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domingo, 6 de janeiro de 2019

O neoliberalismo é a nova face do fascismo - A linguagem da educação neoliberal

25/12/2018, Henry Giroux – Mitja Sardoč, Counterpunch

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga

“Vou contar um segredo para vocês:
administrar o governo federal é como administrar a sua casa.”
Henrique Meirelles
(“Um Banqueiro em Campanha”, 
Isto É Dinheiro, 12/2/2016)[NTs].
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“O neoliberalismo autodefiniu-se como uma modalidade de ‘senso comum’ e funciona como modalidade de pedagogia ‘pública’ que produz um modelo pelo qual os neoliberais tentam estruturar não só os mercados, mas toda a vida social. Nesse sentido, funcionou e continua a funcionar, e não só pela educação pública e universitária, para produzir e distribuir valores ‘de mercado’, identidades ‘de mercado’ e modos de associação e agenciamento ‘de mercado’, mas, também mediante aparelhos e plataformas culturais mais amplas, para privatizar, desregular, economicizar e submeter todas as instituições e relações que regem a vida diária, aos interesses da privatização, da eficiência, da desregulação e da conversão de tudo e todos ao estado de mercadoria.” [...]

“Sob modos neoliberais de governança, em seja qual for a instituição, todas as relações sociais são reduzidas a um ato de comércio” [...] (Henry Giroux, adiante).
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Aqui, Henry Giroux é entrevistado por Mitja Sardoč, professor do Instituto de Pesquisas de Educação, na Faculdade de Ciências Sociais, na Universidade de Ljubljana, Eslovênia.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Emmanuel Macron: o liberalismo autoritário, por Jean-Luc Mélenchon

30/1/2017, Jean-Luc Mélenchon, L'Ère du Peuple


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




"Verdadeiro liberal". Assim a esfera midiática descreveu e consagrou Emmanuel Macron na fase de acesso ao poder. Significava que Macron aproveitaria uma política econômica de inspiração patronal, mas seria vigilante e aberto às liberdades públicas e individuais. Esse é o maior e mais grave mal-entendido do momento político. 

Os meses decorridos só mostram uma realidade: o liberalismo econômico nada acrescenta à liberdade. Já não pode acrescentar coisa alguma à liberdade. O liberalismo econômico atropela a liberdade. Não apenas porque assim o deseje, mas porque não pode fazer diferente. Por baixo desse tema há raízes profundas. Mas o contexto acrescenta uma especial violência ao código genético.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O Papel do Neoliberalismo na crise Espanhola

11/10/2017, John Wight, SputnikNews









Com o presidente da Catalunha Carles Puigdemont recuando, em meio a crescente tensão na Espanha em torno da ambição de independência da região – o presidente catalão assinou a declaração de independência, mas imediatamente suspendeu a aplicação da nova lei –, milhões hão de ter respirado aliviados, dada a possibilidade de Madrid responder com violência.

Embora as tensões talvez tenham regredido – pelo menos por enquanto, – a questão subterrânea que alimenta essa crise, bem como várias outras crises que se desdobraram ainda por todo o mundo, não foi de modo algum resolvida. Essa questão atende pelo nome de "neoliberalismo".

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Neoliberais e neoconservadores norte-americanos são muito, muito, muito mais perigosos que a extrema direita

13/8/2017, Adam Garrie, The Duran



Os que pregam guerra violenta, ilegal, imoral e cruel não têm em que se apoiar para criticar qualquer outra causa.










A mídia-empresa liberal norte-americana hegemônica acolheu uma história que começou em Al-Jazeera veículo estatal de propaganda do Qatar e que tenta associar a extrema direita norte-americana, às vezes chamada "Alt-right"[1], e o presidente sírio Bashar al-Assad e seu Partido Socialista Árabe Ba’ath.

Como escrevi ontem em The Duran,

"Para começar, Bashar al-Assad é socialista. É membro do partido governante na Síria, o Partido Socialista Árabe Ba’ath. Embora a chave esteja na denominação do partido, é útil compreender melhor as origens intelectuais do Ba’athismo.

