sábado, 25 de novembro de 2017

E o príncipe clown/crown* ordenou a Friedman, colunista do New York Times (e do Estadão): 'Chupa aqui'

24/11/2017, Moon of Alabama


Da série: "Jornalismo capou o capitalismo... ou foi o contrário?"

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Bigodes da SapiênciaThomas Friedman, escreveu a coluna jornalística e peça de bajulação e servilismo provavelmente mais vergonhosa da história [Moon não conhece D. Eliane Cantanhede, o Noblat, o Pondé, a ex-Urubóloga, hoje Pollyana da 'retomada', o Villa... (NTs)]:

"O processo de reforma mais significativo hoje em curso em todo o Oriente Médio está na Arábia Saudita. Sim, sim, vocês leram certo. Embora tenha chegado aqui no início do inverno saudita, encontrei o país em plena Primavera Árabe, ao estilo saudita.

Diferente de outras Primaveras Árabes – as quais emergiram com os pés para cima e falharam miseravelmente, exceto na Tunísia – essa aqui é comandada de cima para baixo pelo príncipe coroado, 32 anos, Mohammed bin Salman, e, se for bem-sucedida, mudará não só o caráter da Arábia Saudita, mas o tom e o sentido geral do Islã em todo o globo."


Friedman disse certa vez que os soldados norte-americanos devem meter a metralhadora na cara dos árabes que encontrem e ordenar-lhes "chupa aqui". Como o mundo dá voltas! Friedman agora foi a Riad para chupar qualquer face do abdômen que Mohammed bin Salman tenha metido naquela boca cheia de bigodes:


"Nos encontramos à noite, no palácio murado da família dele em Ouja, ao norte de Riad. M.B.S. falou inglês, enquanto seu irmão, o príncipe Khalid, novo embaixador saudita nos EUA e vários importantes ministros partilhavam variados pratos de cordeiro, e apimentou a conversa. Depois de quase quatro horas juntos, rendi-me à 1h15 da manhã à juventude de M.B.S., fazendo-o ver que tenho exatamente o dobro da idade dele. Fazia de fato muito, muito, muito tempo que um líder árabe me esgotara tão completamente, com tão abundante jato de novas ideias sobre transformar seu país."


"Mas escute aqui! MbS FALA INGLÊS (e paga em dólar)! O cara é, tem de ser, CARA NOSSO."

("E vocês não amaram as alusões (homo)sexuais que negritei no relatório?")




Tom Friedman (esquerda) sendo "instruído" sobre a missão felaciosa que lhe foi requisitada (concepção do artista)


Não, não faz "muito, muito, muito tempo" que Friedman usou o mesmo clichê do "esgotou-me tão completamente". Apenas exatamente quatro anos, ou quatro unidades Friedman, passaram-se desde a felação anterior, aplicada ao mesmo MbS:
Passei uma noite com Mohammed bin Salman no escritório dele, e ele esgotou-me completamente.


Carta de Amor a um Criminoso de Guerra, de Friedman, absolutamente ignora a fome no Iêmen, causada pelo bloqueio que EUA e sauditas impõem àquele país. O tirano saudita prometeu levantar o bloqueio há dois dias, só para em seguida mantê-lo e até torná-lo ainda mais violento. Sobre isso, a única coisa que Friedman tem a declarar é "pesadelo humanitário".

Mas, então "quase nem acreditei" (Friedman diz que quase nem acreditou) ao saber que "concertos só para homens" já são rotina em Riad.

Friedman mente que MbS teria "formação de advogado"... E desde quando uma graduação em lei islâmica – único item registrado no currículo acadêmico de MbS e declarado pelo interessado – faz de alguém advogado autorizado?

Friedman na sequência repete a ideia ridícula, segundo a qual o ataque brutal contra a oposição que MbS comanda em Riad respeitaria alguma espécie de lei:


"Quando todos os dados estavam prontos, o Procurador, Saud al-Mojib, pôde agir", disse M.B.S. (...) – "Pela lei saudita, o Procurador é independente. Não podemos interferir no trabalho dele..."


Tudo aí é descarada mentira, que Friedman nem tenta refutar. A Arábia Saudita é monarquia absoluta. Que parte de "absoluta" é tão difícil de compreender? O decreto do rei Salman dá à Comissão golpista do filho autoridade absoluta para manter quem bem entenda e para demitir quem bem entenda – literalmente:


"Pode adotar quaisquer medidas consideradas necessárias para lidar com casos de corrupção pública e tomar o que considere correto, de pessoas, entidades, fundos, bens móveis e imóveis, no país e no exterior ..."


Não há nenhum "procurador público" ou "estado de direito" nesse estupro em massa. Além do mais, o decreto do rei dá total imunidade a MbS. A Comissão de MbS é independente de "leis, regulações, instruções, ordens e decisões judiciais", enquanto estiver dedicada a cumprir suas tarefas.

Está tudo ótimo, diz Friedman, porque as poucas pessoas com as quais teve autorização para falar conheciam, todas elas, muito bem, o script:


Nenhum saudita dos que encontrei e com os quais conversei ao longo de três dias manifestou qualquer emoção diferente do mais efusivo apoio a esse ataque frontal à corrupção e aos corruptos.


Nenhum saudita manifesta qualquer emoção diferente porque, se manifestar, pode acabar morto. Única e exclusivamente o mais "efusivo apoio" ao príncipe clown/crown. Qualquer coisa que não seja "efusivo apoio" constitui "terrorismo" e implica cadeia ou execução sem julgamento:


A lei aprovada no início desse mês inclui penas de até 10 anos de cadeia por insultar o rei e o príncipe coroado, além da pena de morte para outros atos de "terrorismo", segundo a Gazeta Saudita e outras mídias noticiosas locais.


Friedman não será preso. Escreverá o que o governante saudita e a coorte de asseclas dele o mandarem escrever. Até confessa:


Verdade seja dita, M.B.S. deu-me instruções: "Não escreva..."


Quer dizer, a Arábia Saudita, que mantêm milhares de mesquitas de extremistas wahhabistas em todo o mundo, agora se converterá em farol do Islã liberal. Pelo menos, é o que Friedman diz.

Toda a coluna, do começo ao fim é escândalo horroroso e grave embaraço para o autor, mas é ainda mais escandalosa e causa embaraço ainda maior para os editores de NY Times que a publicaram. Deveriam pelo menos mandar a Riad a conta de um anúncio de propaganda a favor dos sauditas, para compensar a perda de respeitabilidade e de leitores pagantes que a coluna de Friedman certamente custará à empresa e aos acionistas.

Fica-se a conjecturar por que o bigode sentiu tal urgência de engolir todo o lixo que MbS ofereceu-lhe. Friedman tem mulher bilionária e não precisa do dinheirinho extra. Vai-se ver – toda aquela "juventude" a qual "se rendeu" e o tal "jato forte" que o "esgotou completamente" faz tanto, tanto, tanto tempo foram compensação tentadora demais, irresistível.*****



* Trocadilho intraduzível: "príncipe palhaço/coroado" [NTs]

Um comentário:

silvio marcus barroso salgado disse...

Esse tal de Friedman não é judeu? Se assim o for está explicado!