sexta-feira, 6 de maio de 2016

'OTAN do comércio' - Parceria Trans-Pacífico já fracassou na Europa e na Ásia, por Pepe Escobar

Ver também

31/5/2013, "URGENTE - Impedir o acordo secreto entre UE e EUA (TTIP)", Jean-Luc Mélenchon Blog
(traduzido em 
Redecastorphoto
)

30/4/2015, "O que quer Obama com seus tratados TPP & TTIP?", Eric Zuesse, 
Countercurrents(traduzido em Redecastorphoto)

16/6/2015, "O mito do 'livre comércio' global", Pepe Escobar, SputnikNews
(traduzido em 
Redecastorphoto)


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



O presidente dos EUA [ing. President of the United States, POTUS] está desesperado. Prova A: o artigo que Obama acaba de publicar em defesa da face asiática – a Parceria Trans-Pacífico [ing. Trans-Pacific Partnership, TPP] – de uma "pivotagem" de duas cabeças e amplo alcance. 

A cabeça europeia é, claro, a Parceria Trans-Atlântico de Comércio e Investimento, PTCI [Transatlantic Trade and Investment Partnership, TTIP].

Obama POTUS, no Chicago Tribune, apresenta as duas 'parcerias', a Trans-Pacífico – e também a Trans-Atlântico,TTIP – como se fossem braços benignos das exportações dos EUA expandidas, com as empresas privadas (dos EUA) postas afinal em "justas condições para competir contra empresas estatais". Como assim... "justas"? Nada há de justas naquelas condições. 

Vejamos como opera o mecanismo, começando pelo braço europeu das 'parcerias': a Parceria Trans-Atlântico, TPP.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Rumo a 1964, por Alex Solnik



Somente ontem, faltando alguns dias para a presidente ser deposta, depois de ouvir as serenas e bem fundamentadas exposições do professor adjunto de Direito Financeiro da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Ricardo Lodi Ribeiro, e do professor de Direito Processual Penal da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Geraldo Luiz Mascarenhas Prado na comissão de impeachment do Senado, eu compreendi perfeitamente que:

Não esperem nada do Supremo, por Paulo Nogueira

04.05.2016 - Paulo Nogueira, DCM



Não esperem nada do Supremo.

Foi em essência esta a mensagem que um grupo de vinte parlamentares progressistas ouviram de Ricardo Lewandowski, presidente do STF, num encontro ocorrido nesta terça.

Com alguma esperança, eles levaram a Lewandowski uma lista de razões pelas quais Eduardo Cunha deveria ser afastado de suas funções de presidente de Câmara.

Entraram na conversa com alguma esperança de ganhar algumas luzes de Lewandowski. Algum calor. Receberam sombras e jatos de frio siberiano, tudo isso na linguagem empolada dos eminentes ministros do Supremo.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Nove teses sobre 'golpes coloridos'

2/5/2016, Rostislav Ishchenko, The Vineyard of the Saker (trad. ru.-ing. Seva)

Notas sobre a guerra em que a Rússia está engajada desde os anos 1990s 

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Dias 27-28 de abril, o Ministério da Defesa da Rússia realizou conferência internacional sobre segurança. Participei de um painel que discutiu os "golpes coloridos", também conhecidos como "revoluções coloridas" (mas são golpes de Estado, não são revoluções).


Os analistas tinham 5 minutos para expor, e os discutidores tinham 1 minuto, tempo exíguo demais para apresentar o conceito completo de golpes coloridos na política contemporânea e o impacto deles em geral e na segurança militar do Estado afetado. Assim sendo, apresento minhas ideias numa lista itemizada. Serei breve, porque é possível escrever estudo de vários volumes sobre "revoluções/golpes coloridas/os" e guerras híbridas em geral, e nem assim se poderia dar o tópico por esgotado ou satisfatoriamente coberto.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Guerra neoliberal de Hillary Clinton & Wall Street Contra a América Latina

29/4/2016, Eric Dreitser,[1] TeleSur (ing.)

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Já não é novidade em todo o mundo que há um golpe em curso no Brasil, e que a direita brasileira está usando todo tipo de medidas arbitrárias e extraordinárias para derrubar a presidenta eleita Dilma Rousseff.

