quarta-feira, 13 de junho de 2018

Da DEFECAÇÃO PÚBLICA como arma

Cocô duro ou cocô mole, quando autoridades da Casa Branca defecaram em cima do primeiro-ministro do Canadá? E Chrystia Freeland? Também mirou em Justin Trudeau?

11/6/2018, John Helmer, Dances with Bears


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu





A BBC, rede britânica estatal oficial de notícias noticiou no sábado pela manhã, que pessoas que têm o hábito de defecar em logradouros públicos podem estar acometidas de várias diferentes patologias, das quais a defecação em público pode ser sintoma. Foi antes da tarde de sábado, e também de todo o domingo seguinte, quando o presidente dos EUA (imagem de abertura, à esq.), seu conselheiro de segurança nacional John Bolton, seu conselheiro de economia Lawrence Kudlow e seu conselheiro de comércio Peter Navarro coordenaram movimentos para defecar publicamente na cabeça do primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau.

"Sempre indago do policial se é mole ou duro" – disse à BBC o especialista lá citado, Professor Mike Berry, psicólogo clínico forense na Universidade de Birmingham City. "Olham-me como se eu fosse completamente doido. Mas explico que, se é mole, é de alguém ansioso, e você encontrará criança que vai e faz cocô na cama. Se o cocô é bem duro, duro mesmo, é indicativo que alguém zangado e amargo sobre o que faz."

Para analistas políticos canadenses, os ataques do fim de semana contra o primeiro-ministro Trudeau são os piores insultos recebidos do governo dos EUA em toda a história conhecida. Não têm muita certeza de que seja mole porque Trump é ansioso; ou duro porque os norte-americanos estão decididos a destruir Trudeau politicamente.

Analistas canadenses concordam que Trudeau e seu governo do Partido Liberal estão caindo nas pesquisas de intenção de voto no Canadá, para as eleições previstas para 21/10/2019. Mas os analistas estão divididos sobre o impacto que terão os ataques dos norte-americanos contra Trudeau: se disparará uma onde de apoio patriótico ao primeiro-ministro, ou se causará grave erosão no apoio ao primeiro-ministro, e avanço para a ministra de Relações Exteriores Chrystia Freeland (na imagem de abertura, à direita), que ambiciona tomar o lugar de Trudeau. Um dos apoiadores de Freeland, veterano militar canadense, diz que "o pessoal de Trump odeia Chrystia acima de tudo e de todos. Mas não tinha provas de coisa alguma, que pudesse exibir." Outras fontes canadenses dizem que nas atitudes de governo dos EUA em relação à Freeland, nada existe "desse tipo".

As mais recentes pesquisas eleitorais no Canadá, publicadas dia 22 de maio, mostram que o Partido Conservador do Canadá, liderado por Andrew Scheer, ultrapassou em 16 pontos percentuais os Liberais de Trudeau no que se chama "intenção de voto". Vejam no Gráfico 1 o desabamento da linha vermelha dos liberais e a ascensão das linhas azul (Conservadores, Tories) e verde (Partido Neodemocrata, NDP, ing.). Traduzindo esses resultados em número de cadeiras no Parlamento de Ottawa, os Tories obteriam maioria de 234; os liberais ficariam com 72. Atualmente, os liberais têm 183 cadeiras-votos; os Tories, 96; e os neodemocratas do NDP, 43.

Gráfico 1 - Candidatos às eleições de maio 2018

A aprovação pessoal de Trudeau não parou de cair com regularidade desde o pico, há dois anos, em julho de 2016. Desde fevereiro do ano corrente, a queda acelerou. O comportamento de Trudeau numa visita de estado à Índia e, antes, em feriados nas Bahamas com despesas pagas por um amigo rico, são causas diretas do declínio, segundo a imprensa canadense.

Gráfico 2 - Tendência da aprovação de Trudeau

Especialistas canadenses em pesquisas eleitorais dizem que seus números mostram que os eleitores canadenses entendem que a maior vulnerabilidade de Trudeau está em ter sido fraco e pouco convincente na política externa. Os recentes insultos dos norte-americanos, creem eles, ou fortalecerão ou quebrarão, de vez, a imagem de Trudeau aos olhos dos eleitores canadenses.

