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terça-feira, 29 de maio de 2018

Liberou geral? Já se pode dizer que foi golpe? Por Mike Whitney

20/5/2018, Mike Whitney, Unz Review


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu






Depois de 18 meses de ataques e acusações incansáveis, Donald Trump parece ter decidido erguer-se da lona e revidar. Numa série de tuítos que se estenderam de domingo à noite até a manhã da 2ª-feira, semana passada, Trump anunciou que fará sua própria investigação para saber se o FBI e o Departamento de Justiça (DdJ) manobraram indevidamente para atacar sua campanha à presidência, para "objetivos políticos".

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

USA: Tarde demais para pôr fim a 'operações' ilegais falsamente legais? Talvez.

Mas... como elas chegaram até aqui?! 



22/12/2017, Mike Whitney, Veteran's News Now

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


"Loucura sim, mas tem seu método."*

Fishing Expedition [Expedição de pesca] (Def.) – Qualquer inquérito aberto e mantido sem qualquer plano ou objetivo definido, na esperança de tropeçar em informação útil [à finalidade jamais declarada do tal inquérito ilegal suposto legal]. Conceito associado: erro grave de conduta da Procuradoria e/ou de Procuradores. 
Law Dictionary.Com
Entreperguntado, entrerrespondido e entreouvido na Vila Vudu:
Pergunta: Qual a probabilidade de a 'Operação' Mueller (OM1) nos EUA e a 'Operação' Moro (OM2) no Brasil serem 'naturalmente' iguais, estarem sendo tratadas exatamente do mesmo modo nas/pelas empresas de mídia nos EUA e no Brasil e no preciso mesmo momento, com juízes e procuradores condenando quem bem entendam, mesmo quando não haja nem fumo de prova? Resposta: Probabilidade tende a zero. Zero.



Depois de mais de um ano de 'jornalismo' de assassinato de reputação, menos da metade dos norte-americanos (49%) creem que "é provável" que Donald Trump tenha cometido crime conectado à suposta interferência de russos na eleição de 2016. Isso, como se lê em recente pesquisa patrocinada por Washington Post-Rede ABC News distribuída em dezembro. E, além de apenas reles 19% das pessoas ouvidas entenderem que haveria "prova sólida" que apoiassem as acusações, 30% creem que "só há suspeitas, sem prova alguma". (E outros 44% creem que seja pouco provável que Trump tenha cometido algum crime.)

sábado, 9 de setembro de 2017

O que a 'mídia' não diz sobre testes de mísseis da RPDC

4/9/2017, Mike Whitney, Counterpunch













Vejam aqui o que a 'mídia' não está noticiando sobre testes recentes dos mísseis da Coreia do Norte.

2ª-feira passada, a RPDC disparou um míssil balístico de alcance médio Hwasong-12 que sobrevoou a ilha Hokkaido do Japão. O míssil caiu na água, além da ilha, sem causar dano nem humano nem a qualquer propriedade.

A 'mídia' passou a condenar imediatamente o teste como "ato grosseiro e provocativo" que mostrou que o Norte estaria desafiando resoluções da ONU e manifestando "desprezo pelos vizinhos". O presidente Trump criticou fortemente o teste do míssil:


"Ações de ameaça e desestabilização só aumentam o isolamento do regime da Coreia do Norte na região e em todo o mundo. Todas as opções estão sobre a mesa."


O que a 'mídia' não diz é que, durante as três últimas semanas, Japão, Coreia do Sul e EUA estão fazendo vastas manobras militares conjuntas na Ilha Hokkaido e na Coreia do Sul. Esses jogos de guerra desnecessariamente provocativos visam a simular uma invasão do Coreia do Norte e operação de "decapitação" do regime (assassinar o líder). Kim Jong-un da RPDC pediu incontáveis vezes que os EUA pusessem fim àquelas manobras, mas os EUA fizeram como se nada estivesse acontecendo. Os EUA reservam-se o direito de ameaçar qualquer um, a qualquer momento e em qualquer ponto, inclusive bem perto de casa. É parte do que faz a excepcionalidade dos EUA. Vejam esse excerto de artigo da Fox News:

sábado, 8 de abril de 2017

Mike Whitney: O conflito iminente entre EUA e Rússia

07.04.2017 - Mike Whitney, The Unz Review




tradução de btpsilveira







O ataque de mísseis ordenado pelo presidente Donald Trump contra o Aeroporto Shayrat no oeste da Síria não passou de uma exibição dos músculos imperiais que teve efeito exatamente contrário ao que se pretendia. Mesmo que o ataque com certeza tenha levantado o moral dos jihadistas que assolam o país há seis anos, não teve qualquer valor estratégico ou militar. O dano causado ao aeroporto foi muito superficial e não há razão para acreditar que tenha qualquer impacto no progresso do exército sírio no campo de luta.

