quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Estado Social de Bem-estar Um alicerce, não uma rede

15/8/2017, Matt Bruenig, Jacobin Magazine











Um Estado Social de Bem-estar é mais que apenas uma rede de segurança. É um alicerce sobre o qual as pessoas podem construir a vida.

Rede de segurança. Rede de segurança. Rede de segurança. Aparentemente essa é a única metáfora que circula para descrever o estado de bem-estar, pelo menos no discurso político norte-americano. Cada político liberal, cada think-tank liberal e todos os especialistas liberais parecem jamais se cansar do eufemismo, mesmo que ceda tão rapidamente à metáfora conservadora igualmente chocante da rede de dormir [rede da preguiça] do Bem-estar [ing. welfare hammock].

Apesar da popularidade, a metáfora da rede de segurança sempre me chama atenção, como no mínimo muito confusa; e no máximo como indicativa de más políticas de bem-estar social. A mensagem da rede de segurança é que todos precisamos de amparo quando caímos, o que, claro, é verdade. Mas o papel de um bom estado de bem-estar social é precisamente proteger contra catástrofes, e muitos benefícios do bem-estar não são sequer usados para aquele fim.

O real significado da ameaça da Coreia do Norte à Ilha de Guam

15.08.2017, Richard Parker - Politico Magazine / GGN

Kim Jong-un sabia o que estava dizendo quando ameaçou atacar a Ilha de Guam. Antes que mero blefe na escalada de hostilidades verbais entre Estados Unidos e Coreia do Norte, a declaração agressiva do líder norte-coreano mirava o calcanhar logístico das forças militares norte-americanas no Pacífico, como se dissesse: “nós conhecemos muito bem os seus pontos nevrálgicos, e eles estão ao nosso alcance de tiro”.



Tradução de Ricardo Cavalcanti-Schiel





Numa tarde úmida de maio na base de Anderson da Força Aérea, na Ilha de Guam, o tráfego aéreo militar parece convergir de todas as partes: [bombardeiros - NT] cinzentos B-52, vindos da Dakota do Norte; KC-130 [Hércules de abastecimento - NT], vindos da Pensilvânia; e C-130 [Hércules de transporte - NT], vindos da Coréia do Sul.
As instruções da torre alertam os pilotos para iniciar sua aproximação a não menos de 60 metros, evitando as áreas de nidificação dos corvos durante a época de reprodução, a ter cuidado com as pistas escorregadias e com travagens intermitentes após o pouso. E, em seguida, vem o sinal padronizado: “Cuidado: tenha extrema atenção quanto ao uso extensivo de aeronaves não tripuladas nas vizinhanças da base aérea da Anderson!”.
À medida que os B-52 começam a aterrissar na pista de 3.350 metros conhecida como 24-Esquerda, um [drone - NT] Global Hawk cinzento [de 40 metros de envergadura], com sensores eletro-ópticos, se prepara na pista 6-Direita, exatamente às 2:30 da tarde. Sua missão é sigilosa, o avião-robô acelera seu motor a jato para taxiar e ganhar velocidade para o início de sua missão de espionagem de 24 horas sobre 5.600 quilômetros de oceano azul do Pacífico.
Essa é a base de Anderson, da Força Aérea dos Estados Unidos, um dos postos militares mais movimentados do mundo ― e um lugar que Kim Jong-un, o jovem rei eremita da Coréia do Norte, quer mandar para os ares. Esse não é apenas um ponto distante no mapa, um troféu colonial esquecido, expropriado durante a Guerra Hispano-Americana [de 1898, que, a pretexto de apoiar o movimento independentista de Cuba, arrebatou para os Estados Unidos o controle não só de Cuba como também de Porto Rico e Filipinas, além de vários outros territórios insulares no Caribe e no Pacífico, e determinou o colapso do Império Colonial Espanhol]. Guam é também um pilar do império global norte-americano, e Kim Jong-un ― com todos seus adereços bufônicos, do cabelo à la Macklemore [o rapper Ben Haggerty] à sua pança proeminente, que lhe dão um jeitão de vilão de estória em quadrinhos ― sabe que arrebatá-lo seria um triunfo para a posteridade.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Como evitar uma guerra nuclear: Porque a estratégia de Kim Jong-un faz sentido, por Federico Pieraccini

