quarta-feira, 18 de maio de 2016

Golpes para 'mudança de regime' na América Latina: O que a Rússia tem a ver com isso?



18/5/2016, Dmitry Babich, Information Clearing House

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



É mais que hora de a Rússia iniciar movimento diplomático para declarar ilegal a política patrocinada pelos EUA para 'mudança de regime', sobretudo agora, ante os recentes eventos na América Latina. 

Esses desenvolvimentos já se vão tornando tão 'rotineiros', que se podem descrever como golpes de Estado 'institucionais', com presidente populares eleitos removidos do poder e substituídos por funcionários neoliberais, e que recebem apoio pode-se dizer declarado e ostensivo do governo dos EUA e da Grande Finança norte-americana.

"O que se vê hoje no mundo é uma tentativa, pelo chamado 'ocidente histórico', para preservar a sua dominação no campo dos assuntos internacionais" – disse o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia Sergey Ryabkov, em conferência sobre desenvolvimento latino-americano em Moscou. "A América Latina não é exceção a essa tendência global. Veem-se esforços dos EUA para interferir diretamente em assuntos internos de alguns países daquela região. Argentina, Brasil, Venezuela são apenas os exemplos mais recentes."

terça-feira, 17 de maio de 2016

O Manual do Marechal Georgy Zhukov para surpreender e derrotar o inimigo da Rússia

11/5/2016, John Helmer, Dance with Bears, Moscou


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



"Tudo tem limite. E com a Ucrânia, nossos parceiros ocidentais cruzaram a linha." Foi o que disse o presidente Vladimir Putin em declaração do dia 18/3/2014, dirigindo-se a uma assembleia especial do Parlamento Russo, antes de ser consumada a incorporação da Crimeia à Federação Russa. 



Essa frase tem tudo para ser a linha de mais profundas e amplas consequências da história da Rússia nesse século – e também para o resto do mundo –, porque marcou o fim de meio século de coexistência pacífica entre Moscou, Berlin, Londres e Washington; um quarto de século depois do fim da Guerra Fria. Significa dizer: o limite ultrapassado, a linha que foi cruzada ali, marcam o início de um estado de guerra real.


Argentina x fundos abutres: a batalha do século

17/5/2016, Bodo Ellmers, "Triple Crisis", Dollars & Sense

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



No final de abril, a 'batalha do século' entre o governo da Argentina e um grupo de fundos abutres chegou a conclusão sem glória. O governo argentino afinal se rendeu e pagou tudo que os fundos abutres exigiam, ao preço de mais de US $10 bilhões. As consequências são severas: Argentina entrou em novo ciclo de endividamento; o modelo de negócio predatório dos fundos abutres resultou ainda mais fortalecido e ameaça afetar mais e mais nações; e a administração da crise da dívida já é desastre completo. A Argentina já perdeu a batalha, mas permanece a questão: como gerenciar a crise da dívida?

Argentina: de volta aos mercados? Ou de volta à crise da dívida? 

Argentina teve de tomar emprestado o dinheiro de que precisava para pagar aos abutres, e assim o país voltou aos mercados financeiros, depois de mais de uma década de ausência. Para surpresa de muitos observadores de mercados financeiros, os papéis emitidos pelo ex-estado pária alcançaram forte sucesso de vendas. No maior lançamento de papeis de país emergente em toda a história, a Argentina conseguiu levantar US $16,5 bilhões em três diferentes séries de bônus que renderam em média 7,2%. É 'sucesso de vendas', mas com um grave inconveniente: ele reinicia um novo ciclo de endividamento. 

sábado, 14 de maio de 2016

Plutocracia brasileira queima 54 milhões de votos, por Pepe Escobar

14/5/2016, Pepe Escobar, RT)

"Fim de jogo? Calma. Ainda não. A frente antigolpeachment tem estratégia: convencer o 'Brasil profundo', as vastas massas de trabalhadores pobres, de que foi praticada uma ilegalidade; reconstruir a imagem de Rousseff como alvo de profunda injustiça; reenergizar a frente política progressista; assegurar que o governo de Brutus n. 1 fracasse; e criar condições para o homem que virá do frio nas eleições presidenciais de 2018."
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Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Nunca na moderna história política foi tão fácil "abolir o povo" e simplesmente apagar 54 milhões de votos votados em eleição presidencial livre e justa. 

Esqueçam os 'papeizinhos pendurados'[1] das eleições na Florida em 2000. O dia de hoje viverá para sempre na história da infâmia em todo o Sul Global –, dia em que uma das mais dinâmicas democracias da região naufragou num regime plutocrático, recoberto por muito tênue verniz jurídico/parlamentar, com todas as garantias da lei e da Constituição entregues agora à mercê das mais sórdidas elites comprador.

