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quinta-feira, 1 de março de 2018

Esquerda socialista: Nossa via até o poder

12/5/2017, Vivek Chibber,* Jacobin Magazine**


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

Entreouvido na Vila Vudu:

Tá, tá, tá! OK,OK. É claro que temos de analisar a experiência da Revolução Russa para tentar extrair dela as lições aproveitáveis. Mas é erro grave supor que a Revolução Russa seja "o mais bem-sucedido experimento de política socialista até hoje". É núúúúúúncaras que me pegarão interpretando a história do comunismo pelos editoriais de O Estado de S.Paulo e ou New York Times.

O mais bem-sucedido experimento da política socialista no século 21 é a Revolução Chinesa, na qual Deng Xiaoping é Mao genialmente updated, e cujo pensamento brotaria também nos trópicos, em boca de Joãozinho Trinta: "Enriquecer é sublime. Só intelectual gosta de miséria."
Fooooooooooooorça, presidente Xi Jinping! 




Cem anos depois da Revolução Russa, estamos num momento especial, em décadas. Com os partidos tradicionais social-democratas e o neoliberalismo caídos em desgraça, novas oportunidades afinal emergem para a Esquerda radical.

Cada crise encontra algum tipo de resolução, e a crise que atravessamos também encontrará. Em que dará depende em grande medida de como a Esquerda responda. Se jogarmos corretamente as cartas que temos, a abertura pode ser ocasião para iniciar novo ciclo de organização – revitalizar partidos de Esquerda onde seja possível e iniciar novos partidos, se os que há provarem-se imunes a qualquer tipo de reforma.(...)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Bolchevismo, real e imaginado

28/12/2017, Jason Schulman, Jacobin Magazine


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Críticos de Lênin gostam de pintá-lo como autoritário feroz e absoluto. Mas esse retrato é falso.

A grande falha do artigo "What Lenin’s Critics Got Right" [Onde os críticos de Lênin acertam] de Mitchell Cohen no número mais recente de Dissent[1]é que repete o que Lars T. Lih, pesquisador independente e autor de Lenin Rediscovered: "What Is To Be Done" In Context [Lênin redescoberto: Que fazer? em contexto] (Haymarket, 2008) e de uma biografia de Lênin (Reaktion Books, 2011), chama de "interpretação pelo padrão de manual escolar" do pensamento de Lênin e, por extensão, de todo o bolchevismo como movimento.

sábado, 4 de novembro de 2017

Dos 'Dias de Julho' à revolução dos trabalhadores em 1917 na Rússia*


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

"Lênin, que passara o dia na rua e que só então chegava ao Congresso subiu ao palanque para um comunicado sobre a paz. Foi recebido com um tumulto de saudações. A massa de delegados arregalava os olhos para aquele ser misterioso que haviam sido treinados para odiar e aprenderam a amar sem jamais terem visto. 

Lênin, apoiou-se sobre a mureta do palanque, os olhos franzidos percorrendo a multidão, como se nem ouvisse a ovação que não amainava e durou vários minutos. Quando afinal se fez silêncio, ele disse apenas 'Agora vamos construir a ordem socialista'."** 

Essa cerimônia completa 100 anos dias 6-7/11/2017, semana que vem.



Quando terminou o malsucedido levante de trabalhadores e marinheiros em Petrogrado (São Petersburgo) em julho de 1917, quase todos os líderes do Partido Bolchevique estavam presos ou escondidos, massacrados como agentes do imperialismo alemão. Mas poucos meses depois, o mesmo partido bolchevique já estava posicionado para tomar o poder para a classe trabalhadora.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Socialismo, Terra e Banking: 2017 vs 1917, por Michael Hudson

19/10/2017, Michael Hudson, The Vineyard of the Saker












"Enquanto os grandes pontos de estrangulamento econômicos e políticos forem deixados em mãos privadas, eles continuarão a servir como gatilho para subverter políticas de reforma real. Eis a razão pela qual a política marxista teve de ir além dessas pretensas reformas socialistas." (...)
"A Guerra Fria mostrou que os países capitalistas planejam continuar combatendo contra economias socialistas, forçando-as a se militar para autodefesa. E o opressivo gasto militar excedente resultante passa a ser declarado culpa da burocracia e da ineficiência dos socialistas." (...)
"O colapso pós-sovietes nos anos 1990s não foi fracasso do Marxismo, mas da ideologia reacionária antissocial que está jogando as economias ocidentais sob o domínio de uma simbiose entre três modalidades de extração de renda pelo setor Finança, Imóveis, Seguros, FIS: renda da terra e dos recursos naturais; renda de monopólio; e juros (renda financeira). Esse é precisamente o destino do qual o socialismo e o Marxismo – e até o capitalismo de Estado – tentaram salvar as economias industriais."(...)
"A palavra 'reforma' como a usa hoje a mídia-empresa neoliberal significa desfazer as reformas da Era Progressiva, desmantelar a regulação pública e o poder de governo – exceto se for para forçar ainda maior controle pela finança e por seus interesses organizados aliados." (...)
"É a 'diplomacia' do capital financeiro, tentando consolidar uma hegemonia dos EUA sobre um mundo desejado unipolar. (....)
"O capital financeiro apoia essa sua estratégia com um currículo acadêmico neoliberal, que pinta a finança predatória e os ganhos do rentismo como se se acrescentassem à renda nacional, não como o que realmente são – ação de transferir a renda nacional para o bolso das classes rentistas. Esse quadro enganador da realidade econômica é ameaça real contra a China, que insiste em mandar seus alunos estudar Economia em universidades norte-americanas e europeias." (...)
"Assim, a única saída que restou para salvar a sociedade do poder que a finança tem hoje para converter renda em juros é uma política de nacionalização de recursos naturais, plena taxação da renda da terra (onde terra e minérios não sejam postos diretamente sob domínio público) e a reprivatização da infraestrutura e de outros setores chaves."
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Há um século, o socialismo parecia ser a onda do futuro. Havia várias escolas de socialismo, mas o ideal comum era garantir suporte às necessidades básicas e a propriedade do Estado, a sociedade livre de latifundiários, bankeiragem ["a Banca"] predatória e monopólios. No Ocidente essas esperanças estão hoje ainda muito mais distantes do que parecia em 1917. Terra e recursos naturais, monopólios básico da infraestrutura, assistência à saúde e aposentadorias foram cada dia mais privatizados e financializados.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Empobrecidos por livre escolha - História das revoluções de 1917 na Rússia, como guia para o que veio depois