As ameaças do governo Trump, de impor tarifas-multas às exportações de aço, alumínio, automóveis e produtos granjeiros canadenses já dispararam massiva hostilidade em todo o país, criando um sentimento antinorteamericano a favor de o Canadá retaliar, ao qual Trudeau não pode resistir. "Mr.Trump conseguiu unir os canadenses, de modo que praticamente não se vê em outras questões", noticia  a empresa de pesquisas Abacus. "A oposição às tarifas norte-americanas é de praticamente 80% em todas as regiões do país. Eleitores conservadores estão 82% contra Mr. Trump nessa questão, os neodemocratas, 80%; os liberais, 87%."

Na semana antes de Trump e seus funcionários atacarem pessoalmente Trudeau, eis como os canadenses disseram que estavam prontos a retaliar por conta própria:

Gráfico 3: Deixará de comprar/considera deixar de comprar

No sábado, depois que Trump deixou a reunião do G7 no Canadá antes do encerramento, o presidente dos EUA tuitou que Trudeau fizera jogo duplo – "manso e suave" nas reuniões cara-a-cara à mesa de reuniões, mas "muito desonesto e fraco" depois da partida de Trump. Acusando Trudeau de fazer "declarações falsas", Trump disse que os EUA recusavam-se a assinar o comunicado depois de definido pelos líderes do G7, Trump incluído.

Trump foi então acompanhado nos ataques a Trudeau pelo seu conselheiro para questões de economia Kudlow, que acusou Trudeau de fazer "joguinhos infantiloides", de "nos apunhalar pelas costas" e de "nos trair". "O presidente dos EUA não vai deixar um primeiro-ministro canadense fazer dele gato e sapato. Faça gato e sapato dele, presidente Trump." Segundo Kudlow, a conferência de imprensa de Trudeau depois da reunião foi jogada "para consumo político interno".

As palavras que Trudeau usou, às quais se referia Kudlow, foram: "Disse bem claramente ao presidente que [tarifas comerciais retaliatórias] não é coisa que nos agrade, mas sem dúvida alguma recorremos a elas porque os canadenses – somos polidos, somos razoáveis, mas ninguém fará gato e sapato de nós." 

Imagem (min. 5:01)

 O conselheiro para assuntos comerciais da Casa Branca Navarro respondeu: "Há lugar especial no inferno à espera de qualquer líder estrangeiro que se meta a fazer diplomacia de má fé contra o presidente Donald J. Trump e na sequência tente apunhalá-lo pelas costas quando ele se levanta para sair. E isso foi o que fez Justin Trudeau, homem de má fé, nessa incrível conferência de imprensa. Isso foi o que fez esse Justin Trudeau, fraco, desonesto."

Fonte: https://edition.cnn.com/2018/06/10/politics/peter-navarro-justin-trudeau/index.html

Com um tuíto da própria lavra, Bolton, conselheiro de segurança nacional de Trump, associou-se ao ataque contra Trudeau, a bordo do avião presidencial já a caminho para Singapura. "Apenas mais uma reunião do #G7 onde outros países esperam que os EUA sempre sirvam como banco a serviço deles. Hoje o presidente falou claramente. Nunca mais."

"Trump ofende o G7 e o Canadá" – foi a manchete de CTV News, rede comercial de notícias com grande audiência no Canadá. Um diplomata canadense recomenda que todos leiam um resumo publicado pela rede CTV, de todas as questões comerciais em jogo, como Ottawa as interpreta. 

Para detalhes na imprensa canadense sobre as reuniões do G7 que levaram à defecação dos EUA sobre a cabeça do primeiro-ministro Trudeau, leiamaqui. O feed no Twitter de um repórter de Toronto também ajuda a ver a reação dos canadenses por trás do palco. Para ver os cálculos dos canadenses dos fluxos de comércio com os EUA, nos quais se identificam erros e distorções do que disse o negociador comercial dos EUA Robert Lighthizer, cliqueaqui.


