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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Doravante, para Putin, elites ocidentais são “suínas”, por Dmitry Orlov

22/2/12019, Dmitry Orlov, Rússia Insider

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



Artigo que publiquei há quase cinco anos, “Putin às elites ocidentais: Acabou a brincadeira”, converteu-se no maior sucesso popular até hoje, com mais de 200 mil leituras ao longo dos anos seguintes. Naquele artigo, escrevi sobre o discurso de Putin na conferência do Clube Valdai de 2014. Naquele discurso, o presidente da Rússia definiu as novas regras pelas quais a Rússia conduz sua política exterior: abertamente, à vista do público, como nação soberana entre nações soberanas, afirmando os próprios interesses nacionais e exigindo ser tratada como igual. Mais uma vez, as elites ocidentais não ouviram o presidente Putin.

Em vez de cooperação mutuamente benéfica, insistiram na linguagem das acusações alucinadas, e em sanções contraproducentes e desdentadas. Assim aconteceu que, no discurso de ontem à Assembleia Nacional Russa, ouviu-se claramente o tom do mais completo desdém, do mais total desprezo de Putin por seus “parceiros ocidentais”, como o presidente costumava dizer. Dessa vez, Putin chamou-os de “porcos”.

Putin, à Assembleia da Federação Russa, por Pepe Escobar

22/2/2019, Pepe Escobar, Asia Times

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



O discurso “O Estado da Nação” do Presidente Putin (vídeo e texto em ing., traduzido ao port. no Blog do Alok) à Assembleia da Federação Russa em Moscou essa semana foi evento extraordinário. Embora dedicado a questões do desenvolvimento social e econômico do país, Putin, como era de esperar, registou a decisão dos EUA de se retirarem do Tratado para Forças Nucleares de Alcance Intermédio (ing. INF) e demarcou claramente as linhas vermelhas relacionadas a consequências possíveis do movimento.

Seria ingenuidade crer que pudesse não haver contragolpe sério à possibilidade de os EUA instalarem lançadores de mísseis “que podem disparar mísseis Tomahawk” na Polônia e na Romênia, a apenas 12 minutos de voo de distância do território russo.

Putin foi direto ao ponto: “É gravíssima ameaça contra nós. Se acontecer assim, seremos forçados – repito, para salientar – seremos forçados a responder com ações espelhadas ou assimétricas.”

Mais tarde, muitas horas depois do discurso, Putin detalhou o que os EUA conceberam, apresentando o movimento mais uma vez como ameaça.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Vladimir Putin, Presidente da Rússia - Discurso ao Parlamento (Duma) da Federação Russa (2019)

20/2/2019, no salão Gostiny Dvor, Moscou [íntegra, transcrita em inglês pelo Kremlinaqui traduzida]


Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga


Maravilhoso! Em vez de rastejar e cortar investimentos em saúde e educação, para pagar juros obscenos a banqueiros assaltantes, como faz o governo golpista de Guedes-Bolsonaro, Putin decide:

“Se necessário, o orçamento terá de ser ajustado em conformidade. Para o subsídio que estou propondo, serão necessários mais 26,2 bilhões de rublos em 2019. Os valores relevantes para 2020 e 2021 são de 28,6 bilhões de rublos e 30,1 bilhões de rublos, respectivamente. Estes fundos são enormes, mas devem ser atribuídos e utilizados naquilo que já apontei e que o país considera seu interesse prioritário”. [Do discurso, de hoje, adiante]
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Aos Membros do Conselho da Federação, deputados da Duma, cidadãos da Rússia,

O discurso de hoje é dedicado principalmente a questões de desenvolvimento social e econômico interno. Gostaria de me concentrar nos objetivos estabelecidos na Ordem Executiva de maio de 2018 e detalhados nos projetos nacionais. O conteúdo e as metas que aí se estabelecem são reflexo das exigências e expectativas dos cidadãos russos. As pessoas estão no centro dos projetos nacionais, que se destinam a criar uma nova qualidade de vida para todas as gerações. Este objetivo só pode ser alcançado, se se criar uma outra dinâmica no desenvolvimento da Rússia.

