3/8/2018, The Saker, Unz Review e The Vineyard of the Saker
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu
Nos últimos dias, a Internet só fala de um boato – sinceramente: dos mais idiotas –, sobre os EUA terem pedido ajuda da Austrália para prepararem um ataque ao Irã. Desnecessário dizer, as 'notícias' não explicam quais capacidades teria a Austrália, que faltariam aos EUA, mas... Mesmo assim, a 'notícia' foi repetida em tantos lugares (vejam aqui, aqui e aqui), que é impossível ignorá-la. Numa dessas matérias, Eric Margolis descreveu as características que poderia ter o tal ataque. Cito-o na íntegra:
Esboço de um possível ataque dos anglo-sionistas contra o Irã
EUA e Israel certamente evitarão massiva campanha em solo, excessivamente cara, contra o Irã, que é país vasto e montanhoso e que sobreviveu à guerra que fez um milhão de mortos, durante oito anos, com o Iraque, iniciada em 1980. Essa guerra assassina terrível foi instigada por EUA, Grã-Bretanha, Kuwait e Arábia Saudita para derrubar o então novo governo islâmico popular do Irã.
O Pentágono planejou guerra aérea de alta intensidade contra o Irã, à qual Israel e os sauditas podem muito bem se integrar. O plano fala de mais de 2.300 ataques aéreos contra alvos iranianos estratégicos: pistas de pouco e bases navais, depósitos de armas e de petróleo, óleo e derivados, nodos de telecomunicação, radar, fábricas, quartéis e outras instalações militares, portos, represas e usinas, aeroportos, bases de mísseis e unidades dos Guardas Revolucionários.
As defesas aéreas do Irã vão de frágeis a inexistentes. Décadas de embargos militares e comerciais impostos pelos EUA contra o Irã deixaram o país tão decrépito e frágil quanto era o Iraque quando os EUA invadiram o país, em 2003. Os tanques e canhões moda anos 70s, estão detonados e não atiram direito; os velhos mísseis AA britânicos e soviéticos são praticamente imprestáveis, e os antigos jatos MiG e chineses estão bons para o museu, sobretudo os antiquados F-14 Tomcasts fabricados nos EUA, cópias chinesas dos obsoletos MiG-21, e um punhado de praticamente imprestáveis Phantoms F-4 da guerra do Vietnã.
Os comandos de combate aéreo não são melhores que isso. Tudo que há no Irã, em matéria de produto eletrônico, será fritado ou explodido logo nas primeiras horas de um ataque pelos EUA. A pequena Marinha do Irã será afundada na abertura dos ataques. A indústria do petróleo pode ser destruída ou parcialmente preservada, dependendo dos planos dos EUA para o pós-guerra.
O único modo pelo qual Teerã pode responder depende de ataques isolados de pequenos grupos contra instalações dos EUA no Oriente Médio, sem valor decisivo; e pode, claro, bloquear o Estreito de Ormuz pelo qual transitam 2/3 de todas as exportações de petróleo do Oriente Médio. A Marinha dos EUA, que tem base próxima, no Bahrain, pratica há décadas para enfrentar essa ameaça.
Há muito material interessante nesse trecho, e acho que vale a pena analisá-lo segmento por segmento.


