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segunda-feira, 18 de março de 2019

Rouhani & Sistani, Irã & Iraque: visita histórica

EUA&Brasil vergonha do mundo (enquanto o mundo se reorganiza sem EUA&Brasil)


13/3/2019, Al-Monitor (do correspondente) [dica de Pepe Escobar, pelo Facebook]

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



A visita de estado de Hassan Rouhani ao Iraque foi um sucesso para o presidente iraniano. Em termos de cooperação política e econômica, foram assinados vários memorandos de entendimento para facilitar o comércio, os investimentos, as conexões logísticas e as viagens entre os dois vizinhos. Além disso, foi divulgada importante declaração conjunta sobre o compromisso dos dois países para implementar os Acordos de Argel 1975 e anexos relacionados, que enfrentam questões sensíveis e gravemente deterioradas como a demarcação de fronteiras.

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Hezbollah no Líbano: fim da hegemonia dos EUA, por Elijah J. Magnier


21/11/2018, Elijah J. Magnier, Blog

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



A política do establishment dos EUA para o Líbano é evidentemente mutante e instável, com um presidente que não tem nenhum conhecimento abrangente sobre o Oriente Médio nem, e sobretudo, sobre o papel do Hezbollah na região. Parece que o presidente Donald Trump está querendo reduzir o apoio militar ao Exército Libanês e impor novas sanções ao Líbano, sem perceber que, assim, estará fortalecendo o Eixo da Resistência e empurrando o país dos cedros para os braços de Rússia e Irã.

Ao tempo em que EUA impõem novas sanções contra o Hezbollah ao longo dos últimos dois meses, os parceiros europeus dos norte-americanos reuniram-se várias vezes, sigilosamente, com líderes do Hezbollah durante as visitas de delegações oficiais dos EUA a Beirute.

Os EUA estão gradualmente perdendo a hegemonia que tiveram no Oriente Médio.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

'Sanções econômicas' são crimes de guerra

22/1/2018, Patrick Cockburn, Counterpunch


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Os primeiros patéticos pedaços de barcos pesqueiros norte-coreanos naufragados conhecidos como "navios fantasmas" que já apareceram esse ano foram dar às costas do norte do Japão. São os restos destroçados de frágeis barcos de madeira com motores pouco confiáveis, nos quais pescadores da República Popular Democrática da Coreia do Norte, RPDC ('Coreia do Norte') têm de avançar para mar alto em pleno inverno, numa busca desesperada de peixe para comer.


Frequentemente só restam fundos destroçados de barcos lançados à praia. Mas em alguns casos os japoneses encontram corpos de marinheiros mortos de fome e sede à deriva pelo Mar do Japão. Ocasionalmente, encontra-se algum pescador sobrevivente o suficiente para contar que o motor falhou, ou o combustível acabou, ou foram vítimas de qualquer outra fatalidade.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Qual o futuro do mito ISIS? Por Elijah J. Magnier

O Estado Islâmico no Iraque e na Síria [ing. Islamic State in Iraq and Syria, ISIS] algum dia foi realmente forte? Ou foi tudo efeito da ignorância e do medo, repercutidos por propaganda eficaz?



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Especialistas e analistas de contraterrorismo, os de verdade (além das centenas de outros que brotaram como cogumelos depois da chuva durante os últimos anos da guerra na Síria), apressaram-se a explicar o poder e a capacidade do "Estado Islâmico" (ISIS) para se expandir. Com isso se enviesou o nascimento da coisa, apagou-se a derrota real e – mais importante –, reduziu-se muito o grande papel que Washington desempenhou nessa história macabra. Os EUA apoiaram o crescimento desse grupo terrorista no passado e continuam a apoiar até hoje.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

ISIS derrotado na Síria e no Iraque, e al-Qaeda nas cordas: Política exterior dos EUA reincendiará o extremismo



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu





O "Estado Islâmico" (ing. ISIS) foi derrotado no Iraque e na Síria, apesar de ainda restarem uns poucos bolsões táticos. Mais importante, depois da decisão da comunidade internacional e dos outros países na região de pôr fim à guerra na Síria, al-Qaeda enfrenta lutas internas, tendo de, ao mesmo tempo reconhecer a derrota e aceita a impossibilidade de mudar o regime na Síria e dividir o território do Iraque. Significa que o extremismo sangrento que atingiu o Oriente Médio estaria superado e nunca mais voltará? Será que organizações terroristas sabem se auto-reformatar, inventar novas griffesou recuperar o controle que um dia tiveram?

