabama: Sumário da Síria - Ataque dos EUA fracassa. Prossegue avanço para Deir Ezzor

19/6/2017, Moon of Alabama















Nosso sumário anterior dizia que "o fim da guerra na Síria agora está à vista"; e que

"... a menos que o governo Trump esteja disposto a investir em significativamente mais forças e a abertamente e ilegalmente fazer guerra contra o governo sírio e seus aliados, a situação ali está controlada."


Há uns poucos lunáticos na Casa Branca que insistem em ampliar a guerra contra a Síria, para fazer dela uma guerra total EUA vs Irã. A liderança militar trabalha contra esses lunáticos. Os militares temem pela sorte dos seus soldados no Iraque e em todos os demais pontos da região mais ampla. Mas também há elementos dentro das forças militares dos EUA e da CIA que assumem posição mais agressivamente a favor da guerra.

Ontem, um jato F-18 dos EUA derrubou um bombardeiro da Força Aérea Síria, próximo da cidade de Raqqa. O Comando Central dos EUA alega ridiculamente que teria sido "em legítima defesa" das forças norte-americanas invasoras e de seus 'agentes' curdos (Forças Democráticas da Síria, FDS [ing. Síria Democratic Forces, SDF]) em área de "desconflitação" [ing. "deconflicting zone"] na cidade de Jardin.

É mentira. Nem há qualquer acordo sobre áreas de "desconflitação" por ali, nem a cidade de Jardim estava ocupada pelos curdos no momento do ataque.

França: Reforma da Legislação do Trabalho - Rumo a um "capitalismo western" sem lei?

6/6/2017, Entrevista com David Cayla (dos Economistes Atterrés), Le Vent se Lève



"Único real vencedor nas eleições parlamentares na França foi
 o eleitor ausente, QUE NEM SE DEU O TRABALHO DE IR VOTAR: 56.6% de abstenções"
18/6/2017, Pepe Escobar, pelo Facebook














Os contornos da nova Lei-Trabalho definida como prioridade dos cinco anos de governo de Emmanuel Macron, foram esboçados pelo governo essa semana. Sem surpresas, o projeto faz pressentir a desregulamentação mais violenta do mercado de trabalho e a aceleração do desmonte dos chamados serviços sociais. Do que se trata? Que impacto se devem esperar sobre a atividade econômica e os assalariados? Quem começa a decifrar esses enigmas é David Cayla, maître de conférences em economia na Universidade d'Angers e membro dos Économistes Atterrés.

Raid em Raqqa: Inteligência russa pode ter fontes dentro do ISIS

17/6/2017, Alexander Mercouris, The Duran














Presidente Putin da Rússia recebeu relatório do ministro da Defesa Shoigu ontem, durante reunião do Conselho de Segurança da Rússia, sobre informações segundo as quais um ataque aéreo russo pode ter matado o líder Abu Bakr Al-Baghdadi, do ISIS.


O relatório da reunião no website do Kremlin é extremamente cuidadoso e não repete aquelas informações nem menciona o nome de Al-Baghdadi.

O ministro da Defesa Sergei Shoigu atualizou os participantes da reunião sobre o ataque das Forças Aeroespaciais Russas próximo de Raqqa na Síria, no qual foram mortos muitos terroristas, entre os quais, possivelmente líderes do ISIS.

Os russos também distribuíram fotos dos prédios em Raqqa onde aconteceu a reunião de líderes do ISIS da qual se supõe que Al-Baghdadi tenha participado. Na imagem, veem-se fotos dos prédios, antes e depois do ataque aéreo.

domingo, 18 de junho de 2017

Pepe Escobar: Ocidente não sabe nem do cheiro do que a Eurásia está cozinhando

16/6/2017, Pepe Escobar, SputnikNews











Uma mudança geopolítica tectônica aconteceu em Astana, Cazaquistão, há poucos dias. Pois ainda não se viu nem qualquer mínima repercussão nos círculos atlanticistas.

Na reunião anual da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), fundada em 2001, os dois países, Índia e Paquistão foram admitidos como membros plenos, como Rússia, China e quatro '-stões' da Ásia Central (Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tadjiquistão).

Assim sendo, a OCX já é, não apenas a maior organização política – por área e por população –, do mundo; ela também reúne quatro potências nucleares. O G-7 é irrelevante, como se viu claramente na recente reunião em Taormina. Ação à vera doravante, à parte o G-20, virá desse G-8 alternativo.

Permanentemente desqualificada no Ocidente já há uma década e meia como se não passasse de mero salão de conversas, a OCX, lentamente, mas sem parar nunca, continua a promover um quadro que o presidente Xi Jinping da China qualifica, de forma discreta muito atenuada, como "um novo tipo de relações internacionais com vistas a cooperação ganha-ganha".

É o mínimo que se pode dizer, do grupo no qual se reúnem China, Índia e Paquistão.

Histeria partidária nos EUA semeia violência política

18/6/2017, Matthew Rusling, Xinhua, Pequim




Entreouvido na Vila Vudu:

Na China, Miriamleitões e Alexandregarcias talvez já estivessem na cadeia... Seria lindo!

