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sexta-feira, 10 de novembro de 2017

RussiaGate: Autodetonação do soft power da ex-grande potência




Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




A obsessão dos EUA com 'provar' uma suposta "interferência dos russos" na eleição de 2016 e a subsequente detonação das instituições dos EUA resultante daquela obsessão entrarão para a história como o ato de suicídio do soft-power da ex-grande potência.

Os EUA consumiram décadas construindo a própria reputação de superpotência do soft power como "terra dos livres", autorretratando-se como a sociedade mais "democrática" do mundo. Agora, em apenas 12 meses, os EUA estão entregando dramaticamente sem luta todo o trabalho de várias gerações empenhadas em construir o soft power nacional. É o tempo durante o qual a mídia-empresa comercial construiu o escândalo chamado "RussiaGate" e o converteu numa inquisição institucional.

sábado, 4 de novembro de 2017

Rússia manipulou... o Brexit! :-)))) - por Neil Clark

Da série "Toda a mídia-empresa é a mesma mídia-empresa"


30/10/2017, Neil Clark, SputnikNews





E bem quando você pensou que nada de mais ridículo poderia acontecer com as teorias da conspiração anti-Rússia ... aconteceu!

O Kremlin já foi acusado de ter ajudado a pôr Donald Trump na Casa Branca – e de ter interferido em eleições em todos os cantos do "mundo livre". Pois agora aqueles amaldiçoados Russkies têm de pagar também pelo Brexit!

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O Papel do Neoliberalismo na crise Espanhola

11/10/2017, John Wight, SputnikNews









Com o presidente da Catalunha Carles Puigdemont recuando, em meio a crescente tensão na Espanha em torno da ambição de independência da região – o presidente catalão assinou a declaração de independência, mas imediatamente suspendeu a aplicação da nova lei –, milhões hão de ter respirado aliviados, dada a possibilidade de Madrid responder com violência.

Embora as tensões talvez tenham regredido – pelo menos por enquanto, – a questão subterrânea que alimenta essa crise, bem como várias outras crises que se desdobraram ainda por todo o mundo, não foi de modo algum resolvida. Essa questão atende pelo nome de "neoliberalismo".

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Jihadismo sem licença para morrer, por Pepe Escobar

31/8/2017, Pepe Escobar, SputnikNews












Uma hipótese de trabalho muito séria está em discussão já há algum tempo entre analistas independentes de geopolítica. Aqui vai ela, em resumo.

O Daech talvez esteja morrendo – mas o mundo ainda terá de lidar com o cadáver ambulante. O Plano B dos chefões do Daech pode ter sido doutrinar ondas repetidas de jovens desencaminhados por toda a União Europeia e 'seduzi-los' para um terror jihadista de tipo Faça-você-mesmo, criando medo e insegurança em toda a Europa. Acabo de voltar de Barcelona – e por lá não funcionou. Medo zero.

O Daech pode também manipular a própria griffe de modo a se apresentar como autor do que se pode chamar um "Novo Cinturão de Guerra" no sudoeste da Ásia. Tampouco está funcionando, porque os "4+1" – Rússia, Síria, Irã, Iraque plusHezbollah – com o acréscimo da Turquia, e com a China num papel de "liderar pela retaguarda", todos esses, estão operando juntos.


A guerra inacabada em todo o "Siriaque" combinada a espasmos de jihadismo na Europa com certeza poderia desdobrar-se em metástase num só massivo câncer eurasiano, espalhando-se como praga do Afeganistão à Alemanha e vice-versa, e do Mar do Sul da China até Bruxelas passando pelo Paquistão e vice-versa.

Sob esse cenário cataclísmico aconteceria o descarrilamento completo das Novas Rotas da Seda promovidas pelos chineses, também chamadas "Iniciativa Cinturão e Estrada" (ICE); a integração daquelas novas rotas com a União Econômica Eurasiana (UEE) puxada pela Rússia; e haveria ameaça massiva contra a segurança e a estabilidade doméstica da parceria estratégica Rússia-China, com cenários belicosos incontroláveis que se desenvolveriam muito perto das respectivas fronteiras.