No entanto, o ataque matou quatro soldados sírios em atividade, o que significa que as tropas dos Estados Unidos na Síria não podem mais ser consideradas como parte de uma coalizão internacional para combater o terrorismo. Agora, os Estados Unidos são uma força hostil que representa uma ameaça existencial para o governo soberano do país.

Era esta a mudança que Trump queria?

sábado, 18 de março de 2017

Muito triste: ataque furioso de Fed/Bancos Centrais contra os trabalhadores

17/3/2017, Mike Whitney, Counterpunch











Para o Brasil, ver Presidente do Banco Central do Brasil [NTs].




Por que o Fed-EUA elevou seus juros referenciais, mesmo com a inflação ainda abaixo da meta, com os salários fortemente arrochados e a economia que não chega nem a 1% de crescimento?

Essa pergunta foi feita a [presidenta do Fed-EUA Janet] Yellen numa conferência de imprensa na 4a-feira, um dia depois de divulgado o informe da Federal Open Market Committee, FOMC (Comissão de Mercado Aberto do Fed, uma das mais importantes comissões que compõem o Federal Reserve System). A resposta ajuda a ver como o Fed-EUA [e o mesmo vale para o Banco Central do Brasil (NTs)] toma suas decisões políticas baseado em fatores que a maioria das pessoas jamais consideraria. Eis o que disse a presidenta do Fed:

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Aviso aos Liberais: durmam entre os cães e amanhecerão cheios de pulgas, por Mike Whitney

23.02.2017, Mike Whitney, "Information Clearing House"




tradução de btpsilveira





Atualmente, o jornal The New York Times está tentando cumprir atarefadamente com um de seus projetos mais ambiciosos: remover um presidente eleito e em exercício. O colunista do Times, Nicolas Kristof chegou a dizer isso claramente em um artigo recente intitulado “Como podemos nos livrar de Trump”.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Trump prepara-se para assumir o FED, por Michael Whitney

18/11/2016, Michael Whitney, Unz Review
















Nos primeiros quatro anos da presidência de Donald Trump, ele não nomeará apenas (?!) três juízes para a Suprema Corte: também nomeará cinco dos sete membros do Conselho Diretor do Fed [ing. Fed Board of Governors]. Não há como exagerar o efeito disso sobre o futuro econômico dos EUA. Com Câmara e Senado firmemente em mãos do Partido Republicano, pode acontecer de o banco central mais poderoso do mundo ser convertido em instituição política que segue os diktats de um só homem.

Críticos podem argumentar que seja grande aprimoramento em relação à situação atual, na qual o Fed vive de tentar esconder o quanto servilmente serve aos bancos gigantes de investimentos de Wall Street, por trás de uma nuvem de 'independência' construída a golpes de Relações Públicas e Propaganda. Mas a ideia de um homem controlar o preço da moeda de reserva mundial e, assim, o preço dos ativos financeiros e de mercadorias por todo o planeta, também é perturbadora. Já vimos como a determinação do Fed para enriquecer seu eleitorado resultou em bolha atrás de bolha, todas com dimensões Titaníquicas, de preços de ativos. 

domingo, 31 de janeiro de 2016

Mike Whitney - Quadro na Síria é dramaticamente decisivo

Mas mídia-empresa nos EUA erra, se supõe que Putin estaria derrotado 
29/1/2016, 
Mike Whitney, Counterpunch

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



As conversações de paz para a Síria patrocinadas pela ONU, que começaram na 6ª-feira em Genebra, serão boicotadas pelo principal grupo de oposição síria, que insiste que a Rússia pare de bombardeá-los enquanto negociam. 

Para avaliar o ridículo dessa 'exigência', é preciso imaginar cenário semelhante, acontecendo nos EUA. 