11.08.2017, Federico Pieraccini - Strategic Culture



Para observadores dos dois recentes testes de mísseis intercontinentais pela Coreia do Norte, fica a impressão de que Pyongyang deseja aumentar ainda mais as tensões na região. Porém, uma análise mais cuidadosa mostra que a República Popular Democrática da Coreia (nome correto do país) está dando curso a uma estratégia que pode vir a ter sucesso para evitar uma desastrosa guerra na península.


tradução de btpsilveira






Nas últimas quatro semanas a Coreia do Norte aparentemente já conseguiu completar a segunda fase de sua estratégia contra a Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos. O programa nuclear norte coreano parece ter alcançado uma fase importante, com dois testes levados a efeito no início e no final de julho. Ambos os mísseis aparentam ser capazes de atingir o território (norte)americano, embora ainda haja dúvidas da capacidade de Pyongyang para miniaturizar uma bomba nuclear a ser montada em seu míssil balístico intercontinental (ICBM). Portanto, a forma tomada pelo programa nuclear do país assegura uma estratégia de contenção importante contra o Japão e a Coreia do Sul e até, em alguns aspectos, contra os Estados Unidos, o qual permanece como a principal razão do desenvolvimento de ICBMs pela Coreia do Norte. Há exemplos repetidos na história recente que demonstram a insensatez de confiar no ocidente (o destino de Kaddafi ainda está fresco em nossas memórias), e sugere ao invés disso a sabedoria da construção de um arsenal que represente um alto nível dissuasivo contra a belicosidade daquele país. Não é nenhum mistério que de 2009 até agora, a capacidade nuclear da Coreia do Norte cresceu na proporção direta ao nível de desconfiança exibido por Pyongyang em relação ao ocidente.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Moon of Alabama: Promover a RPDC, para relançar a Guerra nas Estrelas de Reagan?

14/8/2017, Moon of Alabama











Desde que Trump fez ameaças de "fogo e fúria" contra a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), passou a haver certa sanidade entre as autoridades. A conversa sobre ataques preventivos contra a RPDC entre a comunidade dos entendidos praticamente acabou. Jamais houve qualquer possibilidade séria. A Coreia do Norte tem muitas opções para retaliar contra qualquer ataque e todas virão acompanhadas de danos catastróficos à Coreia do Sul e ao Japão e, portanto, aos interesses dos EUA na Ásia.

A Coreia do Norte (RPDC) pode ser contida com sucesso do mesmo modo que todos os demais estados nucleares são contidos e não usam os respectivos arsenais nucleares. Infelizmente, o Conselheiro para Assuntos de Segurança Nacional dos EUA McMaster ainda não recebeu essa mensagem:

EUA querem terceirizar a guerra do Afeganistão para empresas militares privadas.

Fugindo da responsabilidade de uma missão fracassada



11.08.2017, Andrei Akulov - Strategic Culture


tradução de btpsilveira






Até agora, o presidente Donald Trump não teve sucesso em apresentar uma política coerente para o Afeganistão. Ele está frustrado com assessores e comandantes militares, entre os quais o General John Nicholson, que comanda as forças (norte)americanas no país conflagrado.

Com tanto cozinheiros na beira do fogão, alguns estão advogando por um papel extremamente limitado dos Estados Unidos na Guerra, enquanto outros pressionam por um aumento de vários milhares de tropas (norte)americanas no terreno. Trump já é o terceiro Supremo Comandante-em-Chefe que tenta vencer a mais longa guerra da história dos EUA, em vão. Depois de dezesseis anos de esforço constante, ainda não há luz no fim do túnel. Esperava-se por uma nova estratégia que deveria ser entregue em julho. Não foi, enquanto debates intermináveis sobre o que fazer continuam.
Os Estados Unidos já gastaram, até agora, mais de 800 bilhões de dólares no conflito, embora alguns analistas digam que o custo real estaria na casa dos trilhões. Durante a campanha eleitoral, o candidato Trump descreveu a Guerra no Afeganistão como um “desperdício total”. Já aconteceram mais de 2.400 mortes entre os militares dos EUA e mais de 20 mil foram feridos. A produção de ópio cresceu 43% de 2015 para 2016 e a tendência tem sido ascendente desde 2001. As Nações Unidas acreditam que o Afeganistão permanece sendo um dos mais perigosos e mais violentos países em crise no planeta.