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Ao vivo, de Bagdá: O segredo do renascimento do Iraque, por Pepe Escobar

13/11/2017, Pepe Escobar, RT



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Moniz Bandeira. PRESENTE!

Prof. Luiz Alberto de Vianna 
Moniz BandeiraSalvador, 30/12/1935 – Heidelberg, 10/11/2017






Numa manhã varrida por tempestades de areia em Bagdá no início da semana passada, Abu Mahdi al-Muhandis – legendário vice-comandante das Hashd al-Shaabi, as Unidades de Mobilização do Povo, UMPs [ing. People Mobilization Units, PMUs] e o cérebro ativo em numerosas batalhas em campo contra o ISIS/Daech – reuniu um pequeno grupo de jornalistas e analistas estrangeiros independentes.


Foi momento de virada em mais de um sentido. Foi a primeira entrevista detalhada que Muhandis concede desde a fatwa lançada pelo Grande Aiatolá al-Sistani – o imensamente respeitado marja (fonte de estímulo) e mais alta autoridade clerical no Iraque – em junho de 2014, quando o Daech atacou furiosamente pela fronteira da Síria. A fatwa diz, em tradução rápida: "É dever de todo iraquiano capaz de levantar uma arma oferecer-se como voluntário às Forças Armadas Iraquianas para defender as santidades da nação."

sábado, 4 de novembro de 2017

ISIS na lata do lixo da história é trabalho do Iraque, não do Irã nem de EUA



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Forças do Iraque avançam na direção de al-Qaem, a última base que resta do 'Estado Islâmico' (ISIS) no Iraque, para pôr a última pedra sobre a cova do grupo terrorista e do "Califato do Estado Islâmico" que tanto ocupou as manchetes em todo o mundo ao longo dos últimos anos e, de fato, também ocupou grandes áreas dos territórios do Iraque e da Síria.


ISIS sabe que al-Qaem cairá em bem pouco tempo, a cidade não conseguirá manter-se por muito tempo. Muitos dos grupos e militantes do grupo já fugiram para os numerosos refúgios organizados nos últimos anos – segundo relatórios da inteligência – no deserto de Anbar no Iraque e na al-badiya [franjas do deserto] síria, onde o ISIS pode esconder-se em dezenas de milhares de quilômetros ao longo das fronteiras sírio-iraquianas.

"Despertar" sírio rumo a Albu Kamal, por Elijah J. Magnier

28/10/2017, Elijah J. Magnier Blog


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Depois do fracasso do referendum dos curdos iraquianos e do projeto de dividir o Iraque, a questão a ser examinada é o papel que a Síria desempenha, mesmo com o grupo 'Estado Islâmico' [ing. ISIS] já em lenta decomposição, encurralado na região da fronteira entre Deir Al-Zour e Albu Kamal. Mas os EUA parecem decididos a abocanhar parte do território sírio, permitindo que os curdos sírios controlem o nordeste da Síria, especialmente as áreas ricas em petróleo e gás. Conseguirão os EUA com isso impor uma agenda política a Damasco, no fim da guerra?

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Política dos EUA para o Oriente Médio promoveu o Irã no Iraque e na Síria: hora de EUA saírem de lá

23/10/2017, Elijah J. Magnier Blog









Primeiro caiu Mosul, capital iraquiana não declarada do 'Estado Islâmico' [ing. ISIS]. E agora Raqqah, capital do Califato sírio, foi libertada – embora esteja quase totalmente destruída. Os jatos dos EUA executaram mais de 4 mil ataques, matando 1.920 civis e 232 terroristas do ISIS. Mais de 400 doISIS renderam-se e 462 (contabilizados até agora) foram escoltados com outros civis, em ônibus, até a área rural próxima de Deir-Ezzour sob controle do ISIS. Mesmo assim as forças dos EUA não mostram qualquer intenção de sair da Síria, mesmo agora com as forças regulares sob comando de Damasco já avançando sobre a última fortaleza do ISIS em Abu-Kamal-al Qaem depois da libertação da cidade al-Mayadeen.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Iraque - Fim do projeto curdo de independência

16/10/2017, Moon of Alabama








Hoje, o governo do Iraque retomou Kirkuk, que estava ocupada por forças curdas. É o fim do projeto curdo de independência no Iraque.