O que nem a oposição brasileira discute muito, em nenhuma das discussões que se travam sobre impeachment e corrupção no Brasil é o contexto mundial em que o golpe de 2016 se insere: o modo como o capital financeiro internacional está operando ao lado de Hillary Clinton e outros nomes das elites políticas dos EUA para reapertar as garras do Consenso de Washington no pescoço da América Latina; como toda a direita em todo o continente está operando em aliança; e como essa ação manifesta-se nos países-alvos.

Embora muitas das peças desse quebra-cabeça permaneçam ainda escondidas pelo menos em parte, é hora de começar a organizar as peças que temos, para ir vendo o grande quadro. 

Eleições presidenciais nos EUA: um olhar do Oriente Médio




Da Série: O Oriente Médio é Aqui

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Apesar de a era de hegemonia global dos EUA estar chegando ao fim, o Oriente Médio – mais que muitas outras partes do mundo – ainda padece sob os derradeiros golpes sujos do Império em agonia [Exatamente isso também se pode dizer da América Latina, hoje sob ataque de Guerra Híbrida dos EUA (NTs)]. 

Não surpreende portanto que a temporada de eleições presidenciais nos EUA seja sendo observada tão atentamente cá em todas as esquinas do Oriente Médio.

domingo, 1 de maio de 2016

A calma antes da próxima tempestade global, por Pepe Escobar


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Fortes turbulências, esse parece ser o nome do jogo em 2016. Mesmo assim, a atual turbulência pode ser interpretada como a calma antes da próxima devastadora tempestade geopolítico-financeira. Examinemos o atual estado de coisas, revisando os dilemas que afligem a Casa de Saud, a União Europeia e os BRICS Rússia, Brasil e China.

Petróleo e a Casa de Saud 

Poucos conhecem bem o Índice Báltico Seco [ing. Baltic Dry Index], mas é índice crucial para rastrear a demanda de commodities. Há dois meses, despencara para baixas recordes em todos os tempos. Desde então, subiu mais de 130%. Todos os preços de metais preciosos subiram muito em virtualmente todas as moedas. Por que isso é importante? Porque nos informa que a fé nas moedas – especialmente no dólar norte-americano – está caindo rapidamente.
A subida no Índice Báltico acompanha o aumento na demanda por petróleo na Ásia – especialmente na China. Oferta em queda e demanda em alta por petróleo provavelmente elevarão o preço do barril na segunda metade de 2016.

Não significa que a Casa de Saud reconquistará a confiança de EUA e Rússia. Fontes profundas continuam a confirmar que, no que tenha a ver com Washington e Moscou, a Casa de Saud é descartável. Ambos os países são realmente autossuficientes em energia (os EUA aspiram a isso). Poderosas facções em Washington abertamente acusam Riad de "terror" – ok, ok, é muito mais complicado que isso –, e Moscou avalia que a Casa de Saud sempre obedece ordens dos EUA para que destruam a Rússia numa guerra de preços do petróleo.

O moribundo – tomado pela demência – rei Salman e o jovem príncipe guerreiro Mohammed estariam acabados se as tais famosas 28 páginas sobre o 11 de setembro fossem divulgadas e já não há dúvida alguma de que a conexão saudita existiu. Depois disso, vem o quê? Mudança de regime. Golpe da CIA. E agente militar saudita em que a CIA "confie" posto no trono.

A única coisa que resta à Casa de Saud é tentar ganhar tempo. Em Riad o sentimento dominante é que as relações com Washington não melhorará enquanto Obama estiver presidente; com o próximo presidente – seja Hillary ou O Donald [Trump] – o negócio será muito melhor. Assim sendo, o Plano A por hora é manter a pose de essencial a Washington na "guerra contra o terô". Significa o rei Salman voltando-se para Mohammed bin Nayef, o príncipe coroado, muito mais dado a manter poses que o príncipe guerreiro, autor da desastrosa guerra contra o Iêmen.

Paralelamente, o sultão Erdogan da Turquia continua fazendo avançar o jogo de tomar o petróleo do Curdistão iraquiano, eventualmente desviando para si toda a oferta, para fazer a independência da Turquia em matéria de energia – e convertê-la em superpotência regional.