Digamos por exemplo que Ammon Bundy, o líder pirado de uma milícia armada que tomou a sede de um santuário de vida selvagem, Malheur Wildlife Refuge, nos arredores de Burns, Oregon administrado pelo governo dos EUA, 'exigisse' que o FBI e demais agentes federais sumissem de lá, enquanto a ONU promovesse negociações entre os doidos e representantes do governo Obama, com vistas a organizar um governo de transição naquelas matas do Oregon, o qual derrubaria Obama da presidência em 18 meses, e reescreveria a Constituição dos EUA de modo que ela passasse a manifestar as convicções políticas de extrema direita política de Bundy e de seus seguidores amalucados no meio no mato.


Alguém aí consideraria razoável essa proposta?


Pois esse é o contexto em que se realizam as atuais "conversações de paz". Não surpreende que Moscou não leve a sério essa farsa: é piada, mesmo.


sábado, 23 de janeiro de 2016

E se esse for o "Grande Terremoto"?


"Obama e o Congresso Republicano já fizeram tudo que podiam para manter as coisas exatamente como estão: cortam e cortam gastos do Estado, para assegurar que a economia permaneça o mais fraca possível, porque, em economia moribunda a inflação não sobe, o Fed não precisa subir taxas de juros, e continua a chover dinheiro fácil sobre Wall Street."

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Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Calma. Respirem fundo, todos. Não é outra vez 2007. Os bancos não estão cheios de $10 trilhões de hipotecas "tóxicas" lastreadas em securities, o mercado imobiliário não despencou ladeira abaixo, fazendo sumir $8 trilhões; e o mundo não está à beira de mais um derretimento financeiro monstro. A razão pela qual os mercados estão girando tão furiosamente ao longo das últimas semanas é que as ações estão com os preços super inflados, os ganhos das empresas estão encolhendo, e o Fed ameaça retirar de circulação todas as bebidas alcoólicas. Como se não bastasse, número considerável de investidores têm mais em jogo do que podem pagar, e precisam derrubar as ações rápido-rápido, para reequilibrar os respectivos portfólios.


O que significa isso?

sábado, 9 de janeiro de 2016

Wall Street começa 2016 já tombada de cara no chão

5/1/2016, Mike Whitney, Counterpunch




Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




2016 começou com uma trombada na 2ª-feira, quando notícias da China fizeram ações despencarem em queda livre global. O índice Xangai caiu 242 pontos, antes de um sistema preventivo desligar todo o circuito e o pregão ser paralisado. Os três maiores índices dos EUA acompanharam a queda livre asiática, com Dow Jones puxando a manada, com perda de três dígitos no dia. As notícias de que as fábricas chinesas continuaram a encolher, depois de dez meses diretos de erosão, pôs uma pedra sobre qualquer festividade de Ano Novo, com corretores frenéticos torrando ações em ritmo que não se via desde 2011. A combinação de dados econômicos tétricos, investimentos oscilantes, crescimento abaixo de zero e altas taxas altas de juros puseram Wall Street em péssimo humor, antevendo ano volátil e de muitos solavancos, sem muito que comemorar.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Destruir a Síria para criar um Sunistão


Mapa impressionante do império do ISIS/ISIL/Daesh/Estado Islâmico
(dica de Pepe Escobar, no Facebook)
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Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Qual a conexão entre os EUA bombardearem uma base militar síria em Ayyash, Síria, e a invasão turca no norte do Iraque?


Parecem ser eventos isolados, mas são parte de um plano maior para balcanizar o Oriente Médio, para fortalecer o domínio, para Washington, de recursos preciosos, para empurrar a Rússia para guerra cara e prolongada e para garantir que todo o petróleo do Oriente Médio continue a ser denominado em EUAdólares. Joseph Kishore resumiu tudo isso do seguinte modo, em postado recente no World Socialist Web Site. Disse ele:

"A força básica por trás da guerra na Síria é a mesma que motivou a formatação imperialista de todo o Oriente Médio: os interesses do capital financeiro internacional. As grandes potências imperialistas sabem que, se quiserem pôr a mão no butim, têm também de fazer sua parte da matança" (
The new imperialist carve-up of the Middle East [Oriente Médio: a reformatação imperialista], World Socialist Web Site, traduzido no Blog do Alok).