Os três principais fundadores do Baa'thismo, Salah al-Din al-Bitar, Zaki al-Arsuzi e Michel Aflaq eram todos árabes sírios, Aflaq era árabe cristão com Salah, e al-Arsuzi era muçulmano. Na essência, o Ba’athismo combina valores culturais árabes tradicionais com o conceito anti-imperialista do nacionalismo árabe, acolhendo as ideias do socialismo tradicional como um escudo contra a agressão imperialista e como meio para permitir que povos pós-coloniais elevem com eficiência e rapidez a própria independência econômica.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Emmanuel Macron: Economia em marcha a ré

11/4/2017, Dany Lang e Henri Sterdyniak, Rede Tlaxcala




"[Blake] tem de inscrever-se para ser reconhecido como qualificado para procurar emprego e cumprir a tarefa de Sísifo de horas e horas de workshops para aprender a fazer currículos e depois bater perna à procura de empregos que não existem e que, se existissem, ele não poderia reivindicar para si"
["I, Daniel Blake" review – a battle cry for the dispossessed, 23/10/2016, The Guardian].*










Depois de muitos meses de suspense, afinal Emmanuel Macron apresentou seu programa. O programa econômico, infelizmente, veio sem novidades. Como Jean Pisani-Ferry já anunciara, não é programa socialista, quer dizer, programa que visasse a dar mais poder aos cidadãos na cidade e aos trabalhadores na empresa; não é tampouco programa ecologista, que assumisse devidamente os esforços necessários para fazer a transição ecológica. Nada disso. É programa neoliberal, "progressista" só para quem o progresso consista em obrigar a França a andar rumo ao modelo liberal.




Não é tampouco programa de ruptura, pois se inscreve na continuação da política conduzida por François Hollande e Manuel Valls, de 40 milhões de redução nos impostos, sem contrapartida a ser prestada pelas empresas na Lei do Trabalho. Esse programa nos força a aceitar as demandas do grande patronato, na esperança de que por assim fazermos os empresários dignem-se a investir e a empregar na França.

Assim, as classes dirigentes poderão escolher entre duas estratégias nas eleições. De um lado, a estratégia forte com François Fillon, que consistirá em choque brutal para destruir o direito do trabalho, cortar despesas públicas e sociais, reduzir impostos para os mais ricos e para as empresas. De outro, a estratégia mais gradualista de Emmanuel Macron, com as mesmas medidas, mas aplicadas mais lentamente, mas, em resumo, na mesma direção.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Neoliberalismo: a história profunda que jaz por trás do triunfo de Donald Trump

14/11/2016, George Monbiot, The Guardian












Entreouvido na Vila Vudu:

Vamcombiná: quando até o Instituto Millenium teria de estar criticando a Killary 
por ter traído os ideais de Hayek (é o que se lê no artigo abaixo), mas até o Instituto Millenium está criticando o adversário da Killary agora eleito, e o de-to-na com o palavrão mais feio que os Milleniums conhecem ("Trump é Lula")...

FRANCAMENTE, tá na cara que alguma coisa está é muuuuuuuuito mal contada,
na insuperável burritsia 'analítica' da elite USP-UDN & Estadão [pano rápido]






Os eventos que levaram à eleição de Donald Trump começaram na Inglaterra, em 1975. Numa reunião, poucos meses depois de Margaret Thatcher assumir o comando do Partido Conservador, uma de suas companheiras – ou pelo menos é o diz a história – explicava o que, para ela, seria o núcleo dura das crenças do conservadorismo. Mas Thatcher abriu a bolsa, tirou de lá um livro amarfanhado e bateu com ele na mesa. "Nós acreditamos nisso" – disse ela. Assim começou uma revolução que varreria todo o planeta.

O livro era The Constitution of Liberty de Frederick Hayek [A Constituição da Liberdade]. Sua publicação, em 1960, marcou a transição de uma filosofia honesta, ainda que extrema, numa fraude de proporções monstro. A filosofia era chamada "Neoliberalismo". 

Ali, a característica que definiria as relações humanas seria sempre a concorrência, a competição. O mercado descobriria uma hierarquia natural de ganhadores e perdedores, criando sistema mais eficiente que jamais poderia ser alcançado mediante planejamento nem por projeto. Qualquer coisa que impedisse esse processo, como impostos significativos, leis regulatórias, atividade sindical ou oferta de qualquer coisa pelo Estado, seria contraproducente. Empresários perfeitamente livres gerariam a riqueza que, em seguida, escorreria pirâmide abaixo [ing. trickle down] para todos.

Valha o que valer, essa era a concepção original. Mas quando afinal Hayek veio a escrever The Constitution of Liberty, a rede de lobbyistas e pensadores que aquela concepção gerara já era abundantemente paga por multimilionários que tomaram a doutrina como ferramenta para se defenderem contra os riscos da democracia. Nem todos os aspectos do programa neoliberal promoviam os interesses deles. Ao que parece, Hayek arregaçou as mangas para preencher as lacunas.