Estes são objetivos de longo prazo que estabelecemos para nós próprios. No entanto, o trabalho para alcançar estes objetivos estratégicos tem de começar hoje. O tempo é sempre escasso, como os senhores deputados sabem muito bem. Não há, pura e simplesmente, tempo para nos atualizarmos ou fazermos quaisquer ajustamentos. Em suma, creio que já concluímos a fase de articulação de objetivos e de definição de ferramentas para alcançar as nossas metas. Não é admissível nos Afastarmos das metas traçadas. E, sim, são objetivos desafiantes. Tampouco é opção reduzir os requisitos para metas específicas ou diluí-los.

Como já disse, estes são desafios formidáveis que nos obrigam a empreender grandes esforços. Mas estão em sintonia com a escala e o ritmo das alterações globais. Nosso dever é continuar a avançar e a ganhar ímpeto.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

A nação profunda da Rússia

17/10/2019, Moon of Alabama


Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



Em ensaio recém publicado, um auxiliar próximo do presidente Vladimir Putin descreve o sistema de governança na Rússia. Muito diferente da visão ‘ocidental’ de sempre, de que lá haveria um estado russo ‘autocrático’.

A mídia nos EUA frequentemente apresenta a Rússia como estado regido de cima para baixo, pelos caprichos de um só homem. E sempre cita acadêmicos ocidentais[1] pagos para ‘demonstrar’ a versão oficial. Bom exemplo é essa coluna no Washington Post:

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Entenda a moderna governança russa: Putin e seu estado duradouro

14/2/2019, Vladislav Surkov, orig. em russo; com trad. ao ing. de Dmitry Orlov no Blog Vineyard of the Saker, aqui retraduzida ao português, com Introdução[1] do tradutor russo

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga


“Apenas parece que teríamos escolha.” São palavras surpreendentes pela profundidade do significado e pela audácia. Foram pronunciadas há uma década e meia, estão hoje esquecidas e já ninguém as cita. Mas sabe-se, pelas leis da psicologia, que o esquecido nos afeta muito mais do que o sempre lembrado. E essas palavras, extraídas para bem longe do contexto no qual foram enunciadas pela primeira vez, resultam no primeiro axioma do novo Estado russo sobre o qual foram construídas todas as teorias e práticas da política contemporânea.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Vladimir Putin, Conferência de Imprensa anual “Não vemos qualquer sinal de os soldados dos EUA estarem saindo da Síria”

20/12/2018, Kremlin, Eventos, notícias da Presidência, Rússia
Vídeo (excerto, transcrição, tradução e legendas (ing.) de Sayed Hasan para Unz Review, aqui retraduzidas) 

Da série: “Quando quiser compreender, pergunte a Putin!”

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



[...] Rachel Marsden: Presidente Putin, Rachel Marsden, de Chicago Tribune Publishing no exterior, EUA.

Ontem, o presidente Donald Trump anunciou a retirada dos soldados dos EUA, da Síria. Anunciou também que, na avaliação dele, os EUA derrotaram o ISIS na Síria; deixou isso bem claro.

O que o senhor tem a dizer sobre esse anúncio, sobre a retirada dos soldados dos EUA, da Síria, e também sobre o que disse o presidente Trump quanto a os EUA terem derrotado o ISIS?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Putin alerta EUA contra movimentos temerários, por M.K. Bhadrakumar

19/12/2018, MK Bhadrakumar, Indian Punchline

"O golpe no Brasil inscreve-se no quadro das disputas geopolíticas globais"
(22/12/2018, Rui Costa Pimenta, "Análise Política da Semana", Youtube)

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



fala do presidente russo na reunião expandida da cúpula do Ministério da Defesa em Moscou, dia 18/12, foi uma análise ampla do equilíbrio estratégico global. O discurso deve ser visto no contexto da queda-livre em que estão as relações EUA-Rússia, do aumento da infraestrutura da OTAN nas fronteira ocidentais da Rússia e, especialmente, das declarações de Trump sobre os EUA retirarem-se do Tratado das Forças Nucleares Intermediárias (ing. Intermediate-Range Nuclear Forces (INF) Treaty) de 1987.

Em termos genéricos, a mensagem de Putin abre-se em três direções:

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Putin e as Regras da Elite


24/11/2018, Aleksandr Khaldey, StalkerZone, de iarex.ru
(traduzido ru.-ing., por Ollie Richardson & Angelina Siard, aqui retraduzido)


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“Por essa razão é impossível exigir hoje de Putin [e de Lula, de Cristina Kirshner, de Rafael Correa e de alguns outros] que transforme radicalmente e derrube a elite: porque as condições internas e externas para que isso aconteça ainda não se desenvolveram, infelizmente.

