terça-feira, 22 de novembro de 2016

'Notícias falsas' e política 'pós-verdade'? Quem disse?!

21/11/2016, Neil Clark, RT









"Querem me dizer que esse gás sarín não existe?!"
(Gen. Collin Powells, exibindo uma 'prova' na ONU)





Os Dicionários Oxford escolheram "pós-verdade" como a palavra do ano. 'Notícias falsas' e política 'pós-verdade' foram declaradas culpadas pelo resultado a favor de o Reino Unido separar-se da UE, e pela vitória de Donald Trump nos EUA.

Como se a plebe analfabeta e burra caísse nas 'falsas notícias' que os infelizes leem na 'nova mídia' e nas mentiras da perigosíssima gangue de políticos ditos populistas que só investem nas emoções mais baixas, não em 'fatos objetivos', para angariar votos. Fenômeno terrivelmente preocupante, que ameaça diretamente a civilização ocidental como a conhecemos.

Bem, bem, perdoem-me por não segurar uma gargalhada. Porque ver o establishment que-há assim tão preocupado com 'notícias falsas'/'política pós-verdade' é a piada mais engraçada que me aparece desde que Lord Jenkins of Hillhead, imponente reitor da Universidade de Oxford, várias vezes, repetidamente, chamou seu ilustre hóspede do Sheldon, Mikhail Gorbachev, de "Mr. Brezhnev."

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Bem-vindos ao Admirável Mundo (Trumpolítico/Trumponômico) Novo, por Pepe Escobar

19/11/2016, Pepe Escobar, Strategic Culture Foundation















Não significa que a gangue Soros de mudança de regime e seus múltiplos tentáculos, combinada à máquina do Comitê Nacional Democrata dominada pelos Clintons, largarão o osso. Plano A – Maidan in the USA – não é o que se pode dizer, sucesso de massa. Então decidiram pelo Plano B – perturbação de longo prazo –, no fim de semana passado, em reunião num hotel de Washington.

As infindáveis lamúrias do floquinho de neve – perdemos a presidência por causa do FBI «do mal», WikiLeaks, os russos, etc. – eram previsíveis. Mesmo assim, parece que nenhum dos apparatchiks corruptos até a medula do Comitê Nacional Democrata jamais leu A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord. Ou não sabem como funcionam o showbiz – e programas de rádio.

Há quem diga que Paris é a capital mundial do pensamento crítico. Círculos intelectuais parisienses perplexos pelo menos já descobriram que a atual crise pan-ocidental não tem a ver só com economia, política, finança, segurança e imigração: tem a ver com o próprio «discurso político».

Trump e Putin começam a trabalhar no reset EUA-Rússia, por MK Bhadrakumar

15/11/2016, MK Bhadrakumar, Indian Punchline












Na 2ª-feira, o presidente russo Vladimir Putin fez o tão esperado telefonema ao presidente eleito dos EUA Donald Trump.

Sabe-se, claro, que o porta-voz presidencial no Kremlin, Dmitry Peskov, um dos mais próximos auxiliares de Putin, viajou a New York semana passada, ostensivamente para assistir a um evento mundial de xadrez, mas principalmente para preparar o terreno para a conversa telefônica da 2ª-feira.

A agenda dessas conversações russo-norte-americanas é praticamente sempre definida com antecedência. O resumo distribuído pelo Kremlin (e os breves comentários feitos pela equipe de transição de Trump em New York) apresenta balanço positivo da conversa telefônica.

Considerados os detalhes disponíveis, foi conversa substantiva, focada em ressuscitar as relações russo-norte-americanas, e, mais importante, considerou em algum detalhe o conflito sírio, incluindo "questões relacionadas a resolver a crise".

sábado, 19 de novembro de 2016

No Estado Profundo: Medo e ranger de dentes

18/11/2016, Larchmonter445, The Vineyard of the Saker














Todos no Estado Profundo estão ameaçados pela presidência de Trump. O Estado Profundo compreende que poder, dinheiro, estratagemas ideológicos e domínio sobre governo, mídia, academia, think tanks e ONGs estão no 'campo de luta', para usar o título do livro de um destacado alvo, que o Estado Profundo planeja destruir para salvar-se de Trump.
Lt. General (ret.) Michael T. Flynn

O tenente-general (aposentado) Michael T. Flynn, especialista três estrelas da Inteligência Militar, ex-diretor da Agência de Inteligência da Defesa, conselheiro de Trump já há 15 meses, é aliado vitalmente importante de Trump que o Estado Profundo está tentando desacreditar.

