Mostrando postagens com marcador Eurásia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eurásia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

De volta ao (Grande) Jogo: A vingança das potências terrestres da Eurásia, por Pepe Escobar


30/8/2018, Pepe Escobar, Consortium News vol. 24, n. 242



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Preparem-se para uma grande sacudida no tabuleiro de xadrez geopolítico: doravante, cada borboleta que bater as asas e deflagrar um tornado conecta-se diretamente à batalha entre a integração da Eurásia e as sanções usadas como política exterior do ocidente.

É a mudança de paradigma trazida pelas Novas Rotas da Seda da China versus É-do-nosso-jeito-ou-é-pé-na-bunda à moda dos EUA. Vivíamos sob a ilusão de que a história acabara. Como se chegou a isso?

Pule a bordo, para uma essencial viagem no tempo. Durante séculos a Antiga Rota da Seda, pela qual viajavam nômades, estabeleceu o padrão de concorrência para a conectividade no comércio por terra, uma rede de estradas ligando a Eurásia ao – dominante – mercado chinês.

No início do século 15, baseado no sistema tributário, a China estabelecera uma Rota Marítima da Seda pelo Oceano Índico diretamente às costas da África, puxada pelo lendário almirante Zheng He. Mas não tardou, e a Pequim imperial concluiu que a China era autossuficiente o bastante – e que devia enfatizar as operações por terra.

Privados de conexão comercial por corredor terrestre entre Europa e China, os europeus partiram pelas suas próprias rotas marítimas da seda. Todos conhecemos o resultado espetacular da empreitada: por meio milênio o ocidente dominou o mundo.

Até que recentemente os últimos capítulos desse Admirável Mundo Novo foram conceptualizados pelo trio Mahan, Mackinder e Spykman trio.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Guerra econômica contra o Irã é guerra contra a integração da Eurásia, por Pepe Escobar

14/8/2018, Pepe Escobar, Asia Times



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

NOTA DOS TRADUTORES: Enquanto durar o golpe no Brasil, escreveremos "(B)RICS" (o Brasil entre parênteses), para fazer lembrar que desde 2/12/2015 o Brasil vive sob golpe. Ninguém deve pressupor que, por estarem presentes às reuniões dos (B)RICS, as autoridades brasileiras que lá apareçam tenham qualquer legítima representação democrática.





A histeria reina suprema depois que a primeira rodada de sanções dos EUA entrou em vigência novamente contra o Irã, semana passada. São vários os cenários de guerra, mas mesmo assim o aspecto chave da guerra econômica lançada pelo governo Trump tem passado despercebido: o Irã é peça central num tabuleiro de xadrez muito maior.

A ofensiva de sanções dos EUA, lançada depois da retirada unilateral de Washington do acordo nuclear iraniano, tem de ser interpretada como um gambito para avançar no Novo Grande Jogo, em cujo centro estão a Nova Rota da Seda da China – o mais importante projeto de infraestrutura, pode-se dizer, do século 21 – e a integração da Eurásia.

Todos com as mãos à vista: Cáspio veleja rumo à integração da Eurásia, por Pepe Escobar

4/8/2018, Pepe Escobar, Asia Times The Vineyard of the Saker

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

Os cinco estados que cercam o mar – Rússia, Azerbaijão, Irã, Turcomenistão e Cazaquistão – alcançaram um difícil acordo sobre direitos soberanos e exclusivos, e sobre liberdade de navegação



O longamente esperado acordo sobre o status legal do Mar Cáspio assinado no domingo no porto cazaque de Aktau é momento que define a continuada, massiva deriva rumo à integração da Eurásia.

Até o início do século 19, o corpo de água quintessencialmente eurasiano – um corredor de conectividade entre Ásia e Europa sobre riqueza gigantesca de petróleo e gás – era propriedade exclusiva dos persas. A Rússia Imperial tomou então a margem norte. Depois do racha da URSS, o Cáspio acabou sendo dividido entre cinco estados: Rússia, Irã, Azerbaijão, Turcomenistão e Cazaquistão.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Mais uma guerra que os EUA perderam: Afeganistão, novo conector na integração da Eurásia, por Pepe Escobar

26/2/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




A inauguração do gasoduto TAPI (Turcomenistão-Afeganistão-Paquistão-Índia) sinaliza que Cabul está a bordo, no grande projeto da integração da Eurásia.