Não há quem não saiba quais os elementos e as instituições que muito apreciariam que se estabelece total caos político interno nos dois países, na Rússia e na China.

Charlie se fortalece 

O Dr. Zbig "Grande Tabuleiro de Xadrez" Brzezinski pode já ter morrido, mas a geopolítica ainda arrasta o seu cadáver insepulto. A obsessão da vida de Brzezinski foi que em nenhum caso se poderia admitir que qualquer concorrente dos EUA prosperasse. Imagine o moribundo que assiste à concretização de seu pior pesadelo: uma aliança paneurasiana Rússia-China.

O cenário menos desastroso nesse caso seria seduzir ou Moscou ou Pequim, para que se converta em parceiro dos EUA, parceira a partir da qual, no futuro, se reduziriam quaisquer "ameaças". Brzezinski concentrou-se na Rússia como ameaça imediata, com a China como ameaça no jogo de longo prazo.

Daí a obsessão do estado profundo nos EUA e da máquina dos Clintons para demonizarem a Rússia sobre todas as coisas – uma espécie de neo-McCarthysmo infantiloide 'bombado'. Inevitavelmente, esse charivari geopolítico só conseguiu precipitar o avanço ainda mais rápido da China em todos os fronts.

Para nem lembrar que a parceria estratégica Rússia-China continua a se fortalecer cada dia mais – um eco fantasmático da fala do Capitão Willard em Apocalypse Now de Coppola: "Cada minuto que fico nessa sala mais me enfraquece; cada minuto que Charlie rasteja pelo mato mais o fortalece".

E Charlie não se agachou nem se arrasta: está conquistando com comércio e investimento. E não está no mato: está por toda parte nas planícies eurasianas.

Uma cesta de surtos hobbesianos 

O outro dalang norte-americano, Henry Kissinger, ainda vive, com 94 anos. Conselheiro do presidente Trump antes da posse em janeiro, e posando de suprema eminência parda em assuntos de China, Kissinger sugeriu que seria hora de cortejar a Rússia.

E então é que veio o golpe. Tendo identificado claramente que a chave da integração da Eurásia está na aliança Rússia-China-Irã, Kissinger deixou a ver o que realmente se passava em sua cabeça: para ele, indispensável era neutralizar o elo mais fraco, o Irã.

Daí sua recente proclamação/alerta sobre um "império radical iraniano" que estaria em desenvolvimento/desdobramento de Teerã até Beirute, no "vácuo" deixado pelo Daech e que estaria sendo preenchido pelos persas.

E eis Kissinger, mais uma vez, como inabalável Guerreiro da Guerra Fria que sempre foi: sai o comunismo, entra o Khomeinismo como "o mal" supremo. E que Deus abençoe e proteja sempre, cobrindo de honrarias, a matriz wahhabista dos produtores de jihadistas: a Casa de Saud.


A receita Kissingeriana soa como música aos ouvidos do estado profundo dos EUA: não é o caso de extinguir o Daech, mas de "realinhá-lo" como ferramenta contra o Irã.


Quem se incomoda se a simples ideia de algum "império radical iraniano" não preste nem como piada? O Líbano é país multicultural. A Síria continuará a ser governada pelo Partido Baath secular. O Iraque rejeita o Khomeinismo – com o aiatolá Sistani, tremendamente influente, privilegiando o sistema parlamentar.

Os "4+1" – apoiados pela China – forjaram aliança seríssima, no fogo da guerra na Síria. Nada disso se deixará modificar por decretos de Kissinger. Quanto a "preencher o vácuo", a alternativa é Daech e Jabhat al-Nusra, também chamada al-Qaeda na Síria." "Mas... epa!" – dizem os neoconservadores/neoliberais do Partido da Guerra – "Isso aí, para nós, está ótimo!" 