Assistimos ao ataque político feroz da mídia, de uma semana, contra Stephen Bannon, que começou no instante em que Bannon foi nomeado conselheiro estrategista n.1 de Trump. Bannon é o ideólogo do "Drenar o Pântano", a política de Trump para atacar o sistema de corrupção e de políticas catastroficamente desastrosas, e os burocratas que viabilizam tudo isso.

Para compreender Steve Bannon, dedique-se a ler essa transcrição ou ouça o áudio de Perguntas e Respostas de um evento de 2014 no Vaticano. Bannon expõe sua agenda filosófica e usou a campanha de 2016 para fazer avançar a guerra que move contra as elites.

Drenar o Pântano tem a ver com mais do que extrair do sistema a corrupção.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Marco Polo chinês, Xi começa a tomar as rédeas do mundo pós Obama, por Pepe Escobar

17/11/2016, Pepe Escobar, RT













Em capítulo ainda mais espetacular de sua saga reversa à Marco Polo, o presidente Xi Jinping da China fez uma parada estratégica na Sardenha, Itália, em sua rota para participar da reunião de cúpula da Cooperação Econômica do Pacífico Asiático [ing. Asia-Pacific Economic Cooperation, APEC]) em Lima, Peru.

Por que a bela Sardenha? Com certeza não para cruzeiro em iate pela Costa Esmeralda. Trata-se, mais uma vez e sempre, das Novas Rotas da Seda puxadas pelos chineses.

Eleição de Trump : culpa dos "algoritmos Poltergeist"*

18/11/2016, Aristide Leucate, Boulevard Voltaire, Paris










Entreouvido na Vila Vudu:

Artigo enroladíssimo, à francesa, mas oferece uma novidade importantíssima, que se deve recolher e anotar: a expressão-conceito "artesãos da reinformação".

É a melhor e mais clara ideia que encontramos até agora, para começarmos a definir o trabalho que nós fazemos.

Até aqui sempre falamos de "propaganda política de redemocratização". É bom, mas obriga a reconceituar antes o termo "propaganda", para salvar a parte aproveitável do conceito – que confronta diretamente o viés de classe e a falsa 'isenção' da mídia-empresa comercial.

"Artesãos da reinformação" é expressão muito melhor, mais clara, mais direta, como conceito que define o trabalho da blogosfera progressista não jornalística.

O dicionário 
Oxford escolheu como palavra do ano a salafrarice da tal "pós-verdade".

"Pós-verdade" carrega o vício mortal de afirmar que, antes, teria algum dia havido alguma tal "verdade" no jornalismo comercial, o que jamais houve; tem também o vício mortal de fazer-crer que algum dicionário Oxford teria feito a crítica radical do jornalismo 'velho' e estaria indicando o caminho para algum jornalismo 'novo'.

A prova de que essa salafrarice linguística tem 1001 utilidades para todos os lados, e salva todos, é que já foi convertida em 'achado inteligentíssimo' no Brasil do Golpe e, de fato, em todo o mundo dito 'ocidental' – o mundo no qual a Killary foi derrotada.

A salafrarice já ilustra (i) as páginas 
mais atrasistas do 'jornalismo' brasileiro (FSP e Globo e Veja), mas também foi pautada por jornalista muitíssimo mais respeitável, Bob Fernandes; e por um dos melhores blogs progressistas com que contamos, Tijolaço (repercutindo Bob Fernandes).

Como se não bastasse, a salafrarice já está repercutida em todo o planeta, verdade seja dita, desde 
1992. Mas chegou agora para o grande público periférico pelas asas da mídia-empresa, claramente para salvar o velho 'jornalismo' pré-desglobalização (o velho jornalismo do velho  mundo unipolar, do império anglossionista, de Killary, vale dizer, o velho jornalismo-empresa comercial fracassado).