Depois da nunca faltante maratona cenográfica, o senado do Brasil decidiu por 55 votos a 22, que a presidenta Dilma Rousseff deve ser julgada por "crime de responsabilidade" – relacionado a manobras contáveis que teriam sido usadas para mascarar resultados no orçamento do governo.

The Saker: Na Síria, a Rússia defende a civilização - e o Ocidente se alinha aos bárbaros.

12.05.2016 - The Saker, The Duran

tradução de btpsilveira




O recente concerto promovido pela Rússia em Palmira foi evento impregnado de profundo simbolismo. Mesmo tendo sido os sírios que liberaram a antiga cidade e mesmo que os russos tenham apenas providenciado apoio, esse apoio foi crucial e, além disso, não foi apenas Palmira que a Rússia salvou, mas a nação síria em si mesma. Pode-se mesmo argumentar que os russos em Palmira não salvaram apenas a Síria, mas toda a civilização.

Imagine-se como um extraterrestre observando nosso planeta a partir do espaço. Você não apenas presenciaria as inacreditáveis atrocidades cometidas pelos psicopatas comedores de fígado do Estado Islâmico, mas também poderia observar que o Império que governa grande parte do planeta e a assim chamada civilização ocidental, que moldou o mundo moderno mais que qualquer outra, dão total apoio ao Estado Islâmico.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Os russos se preparam para enfrentar uma Grande Guerra (defensiva), tanto convencional quanto híbrida

12.05.2016 - Alastair Crooke, Conflicts Forum  Valdai Discussion Club


A guerra financeira já não é novidade.

●●●●● tradução por btpsilveira



Um dos principais pensadores russos, conselheiro do presidente russo Vladimir Putin para assuntos econômicos e impulsionador da União Econômica Eurasiana, pergunta de forma retórica em artigo recente se haveria qualquer razão para que (os russos) tenham esperança no levantamento das sanções. Sua resposta foi um rotundo “não”: na realidade, as sanções dos Estados Unidos jamais tiveram a ver com a Crimeia ou mesmo a Síria, disse ele. Em vez disso, tem mais a ver com a crise econômica no coração do sistema financeiro ocidental e sua necessidade de compensar o esgotamento de seu núcleo através do saque dos recursos da periferia (onde se situa a Rússia). Ele antevê a perspectiva de uma intensa guerra híbrida dirigida contra a Rússia.

Guerra do Ópio - Carta de Conselhos à Rainha Vitória

De: Lin Zixu (tb. Lin Tse-Hsu), c. 1839 (Chinese Cultural Studies e CyberHarvard)*

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


[De "Introdução", in Kishlansky, 1995] Lin Tse-Hsu (1785-1850) foi o Comissário Chinês em Cantão, cujas ações precipitaram as Guerras do Ópio (1839- 1842). Embora o ópio fosse consumido na China há séculos, só depois do início do comércio de chá com a Holanda e mercadores ingleses, surgiram na China os meios que permitissem importar grandes quantidades da droga. No início do século19, o ópio era o principal produto que a empresa inglesa Companhia das Índias Orientais comerciava na China – e a dependência de ópio ia-se convertendo em problema social grave. Quando seu próprio filho morreu por overdose de ópio, o imperador decidiu pôr fim ao comércio.

Lin Tse-Hsu foi mandado ao Cantão, principal porto comercial da Companhia das Índias Orientais, com instruções para negociar o fim da importação de ópio para dentro da China. Os negociantes ingleses não mostraram qualquer boa vontade ou disposição para negociar. Diante da intransigência, Lin Tse-Hsu ocupou os armazéns de ópio da empresa. Essa ação levou à reação militar imediata. Os chineses foram derrotados de modo arrasador e tiveram de assinar tratado humilhante que legalizou o comércio de ópio. E o Comissário Lin foi demitido e expulso da China. 
A "Carta de Conselhos à Rainha Vitória", desse mesmo Comissário Lin Tse-Hsu, que aqui se lê foi escrita antes de eclodirem as Guerras do Ópio. É documento de impressionante franqueza, dada, sobretudo a linguagem altamente estilizada da diplomacia chinesa. Não se sabe com certeza se a Rainha Vitória chegou a ler a carta. Quem a escreveu, sem dúvida possível, sim, morreu no exílio.
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CARTA:


Sua Magnificência Nosso Grande Imperador tranquiliza e pacifica a China e países estrangeiros e olha para todos com idêntica gentileza. Se há lucros, ele os partilha com todos os povos do mundo; se há ofensa, ele a remove de onde esteja, para o bem do mundo. Tudo isso, porque leva na mente os saberes de céu e terra.