Bingo. Em resumo, a guerra ao terror não é mais que uma folha de parreira de relações públicas para esconder as vergonhas de Washington, no esforço para continuar a mandar em todo o mundo. É impossível compreender o que se passa hoje no planeta, sem ver com clareza como alguns atos de violência e terror aparentemente disparatados encaixam-se e fazem perfeito sentido como movimentos de uma mesma estratégia geopolítica mais ampla e mais abrangente, para criar uma nova ordem mundial unipolar; para esmagar todos e quaisquer rivais emergentes; e para ampliar a dominação de pleno espectro dos EUA por todo o planeta.


sábado, 14 de novembro de 2015

Grande-mestre Putin derrota Tio Sam, no próprio jogo dos EUA

13/11/2015, Mike Whitney, Greanvillepost, vol. IX, 2015

NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA

"NO QUE TUDO SUGERE QUE SEJA mais um crime do estado profundo que governa Washington, uma série de ataques sob falsa bandeira – que a mídia-empresa já declarou 'ataques terroristas' – foram executados hoje numa de suas capitais , Paris, com o objetivo de justificar o envolvimento da OTAN na Síria. Está aberta a via de 'coturnos em solo' que o Pentágono e os sionistas-neoconservadores estão 'exigindo' há muito tempo
[13/11/2015, 
Greanville Post].

"Desafiamos a mídia-empresa ocidental a discutir a seguinte 'hipótese':
– EUA e aliados CRIARAM o ISIS.
E vejam isso [12/11/2015, Washington Blog]
.



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Suponha que você despreze seu cunhado e queira assassiná-lo. Mas você não tem colhões para matar o homem, e contrata um matador de aluguel para fazer o serviço. Você mesmo assim é culpado de assassinato? Não há dúvidas de que sim, é. 

Apliquemos então a mesma regra à política externa dos EUA: é igualmente errado invadir um país, matar as pessoas que lá vivem, derrubar o governo que lá existe, com milícias que você paga, arma e treina como se fossem soldados dos EUA? Ah, sim, com certeza é.


Portanto, embora alguns ainda talvez pensem que Obama estaria sendo 'muito esperto', ao servir-se de exército 'por procuração' na Síria, em vez de mandar para lá o exército dos EUA, não há absolutamente diferença alguma, em termos morais ou legais entre o que Obama fez na Síria e o que Bush fez no Iraque: invasão norte-americana é invasão norte-americana. Ponto. Parágrafo. Nada muda se você se serve de assassinos de aluguel, ou se usa seu próprio pessoal. Dá na mesma. Obama é tão culpado quanto Bush.


E que importância tem isso?

sábado, 7 de novembro de 2015

Erdogan vai à guerra

06/11/2015, Mike Whitney, Counterpunch

"Você queria saber por que 58 mil norte-americanos (e número vergonhosamente muito maior de vietnamitas) morreram na Guerra Americana [que é como se conhece, no Vietnã, o que nos EUA chama-se 'Guerra do Vietnã']? Morreram para estimular o surgimento de empresários, aumentar as exportações e fazer emergir muitos tecnocratas por todo o sudeste da Ásia."

11/3/2015, "Como criar um estado de insegurança", Andrew J. Bacevich,
TomDispatch, traduzido em 
redecastorphoto (epígrafe acrescentada pelos tradutores)
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"ISIS ameaça nosso modo de vida e nossa segurança (...) Temos planos para agir militarmente contra eles nos próximos dias. Vocês verão" (ministro turco de Relações Exteriores Feridun Sinirlioğlu).




Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu 



Vitória ampla nas eleições extraordinárias de 1º de novembro na Turquia afastaram o último obstáculo que ainda continha o ímpeto do presidente Recep Tayyip Erdoğan rumo à guerra. O surpreendente resultado das urnas, amplamente denunciado por observadores internacionais das eleições turcas como "injusto e distorcido pela violência e pelo medo", deu ao Partido Justiça e Desenvolvimento (tu. AKP) de Erdogan 49% dos votos e restabeleceu governo de partido único em Ancara. Pouco depois de anunciados os resultados das eleições, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu convocou os partidos políticos turcos a descartarem a Constituição vigente, para dar quase ilimitada autoridade executiva ao presidente Erdogan.


Segundo o jornal turco Today's Zaman, Davutoglu disse: "Conclamo todos os partidos que chegam ao Parlamento a produzir nova constituição nacional civil (...) Vamos trabalhar juntos para uma Turquia onde o conflito, a tensão e a polarização são inexistentes e todos se saúdam em paz."