Nenhuma 'pós-verdade' nos interessa aos progressistas, porque entre "pós-Killary" e "pós-verdade" nada se critica, tudo se simplifica e salvam-se todos.

Nesse quadro, a Vila Vudu oferece também a sua palavra/sintagma do ano. A expressão, que foi recolhida do artigo abaixo traduzido, do Blog Boulevard Voltaire contra o jornalão Libération, diz MUITO BEM o que é o trabalho da blogosfera progressista.

O que a blogosfera progressista faz é "artesanato da reinformação".
Nada tem de 'pós-verdade' 
("A verdade não veio nem ficou. O erro mudou. E era sempre melhor o que passou").

Mas, sim, é "artesanato" (contra a manufatura e a mais-valia da indústria-comércio da informação); e é "reinformação" (onde havia informação jornalística, criticamos a informação que nos chega pronta, jogamos fora no lixo e, em lugar dela, pomos a informação que nós mesmos construímos, valha o que valer.

Se cada um construir e publicar a sua reinformação, e se forem muitas, se construirá uma espécie de informação construída na/pela multidão, informação de todos.

Os partidos socialistas e comunistas terão a tarefa de criticar essa 'diversidade' no que tenha só de dispersão e diluição; e de resgatar o que essa diversidade tenha de legitimamente e densamente democrática. Contruída na blogosfera  progressista, contra a midiasfera oligárquica, a reinformação sempre terá milhões de lados.

Se não prestar, sempre prestará mais que o velho jornalismo-empresa do momento rampante do capital, que diz-que apresentaria "os dois lados", que não apresentou jamais os zilhões de lados da sociedade realmente democrática; e sempre, sempre, apresentou só o lado do dono da empresa.

"Artesanato da reinformação" é "pós mídia-empresa capitalista em mundo que já se desglobaliza".
(Só pensamos até aqui. Correções e comentários são bem-vindos. Aguardem os próximos capítulos) 





A midiaesfera oligárquica não consegue, definitivamente, recuperar-se do choque que foi para ela a eleição Donald Trump, ou, melhor dizendo, – exceto casos raros como o do New York Times – obstina-se em não admitir que errou completa e absolutamente, porque acreditou nas mentiras abundantes e anestesiantes de 'pesquisas de opinião' que punham à frente e sem contestação, a candidata que encarnava interesses e esperanças das próprias empresas jornalísticas e jornalistas.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

É classe, estúpido, não raça!

















Durante a campanha presidencial de 1988, alguém perguntou ao reverendo Jesse Jackson "Como fará para atrair o apoio do operário metalúrgico branco?" Resposta: "Vou mostrar a ele que tem mais em comum com o operário metalúrgico negro, porque é operário, do que com o patrão, porque é branco." 

Jackson também falou de reviver uma "coalizão arco-íris", mas apesar de ser associado com o radicalismo negro por grande parte do país, ganhou quase 50% dos delegados Democratas na convenção de Atlanta, com um apelo explícito que transcendeu a questão das raças, e invocou a questão das classes. O próprio Jackson não é líder provável do Partido Democrata, mas o modelo dele é um dos que os Democratas bem fariam se considerassem, se querem reconquistar a maior parte do país, que perderam nas eleições da semana passada.

Em grande medida, Bernie Sanders compreendeu e avaliou esse aspecto, embora, como hoje sabemos, os doadores de Wall Street/Vale do Silício, o bloco que doou dinheiro ao Comitê Nacional Democrata, assustaram-se com isso e puseram-se a operar ativamente para sabotar a campanha de Sanders. Quando afinal chegamos à eleição geral, a mensagem do partido já estava diluída e turva, em algumas disputas focada exclusivamente em questões de gênero e ataque à falta de 'adequação' de Trump, ao cargo.

Não há dúvidas de que Donald Trump fez forte apelo a racistas, homofóbicos e misóginos, e por mais que seus colegas Republicanos tenham manifestado cenográfica indignação, tampouco há dúvidas de que Trump só fez tornar explícito o que os Republicanos fazem há décadas – desde os dias de Nixon em 1968. Só trocaram o apito de chamar cachorro, por um berrante de chifre.