Em 2014, o Estado Islâmico ocupou Mosul. Ao mesmo tempo, o governo regional curdo sob liderança de Masoud Barzani mandou suas tropas Peshmerga para tomarem a cidade de Kirkuk, rica em petróleo, então em mãos de forças do governo central do Iraque que entravam em colapso. Houve alegações plausíveis e algumas evidências (vídeos) de que os curdos teriam feito um acordo com o ISIS e coordenado o movimento.

Em 2016 e 2017 forças iraquianas derrotaram o ISIS em Mosul. Grupos curdos aproveitaram a oportunidade da derrota do ISIS para ocupar mais terras, mesmo não habitadas por população de maioria curda e que não se incluíam na sua região autônoma.

domingo, 15 de outubro de 2017

Acordo de passe livre para o ISIS em Raqqa – EUA negam – Vídeo prova que EUA mentem

14/10/2017, Moon of Alabama









Depois das suas negociações sobre passe livre, com EUA e suas forças 'delegadas' locais curdas, o ISIS está transferindo seus milicianos, retirando-os da cidade de Raqqa. Quando o governo sírio obteve acordos semelhantes, os EUA criticaram infantilmente. Hoje, a 'coalizão' dos EUA diz que "não se envolveu nas discussões" que levaram ao acordo para passe livre para os terroristas em Raqqa. Matéria da rede BBC News mostra que a verdade é o contrário do que dizem os EUA.

EUA aumentam pressão sobre Irã e Hezbollah? (OK. Não acontecerá grande coisa...)

14/10/2017, Elijah J. Magnier Blog









EUA subiram o nível de tensão com o Irã sem dar qualquer passo concreto para cancelar sua assinatura no acordo nuclear iraniano. O motivo pelo qual se deve esperar que Trump limite-se a desaforos verbais e continue com as ameaças de medidas hostis contra Teerã sem nada fazer é, fundamentalmente, evitar criar uma brecha entre EUA e a União Europeia, UE. O acordo nuclear não é bilateral; assim sendo, a saída dos EUA não o torna, teoricamente, sem efeito. Ainda assim, o Irã provavelmente considerará vazio o acordo se os EUA saírem, com tudo que isso implica. Então os EUA continuam suas agressivas campanhas verbais contra o Irã, confundindo os europeus os quais ficam corretamente sem conseguir prever que decisões o presidente dos EUA é capaz de adotar no médio a longo prazo.

sábado, 30 de setembro de 2017

"Uma segunda Israel": A "Independência" do clã Barzani e dos curdos, por Moon of Alabama

28/9/2017, Moon of Alabama










A região curda do Iraque realizou um referendum sobre separar-se do Iraque para constituir um estado independente. O referendum é extremamente irregular nas circunstâncias em campo e o resultado estava decidido desde antes. A própria realização desse referendum nesse momento teve mais a ver com a situação precária do presidente regional ilegítimo Barzani do que com alguma oportunidade legítima para chegar à independência. O referendum não tinha valor de lei e o resultado não cria qualquer obrigação para qualquer lado. Depende de Barzani declarar a independência ou engavetar a questão em troca, essencialmente, de mais dinheiro.