Em outras palavras, as urnas estão sendo usadas para sabotar a democracia e dar poderes supremos não controlados ao presidente. Menos de 24 horas depois de Erdogan ter reconstruído seu controle sob governo de partido único, lá estava ele a 'reiterar' o apelo de Davutoglu para aumentar os poderes do presidente mediante referendo nacional.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A debacle de Kerry em Viena




Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Pode alguém me explicar por que o presidente Obama decidiu anunciar que vai enviar soldados das Forças Especiais dos EUA para a Síria, no mesmo dia em que o secretário de Estado John tinha reunião com diplomatas russos e iranianos para discutir o fim de uma guerra que já dura quatro anos e meio?


Do que, afinal, se trata? 

Será que Obama supõe que assustaria russos e iranianos com esse agitar cenográfico de sabres?

Será que pensa que os russos cancelariam a ofensiva militar e retirariam o apoio que dão a Assad?

O que Obama estaria pensando?

O próprio Kerry mostrou-se constrangido pelo anúncio presidencial, que nada obteve, exceto convencer os presentes de que a política externa dos EUA é conduzida por amadores, sem nem ideia do que fazem. Foi o que conseguiu.

Segundo o New York Times, "o secretário Kerry disse aos jornalistas que o timing do anúncio fora 'uma coincidência', e que ele não tinha conhecimento de que alguma decisão havia sido tomada, até a manhã daquela 6ª-feira." (Obama Sends Special Operations Forces to Help Fight ISIS in Síria, New York Times)

"Coincidência"? Kerry acha que foi coincidência?

Por sorte, o Times tem melhor noção que Kerry do que se passava, e até admite qual o real objetivo do 'movimento'. Vejam vocês mesmos:


"O presidente Obama anunciou na 6ª-feira, que ordenou o envio de várias dezenas de soldados das Operações Especiais dos EUA à Síria, para a primeira missão sem fim previsto de soldados dos EUA em solo daquele país (...)

(...) o envio dos soldados norte-americanos (...) visou a reforçar as ações diplomáticas do secretário de Estado John Kerry, que, na 6ª-feira, obteve um acordo em Viena, com países que têm interesses divergentes, para explorar "um cessar-fogo em todo o país" (...) (
Obama Sends Special Operations Forces to Help Fight ISIS in Síria, New York Times).

Viram bem? Não foi coincidência, não, de modo algum. Foi intencional. Teve o objetivo de "reforçar as ações diplomáticas do secretário de Estado John Kerry". Em outras palavras: foi ameaça, pura e simples ameaça.


Para que se consiga avaliar a real estreiteza de visão desse 'movimento', é preciso tentar compreender, para começar, por que essas conversações foram propostas. 

Qual o objetivo dessas negociações e quem as propôs? Ora... Foi Washington quem propôs! Não foi Rússia, não foi Irã, nem Arábia Saudita, nem Turquia e nem Europa. Foi Washington. Washington. E a razão por que Washington quis essas reuniões é que (como o Times diz) os norte-americanos queriam "explorar um cessar-fogo em todo o país". O governo dos EUA quer o fim dos combates. E já. Essa é a razão pela qual Kerry correu feito galinha recém-degolada de um lado para outro, para conseguir pôr todos os diplomatas em torno de uma mesma mesa – e o mais depressa possível.

Mas que ninguém suponha nem por um instante que, dado que Washington deseja um cessar-fogo, Washington também deseje alguma "solução política", ou "acordo negociado", nem alguma paz, porque Washington não deseja nada disso. Não há paz alguma na agenda dos EUA, e nunca houve. 

Ao longo dos últimos quatro anos e meio, os EUA vêm apoiando empenhadamente os terroristas sunitas e outros grupos militantes, para garantir que esses e outros evitem a qualquer custo qualquer paz, porque paz seria mais um obstáculo ante o real objetivo dos EUA, que é derrubar o governo da Síria, "mudar o regime" no jargão oficial.

Assim sendo, o que mudou? Em outras palavras, por que Kerry parece agora repentinamente tão desesperado para promover reuniões, quando, durante os últimos quatro anos e meio, teve todas as oportunidades do mundo para recolher seus animais ao canil?

O que mudou foi Vladimir Putin. Putin cansou-se, cansou-se totalmente, definitivamente, dos EUA a rasgarem em farrapos, um depois do outro, tantos países do Oriente Médio. E Putin decidiu pôr fim àquela farra. E formou uma coalizão (os 4+1: Irã, Iraque, Síria e Hezbollah). E começou a empurrar os terroristas para o inferno, à bomba.

Criou-se assim enorme problema para Washington, porque muitos desses extremistas violentos e terroristas foram armados e treinados pelos EUA. São "os rapazes" de Washington, e estão fazendo o trabalho sujo de Washington, combatendo guerra por procuração para derrubar do poder o presidente Bashar al Assad da Síria. Por isso Kerry 'solicitou' as reuniões: porque os EUA precisam desesperadamente de um cessar-fogo, para proteger o maior número possível de terroristas, bandidos, assassinos e ladrões que os EUA treinam e armam. Eis o que disse Kerry depois das conversas da 6ª- feira:


"A teoria do cessar-fogo é muito simples: certas partes controlam ou influenciam o pessoal armado e com habilidade para lutar. E se alcançarmos um acordo com respeito a trechos da estrada à frente, haverá uma responsabilidade dos que influenciam aqueles que... aqueles que têm controle direto sobre algumas partes, e vão controlá-las. Claro que no que tenha a ver com Daesh e al-Nusrah, não há cessar-fogo, nada disso, e esses são os parâmetros iniciais. Mas há muito mais a discutir entre militares, políticos... Há todos os tipos de possibilidades, mas ainda estão por ser exploradas."

Não lhes parece, caros leitores, que Kerry está muito mais interessado em discutir detalhes de um cessar-fogo, do que em pôr fim à guerra? Isso, porque seu real objetivo nada tem a ver com paz ou socorro humanitário. O verdadeiro objetivo de Kerry é salvar o maior número possível daquelas hienas sedentas de sangue. Esse é o único e verdadeiro objetivo de Washington.


E que importância tem nós sabermos disso?

É muito importante, porque, se Washington realmente não deseja paz alguma, nesse caso é forçoso concluir que as conversações são pura farsa, e que Kerry só está tentando ganhar tempo para reorganizar os seus exércitos de terroristas, que agora estão sob efetivo ataque da Força Aérea Russa, para adiante logo que possam, voltarem à guerra.

E como sabemos disso tudo?

Sabemos porque Kerry fez uma palestra na [ONG] Carnegie Endowment for International Peace [Dotação Carnegie para a Paz Internacional], um dia antes de embarcar para Viena, na qual anunciou exatamente qual é a estratégia dos EUA. Eis o que disse lá:


"No norte da Síria, a coalizão e seus parceiros empurraram o Daesh (ISIS) para fora de mais de 17 mil quilômetros quadrados de território, e já securitizamos a fronteira turco-sírio a leste do rio Eufrates. É cerca de 85% da fronteira turca, e o presidente está autorizando mais ações para securitizar o resto (...).

Também estamos reforçando nossa campanha aérea, para ajudar a empurrar o Daesh, que antes dominava a fronteira sírio-turca, para fora da faixa de 70 milhas, que o grupo controla" (
US Secretary of State John Kerry on the Future of US Policy in the Middle East, Carnegie Endowment for International Peace)

Aí está, preto no branco. Kerry está dizendo, basicamente, ao círculo de seus amigos mais íntimos, que Washington está mudando-se para o Plano B, um plano de conservação, que envolverá estabelecer uma "zona segura" no lado sírio da fronteira sírio-turca onde EUA e seus parceiros possam continuar a armar, treinar e enviar de volta à Síria aquele seu exército de terroristas bandidos, sempre que acharem interessante. 


Agora, então, compreende-se perfeitamente o que as Forças Especiais de Obama farão na Síria, não é mesmo? Lá estarão para supervisionar operações para pôr em andamento esse projeto.

Será que Putin gostará da ideia de Washington tentar anexar território sírio soberano, para que os EUA tenham meios para manter guerra naquela região para todo, todo um longo futuro?

Não. Absolutamente não gostará. De fato, pode vir a ser problema grave para ele. Se os EUA securitizam área na qual os terroristas extremistas se possam plantar por longo tempo, então, sim, os EUA podem até conseguir converter o conflito sírio em mais um sorvedouro de tipo Afeganistão – que parece ser o objetivo/desejo de muitos atuais planejadores estratégicos em Washington.

E o que Putin deve fazer? Como alcançará os seus objetivos, sem esbarrar no projeto dos EUA?