Com o que chegamos circularmente de volta ao nosso ponto de partida e à hipótese de trabalho inicial. Não deixarão morrer o Daech – assim como a reengenharia política do que o Dr. Zbig costumava chamar de "Bálcãs Eurasianos" recusa-se a morrer.

ISIS-Khorasão, ou ISIS-K – que se reagrupa no Afeganistão – pode ser utilíssimo, bem à mão, para provocar tumulto generalizado na intersecção da Ásia Central com o Sul da Ásia, tão perto dos corredores de desenvolvimento da Iniciativa Cinturão Estrada.

Mas Moscou e Pequim sabem exatamente o que está acontecendo. O arremedo de Califato foi útil como tentativa para quebrar a ICE no Siriaque, assim como Maidan na Ucrânia foi útil para rachar a União Econômica Eurasiana

Outros fronts de guerra virão – das Filipinas à Venezuela, todos dedicados a destruir quaisquer projetos de integração regional, sob uma estratégia de Dividir para Governar dos sátrapas norte-americanos manipulada para produzir surtos Hobbesianos assimétricos.

16 anos depois do 11/9, o nome do jogo não é mais "Guerra Global ao Terror" (GGaT): agora se trata de, sob a máscara da GGaT, impedir a todo custo a expansão geoestratégica de gente que pode fazer diferença – Rússia e China como "pares e concorrentes".*****

domingo, 20 de agosto de 2017

Bannon O Bárbaro, agora 'termonuclear', por Pepe Escobar

19/8/2017, Pepe Escobar, SputnikNews














"Bannon O Bárbaro e sua guerrilha termonuclear contra a junta militar que hoje controla a Casa Branca. 
Essa afinal é guerra que se pode levar a sério." 
Pepe Escobar 20/8/2017, Facebook

"Estou deixando a Casa Branca e vou à guerra por Trump contra os adversários dele – no Capitólio, na mídia e nos EUA empresariais."

Eis o que disse o ex-estrategista-chefe da Casa Branca Steve Bannon, pelo telefone, ao homem que escreveu o livro sobre como Bannon/Maquiavel realmente conquistou a Casa Branca para O Príncipe, Donald Trump.

Imediatamente depois de sair, Bannon já avisou a Av. [Perimetral Interestadual] Beltway – e o mundo – "que esse governo acabou. Será outra coisa. E haverá todos os tipos de lutas, e haverá dias bons e dias ruins. Mas esse governo acabou."

O "novo" governo dos EUA está de fato subordinado a uma tríade: generais do Pentágono; a família Trump ; e Goldman Sachs/Wall Street (Menos regulações! Menos taxas! Está chovendo grana, Aleluia!).

Bannon acrescentou que volta a tomar posse de suas "armas": "Construí uma máquina muito foda em Breitbart. E agora estou voltando, sabendo o que agora sei, e vamos acelerar aquela máquina. Se digo que vamos acelerá-la, é que vamos acelerá-la."

Assim, o Maquiavel Leninista deixa agora O Charco, para trabalhar em seu elemento preferido: lá fora, nas trincheiras da selva. Podem começar a esperar, porque o mundo virá abaixo.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Pepe Escobar: Coreia do Norte mostra que o Imperador está nu?

11/8/2017, Pepe Escobar, SputnikNews















Apesar do denso nevoeiro da guerra (retórica) entre Washington e Pyongyang, ainda é possível detectar algo de fascinante escrito no muro (não construído).

Já se disse que o presidente Trump está usando a Coreia do Norte para tirar de pauta e do ciclo de notícias dos EUA a narrativa do tal Rússia-gate incansavelmente repetida dia e noite, todos os dias e noites. Sem dúvida está funcionando. Afinal, naweltanschauung [visão de mundo, al. no orig.] do Excepcionalistão, a perspectiva de guerra e suas possíveis recompensas com certeza tira da mesa de jogo as nebulosas acusações de que os russos teriam hackeado documentos dos EUA e interferido nas eleições.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Sputnik entrevista The Saker sobre a Síria

3/8/2017, The Saker, Vineyard of the Saker












Sputnik: O que há por trás da decisão de Donald Trump de pôr fim ao programa da CIA para armar clandestinamente os chamados "rebeldes sírios"? Como isso afetará as posições dos EUA na Síria? Ajudará o Exército Árabe Sírio a derrotar al-Qaeda e Daech e a restaurar a soberania do país?