5/9/2017, John Helmer, Dances with Bears, Moscou












O presidente Vladimir Putin decidiu que não haverá comemorações do centenário, em 2017, nem da Revolução de Fevereiro nem da Revolução de Outubro de 1917. Recomendou que se deixem as interpretações dos eventos para os "especialistas". Antes disso, Putin fez saber ao mundo sua opinião segundo a qual os bolcheviques são responsáveis por a Rússia ter perdido a 1ª Guerra Mundial, porque colaboraram com a Alemanha. 


Nada muda, ainda que os especialistas afirmem que a fonte mais potente do apoio popular de que gozavam os bolcheviques em 1917 tenha sido que os bolcheviques – diferentes nisso do Czar Nicolau 2º, do governo provisório que o substituiu, do primeiro-ministro Alexander Kerensky ou dos socialistas – queriam o fim da guerra; e também da violência no front doméstico, da qual dependera para se manter a ordem czarista. Mas pensar sobre isso tem implicações sobre o presente. Vale dizer, para a campanha de reeleição presidencial que termina dentro de sete meses, dia 18/3/2018.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

As revoluções camponesas de 1917













Em 1917, os camponeses eram fator decisivo no jogo político. Definiam respostas dos políticos aos desafios nacionais; produziam, controlavam e decidiam sobre os suprimentos de alimento; os soldados eram camponeses armados e uniformizados, fazendo e acontecendo no mundo do poder político; e, porque eram a maioria dos moradores das cidades russas, também tiveram papeis chaves nos levantes urbanos.

Apesar disso, quando se fala de revoluções camponesas, em geral falamos de batalhas rurais em disputa pelo uso e pela propriedade da terra. E, embora mais de 80% da população da Rússia vivesse em áreas não urbanas em 1917, os especialistas quase sempre marginalizam a experiência dos camponeses da Revolução Russa e sua participação nela, preferindo concentrar as atenções nos trabalhadores urbanos e na intelligentsia.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Os Dias de Julho, Petrogrado 1917

19/7/2017, John Catalinotto,* Workers World


Há momentos em que o partido revolucionário tem de remodelar suas táticas











Imagem: Trabalhadores e soldados buscam abrigo – ou tombam – quando atiradores escondidos nos prédios abrem fogo contra manifestantes nos Dias de Julho, em Petrogrado. 17/7/1917, Avenida Nevsky Prospect.

Dia 16 de julho há cem anos, cerca de quatro meses depois de terem deposto o czar russo e quatro meses antes de fazerem a primeira revolução socialista da história, dezenas de milhares de trabalhadores e soldados em Petrogrado (São Petersburgo) empunharam seus rifles e metralhadoras e marcharam para a sede do "Conselho" (soviete de Petrogrado) exigindo que os partidos dos trabalhadores tomassem o poder então em mãos do governo pró-capitalista.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Socialismo e 100 anos da Revolução Russa: 1917-2017

3/1/2017, David North e Joseph Kishore, World Socialist Website (Comitê Internacional da IV Internacional )













"É tempo de os comunistas exporem à face do mundo inteiro o seu modo de ver, os seus fins e as suas tendências, opondo um manifesto do próprio partido à lenda do espectro do comunismo"Manifesto do Partido Comunista, Karl Marx e Friedrich Engels, 1847.
Ler também
  • "Introdução ao Manifesto Comunista", Eric Hobsbawn, Verso Ed., NY, 2012 (abril) (traduzido em redecastorphoto)*




1. Um espectro ronda o capitalismo mundial: o espectro da Revolução Russa.

Esse ano marca o centenário dos eventos históricos mundiais de 1917, que começaram com a Revolução de Fevereiro na Rússia e culminou em outubro com "dez dias que abalaram o mundo" – a derrubada do governo capitalista provisório e a conquista do poder político pelo Partido Bolchevique, sob a liderança de Vladimir Lênin e Leon Trotsky. A derrubada do governo capitalista num país de 150 milhões de habitantes e o estabelecimento do primeiro estado socialista de trabalhadores em toda a história foi o evento de mais profundas consequências de todo o século 20. Na prática, pôs no poder de um grande país a perspectiva histórica proclamada 70 anos antes, em 1847, por Karl Marx e Friedrich Engels no Manifesto Comunista.