Escrevemos pela primeira vez sobre o problema curdo e as ambições curdas no Iraque nos idos de dezembro de 2005(!). Os problemas de uma região curda independente que apontamos há doze anos continuam inalterados:

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Decifrando a charada do delírio iraquiano dos curdos, por Pepe Escobar

27/9/2017, Pepe Escobar, Asia Times








Masoud Barzani superestimou as cartas que tinha na mão – nenhuma potência regional aceitará a partição do Iraque 



"Durante a Guerra Fria, o mulá Mustafa Barzani (pai de Masoud Barzani) aproximou-se de Washington e do xá do Irã. Serviu como oficial do Mossad. Na imagem, é visto aqui em Israel com Abba Eban (Ministro dos Negócios Estrangeiros) e com o general Meir Amit (diretor do Mossad)" [Imagem acrescentada pelos tradutores].

O esperto líder de clã Masoud Barzani, presidente do Governo Regional do Curdistão, GRC [ing. Kurdistan Regional Government (KRG)], anunciou que o "Sim" venceu o referendo da independência, resultado que não tem força de lei, na 2ª-feira. Agora que os dedos indicadores marcados com tinta azul real não lavável já saíram da frente, começa a verdadeira batalha entre o GRC e Bagdá. O primeiro-ministro do Iraque Haider al-Abadi e a Suprema Corte do Iraque denunciaram o referendo como "não constitucional".

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Jihadismo sem licença para morrer, por Pepe Escobar

31/8/2017, Pepe Escobar, SputnikNews












Uma hipótese de trabalho muito séria está em discussão já há algum tempo entre analistas independentes de geopolítica. Aqui vai ela, em resumo.

O Daech talvez esteja morrendo – mas o mundo ainda terá de lidar com o cadáver ambulante. O Plano B dos chefões do Daech pode ter sido doutrinar ondas repetidas de jovens desencaminhados por toda a União Europeia e 'seduzi-los' para um terror jihadista de tipo Faça-você-mesmo, criando medo e insegurança em toda a Europa. Acabo de voltar de Barcelona – e por lá não funcionou. Medo zero.

O Daech pode também manipular a própria griffe de modo a se apresentar como autor do que se pode chamar um "Novo Cinturão de Guerra" no sudoeste da Ásia. Tampouco está funcionando, porque os "4+1" – Rússia, Síria, Irã, Iraque plusHezbollah – com o acréscimo da Turquia, e com a China num papel de "liderar pela retaguarda", todos esses, estão operando juntos.


A guerra inacabada em todo o "Siriaque" combinada a espasmos de jihadismo na Europa com certeza poderia desdobrar-se em metástase num só massivo câncer eurasiano, espalhando-se como praga do Afeganistão à Alemanha e vice-versa, e do Mar do Sul da China até Bruxelas passando pelo Paquistão e vice-versa.

Sob esse cenário cataclísmico aconteceria o descarrilamento completo das Novas Rotas da Seda promovidas pelos chineses, também chamadas "Iniciativa Cinturão e Estrada" (ICE); a integração daquelas novas rotas com a União Econômica Eurasiana (UEE) puxada pela Rússia; e haveria ameaça massiva contra a segurança e a estabilidade doméstica da parceria estratégica Rússia-China, com cenários belicosos incontroláveis que se desenvolveriam muito perto das respectivas fronteiras.

Não há quem não saiba quais os elementos e as instituições que muito apreciariam que se estabelece total caos político interno nos dois países, na Rússia e na China.

Charlie se fortalece 

O Dr. Zbig "Grande Tabuleiro de Xadrez" Brzezinski pode já ter morrido, mas a geopolítica ainda arrasta o seu cadáver insepulto. A obsessão da vida de Brzezinski foi que em nenhum caso se poderia admitir que qualquer concorrente dos EUA prosperasse. Imagine o moribundo que assiste à concretização de seu pior pesadelo: uma aliança paneurasiana Rússia-China.

O cenário menos desastroso nesse caso seria seduzir ou Moscou ou Pequim, para que se converta em parceiro dos EUA, parceira a partir da qual, no futuro, se reduziriam quaisquer "ameaças". Brzezinski concentrou-se na Rússia como ameaça imediata, com a China como ameaça no jogo de longo prazo.

Daí a obsessão do estado profundo nos EUA e da máquina dos Clintons para demonizarem a Rússia sobre todas as coisas – uma espécie de neo-McCarthysmo infantiloide 'bombado'. Inevitavelmente, esse charivari geopolítico só conseguiu precipitar o avanço ainda mais rápido da China em todos os fronts.