O sistema atual ainda não exauriu todos os seus recursos, e continuará a lutar pela própria vida. O fim de qualquer formação social historicamente é processo longo; e não há como acelerá-lo ou empurrá-lo adiante. O problema não é quebrar o que existe. O problema está em compreender o que ocupará o espaço do que agora se acaba. Enquanto essa noção não estiver construída, o que aí está aí permanecerá.”
O capitalismo está reduzido a restos, vai-se enfraquecendo, mas ainda é forte demais para simplesmente sumir. O novo ainda está em formação e ainda não consegue desalojar o velho sistema.”
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Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga




Quando tentava compreender, durante muitos anos, por que Putin não derruba a elite ainda governante na Rússia, mas trabalha com o que encontra no poder, percebi que pouca gente compreendia o que, de fato, estava em discussão. Especialistas já conhecem praticamente decorados, todos os fatos possíveis e imagináveis relacionados ao presidente, a biografia de Putin e toda a história de sua chegada ao cargo mais algo do governo russo. Mas poucos estudam a elite russa, motivo pelo qual se sabe muito menos sobre o que representa aquela elite e sobre se o presidente teria hoje algum espaço para influenciar radicalmente a elite – como fez Stálin, por exemplo –, ou se as oportunidades hoje são muito limitadas.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Decodificando Putin, o hipersônico, em dia solene, por Pepe Escobar

13/11/2018, Pepe Escobar, Asia Times

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga




O protocolo do Palácio Eliseu era implacável. Ninguém em Paris tinha licença para roubar os holofotes, que teriam de ficar grudados no anfitrião, presidente Emmanuel Macron, durante o 100º aniversário do Dia do Armistício, que marcou o fim da 1ª Guerra Mundial.

Afinal de contas, Macron investia ali todo o seu capital político, ao visitar vários campos de batalha da 1ª Guerra Mundial, sempre alertando contra a ascensão do nacionalismo e uma arrancada do popularismo de direita em todo o ocidente. Mas tomou o cuidado de só destacar, nos elogios, a palavra “patriotismo.”

Hoje ruge violenta batalha de ideias em toda a Europa, personificada no embate entre o globalista Macron e o ícone popularista Matteo Salvini, ministro italiano do Interior. Salvini abomina o sistema de Bruxelas. Macron avança em sua defesa de uma “Europa soberana”.

E para horror do establishment nos EUA, Macron propõe que se constitua um verdadeiro “exército europeu” capaz de fazer autodefesa autônoma, lado a lado com um “verdadeiro diálogo de segurança com a Rússia.”

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Cessar-fogo na Síria: Putin em posição de surpreendente superioridade

23/9/2018, Patrick CockburnUnz Review, republicado de The Independent


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Cessar-fogo frequentemente consegue boa mídia. Se dá certo e põe fim à violência, ou dilui uma crise, a mídia rapidamente se entedia e muda de assunto. Mas se a luta continua, os que trabalharam a favor de algum cessar-fogo são condenados como hipócritas sem coração, que ou nunca quiseram pôr fim à matança, ou têm culpa por a matança continuar.

Os especialistas mantêm-se previsivelmente céticos sobre o acordo  a que chegaram o presidente Vladimir Putin da Rússia, e o presidente Recep Tayyip Erdogan em Sochi, na 2ª-feira [17/9/2018], para evitar uma iminente ofensiva pelas forças do presidente Bashar al-Assad dirigida contra rebeldes na província em Idlib. É o último enclave da oposição armada na Síria ocidental, oposição que, ao longo dos dois últimos anos, perdeu suas bases em Aleppo, Damasco e Daraa.

sábado, 29 de setembro de 2018

Putin teve de morder a língua e corrigir-se

24/9/2018, John Helmer, Dances with bears, Moscou

Nota do blog: O presente artigo não reflete a opinião do Blog. Achamos importante publicá-lo para informar outras opiniões de parcela da opinião pública na Russia. O Blog acha imprudente e prematuro afirmar que Putin tenha perdido a confiança de seus militares, entre outras afirmações contidas no artigo. É fato que o episódio foi bastante traumático dentro da Russia e muitas opiniões foram expressas de forma intempestiva. 