Uma das mais dramáticas sagas que se desenrolam no que há muito anos batizei de Oleogasodutostão, acaba de passar por virada decisiva.


O gasoduto TAPI (Turcomenistão-Afeganistão-Paquistão-Índia), de US$8 bilhões e 1.814 km de extensão, foi oficialmente inaugurado ontem, com grande pompa, e com transmissão ao vivo pela TV afegã, na fronteira entre Turcomenistão e Afeganistão, perto de Herat.

O presidente do Afeganistão Ashraf Ghani recebeu o primeiro-ministro paquistanês Shahid Khaqan Abbasi, o presidente turcomeno Gurbanguly Berdymukhamedov e o ministro de Relações Exteriores da Índia M.J. Akbar.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

2018: pontos críticos estão na Eurásia e no Oriente Médio

29/12/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu





leitmotif da política exterior dos EUA em 2018 será uma tentativa de última fronteira para 'conter' o ressurgimento da Rússia no cenário mundial. O 'relatório anual' do secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson no New York Times na 4ª-feira deixa isso abundantemente claro. Tillerson destacou China, Rússia e Irã, mas reservou suas palavras mais duras para a Rússia. Eis o que escreveu:

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Jihadismo sem licença para morrer, por Pepe Escobar

31/8/2017, Pepe Escobar, SputnikNews












Uma hipótese de trabalho muito séria está em discussão já há algum tempo entre analistas independentes de geopolítica. Aqui vai ela, em resumo.

O Daech talvez esteja morrendo – mas o mundo ainda terá de lidar com o cadáver ambulante. O Plano B dos chefões do Daech pode ter sido doutrinar ondas repetidas de jovens desencaminhados por toda a União Europeia e 'seduzi-los' para um terror jihadista de tipo Faça-você-mesmo, criando medo e insegurança em toda a Europa. Acabo de voltar de Barcelona – e por lá não funcionou. Medo zero.

O Daech pode também manipular a própria griffe de modo a se apresentar como autor do que se pode chamar um "Novo Cinturão de Guerra" no sudoeste da Ásia. Tampouco está funcionando, porque os "4+1" – Rússia, Síria, Irã, Iraque plusHezbollah – com o acréscimo da Turquia, e com a China num papel de "liderar pela retaguarda", todos esses, estão operando juntos.


A guerra inacabada em todo o "Siriaque" combinada a espasmos de jihadismo na Europa com certeza poderia desdobrar-se em metástase num só massivo câncer eurasiano, espalhando-se como praga do Afeganistão à Alemanha e vice-versa, e do Mar do Sul da China até Bruxelas passando pelo Paquistão e vice-versa.

Sob esse cenário cataclísmico aconteceria o descarrilamento completo das Novas Rotas da Seda promovidas pelos chineses, também chamadas "Iniciativa Cinturão e Estrada" (ICE); a integração daquelas novas rotas com a União Econômica Eurasiana (UEE) puxada pela Rússia; e haveria ameaça massiva contra a segurança e a estabilidade doméstica da parceria estratégica Rússia-China, com cenários belicosos incontroláveis que se desenvolveriam muito perto das respectivas fronteiras.

Não há quem não saiba quais os elementos e as instituições que muito apreciariam que se estabelece total caos político interno nos dois países, na Rússia e na China.

Charlie se fortalece 

O Dr. Zbig "Grande Tabuleiro de Xadrez" Brzezinski pode já ter morrido, mas a geopolítica ainda arrasta o seu cadáver insepulto. A obsessão da vida de Brzezinski foi que em nenhum caso se poderia admitir que qualquer concorrente dos EUA prosperasse. Imagine o moribundo que assiste à concretização de seu pior pesadelo: uma aliança paneurasiana Rússia-China.