A Coreia do Norte, RPDC, conhece as lições brutais da 'mudança de regime' à EUA e não se desarmará

13/8/2017, Neil Clark, RT














Será que a 3ª Guerra Mundial começará essa semana, por causa das ações belicosas de um presidente fanfarrão com corte de cabelos patético e seu sinistro estado bandido belicista armado com bomba atômica? Ou ainda é possível conter Donald Trump e os EUA?

Claro que na mídia ocidental sempre a favor do que ordene o Departamento de Estado, é a Coreia do Norte e o governante norte-coreano que aparecem pintados como se fossem os doidos da hora. Mas você não precisa carregar tochas pela rua a favor do governo coreano, nem ser membro de carteirinha da Sociedade dos Adoradores de Kim Jong-un para saber que, dessa vez, o governo da Coreia do Norte está agindo muito racionalmente. Porque a história recente ensina que o melhor meio para conter ataques dos EUA e aliados absolutamente não é desarmar-se, fantasiar-se de John Lennon e pôr-se a fazer declarações sobre o quanto você deseja a paz. Nas circunstâncias presentes, doido é quem não souber que é preciso fazer exatamente o oposto.

Coreia do Norte não se deixará intimidar

9/8/2017, John Catalinotto, Workers.org








Pyongyang, República Popular Democrática da Coreia, depois de atacada por aviões norte-americanos, em 1950.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade dia 5/8/2017 a imposição de duríssimas sanções econômicas contra a República Popular Democrática da Coreia, RPDC, porque o país recusa-se a desistir de desenvolver seu programa nuclear com função de conter outras potências nucleares.

O Conselho de Segurança é dirigido por cinco membros permanentes com poder de veto: EUA, França, Grã-Bretanha, Rússia e China. Outros dez países integram também o Conselho de Segurança, mas só por dois anos e sem poder de veto.

Pepe Escobar: Coreia do Norte mostra que o Imperador está nu?

11/8/2017, Pepe Escobar, SputnikNews















Apesar do denso nevoeiro da guerra (retórica) entre Washington e Pyongyang, ainda é possível detectar algo de fascinante escrito no muro (não construído).

Já se disse que o presidente Trump está usando a Coreia do Norte para tirar de pauta e do ciclo de notícias dos EUA a narrativa do tal Rússia-gate incansavelmente repetida dia e noite, todos os dias e noites. Sem dúvida está funcionando. Afinal, naweltanschauung [visão de mundo, al. no orig.] do Excepcionalistão, a perspectiva de guerra e suas possíveis recompensas com certeza tira da mesa de jogo as nebulosas acusações de que os russos teriam hackeado documentos dos EUA e interferido nas eleições.

Pulando dentro do “fogo e fúria”

11.08.2017, Jonathan Marshall - Information Clearing House

“Esteja preparado. Há uma pequena chance de que nossa governança horrível possa inconscientemente nos levar a uma Terceira Guerra Mundial” – Donald Trump, 31 de agosto de 2013


tradução de btpsilveira






Agindo igualzinho um diretor demoníaco de Hollywood, o presidente Donald Trump continua a nos fazer pular da cadeira, mesmo quando já pensávamos que tínhamos visto tudo. Na terça feira, ele se superou por duas vezes ao prometer que a Coreia do Norte, se continuar a ameaçar os Estados Unidos, se encontraria “com fogo e fúria como o mundo jamais viu”.