Acima de tudo, em termos do Oleogasodutostão, Erdogan necessita de modo absoluto do gasoduto do Qatar, que atravesse a Arábia Saudita e a Síria, para se tornar independente da energia Russa. Nisso, os EUA concordam: esse é também um dos mais altos objetivos dos EUA. O que indica que, com certeza, o processo de paz na Síria enfrentará dificuldades perenes.

Erdogan tem também, jogada aos seus pés, a superpotência alemã, na forma de uma chanceler Merkel que geme e torce as mãos e implora. Se a Turquia já estivesse mais próxima de tornar-se potência no campo da energia, Merkel se atiraria pessoalmente pelos gramados daquele palácio dourado em Ancara, em tempo integral. A CIA já chegou à mesma conclusão, ao analisar como a Turquia continuará a "expandir sua influência" no Iraque, mediante milícias mantidas pelos turcos, à custa da segurança e da unidade política do Iraque.

Em America’s War for the Greater Middle East [Guerra dos EUA pelo Oriente Médio Expandido], Andrew Bacevich examina o modo como Washington impôs que a "preponderância militar" em todo o Oriente Médio seria o objetivo estratégico de uma guerra contra a URSS – desde quando o Dr. Zbig "Grande Tabuleiro de Xadrez" Brzezinski reinava como El Supremo geopolítico. Essa guerra sempre foi pensada para não ter fim – e agora inclui o "Oriente Médio Expandido" que os neoconservadores tanto amam.

Rússia, Brasil e Guerra Híbrida 

A maior bolsa de valores da Rússia está ativamente trabalhando para seduzir os corretores internacionais de compra e venda de petróleo para que se integrem ao seu emergente mercado de futuros. O objetivo não poderia ser mais claro: desconectar o mecanismo de definição do preço do petróleo do sistema Brent e, crucialmente, afastá-lo do petrodólar. Essa é também a condição chave que Pequim impôs à Casa de Saud para continuar a comprar o petróleo saudita.

Esquece-se muito facilmente que há apenas 20 anos, Moscou sonhava com integrar-se ao ocidente como boa cristã; e foi tratada como lixo. Washington via a Rússia como muito fraca; o governo de Ieltsin abriu as portas a saqueadores que devoraram a Rússia como praga de gafanhotos, fazendo o PIB russo cair 40%, com eles saqueando recursos naturais da Rússia e roubando de lá pelo menos 1 trilhão em dólares norte-americanos.

Hoje, o Excepcionalistão continua a requentar todos e quaisquer truques do manual para destruir ou, no mínimo, enfraquecer a Rússia com "Maidan" na Ucrânia, guerra de preços do petróleo, ataques ao rublo, oleogasodutos sírios. Arce a guerra híbrida, não convencional – e tudo isso, doravante, só ficará mais e mais sujo e violento. Os BRICS, como grupo, estão sendo atacados e sitiados. A revolução colorida, cujo objetivo é forçar a troca de regime por via soft, é só o primeiro estágio de uma nova e sofisticada estratégia de Guerra Híbrida, que será estudada nas academias por décadas e décadas futuras.

Com a demanda por petróleo aumentando, e a oferta em contração, os serviçais da Guerra Híbrida em todo o espectro terão de criar uma recessão, para não deixar que o caos perca ímpeto. Um dos cenários possíveis é deixar que o periclitante sistema bancário italiano desabe. E essa é a próxima fronteira a ser atacada na União Europeia.

A Europa Morta Viva, enquanto isso, subcontratou e/ou apenas deixou ver uma política de repressão aos refugiados, e assim desencadeou o maior programa de deportação em massa desde a 2ª Guerra Mundial, serviço completo, com campos de concentração pagos pelos contribuintes europeus e gerenciados pelo Grande Democrata Erdogan. O elo que faltava agora está aí, à vista: tudo acontece sob controle de think-tanks mantidos pela OTAN.

Por assustador que seja, nada disso é novidade. Tudo já estava previsto e inserido em acordos que a União Europeia impõe a nações africanas, quando "requalifica" o status delas e converte-as em Cérberos de fronteira. Essa é a missão chave da agência Frontex, que está progressivamente deslocando as fronteiras externas da União Europeia – para o oriente e para o sul – para poder repelir mais eficientemente quaisquer imigrantes. Nada que possa ligar algo/alguém com as guerras neoimperiais eletivas da OTAN, claro.

