19/11/2015, Ian Birchall, Jacobin Magazine*
O ideal francês de laicidade/laicismo/secularismo não é alguma espécie de nobre ideal que teria sido mal interpretado e distorcido;
todas essas são ideias e práticas que sempre foram gravemente viciosas, desde o começo, nas próprias raízes.
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu
Imediatamente depois dos assassinatos na redação de Charlie Hebdo, todos ouvimos falar muito sobre "valores republicanos". De fato, alguns franceses parecem ter ouvido excessivas vezes; recente pesquisa de opinião mostrava que 65% do povo francês acha que expressões como "valores republicanos" foram "usadas demais e perderam a força e o significado."
Um daqueles valores republicanos é a laicidade [orig. laicidade] – palavra francesa que tem tantas conotações e interpretações que já é efetivamente intraduzível [o autor fala de traduzir ao inglês (NTs)[1]]; secularism [ing.] serve como aproximação razoável. Hoje, a laicidade serve como justificativa para uma variedade de coisas – desde proibir que mães que acompanham os filhos em atividades escolares usem véu, até ordenar que crianças muçulmanas e judias comam porco nos lanches escolares (ou passam fome).
Mas laicidade não é simplesmente uma ideia que foi apropriada pela Direita para finalidades políticas ou culturais; é também valor afirmado pela Esquerda e, até, pela extrema esquerda.

