sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Enfraquecimento da dupla Merkel-Schauble pode levar ao fim das sanções da Alemanha contra a Rússia

28/9/2017, Tom LuongoRussia Insider








Sobre Schauble em plena atividade e força, ver:
13/2/2015, Pepe Escobar, Merkel−Alemanha−União Europeia−Grécia−Ucrânia,
de Russia Today, traduzido em redecastorphoto
23/2/2015, Mike Whitney, Operando na ponta dos dedos Varoufakis mantém a Grécia na Eurozona, de Information Clearing House, traduzido emredecastorphoto
31/8/2015, Michael Hudson, Faxinando o papel sujo do FMI na Grécia. Sobre reportagem especial da agência Reuters, de Counterpunch, traduzido em Tlaxcala







A pírrica vitória de Angela Merkel no domingo já está sacudindo a estrutura de poder na União Europeia.

A notícia chegou hoje cedo às redações: a primeira baixa resultante do resultado das eleições de domingo na Alemanha é o ministro federal das Finanças Wolfgang Schauble, há nove anos no poder. Já é efeito das conversações entre a chanceler Angela Merkel e ambos, os Democratas Livres (ing. Free Democrats Party, FDP) e os Verdes.

O medíocre desempenho eleitoral de Merkel levou à mudança. Christian Lidner, presidente dos FDPs, já trabalhava para conseguir o emprego de ministro federal das Finanças desde o início da temporada eleitoral. E também foi, ao lado do ex-presidente dos sociais-democratas e atual vice-chanceler e ministro das Relações Exteriores Sigmar Gabriel, empenhado defensor da normalização de relações com a Rússia.

"Temos de nos extrair desse beco sem saída" – disse Lindner ao jornal do grupo Funke Mediengruppe. "Para quebrar um tabu, acho que temos de considerar a Crimeia como arranjo provisório permanente, pelo menos por enquanto."

Lindner é o primeiro nome hoje na corrida pelo emprego de ministro das Finanças e deve promover essa mudança nas políticas nacionais da Alemanha. Contra ele concorre um provável parceiro de coalizão dos Verdes no Parlamento, mas de um ponto de vista da União Europeia não há diferença entre os dois nomes.

Lidner terá total apoio do governador da Bavária Horst Seehofer, que também tem visitado Moscou frequentemente ao longo dos dois últimos anos, para discutir a questão com o presidente Vladimir Putin.

E Seehofer tem agora muito mais poder dentro da União de Cristãos Democratas e União dos Cristãos Sociais (CDU/CSU) por causa do novo apoio de Merkel. Entre CSU, os FDPs e os "Alternativa para a Alemanha" [al. AfD], podem contar com quase um terço do Parlamento, o que põe a Alemanha muito mais próxima do fim das sanções contra a Rússia.

Vale lembrar que a própria Merkel é perfeito camaleão político, dos que colhe as tendências do dia, para não perder poder. Com o presidente francês Emmanuel Macron clamando por Europa mais independente – com criação de um exército europeu –, o simbolismo de reagir contra as sanções norte-americanas anti-Rússia renderia bom lucro líquido de poder doméstico, para Merkel.

Sua política de imigração feriu gravemente o prestígio da chanceler, mas os alemães querem melhores relações com a Rússia. Até a própria Merkel já sinalizou nessa direção. Mas ela tem deixado que os políticos que já defendiam a medida beneficiem-se o mais possível de o apoio da chanceler às sanções estar diminuindo; por isso o tema foi insistentemente inserido na narrativa 'midiática' ao longo de todo o mês passado.

Agora, basta uma única defecção entre os 28 ministros (estaduais) de Relações Exteriores que votaram a favor da extensão das sanções, para que as sanções acabem. Não importa quantos membros tenham criticado as sanções, sempre fizeram o que Merkel e – por trás dela – os EUA ordenassem.

Mas agora que, depois das eleições, Merkel está em estado de depauperação política terminal, tudo que antes era tido por certo volta a ser disputado e duvidoso.

Parece-me que Lidner manterá a política de Schauble, de jogar os alemães contra qualquer país que sonhe com alívio da dívida. O povo alemão simplesmente não pagará por mais 'resgates'. Essa eleição deixou isso bem claro.

Quando – não se – a União Europeia enfrentar outra crise de dívida soberana, seja outra vez na Grécia, ou na Itália ou na Espanha –, Merkel já não terá suficiente poder sobre Lidner para forçá-lo a aceitar outro acordo. Lidner levará avante o projeto que Schauble tinha para a Grécia em 2015, de expulsar o país para fora da eurozona.

E quando o processo começar, dificilmente haverá ministro italiano ou grego de Relações Exteriores que vote contra enfiar o projeto-Schauble no olho de Alemanha e EUA. Eles votarão no melhor interesse do próprio país e a favor de se levantarem as sanções contra a Rússia. 

Afinal, por que esses países continuariam a apoiar sanções que reduziram o comércio com a Rússia quando todos tinham tanto a ganhar graças à lira ou ao dracma recém desvalorizados? Não apoiarão.

Aí, então, as coisas ficarão realmente interessantes.*****

Um comentário:

silvio marcus barroso salgado disse...

"" . . . criticado as sanções, sempre fizeram o que Merkel e – por trás dela – os EUA ordenassem. . . . " . Duvido muito que os ANGLO_SIONISTAS=USraHell darão esta liberdade a Alemanha AINDA OCUPADA. Só vendo para crer!!!!