Começa o livro expondo a concepção mais rasa que jamais existiu de liberdade: uma ausência de coerção. Rejeita noções como liberdade política, direitos universais, igualdade entre os homens e na distribuição da riqueza, todas essas noções, porque limitam a ação dos ricos e poderosos, interferindo na ausência de qualquer coerção (a "liberdade") que o modelo exige necessariamente.

Democracia, por sua vez, "não é valor definitivo ou absoluto". De fato, a liberdade depende de impedir-se que a maioria possa escolher a direção que política e sociedade devam tomar.

Para justificar essa posição, Hayek cria uma narrativa heroica da riqueza extrema. Aproxima a elite econômica, livre para gastar o próprio dinheiro de novas maneiras, e os pioneiros da filosofia e da ciência. Assim como o filósofo político tem de ter liberdade para pensar o impensável, assim também os muito ricos têm de ser livres para fazer o factível, sem nenhuma consideração com o interesse público ou a opinião pública.

Os ultra ricos são "escoteiros", "batedores" [ing. "scouts"], "sempre a experimentar novos estilos de vida", que abrem as trilhas pelas quais seguirá o resto da sociedade. O progresso da sociedade depende da liberdade que tenham esses "independentes" para ganhar tanto dinheiro quanto desejem e gastá-lo como queiram. Tudo que é bom e útil, portanto, é fruto da desigualdade. Não pode haver conexão entre mérito e recompensa, nenhuma distinção entre renda justa e não justa e nenhum limite aos rendimentos [ing. rents] a serem cobrados.

Riqueza herdada é mais socialmente útil que riqueza alcançada com trabalho: "os ricos ociosos" [ing. "the idle rich"] que não têm de trabalhar pelo próprio dinheiro podem devotar-se a influenciar "campos de pensamento e opinião, de gostos e de crenças". Ainda que pareçam estar gastando dinheiro só em "gastos sem objetivo" [ing. "aimless display"], estão, de fato, operando como a vanguarda da sociedade.

Hayek suavizou sua oposição aos monopólios, e endureceu sua oposição aos sindicatos. Atacou os impostos progressivos e as tentativas, pelo Estado, de melhorar as condições gerais de bem-estar dos cidadãos. Insistiu que "há motivos insuperáveis que se podem opor a serviços de saúde gratuitos para todos"; e descartou qualquer movimento para conservar recursos naturais. Ninguém, entre especialistas e interessados em geral que acompanham esses assuntos, surpreendeu-se quando Hayek recebeu o Prêmio Nobel de economia.

No momento em que Mrs Thatcher batia na mesa o livro de Hayek, uma vivíssima rede de thinktanks, lobbyistas e acadêmicos que viviam de promover as doutrinas de Hayek já se formara dos dois lados do Atlântico, abundantemente financiada por algumas das pessoas e empresas mais ricas do mundo, dentre os/as quais DuPont, General Electric, as cervejarias Coors, Charles Koch, Richard Mellon Scaife, Lawrence Fertig, a Fundação William Volker e a Fundação Earhart. Servindo-se de psicologia e linguística para resultados realmente impressionantes, os pensadores que esses patrocinadores mantinham encontraram as palavras e os argumentos necessários para converter o que era hino religioso de uma elite, em um programa político plausível.

As ideologias que Margaret Thatcher e Ronald Reagan defendiam eram apenas duas facetas do neoliberalismo. Fotografia: Arquivo Bettmann / Bettmann

O Thatcherismo e o Reaganismo não eram ideologias por direito próprio: eram apenas duas caras do Neoliberalismo. Os cortes massivos para os ricos, o ataque violento contra os sindicatos, redução na moradia subsidiada, desregulação, privatização, terceirização regras concorrenciais para os serviços públicos, todas são ideias propostas por Hayek e seus discípulos. Mas o real triunfo dessa rede não foi ter capturado a direita, mas a colonização dos partidos que, antes de colonizados, defendiam tudo que Hayek detestava.

Bill Clinton e Tony Blair não têm narrativas próprias. Em vez de desenvolver uma narrativa política nova, acharam que bastaria uma triangulação. Em outras palavras, extraíram alguns elementos das crenças ativas nos respectivos partidos, misturaram com elementos das crenças ativas entre os respectivos opositores e desenvolveram, a partir dessa combinação improvável, uma "terceira via".