Para nem lembrar que a parceria estratégica Rússia-China continua a se fortalecer cada dia mais – um eco fantasmático da fala do Capitão Willard em Apocalypse Now de Coppola: "Cada minuto que fico nessa sala mais me enfraquece; cada minuto que Charlie rasteja pelo mato mais o fortalece".

E Charlie não se agachou nem se arrasta: está conquistando com comércio e investimento. E não está no mato: está por toda parte nas planícies eurasianas.

Uma cesta de surtos hobbesianos 

O outro dalang norte-americano, Henry Kissinger, ainda vive, com 94 anos. Conselheiro do presidente Trump antes da posse em janeiro, e posando de suprema eminência parda em assuntos de China, Kissinger sugeriu que seria hora de cortejar a Rússia.

E então é que veio o golpe. Tendo identificado claramente que a chave da integração da Eurásia está na aliança Rússia-China-Irã, Kissinger deixou a ver o que realmente se passava em sua cabeça: para ele, indispensável era neutralizar o elo mais fraco, o Irã.

Daí sua recente proclamação/alerta sobre um "império radical iraniano" que estaria em desenvolvimento/desdobramento de Teerã até Beirute, no "vácuo" deixado pelo Daech e que estaria sendo preenchido pelos persas.

E eis Kissinger, mais uma vez, como inabalável Guerreiro da Guerra Fria que sempre foi: sai o comunismo, entra o Khomeinismo como "o mal" supremo. E que Deus abençoe e proteja sempre, cobrindo de honrarias, a matriz wahhabista dos produtores de jihadistas: a Casa de Saud.


A receita Kissingeriana soa como música aos ouvidos do estado profundo dos EUA: não é o caso de extinguir o Daech, mas de "realinhá-lo" como ferramenta contra o Irã.


Quem se incomoda se a simples ideia de algum "império radical iraniano" não preste nem como piada? O Líbano é país multicultural. A Síria continuará a ser governada pelo Partido Baath secular. O Iraque rejeita o Khomeinismo – com o aiatolá Sistani, tremendamente influente, privilegiando o sistema parlamentar.

Os "4+1" – apoiados pela China – forjaram aliança seríssima, no fogo da guerra na Síria. Nada disso se deixará modificar por decretos de Kissinger. Quanto a "preencher o vácuo", a alternativa é Daech e Jabhat al-Nusra, também chamada al-Qaeda na Síria." "Mas... epa!" – dizem os neoconservadores/neoliberais do Partido da Guerra – "Isso aí, para nós, está ótimo!" 

Com o que chegamos circularmente de volta ao nosso ponto de partida e à hipótese de trabalho inicial. Não deixarão morrer o Daech – assim como a reengenharia política do que o Dr. Zbig costumava chamar de "Bálcãs Eurasianos" recusa-se a morrer.

ISIS-Khorasão, ou ISIS-K – que se reagrupa no Afeganistão – pode ser utilíssimo, bem à mão, para provocar tumulto generalizado na intersecção da Ásia Central com o Sul da Ásia, tão perto dos corredores de desenvolvimento da Iniciativa Cinturão Estrada.

Mas Moscou e Pequim sabem exatamente o que está acontecendo. O arremedo de Califato foi útil como tentativa para quebrar a ICE no Siriaque, assim como Maidan na Ucrânia foi útil para rachar a União Econômica Eurasiana

Outros fronts de guerra virão – das Filipinas à Venezuela, todos dedicados a destruir quaisquer projetos de integração regional, sob uma estratégia de Dividir para Governar dos sátrapas norte-americanos manipulada para produzir surtos Hobbesianos assimétricos.

16 anos depois do 11/9, o nome do jogo não é mais "Guerra Global ao Terror" (GGaT): agora se trata de, sob a máscara da GGaT, impedir a todo custo a expansão geoestratégica de gente que pode fazer diferença – Rússia e China como "pares e concorrentes".*****

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Pepe Escobar: E os vencedores na era pós-Daech são...