Estes comentários sensacionalistas foram incendiários o suficiente para que os funcionários da Casa Branca corressem a assegurar aos repórteres (e à população em geral) que o presidente estava apenas improvisando e não falando a partir de um script oficial e aprovado. O Secretário de Estado Rex Tillerson insistiu que o presidente simplesmente quis dizer que “os Estados Unidos têm a capacidade total de se defender de qualquer ataque... Assim, os (norte)americanos podem dormir tranquilos esta noite.”

sábado, 12 de agosto de 2017

NYT: "Rússia é capitalista, ok, mas capitalista do mal" [risos]

10/8/2017, Moon of Alabama









Todos os dias nos dizem e repetem que a Rússia é 'do mal". Interferiu nas eleições dos EUA, como dizem, mesmo quando há provas claras de que isso não aconteceu. A opinião pública está sendo 'convencida', mesmo que só parcialmente, por insistente campanha de propaganda anti-Rússia.

A tentativa para reacender um processo de 'guerra fria' e demonizar a Rússia é comprometida porém pelo fato evidente de que a Rússia já não é inimiga ideológica do 'ocidente'. A Rússia já não é comunista e não é mais governada por sovietes. Hoje, a Rússia é realmente capitalista e, inclusive, neoliberal.

O novo modo de demonizar a Rússia tem, portanto, de adotar via completamente diferente. O melhor que conseguiram é "Rússia é capitalista, ok, mas capitalista do mal..." 

Só isso explica a manchete e a matéria que o NYT publicou: (ing.) Rússia deseja inovação, mas prende seus inovadores:

Mapa da derrota da direita na Venezuela

8/8/2017, Marco Teruggi (La Tabla)












A essa hora a direita estaria, pelos cálculos dela mesma, numa posição de força totalmente diferente da atual. Ou sentada no Palácio de Miraflores, ou tratando de um governo paralelo combinado com movimentos de massa e ações violentas, inclusive militares. Apostou no tudo ou nada/agora ou nunca, e hoje está enredada numa disputa interna para ver como seguir, tentando para não acabar pior que ao começar a escalada dos 100 dias.

Aconteceu o que tantas vezes acontece à direita: erraram nas análises. Superestimaram a própria força, subestimaram o chavismo, leram de maneira errada o estado de ânimo das massas, calcularam mal as coordenadas do campo de batalha. E nas batalhas as responsabilidades são coletivas, mas diferenciadas: o peso maior cai sobre os generais – como ensina, dentre outros livros, A Estranha Derrotade Marc Bloch.  

Porque fato é que houve a derrota, derrota tática, no marco de um equilíbrio instável prolongado, mas derrota, sim, e derrotas implicam mudanças, rompimentos, debandadas e mudanças de posição.

Desmascarando os mitos sobre as entregas de armamento para a Ucrânia

11.08.2017, The Saker - The Vineyard of The Saker / The Unz Review.



tradução de btpsilveira






A mais nova mania jornalística versa sobre a possibilidade de entrega à junta nazista em Kiev de armas antitanques dos Estados Unidos (o Javelin FMG-148 sempre é mencionado [sistema portátil de mísseis antitanques desenvolvido pelos EUA-NT]). Tipicamente, estas histórias sempre incluem uma discussão de armas “defensivas X ofensivas” e “letais X não letais” e revelam uma crença infantil na existência de algum tipo de tecnologia mágica que faria milagres no campo de batalha. Nada disso tem a ver com o mundo real e é por isso que esse pessoal escreve esse tipo de nonsense tentando esconder a própria ignorância, semeando pelos seus artigos números sem sentido tais como alcance, capacidade de penetração de blindagem, sistemas de orientação, expressões do tipo “dispare e esqueça”. A verdade é que todos esses autodenominados especialistas citam uns aos outros e todos papagueiam juntos a propaganda de linha chapa branca que sugere que a entrega dessas armas para a Ucrânia seria uma espécie de divisor de águas. Divisor de águas realmente é, mas não em termos militares. Pois bem. Vamos tentar colocar um pouco de razão nessa besteirada toda.