Se a democracia não serve para sanear o ambiente político e tirar de circulação os principais agentes mercenários provocadores de desgraças, PARA QUE, DIABOS, serve a democracia?! 
😒












WASHINGTON, 17/6 (Xinhua) – Com o ataque a tiros, essa semana, contra um Deputado norte-americano, por um homem movido por profundo ódio contra o presidente Donald Trump, fica claro que a amarga rivalidade entre os partidos de Washington já extravasou e agora semeia violência política a mais desmedida.

Antes, na mesma semana, o Líder da Maioria na Câmara de Deputados dos EUA Steve Scalise – Republicano – foi atingido por tiros num treino de beisebol no Congresso. Segundo o noticiário, o atirador, que foi morto na sequência pela polícia, seria radical anti-Trump, profundamente abalado pela eleição do imprudente bilionário na eleição em novembro.

Observadores e especialistas dizem que o atual tumultuado ambiente político gerou um barril de pólvora político nos EUA. De fato, desde a eleição de Trump, há famílias divididas, uns não falam com outros, amigos romperam antigas amizades, por causa de divergências quanto ao rumo do país –, e Trump está sempre no centro das discussões.

sábado, 17 de junho de 2017

Joesley e a Globo, por Leandro Fortes

16.06.2017, Leandro Fortes - Facebook







A Globo capturou as manifestações de 2013 e as colocou em sua grade de programação – com agendas e transmissões ao vivo – para fazer daquelas “jornadas” o primeiro movimento manipulado de massas com vistas a tirar o PT do poder.

Deu no que deu: em três anos, ajudou a colocar essa quadrilha chefiada por Michel Temer no Palácio do Planalto. Exatamente como fez, em 1989, quando usou seu poder de monopólio para colocar, no mesmo lugar, outra quadrilha, a de Fernando Collor de Mello.

Agora, como no caso de Collor, anuncia um desembarque triunfante, entregando Temer aos leões, mas com o cuidado recorrente de se tornar dona do processo para que, como de costume, as coisas possam mudar de tal forma que permaneçam da mesma forma que estão.

Essa entrevista de Joesley Batista à revista Época, como tudo que vem do esgoto global, tem que ser observada com muito cuidado, justamente porque nada, ali, acontece por acaso.

MoA: Quando generais fazem política: Da tática à estratégia à decisão política

16/6/2017, Moon of Alabama





Dos Comentários:
Esse Mattis é Lyman Lemnitzer,*
o homem da facinorosa Operação Northwoods, tudo outra vez?!
Postado por: Lea | 16/6/2017 9h57m17|












O secretário de Defesa James Mattis prometeu na 3ª-feira apresentar ao Congresso uma nova estratégia militar para o Afeganistão até meados de julho (...)

O Pentágono mandará mais 4 mil soldados norte-americanos para o Afeganistão, disse funcionário do governo Trump, na 5ª-feira, com a esperança de pôr fim a uma guerra que está passando para o terceiro sucessivo comandante-em-chefe norte-americano. [...]
A decisão tomada pelo secretário de Defesa Jim Mattis pode já ser anunciada na próxima semana, segundo o mesmo funcionário. Acontece imediatamente depois de Trump ter decidido dar a Mattis a autoridade para definir o nível das tropas (...).

Os EUA têm grave problema com o ex-general da Marinha Mattis no cargo de secretário de Defesa: Mattis pensa a tática, não a estratégia.

Não faz sentido mandar mais soldados, se ninguém sabe a que estratégia eles devem visar. Até aqui não há qualquer outro meio para pôr fim à guerra no Afeganistão que não seja sair de lá. A desgraça em que a guerra do Afeganistão foi convertida só pode ter fim com a única grande decisão que faz sentido: a retirada. Enviar mais soldados antes de ter decidido quanto à estratégia praticamente prova que a retirada está excluída da lista das possibilidades a avaliar.

Sangue nas trilhas das Novas Rotas da Seda, por Pepe Escobar

14/6/2017, Pepe Escobar, Asia Times



"E antes que alguém pergunte, sim, o título é homenagem a Dylan.
Estamos todos enredados em... sangue,* não em nostalgia" (15/6/2017, Pepe Escobar, no 
Facebook).














O imperativo cardeal da política externa da China é não interferir em outros países, enquanto faz avançar as proverbiais boas relações com atores políticos chaves – ainda que estejam engalfinhados uns contra outros0

Seja como for é de embrulhar o estômago de Pequim ter de assistir ao atual imprevisível impasse entre sauditas e qataris. Não há solução à vista, e cenários possíveis plausíveis incluem até mudança de regime e alteração geopolítica de proporções sísmicas no Sudoeste da Ásia – que visão ocidente-cêntrica chama de Oriente Médio.

E sangue nas trilhas no Sudoeste da Ásia só significa problemas ainda maiores à frente para as Novas Rotas da Sede, agora sob nova denominação de Iniciativa Cinturão e Estrada, ICE [ing. Belt and Road Initiative, BRI].