O caso de amor entre a Casa de Saud e o líder iraquiano nacionalista Muqtada al-Sadr revela o desespero dos sauditas depois da miserável derrota na Síria e de uma mudança para se opor ao Irã em Bagdá, em vez de se opor a Damasco.



18/8/2017, Pepe Escobar, Asia Times










O líder xiita Muqtada al-Sadr reúne-se com o príncipe coroado da Arábia Saudita Mohammed bin Salman em Jedá, Arábia Saudita, dia 20/7/2017. Foto: Reuters via Bandar Algaloud/Cortesia da Real Corte Saudita

Muqtada al-Sadr está aprontando alguma. No Iraque ocupado de 2004, o líder nacionalista que adiante construiu o movimento Sadrista chegava a ser demonizado como inimigo número 1 dos EUA – destronando rapidamente Osama bin Laden. Agora está sendo pintado – pelos bajuladores de Wahhabistas de sempre – como uma espécie de Reconciliador.

Mês passado, al-Sadr voou para Jedá para encontrar o príncipe coroado Mohammed bin Salman, codinome MBS, o destruidor saudita do Iêmen. Isso, apenas um ano depois de al-Sadr convocar protestos à frente da embaixada de Riad em Bagdá pela execução do importante clérigo xiita Nimr al-Nimr.

Há poucos dias, al-Sadr voou para Abu Dhabi para se encontrar com o príncipe coroado Mohammed bin Zayed Al Nahyan – nada mais nada menos que o mentor de MBS.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O pensamento linear na política externa dos EUA












In the reproof of Chance
Lies the true proof of men
[Na reprimenda da Sorte
Está a verdadeira prova dos homens]
William Shakespeare (ou David Petraeus)


O to be self-balanced for contingencies,

To confront night, storms, hunger, ridicule, accidents, rebuffs, as the trees and animals do

[Oh, ser autoequilibrado para as emergências,
Enfrentar noite, tempestades, fome, ridículo, reveses, como as árvores e animais]

Walt Whitman (ou Barack Obama)


EMERGÊNCIAS (contingências) são parte da ordem natural da vida. Coisas acontecem sobre as quais não temos controle – ou as quais não podemos nem, pelo menos, determinar. O inesperado acontece – e nos pega desprevenidos. É uma das razões pelas quais "The best laid schemes o' mice an' men gang aft a-gley"[1]. E se acontece de os seus projetos serem também muito mal feitos, então o problema é ainda maior. Se você se instala em castelos no ar, os riscos e custos também aumentam. Isso, precisamente é o que está acontecendo na política exterior dos EUA para o Oriente Médio.

O fenômeno é anterior ao início do recém-chegado governo Trump. A equipe de amadores que Barack Obama reuniu em sua política externa tinha lá as próprias tendências que muito se deve lastimar. Seus antecessores no governo Bush pelo menos sabiam o que queriam fazer, mas não tinham qualquer projeto ou esquema viável para alcançar aqueles seus muito duvidosos objetivos.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Arábia Saudita enreda-se na política xiita no Iraque, por MK Bhadrakumar

1/8/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline











Encontro de Muqtada Al-Sadr com o Príncipe herdeiro da Arábia Saudita Mohammed bin Salman


O dramático aparecimento do político iraquiano xiita linha-dura Muqtada Al-Sadr em Jeddah no domingo e seu encontro com o príncipe coroado Mohammed bin Salman (MBS) abrem uma página excitante nas rivalidades regionais entre sauditas e iranianos. O teatro está mudando a favor do Iraque.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Adensa-se o enredo da grande disputa por Iraque e Síria pós-ISIS

26/7/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline











O futuro pós-ISIS do Iraque e da Síria tem sido tópico de discussão calorosa nos think-tanks norte-americanos, sob o pressuposto de que os EUA estariam montando um retorno militar ao Iraque e já bem adiantados no processo de estabelecer presença de longo prazo na Síria. A verdade é que os ventos políticos já estão soprando na direção oposta.

A 'visita de trabalho' que o vice-presidente do Iraque Nouri Maliki fez a Moscou essa semana sinaliza o renascimento do papel histórico da Rússia como parceiro chave do Iraque.  As palavras de Maliki em Moscou são muito reveladoras: