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sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Por que o Qatar quer "fazer as pazes" com a Rússia





Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Como foi noticiado, os líderes da International Union of Muslim Scholars (IUMS) redigiram uma carta aberta na qual declaram que "partilham atitude positiva para com a Federação Russa, que hoje apoia árabes e muçulmanos." Mais que isso, a carta declara que se qualquer decisão estiver para ser tomada relacionada à Federação Russa, os que tiverem de tomar a decisão devem antes consultar os teólogos islâmicos da Rússia


A carta é espantosa. De fato, diz que a International Union of Muslim Scholars apoia as ações das autoridades russas na Síria. Se houver ali duas palavras sinceras, então é carta que significa muito, especialmente se se considera que a sede dessa organização está em Doha, capital do Qatar, estado wahhabista. A carta, principalmente, declara que o destino do presidente Bashar al-Assad deve ser decidido pelo próprio povo sírio.

Dizer que é passo inusual é pouco, porque essa União Internacional é uma das organização muçulmanas com poder para decidir, que mais têm influência em todo o mundo, e nela se reúnem muçulmanos sunitas, muçulmanos xiitas e até muçulmanos ibadistas, que em geral vivem em Omã. Há pelos menos 90 mil professores e mestres muçulmanos nos quadros dessa União, incluindo mais de 40 dos teólogos russos de mais alta autoridade – que são muftis e reitores das instituições islâmicas das regiões do norte do Cáucaso e do rio Volga. É, sim, organização verdadeiramente muito influente.

Mas é preciso lembrar desde logo um detalhe – o presidente da International Union of Muslim Scholars é Yusuf al-Qaradawi, que é o líder espiritual e ideológico da Fraternidade Muçulmana, a qual continua a ser a maior associação de islamistas radicais em todo o mundo. Em 1963, o presidente do Egito Gamal Abdel Nasser expulsou Yusuf al-Qaradawi do Egito, por conspirar para derrubar o governo egípcio. Mas o líder radical não vagou pelo mundo por muito tempo, porque logo encontrou abrigo no Qatar – o emirado wahhabista.