The Saker: Acho que os norte-americanos afinal desistiram, pelo menos temporariamente, dos tais "terroristas do bem" (também conhecidos como Exército Sírio Livre), simplesmente porque não tiveram alternativa. Em termos militares, a coalizão Síria-Irã-Rússia-Hezbollah está vencendo; o Daech está nas cordas; e os tais "terroristas do bem" concluíram (acertadamente) que o melhor negócio possível para eles é aceitar a proposta que a Rússia lhes fez, no processo de negociação, em vez de serem eliminados junto com os demais terroristas linha-duríssima do Daech.

Sputnik: Enquanto isso, a aliança das Forças Sírias Democráticas [apoiadas pelos EUA] dominadas pela milícia curda YPGcontinua a ganhar terreno no norte da Síria. É possível que a suspensão do programa clandestino da CIA seja simplesmente um modo de fortalecer as posições do Pentágono na Síria? (Noticiou-se que tem havido repetidos confrontos entre as Forças Sírias Democráticas apoiadas pelo Pentágono e os militantes sírios apoiados pela CIA. É possível que o movimento de Trump signifique que ele esteja buscando mais apoio do Departamento da Defesa, ao mesmo tempo em que tenta reduzir o poder da CIA?

domingo, 30 de julho de 2017

Loucura do Império aproxima Rússia e Alemanha, por Pepe Escobar

29/7/2017, Pepe Escobar, SputnikNews











Com Orwelliana maioria de 99%, que encheria de orgulho a dinastia Kim na Coreia do Norte, o Capitólio da "democracia representativa" passou como trator e aprovou o mais recente pacote de sanções da Câmara/Senado, que visa principalmente a Rússia, mas também atira contra Irã e Coreia do Norte.

O anúncio pela Casa Branca – no final da tarde da 6ª-feira – em pleno verão – de que o presidente Trump aprovou e assinará a lei acabou literalmente soterrado no ciclo do noticiário tomado completamente, 24h/dia, sete dias por semana, pela histeria relacionada ao chamado 'russiagate'.

Trump terá de justificar por escrito, ao Congresso, qualquer iniciativa para suavizar as sanções contra a Rússia. E o Congresso pode iniciar revisão automática de qualquer iniciativa dessa natureza.

Tradução: já soou o dobre de Finados de qualquer possibilidade de a Casa Branca vir a reiniciar melhores relações com a Rússia. O Congresso de fato está só ratificando a campanha em curso de demonização da Rússia, orquestrada pelo establishment do estado profundo neoconservador e neoliberal/Partido da Guerra.

Já há guerra econômica declarada contra a Rússia há, pelo menos, três anos. A diferença é que esse mais recente pacote também declara guerra econômica contra a Europa, especialmente a Alemanha. As sanções estão centradas no front da energia, demonizando a implantação do gasoduto Nord Stream 2 e forçando a União Europeia a comprar gás natural dos EUA.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Império dos choramingas, por Pepe Escobar

23/7/2017, Pepe Escobar, SputnikNews












É do conhecimento de todos que, do ponto de vista do Pentágono, os EUA enfrentam cinco ameaças existenciais: Rússia, China, Irã, Coreia do Norte e o terrorismo, nessa ordem. Muito além da retórica, todas as ações do Pentágono têm de ser compreendidas e analisadas nesse quadro de referência.

Agora, a opinião pública já tem acesso a documento ainda mais intrigante: um novo estudo feito pela Escola de Guerra do Exército dos EUA, intitulado At Our Own Peril: DoD Risk Assessment in a Post-Primacy World [Por nossa conta e risco: Avaliação de riscos pelo Departamento da Defesa num mundo pós-primazia]. Sugiro ativamente que os leitores baixem o documento (em ing.) e o examinem, com atenção às linhas e letras pequenas.