O cenário menos desastroso nesse caso seria seduzir ou Moscou ou Pequim, para que se converta em parceiro dos EUA, parceira a partir da qual, no futuro, se reduziriam quaisquer "ameaças". Brzezinski concentrou-se na Rússia como ameaça imediata, com a China como ameaça no jogo de longo prazo.

Daí a obsessão do estado profundo nos EUA e da máquina dos Clintons para demonizarem a Rússia sobre todas as coisas – uma espécie de neo-McCarthysmo infantiloide 'bombado'. Inevitavelmente, esse charivari geopolítico só conseguiu precipitar o avanço ainda mais rápido da China em todos os fronts.

Para nem lembrar que a parceria estratégica Rússia-China continua a se fortalecer cada dia mais – um eco fantasmático da fala do Capitão Willard em Apocalypse Now de Coppola: "Cada minuto que fico nessa sala mais me enfraquece; cada minuto que Charlie rasteja pelo mato mais o fortalece".

E Charlie não se agachou nem se arrasta: está conquistando com comércio e investimento. E não está no mato: está por toda parte nas planícies eurasianas.

Uma cesta de surtos hobbesianos 

O outro dalang norte-americano, Henry Kissinger, ainda vive, com 94 anos. Conselheiro do presidente Trump antes da posse em janeiro, e posando de suprema eminência parda em assuntos de China, Kissinger sugeriu que seria hora de cortejar a Rússia.

E então é que veio o golpe. Tendo identificado claramente que a chave da integração da Eurásia está na aliança Rússia-China-Irã, Kissinger deixou a ver o que realmente se passava em sua cabeça: para ele, indispensável era neutralizar o elo mais fraco, o Irã.

Daí sua recente proclamação/alerta sobre um "império radical iraniano" que estaria em desenvolvimento/desdobramento de Teerã até Beirute, no "vácuo" deixado pelo Daech e que estaria sendo preenchido pelos persas.

E eis Kissinger, mais uma vez, como inabalável Guerreiro da Guerra Fria que sempre foi: sai o comunismo, entra o Khomeinismo como "o mal" supremo. E que Deus abençoe e proteja sempre, cobrindo de honrarias, a matriz wahhabista dos produtores de jihadistas: a Casa de Saud.


A receita Kissingeriana soa como música aos ouvidos do estado profundo dos EUA: não é o caso de extinguir o Daech, mas de "realinhá-lo" como ferramenta contra o Irã.


Quem se incomoda se a simples ideia de algum "império radical iraniano" não preste nem como piada? O Líbano é país multicultural. A Síria continuará a ser governada pelo Partido Baath secular. O Iraque rejeita o Khomeinismo – com o aiatolá Sistani, tremendamente influente, privilegiando o sistema parlamentar.

Os "4+1" – apoiados pela China – forjaram aliança seríssima, no fogo da guerra na Síria. Nada disso se deixará modificar por decretos de Kissinger. Quanto a "preencher o vácuo", a alternativa é Daech e Jabhat al-Nusra, também chamada al-Qaeda na Síria." "Mas... epa!" – dizem os neoconservadores/neoliberais do Partido da Guerra – "Isso aí, para nós, está ótimo!" 

Com o que chegamos circularmente de volta ao nosso ponto de partida e à hipótese de trabalho inicial. Não deixarão morrer o Daech – assim como a reengenharia política do que o Dr. Zbig costumava chamar de "Bálcãs Eurasianos" recusa-se a morrer.

ISIS-Khorasão, ou ISIS-K – que se reagrupa no Afeganistão – pode ser utilíssimo, bem à mão, para provocar tumulto generalizado na intersecção da Ásia Central com o Sul da Ásia, tão perto dos corredores de desenvolvimento da Iniciativa Cinturão Estrada.

Mas Moscou e Pequim sabem exatamente o que está acontecendo. O arremedo de Califato foi útil como tentativa para quebrar a ICE no Siriaque, assim como Maidan na Ucrânia foi útil para rachar a União Econômica Eurasiana

Outros fronts de guerra virão – das Filipinas à Venezuela, todos dedicados a destruir quaisquer projetos de integração regional, sob uma estratégia de Dividir para Governar dos sátrapas norte-americanos manipulada para produzir surtos Hobbesianos assimétricos.