Bem. Para começar, primeira coisa, tem de entender que Viena é piada. Que o governo Obama não fala a sério, que não tem qualquer interesse em nenhuma solução diplomática. Só fumaça e espelhos. Kerry ter admitido que os EUA já controlam "cerca de 85% da fronteira turca, e o presidente está autorizando mais ações para securitizar o resto" prova acima de qualquer dúvida que Washington já está acionando o Plano B. Em resumo, é isso.

Muito provavelmente, Putin já percebeu que Viena é golpe e fraude, o que explicaria por que o homem dele, o ministro russo de Relações Exteriores Sergei Lavrov, recusou-se a fazer qualquer concessão em qualquer dos pontos que estavam em discussão (em Viena). No que tenha a ver com Lavrov, ou todas as demandas da Rússia são atendidas, ou nada de acordo. O estado e as instituições do estado sírio permanecem intactos; os terroristas serão exterminados até o último terrorista; Assad participará do "governo de transição"; e o povo sírio decidirá, só ele, quem governará a Síria. É o mapa do caminho básico de Genebra, e Lavrov permanece firmemente colado a ele. Washington aceitará, porque não terá escolha, a não ser aceitar.


Quanto ao cessar-fogo: Lavrov também bombardeou a ideia. Disse precisamente que "Se se declarar algum cessar-fogo, nenhuma organização terrorista será coberta". Em outras palavras, a coalizão comandada pelos russos continuará a bombardear bandidos degoladores até que o último deles seja mandado prestar contas ao Criador.

As palavras de Lavrov não foram publicadas em nenhum veículo da mídia-empresa privada ocidental, provavelmente porque deixam bem claro quem, de fato, comanda a agenda: a Rússia. Quem está definindo a agenda na Síria é a Rússia. Sugerem também que não há espaço para tergiversações na abordagem russa, e não há. Terroristas, 'moderados' ou radicais, serão caçados até o último e exterminados. Ponto, parágrafo. 

Eis um detalhe a mais, do que Lavrov disse:


"A Rússia permanece firme em sua posição de que o combate ao terrorismo tem de ser conduzido de acordo com as bases sólidas da lei internacional. Falemos de intervenções militares por ar ou por terra, todas terão de ser conduzidas em comum acordo com o governo ou com o Conselho de Segurança da ONU."


Em outras palavras, se um país, os EUA, digamos, decide realizar operações militares ilegais na Síria (e todas as operações que os EUA mantêm na Síria hoje são ilegais), o país o fará por sua conta e risco. A Rússia continuará a implementar agressivamente seu plano de combate ao terrorismo, haja ou não haja ali soldados das Forças Especiais dos EUA combatendo ao lado dos terroristas e expostos em situação conhecida de altíssimo risco.


A ofensiva comandada pelos russos também reestabelecerá as fronteiras soberanas da Síria. Se Obama quer 'reservar' uma parte do território sírio, para presentear como valhacouto aos seus assassinos de aluguel, melhor preparar-se para lutar por eles. É o preço. 

Putin mostrou notável capacidade para antecipar os movimentos de Washington e tomar medidas preventivas para minimizar-lhes o impacto. Mesmo assim, haverá disputa duríssima, se Obama conseguir criar um santuário na fronteira turca para garantir abrigo aos terroristas, por onde eles possam entrar e sair da Síria à vontade, mantendo o país em estado permanente de guerra. Nesse caso, Putin terá de enfrentar o seu pior pesadelo: que os russos tenham de ficar na Síria para sempre.

Será que Putin tem alguma carta na manga, para reagir contra essa ameaça? Estará disposto, por exemplo, a mandar para lá as suas próprias tropas de elite das Forças Especiais da 7ª Divisão Aérea (de Montanha) de Guardas de Assalto  [orig. 7th Guards Airborne-Assault (Mountain) Division], que já têm sido vistas perto de Latakia, para impedir a presença de terroristas e de 'combatentes rebeldes' na fronteira, o que poria rápido fim ao plano pervertido de Washington para dividir a Síria em enclaves não estatais e criar um paraíso seguro permanente para terroristas e extremistas islamistas?

Putin vê o terrorismo como ameaça direta à segurança nacional da Rússia. Fará o que tiver de ser feito para derrotar o inimigo e vencer a guerra. Se significar pôr coturnos russos em solo para dar conta do serviço, assim Putin fará.*****