Da série "Recordar é viver": "Agora, é encarar[1]: o Czar voltou", por Pepe Escobar

6/3/2012, Pepe Escobar, Al-Jazeera (de Bangkok, Tailândia)











 O Czar chegou às lágrimas – improvável remake de Moscou contra 007 (From Russia with love, 1967). A Igreja Russa Ortodoxa – que apoiou firmemente sua campanha – estava contentíssima. As lágrimas do Czar rolaram, em teoria, em homenagem aos cidadãos daquele "grande país", aos quais ele quer garantir "vida decente". Ele está de volta –, como uma vingança; o mais gentil, o mais doce Putinator.

A tarefa que terá pela frente é gigantesca. Seu modelo vertical de soberania democrática – concebida pelo ex-conselheiro Vladislav Surkov [2] – já começa a beliscar. Tem de simultaneamente combater a corrupção horrenda, dobrar a burocracia e disciplinar as oligarquias centrais e locais.

Tem de enfrentar a drenagem ininterrupta de cérebros russos: até aqui, mais de dois milhões de russos já partiram.

Tem de maximizar os lucros de espantosos $1,5 trilhão das exportações de petróleo, desde que chegou ao poder pela primeira vez, em março de 2000. E que ainda não bastam para melhorar substancialmente a infraestrutura russa.

Recordo vivamente março de 2000 em Moscou: ninguém sabia, sequer, se o Czar teria competência para erguer a Rússia, depois dos pantanosos anos de Yeltsin e dependência de Washington; ou se, ao contrário, deixar-se-ia arrastar como um fantoche.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Coreia do Norte: fogo, fúria e medo, por Pepe Escobar

10/8/2017, Pepe Escobar, Asia Times


Antes de qualquer comentário:
ATÉ O MINISTÉRIO DE RELAÇÕES-EXTERIORES-DO-GOLPE-DO-ALUÍSIO sabe que o nome correto do país em português do Brasil é República Popular Democrática da Coreia.












Soam os alarmes com a especulação rampante sobre 'possíveis' ogivas nucleares miniaturizadas de Pyongyang.

Atenção! Cuidado com os cães da guerra. A mesma 'gente' da inteligência que os presenteou com bebês arrancados de incubadora pelos iraquianos 'do mal', e com Armas de Destruição em Massa inexistentes está agora martelando a 'notícia' de que a Coreia do Norte (o nome correto do país é República Popular Democrática da Coreia) teria produzido uma ogiva nuclear miniaturizada que pode ser disparada com seu míssil balístico intercontinental [ing. ICBM] recém testado.

Ainda há juízes respeitáveis (em Spokane, Washington)! Torturadores terceirizados irão a julgamento

Tribunal rejeita argumentos dos torturadores contratados (terceirizados) pela CIA



8/8/2017, Kevin Gosztola, Firedoglake











Um juiz federal em Spokane, Washington decidiu dia 5/9 que deve prosseguir o processo contra empregados terceirizados contratadas pela CIA e envolvidos no programa de tortura da Agência.

A ação foi iniciada pela União Norte-americana de Liberdades Civis [ing. ACLU] em nome de três ex-prisioneiros – Suleiman Abdullah Salim, Mohamed Ahmed Ben Soud e a família de Gul Rahman – todos vítimas de tortura. James Mitchell e John "Bruce" Jessen são acusados de violar leis internacionais e de abuso de direitos humanos.

O Dilema Coreano

09.08.2017, Brain Cloughley - Strategic Culture




tradução de btpsilveira






Nas suas declarações públicas, o líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un parece ser completamente psicótico e afastado de qualquer senso de realidade. Que outro líder mundial vem à sua mente ao ler esta descrição?
Bem, pelo menos Kim não tenta governar seu país e expressar seus insultos preferidos e uma política internacional peculiar tuitando platitudes ridículas nas primeiras horas do dia. Kim se circunscreve nas pontificações que faz sobre questões mundiais a vídeos oficiais que são encarados com um misto de horror, diversão e maus presságios pelos países regionais e condescendência misturada com paternalismo descrente pelas administrações dos Estados Unidos.