O pesquisador Nafeez Ahmed propôs uma decodificação útil desse dilema do período "pós-primazia" que exigiu virtualmente dez meses para ser montado.


O poder de fogo intelectual interessado envolveu todas as sessões do Pentágono em todo o mundo, além da Agência de Inteligência da Defesa (AID), o Conselho de Inteligência Nacional e os proverbiais think-tanks carregados de neoconservadores como o American Enterprise Institute (AEI), o Center for Strategic and International Studies (CSIS) e a RAND Corporation, além do Institute for the Study of War.

Tudo isso para quê? Para anunciar o óbvio – que os EUA estão perdendo a "primazia"; e para propor que façam mais do mesmo, tipo mais vigilância Orwelliana; mais "manipulação estratégica de percepções", também conhecida como propaganda; e mais exército "maior e mais flexível", tipo mais guerras.
Se isso é o melhor que a "inteligência" militar dos EUA é capaz de gerar, os concorrentes Rússia e China podem passar a mão num gin-tônica e relaxar à beira da piscina.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Euro & Controle de danos: 'Extinção administrada' do euro, com a Itália oscilando à beira do abismo

24/7/2017, SputnikNews










O crescente debate na Itália sobre os méritos de sair do euro ("Italexit") é reflexo das dificuldades insuperáveis que a eurozona enfrenta – diz o especialista em finanças Marc Friedrich, a Sputnik Deutschland.

A possibilidade de a Itália sair da eurozona tem surgido insistentemente no Parlamento Italiano, com deputados tentando encontrar meios para enfrentar o crescente déficit nas contas públicas do país, que em 2016 já alcançou 132,6% do PIB.

No início de julho, deputados italianos do Movimento 5 Estrelas organizaram um seminário na Câmara de Deputados para discutir a situação econômica italiana. Discutiram o mecanismo de default da Eurozona, estratégias para reestruturar a dívida soberana, sistemas paralelos de pagamentos e a possibilidade de a Itália deixar a Eurozona.

O debate foi a primeira vez que o Parlamento Italiano discutiu a opção "Italexit", tópico que até recentemente ainda era tabu, como comentou a imprensa italiana.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

G-20 dos Infernos, por Pepe Escobar

9/7/2017, Pepe Escobar, SputnikNews











Uma história futura do G20 em Hamburgo pode começar com a pergunta que o presidente Donald Trump – na verdade, o assessor que redige seus discursos – propôs dias antes, em Varsóvia:


"A questão fundamental de nosso tempo é se o Ocidente tem vontade de sobreviver."

A ideia, que inicialmente não passou de tirada de Stephen Miller de choque de civilizações juvenil/reducionista – do mesmo redator autor da épica "carnificina norte-americana" do discurso de posse de Trump e de proibir que muçulmanos viajassem – pode, na verdade, ter encontrado algumas respostas em Hamburgo.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Washington e Berlin em rota de colisão, por Pepe Escobar

30/6/2017, Pepe Escobar, SputnikNews












O que se lê adiante, no artigo de Pepe Escobar, é jornalismo que tem a ver com o mundo real. Enquanto isso, o Brasil estará dedicado a fazer papel RI-DÍ-CU-LO, no G-20.

Alô-alô mundo, podem começar a rir do Brasil 2017 do golpe-com-STF-com-tudo. 
[Atenção especial à parte "única dúvida que persiste" :-)))))))) ]

"O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, participarão apenas dos dois últimos dias de reunião do G-20. Nos dias 15 e 16, Meirelles irá a um encontro (sic) Instituto de Finanças Internacionais em Frankfurt, também na Alemanha.

De acordo com representantes do governo ouvidos pela Agência Brasil, os sinais de que a recessão acabou e de que a inflação está convergindo para o centro da meta (4,5% em 2017) são inequívocos. A única dúvida persiste na velocidade da recuperação, que dependerá da aprovação de reformas, como a da Previdência e a do trabalho"
 (EBC, Agência Brasil) [NTs].