Não surpreende que Noam Chomsky já tenha observado que o apoio a democracias formais no ocidente esteja diminuindo, porque já não há democracias reais. Todas as grandes decisões que afetam a União Europeia são tomadas em Bruxelas por eurocratas não eleitos. 

Em livro marco publicado na Espanha, Mercado-Estado-Carcel en la Democracia Neoliberal Española (ed. Anthropos), Daniel Jimenez, doutor em Sociologia Jurídica da Universidade de Zaragoza, expõe em detalhe o modo como a nova ordem institucional local trata, mesmo, é de desdemocratização, desnacionalização e construção de dependência: OTAN, FMI, Banco Mundial, Clube de Paris, Comissão Europeia, o Fed, são nodos de uma rede global de instituições, privadas, mas autodescritas como públicas, ou públicas mas administradas por interesses privados (como o Fed). Michael Hudson, dentre outros, tem mostrado como a União Europeia jamais desenvolve mecanismos sustentados de transferência de capital das economias mais ricas para as mais pobres dentro do bloco.

Frente à China, só quebro a cara 

Técnicas derivadas de sofisticada Guerra Híbrida podem ser aplicadas a pleno vapor contra Rússia e Brasil. Mas contra a China, tudo dá chabu.

O boato da hora no Excepcionalistão é que a China não é tão economicamente sólida quanto parece. Por isso a opinião pública é bombardeada pela litania de sempre de "convulsões nos mercados financeiros chineses", "aversão ao risco de investir", "volatilidade" ou, então, de um inevitável crash chinês.

Nonsense. A liderança chinesa tem todos os imperativos estratégicos do país delineados em detalhes no mais recente Plano Quinquenal. Será bombeado para dentro do sistema todo o crédito necessário. O yuan não será desvalorizado – não importa o quanto Washington/New York berrem e esperneiem.

Uma desvalorização do yuan faria naufragar muitas firmas chinesas carregadas de dívidas em dólares. Mais importante, Pequim está ajustando seu sistema, uma transição cuidadosamente calibrada, de modelo dirigido à exportação, para modelo orientado ao consumo pelo mercado interno. Yuan forte preserva o poder de compra de dezenas de milhões de membros da Nova Classe Média Chinesa – todos com alta mobilidade para cima e todos proprietários.

Segundo o Tesouro dos EUA, apenas cerca de $1,2 trilhão de derivativos líquidos estão em mãos de chineses. E isso vai diminuir rapidamente – ao ritmo em que a China compra cada vez mais ouro. E como se fosse pouco, a China já fez sua economia dar meia volta. O que nos leva de volta àquele aumento dramático no Índice Báltico. Os preços do petróleo estão subindo. E a China está comprando tudo.

Pequim avança em todas as frentes; espalha negócios e influência comercial por toda a Eurásia, que as Novas Rotas da Seda modelarão como empório de massa; moderniza suas forças armadas; compra ativos estratégicos estrangeiros; constrói e firma a confiança global no yuan como moeda estável de reserva; permite que as elites chinesas diversifiquem sua enorme riqueza comprando propriedades no exterior, de vinhedos em Bordeaux a um gigante do futebol como o AC Milan.

Não surpreende que o impressionante alastramento do poder econômico chinês tenha deixado completamente doidos um sortimento variado de excepcionalistas do Excepcionalistão – de neoconservadores a neoliberais conservadores. Washington nada tem a oferecer, absolutamente nada, a nações da Ásia, África e América Latina – a todo o sul global, como se pode ver. 

Todos esses já viram que Pequim não está no mercado como gangue de mafiosos, a exigir juros compostos sobre a dívida soberana dos países; "apoio" a ataques neoimperialistas puxados pela OTAN ou pela ONU; mais uma toca extraterritorial onde enfiar o Império de Bases dos EUA; ou dominação total sobre os bancos centrais nacionais.

Por outro lado, todos esses já viram o que podem esperar de Washington: guerra sem fim; esmagamento progressivo do estado-nação; democracia detonada, reduzida a farelo; e governança tecnocrática pelo 0,00001%.

É. Tudo isso se resume à calma que antecede a tempestade. O Império do Caos começou o revide. Há muito sangue pelas trilhas à frente.*****