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Moon of Alabama: Sumário da Síria - Fim da guerra agora está à vista

13/6/2017, Moon of Alabama












Fonte:  AWatan Online (e ampliado)


A mudança mais importante ao longo dos últimos dias foi o movimento das forças do governo sírio (áreas e setas vermelhas) no sudeste rumo à fronteira do Iraque. O plano original era retomar al-Tanf mais a sudoeste para proteger o posto de passagem de fronteira na rodovia Damasco-Bagdá naquele ponto. Mas al-Tanf estava ocupada por invasores norte-americanos, britânicos e noruegueses e algumas de suas forças 'por procuração' (em azul). Os aviões desses invasores atacaram comboios do exército sírio quando se aproximaram. O plano dos EUA era ir de al-Tanf para o norte rumo ao Rio Eufrates e capturar e controlar assim todo o sudeste da Síria. 

Mas a Síria e aliados fizeram um movimento inesperado e impediram que o plano dos norte-americanos fosse completado. Agora, os invasores estão separados do Eufrates por uma linha síria oeste-leste que termina na fronteira do Iraque. Do lado iraquiano, elementos das Unidades Militares Populares sob comando do governo do Iraque movem-se para se reunir às forças sírias na fronteira.

Os invasores norte-americanos estão contidos no meio de um pedaço praticamente inútil de deserto em torno de al-Tanf onde sua única opção é morrer de tédio ou retroceder de volta à Jordânia de onde saíram. Os militares russos deixaram perfeitamente claro que intervirão necessariamente se os EUA atacarem a linha síria e moverem-se mais para o norte. EUA e aliados não tem, para começar, nenhum mandado legal que os autorize a permanecer em território sírio. Não há justificativa ou fundamento legal para que norte-americanos ataquem qualquer unidade síria. Só lhes resta retroceder.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Sado-austeridade vs social-democracia atenuada

7/6/2017, Glen Newey, London Review of Books (Blog)










Entreouvido na Vila Vudu:
Digam o  que disserem os entendidos em 
'palavra do ano', "fake news" acaba de ser destronada. 
A palavra de 2017 é "sado-austeridade". 
Segura essa, D. Mírian Leitão! 😂🌹🙄








Essa eleição foi feita, como disse Proudhon da revolução de 1848, sem uma ideia, além de proteger o poder para os Tories e blindá-los contra o revide pós-Brexit. A estratégia deles pressupunha que as pessoas não tivessem qualquer dúvida quanto à competência dos líderes do Partido, e que os eleitores só pensavam em Brexit, de modo q ninguém ter ideia alguma sobre tudo mais não faria diferença (apesar de o governo também não ter ideia alguma sobre Brexit). Disso nasceu o Manifesto Conservador.

Rússia adverte EUA contra ataques às forças sírias, por MK Bhadrakumar

12/6/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline













Diplomatas dissimulam, jornalistas exageram, políticos falam demais, mas não há razão imaginável para que um general de exército ponha-se a mascarar uma flagrante realidade em campo. Também por isso as observações excepcionalmente raras do comandante das forças russas na Síria, general Sergey Surovikin, merecem toda a atenção. Adiante reproduzo alguns excertos:


  • A coalizão liderada pelos EUA não mata terroristas; em vez disso, permite que militantes do grupo terrorista Estado Islâmico deixem Raqqa (...). A coalizão liderada pelos EUA entra em colusão com chefetes do ISIS, que abandonam os acampamentos sem luta e partem para as províncias onde forças do governo sírio estão ativas (...) A força russa na Síria vê na área de Raqqa militantes que deixam sem qualquer dificuldade a cidade e seus subúrbios. No início de junho, terroristas do ISIS deixaram sem qualquer resistência as áreas habitadas a 19 km ao sudoeste de Raqqa e mudaram-se para Palmyra.

  • Os norte-americanos estão usando o ISIS para criar robusto obstáculo ao movimento de tropas do governo (...) A aviação da coalizão liderada pelos EUA está impedindo que forças do governo sírio deem combate aos terroristas (...) Bloquearam o caminho de forças do governo sírio que estão eliminando militantes do ISIS e construindo postos de controle de fronteira ao longo da fronteira com o Iraque a nordeste de Al-Tanf.

O que se lê nesse relato do general Surovikin, de dar calafrios, é que, por mais que o presidente Donald Trump jure combater contra o ISIS com unhas e dentes, o pessoal do Pentágono tem outros planos. E continuam a usar o ISIS com uma agenda oculta nos pontos onde o governo sírio (e o Irã) são o principal inimigo. EUA parecem ter um duplo objetivo na Síria: a) criar uma zona 'tampão' nas regiões da Síria próximas das fronteiras com Israel e Jordânia, a serem 'entregues' a "terroristas do bem"; e b) assumir o controle de toda a fronteira sírio-iraquiana num gradiente de Norte a Sul, de tal modo que a capacidade logística do Irã para garantir ajuda às debilitadas forças do governo sírio seja gravemente reduzida.