A nova lei de sanções contra a Rússia aprovada no Senado dos EUA por 98:2 dia 15/6 é uma bomba: demoniza diretamente o gasoduto Ramo Norte 2 (ing. Nord Stream 2), submarino, por baixo do Mar Báltico, previsto para duplicar a capacidade da Gazprom para fornecer gás para a Europa.

gasoduto, de 9,5 bilhões de euros, está sendo financiado por cinco empresas: as alemãs Uniper e Wintershall; a austríaca OMV; a francesa Engie; e a anglo-holandesa Shell. Todas essas gigantes operam na Rússia e já tem, ou logo terão, contratos com a Gazprom.

Material distribuído por Ramo Norte 2 mostra o que diz serem os primeiros grandes dutos para o projeto Ramo Norte 2 numa fábrica da OMK, uma das três fornecedoras desse tipo de tubulação selecionadas pela Nord Stream 2 AG, em Vyksa, Rússia, em foto não datada fornecida à Reuters dia 23/3/2017.

Numa declaração conjunta, o ministro de Relações Exteriores da Alemanha Sigmar Gabriel e o chanceler austríaco Christian Kern destacaram que "o fornecimento de energia à Europa é questão europeia, não dos EUA"; "instrumentos para sanções políticas não devem ser atados a interesses econômicos"; e a coisa toda anunca "um traço novo e muito negativo nas relações Europa-EUA".

Corretor de petróleo no Golfo disse-me, sem meias palavras, que "as novas sanções dos EUA contra a Rússia são simplesmente um 'recado' para que a União Europeia passe a comprar gás caro dos EUA, em vez de gás barato, da Rússia. Basicamente alemães e austríacos já disseram aos americanos que caiam fora."

segunda-feira, 26 de junho de 2017

House of Cards (saudita): A história por dentro, por Pepe Escobar

24/6/2017, Pepe Escobar, SputnikNews













Bem quando comentaristas de geopolítica recolhiam apostas para uma mudança de regime no Qatar – orquestrada por uma Casa de Saud desesperada –, a mudança de regime acabou por acontecer em Riad, orquestrada pelo Príncipe Guerreiro, Destruidor do Iêmen e Bloqueador do Qatar, Mohammad bin Salman (MBS).

Considerando a impenetrabilidade daquela oligarquia familiar do petrodólar do deserto travestida de nação, dar conta desse mais recente Game of Thrones árabe é tarefa de uns poucos estrangeiros com acesso garantido. E também não ajuda, que o abundante dinheiro dos lobbies sauditas – e dos Emirados – em Washington reduza virtualmente todos os think-tanks e jornalistas venais, à mais abjeta máquina de calúnia e difamação.

domingo, 18 de junho de 2017

Pepe Escobar: Ocidente não sabe nem do cheiro do que a Eurásia está cozinhando

16/6/2017, Pepe Escobar, SputnikNews











Uma mudança geopolítica tectônica aconteceu em Astana, Cazaquistão, há poucos dias. Pois ainda não se viu nem qualquer mínima repercussão nos círculos atlanticistas.

Na reunião anual da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), fundada em 2001, os dois países, Índia e Paquistão foram admitidos como membros plenos, como Rússia, China e quatro '-stões' da Ásia Central (Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e Tadjiquistão).

Assim sendo, a OCX já é, não apenas a maior organização política – por área e por população –, do mundo; ela também reúne quatro potências nucleares. O G-7 é irrelevante, como se viu claramente na recente reunião em Taormina. Ação à vera doravante, à parte o G-20, virá desse G-8 alternativo.

Permanentemente desqualificada no Ocidente já há uma década e meia como se não passasse de mero salão de conversas, a OCX, lentamente, mas sem parar nunca, continua a promover um quadro que o presidente Xi Jinping da China qualifica, de forma discreta muito atenuada, como "um novo tipo de relações internacionais com vistas a cooperação ganha-ganha".

É o mínimo que se pode dizer, do grupo no qual se reúnem China, Índia e Paquistão.