16 anos depois do 11/9, o nome do jogo não é mais "Guerra Global ao Terror" (GGaT): agora se trata de, sob a máscara da GGaT, impedir a todo custo a expansão geoestratégica de gente que pode fazer diferença – Rússia e China como "pares e concorrentes".*****

domingo, 18 de junho de 2017

Pepe Escobar: Ocidente não sabe nem do cheiro do que a Eurásia está cozinhando

16/6/2017, Pepe Escobar, SputnikNews











Uma mudança geopolítica tectônica aconteceu em Astana, Cazaquistão, há poucos dias. Pois ainda não se viu nem qualquer mínima repercussão nos círculos atlanticistas.

Na reunião anual da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), fundada em 2001, os dois países, Índia e Paquistão foram admitidos como membros plenos, como Rússia, China e quatro '-stões' da Ásia Central (Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tadjiquistão).

Assim sendo, a OCX já é, não apenas a maior organização política – por área e por população –, do mundo; ela também reúne quatro potências nucleares. O G-7 é irrelevante, como se viu claramente na recente reunião em Taormina. Ação à vera doravante, à parte o G-20, virá desse G-8 alternativo.

Permanentemente desqualificada no Ocidente já há uma década e meia como se não passasse de mero salão de conversas, a OCX, lentamente, mas sem parar nunca, continua a promover um quadro que o presidente Xi Jinping da China qualifica, de forma discreta muito atenuada, como "um novo tipo de relações internacionais com vistas a cooperação ganha-ganha".

É o mínimo que se pode dizer, do grupo no qual se reúnem China, Índia e Paquistão.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Pepe Escobar: Integração da Eurásia avança em terceira

25/2/2017, Pepe Escobar, SputnikNews















A Europa, relativamente integrada, vive em velocidade de segunda marcha de facto. A integração da Eurásia, work in progress e com alcance muitíssimo maior, é processo que avança nesse momento em terceira marcha, como se vê pelo posicionamento dos três '-stões' centro-asiáticos.

Longe do ciclo frenético do noticiário 24 horas/dia, 7dias/semana, o Turcomenistão caminhou silenciosamente para as urnas. O presidente Gurbanguly Berdymukhamedov, no poder agora há dez anos, alcançou 97,69% dignos da Coreia do Norte dos votos, entre 3,22 milhões de cidadões registrados para votar.

Tudo indica que o nome de Gurbanguly não será jamais corretamente pronunciado no Departamento de Estado dos EUA na Av. Beltway, como Melissa 'Spicey' McCarthy sugere fortemente num sketch de TV já legendário. Nada que preocupe alguém que fez erigir em ouro uma estátua de si mesmo em Ashgabat e trabalha também como cantor folk superstar.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Teatro de sombras: O Novo Grande Jogo na Eurásia, por Pepe Escobar


10/1/2017, Pepe Escobar, Asia Times Online














Então ali, no coração de Bali, ainda fascinado depois de uma conversa séria com um dukun — mestre espiritual —, a ideia surgiu-me: aqui deve ser a nova Ialta, perfeito cenário para uma reunião Trump-Xi-Putin que fixe os parâmetros adiante para o sempre mutável Novo Grande Jogo na Eurásia.

Na cultura balinesa, sekala é o que nossos sentidos podem discernir. Niskala é o que não pode ser sentido diretamente, só pode ser "sugerido". Mas não se demarcam diferenças entre o secular e o sobrenatural. Mudanças geopolíticas massivas à frente não poderiam estar mais envoltas em niskala.

Prisioneiro da vertiginosa velocidade do aqui e agora, o Ocidente ainda tem muito a aprender de uma cultura altamente evoluída que prosperou há 5 mil anos ao longo das margens do rio Sindhu — agora, Indus — em terras que atualmente são o Paquistão, e migrou do império Majapahit em Java para Bali, no século 14, sob pressão do Islã rampante.