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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Soberania e coisa pública: da história romana à nossa história

11/8/2018, Jacques Sapir, RussEurope-en-ExilLes Crises](excertos)




Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

Sobre o livro da Prof. Claudia Moatti: Res publica
(Debates sobre a soberania revelados pelas evoluções das representações da "coisa pública")

"Nesse 'povo' que a elite senatorial põe sob sua tutela pode-se encontrar um eco longínquo da vontade, hoje, entre 'os que sabem', de pôr sob tutela o povo, desde que aqueles 'sapientes' comprovem capacidades didático-pedagógicas (Hoje ditas "capacidades de kumunicação" [pano rápido]).

(...) Será preciso o Império pôr-se a caminhar na direção da cristandade, para que essa referência ao povo desapareça lentamente e a ideia da soberania perca o lugar para a ideia de um pacto entre Deus e o Imperador. Mas essa já é outra história…"
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"A res publica transformada em coisa do Senado, só faltava um passo para que virasse coisa do imperador."
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Claudia Moatti, professora em Paris-8 é especialista em história intelectual, personalidade reconhecida do mundo universitário francês. Agora, acaba de publicar uma obra sobre a evolução da concepção da "coisa pública" – da res publica – no mundo romano [1]. É obra que, certamente, se converterá em referência. Trata não só de interpretações da noção de "coisa pública", mas também de noções de legitimidade e de direito. Por trás disso tudo se ouve claramente a questão da soberania. (...)

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Situação da desglobalização em 2018, por Jacques Sapir

24/6/2018, Jacques Sapir, Russeurope em Exil em Les Crises


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

«O verdadeiro problema criado pela globalização é de natureza política. A globalização engendrou a crise da democracia, justamente por efeito da emancipação das empresas transnacionais, que se livraram de todos os controles pelo Estado e puseram o político sob tutela delas, por aspectos técnicos que geraram o que se chama, não sem alguma razão, de o «momento populista» que vivemos hoje. (...)

Pode-se dizer pois que a desglobalização será o grande retorno vitorioso do político sobre o «técnico», e o «técnico» está aqui encarnado no econômico e no financeiro (...). O econômico e o financeiro voltarão a ser instrumentos a serviço da política. E, com a volta da política, fortalecida, será possível afinal haver democracia do tipo que obtém a própria legitimidade não dos 'mercados', mas do povo, democracia a serviço dos interesses do povo, e que se materializa no poder efetivo do povo (...).

Não cabe portanto surpresa, se algumas respostas populares à globalização põem em causa, em parte ou integralmente, o quadro da democracia representativa. É normal, dadas as deformações que a própria democracia participativa também padeceu por efeito da globalização. O apagamento do político nas «democracias» globalizadas tornou-as completamente sem sentido».
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«Não se trata de algum nacionalismo cultural e econômico, mas de uma inflexão significativa – para longe da economia neoliberal, do individualismo e do mercantilismo bruto – rumo a uma experiência humana expandida. (...) [Hoje] a hegemonia da moeda, do poder tecnológico e a 'dominação' no campo da energia já não estão, de modo algum, sob a posse garantida do ocidente. Já não pertencem ao ocidente, migração que já começou há algum tempo.»
(Alastair Crooke, «What Trump’s Policy of Energy Dominance Means for the World», 6/5/2018, 
Strategic Culture Foundation)*

«A fissura mais frisante e mais carregada de consequências, na consciência de classe do proletariado, se revela na separação entre a luta econômica e a luta política.»
Georgy Lucaks, História e consciência de classe, 1920, cap. 5º, 
marxists.org**
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A edição em espanhol de meu livro La démondialisation [A desglobalização] publicado em 2011 pela editora Seuil[1] acontece quando eventos dos meses recentes, até dessas últimas semanas, trazem uma espécie de confirmação às teses desse livro. O processo de desglobalização, do qual já se viam os primeiros sinais ao longo dos primeiros anos 2000s, foi radicalmente acelerado. Já é provavelmente irreversível, pelo menos para o período histórico no qual entramos.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

União Europeia: sumário da decomposição, por Jacques Sapir

16/6/2018, Jacques Sapir, Russeurope en ExilLes Crises


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini

A União Europeia está em decomposição. Já é claro, e cada vez mais a decomposição atropela os discursos combinados e o faz-de-conta dos que nossos amigos italianos chamam de "(h)euroinômanos [org. «euroïnomanes»]. Mas semana passada o processo entrou em nova fase de aceleração.

Bem claramente, a questão dos «migrantes» teve papel de detonador. Sobre essa questão, de fato, acumulam-se erros políticos, um discurso pretensamente moral que não passa de conversa moralista, e enorme hipocrisia. A prova aí está, no caso do navio Aquarius, fretado pela ONGSOS-Méditerranée. Mas no fundo a questão apenas reflete as contradições internas que se desenvolveram no seio da UE. Num sentido, pode-se dizer que são raros os dirigentes que ainda «creem» numa União Europeia federal, por mais que o presidente da França agarre-se desesperadamente a essa fantasia.