Imagem (Min.0:20)

A CTV continuou no mesmo assunto, comentando o que disse Freeland à mídia no final da tarde de domingo em Quebec. Quem queira assistir aos esforços de Freeland para repetir tudo em francês, veja aqui (min. 3:30).

"A questão à qual tenho fortes objeções" – disse a ministra Freeland de Relações Exteriores do Canadá, falando em Quebec, depois que os ataques dos norte-americanos contra Trudeau já estavam publicados – "é a injustificada imposição de tarifas sobre o aço e o alumínio canadenses. Ahhh, e o pretexto da segurança nacional é absurdo e, francamente, insultante." Quer dizer: a ministra Freeland não defendeu diretamente o seu próprio primeiro-ministro.

Freeland foi empurrada para a defensiva diante de seu próprio eleitorado, depois da esmagadora derrota do Partido Liberal nas eleições de 7 de junho na província de Ontário. "Um colapso total dos liberais" – na avaliação de um jornal de Toronto.

Uns poucos dias antes, a ministra Freeland escrevera pelo Twitter: "Sei que vamos vencer. Em poucas semanas estaremos festejando." O resultado na circunscrição University-Rosedale, que Freeland representa no Parlamento federal, foi derrota do candidato para o qual ela fizera campanha, por mais de 2:1 votos. O resultado põe em dúvida a sobrevivência de Freeland na eleição federal daqui a 16 meses. "Os norte-americanos defecaram sobre Trudeau no fim-de-semana" – comentou uma fonte em Toronto. – "Mas no fim de semana passado os eleitores defecaram sobre os liberais."

Depois das ofensas disparadas pelos norte-americanos, Freeland respondeu: "Evitamos sobretudo os ataques ad hominem especialmente quando tenham a ver com nossos relacionamentos com nossos aliados. Somos sempre razoáveis... Estamos sempre preparados para conversar. É o jeito canadense de ser." Sem qualquer referência a Trudeau, Freeland previu o futuro: "Ao fim e ao cabo, o bom-senso prevalecerá."

Freeland também participou de uma promoção do New York Times que foi publicada dia 9 de junho. Em resposta a notícias canadenses sobre o apoio que ela dera ao próprio avô materno, ativo na liquidação de judeus e russos durante a 2ª Guerra Mundial, Freeland trocou os dois avôs e respectivos currículos de guerra, quando falou à reportagem do New York Times. Como se lê, ela "falou com emoção sobre a luta de seu avô – e a morte de uma tia-avó – na 2ª Guerra Mundial." O jornal não percebeu que Freeland referia-se ao pai canadense de seu pai, não ao pai ucraniano de sua mãe, Michael Chomiak, que foi agente de propaganda e espião empregado pelo Exército Alemão na Polônia e na Áustria ocupadas, e, depois, na Bavária. Detalhes dessa história encontram-se aqui.



Leiam aqui a série canadense, em 24 episódios, sobre Freeland.

Para saber mais sobre os esforços de Freeland para promover a própria carreira política com a ajuda do governo Obama e de Hillary Clinton, leiam aqui.Sobre o papel de George Soros, como doador de campanha e financiador de Freeland, clique aqui.

Estará Freeland sinalizando para autoridades dos EUA, e para seus colegas de Partido Liberal, que ela será melhor primeiro-ministro do Canadá, no futuro, que Trudeau? "Bobagem" – reagiu um veterano funcionário do governo canadense. – "O pessoal de Trump odiava Chrystia já antes de qualquer comentário recente que tenham feito. Ela os enlouqueceu nas discussões sobre o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (ing. NAFTA). A única explicação para os insultos é que Trump e o pessoal dele são doidos varridos."

Solicitado a apresentar provas de que "odiavam Chrystia já antes de qualquer comentário (etc.)", nossa fonte não soube responder. Não se encontraram sinais anteriores de hostilidade do governo dos EUA contra Freeland.*******