Guardiões da Propriedade



Sempre, ao longo da história, a Direita cuidou muito mais de preservar a propriedade privada, que de promover a democracia.







O empresário e político alemão Alfred Hugenberg (à esquerda) em dezembro de 1932.

O novo livro de Daniel Ziblatt, Conservative Parties and the Birth of Democracy [Partidos Conservadores e o Nascimento da Democracia] não poderia chegar em hora mais adequada, o que explica que tenha recebido muito mais atenção da imprensa popular que a maioria dos trabalhos de ciência política e história acadêmicas.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Trump pode terceirizar a guerra no Afeganistão, por MK Bhadrakumar

8/8/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline














Num importante comunicado à imprensa em Manila, ontem, 2ª-feira, o secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson falou sobre a revisão do caso Afeganistão que está sendo feita pelo governo Trump, e sugeriu fortemente que os ventos podem estar soprando a favor de pôr fim àquela guerra que já chega aos 16 anos. Disse Tillerson:

Jacques Sapir: Macron já enfrenta as consequências de seus atos...

3/8/2017, Jacques Sapir, Russeurope-Hypotheses













Emmanuel Macron comeu seu bom pirão primeiro. Comeu rápido, como jovem que tem pressa. Hoje, já está diante das consequências daquelas decisões e daquelas ações. A deliquescência do grupo parlamentar de La République en Marche [A República em Marcha], seu próprio partido, já é visível para todos.

As 'dissonâncias' parlamentares multiplicam-se. Os disfuncionamentos repetidos que afetam o próprio governo de Macron começam a aparecer na praça pública. O presidente já perdeu o capital de confiança com que podia contar nos grandes corpos do governo, especialmente nos que representam a força do Estado – a polícia e o exército. Não se debruçou, nem por atos nem por palavras, sobre nenhum dos grandes problemas que hoje atormentam a França, e mesmo assim – ou talvez por isso mesmo – vê a sua popularidade derreter no meio da rua.

Quando a política virou business

3/10/2012, Jill Lepore, The New Yorker  (in Redecastorphoto)











O campo de consultoria política era desconhecido antes que Leone Baxter e Clem Whitaker fundassem Campaigns, Inc., em 1933.

Eu, Governador da Califórnia, e Como Erradiquei a Pobreza”, livro de Upton Sinclair [1], é provavelmente a mais excitante peça de campanha eleitoral jamais escrita. Em vez do vazio de sempre, Sinclair, autor de 47 romances, entre os quais, e mais famoso, “A Selva” [The Jungle] escreveu... um romance, uma peça de ficção. “Eu, Governador da Califórnia”, publicado em 1933, anunciava a candidatura de Sinclair sob a forma de uma história ‘no futuro’, na qual Sinclair é eleito governador em 1934 e, já em 1938 havia erradicado a pobreza. “Que me conste”, o autor observava, “é a primeira vez que um romancista decidiu tornar realidade a própria ficção”. 

O livro tinha apenas 64 páginas, mas vendeu 150 mil exemplares em quatro meses. Capítulo 1: “Numa noite, em agosto de 1933, cinco membros do Comitê Central do Partido Democrata no Condado reuniram-se para a 16ª Assembleia Distrital do Estado da Califórnia”. Pode não parecer grande coisa, se você esqueceu que, naquele momento, a Califórnia era estado de partido único: em 1931, praticamente todas as 120 cadeiras na Assembleia estadual eram ocupadas por Republicanos; nenhum representante Democrata tinha comitê de alcance estadual na Califórnia. Vale lembrar também que o desemprego, no estado, estava em 29%. Voltando àquela reunião, em agosto de 1933: “O objetivo da reunião era discutir com Upton Sinclair a possibilidade de registrar-se como membro do Partido Democrata e, nessa condição, apresentar-se como candidato ao Governo da Califórnia”. E se Sinclair, socialista conhecido, uma vida inteira dedicada ao socialismo, concorresse como Democrata? Que magnífica virada na trama!