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Semana passada o presidente Vladimir Putin disparou a mais grave crise de sua presidência, quando o Ministério da Defesa e o alto comando do Estado-maior (Stavka) declararam que a explicação de Putin para a derrubada do Ilyushin-20, avião de reconhecimento eletrônico por jatos de combate de Israel, é falsa e, pior – é capitular diante de Israel.


Fontes em Moscou relatam que perda igualmente flagrante de confiança dos militares no comandante-em-chefe jamais tinha sido vista em público desde que o presidente Boris Yeltsin cancelou ordens para que a Rússia garantisse ajuda militar aos sérvios então sob bombardeio pela OTAN, entre março e junho de 1999, e demitiu o primeiro-ministro Yevgeny Primakov por exigência dos EUA.

sábado, 22 de setembro de 2018

Putin-Erdogan firmaram um bom acordo sobre Idlib, por Elijah J. Magnier



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Muito ceticismo cerca o destino da cidade de Idlib depois do acordo firmado entre os dois presidentes, Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan, que levou à suspensão da operação militar longamente esperada contra os jihadistas e seus aliados. Só uns poucos detalhes do acordo foram revelados, mas o suficiente para lançar dúvidas sobre se é plenamente válido e sustentável. Mesmo assim, há otimismo generalizado no lado russo, iraniano e turco – e os jihadistas em Idlib e arredores já não veem uma confrontação como inevitável. A diferença chave agora, depois do acordo Putin-Erdogan, é que a Turquia não mais estará presente para defender jihadistas, nem Erdogan agitará o caldeirão europeu, com ameaças de um “êxodo de milhões” (para o velho continente), alavanca para impedir a batalha de Idlib.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Rússia joga o Jogo Longo, sem espaço para estratégias golpistas e o gozo instantâneo de alguns



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Imagem: Selo postal, Pyotr Stolypin

Vivemos no mundo dos modelos, todos os tipos de modelos. Alguns são simples, outros – muito complexos. A principal serventia de tais modelos é prever como as coisas que os modelos descrevem comportar-se-ão caso a caso. Alguns daqueles modelos funcionam brilhantemente; outros fracassam miseravelmente. Os piores modelos em termos de confiabilidade são os que tenham a ver com geopolítica. Há acessível, para que todos vejam, uma lista de fracassados modelos geopolíticos criados pelo ocidente em geral e pelos EUA em particular, que não acertaram em nada do que previram. Em termos de "prever" eventos relacionados à Rússia, aquelas previsões não foram só erradas: foram muito gravemente perigosas.

Não há demonstração mais convincente de completo fracasso no processo de prever seja o que for, que a evolução do poder militar e econômico da Rússia.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

De como Putin resolveu os problemas da Europa, ao passar, com La Merkel

20/8/2018, Rostislav Ishchenko, de Stalker Zone (trad. ru.-ing. Ollie Richardson e Angelina Siard, aqui retraduzida ao port.) em The Vineyard of the Saker

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

Aleksandr Sergeyevich Pushkin não foi o primeiro poeta russo. Antes dele houve ZhukovskyDerzhavin e até Lomonosov. Belos, melodiosos versos foram compostos por muitos depois de Pushkin. Mesmo assim, ele é "nosso tudo". Sem ele, sem a linguagem de Pushkin, não só a poesia russa, mas a própria linguagem russa é incompleta...



Pushkin é preciso e extremamente lacônico. Sabe bem prender muitos significados em apenas umas poucas palavras. E não usa palavras desnecessárias. Vocês lembram: "Lá, ao passar, um príncipe captura um czar assustador". Um, só um, sintagma– "ao passar". Mas como estão completamente caracterizados gentes e processo! Ao resolver problemas mais importantes, muito depois, um dado príncipe captura ao seu tempo um czar (poderoso, forte, ameaçador) assustador (significa que o conquistou, o exército dele e seu estado).

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Do Mar Báltico ao Mar Negro, Rússia busca ganha-ganha, por Pepe Escobar

20/8/2018, Pepe Escobar, Asia Times

Vem aí reunião ampla de Alemanha, Rússia, França e Turquia. Praticamente, Eurovision expandido

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




Quando o presidente Vladimir Putin, esfuziante depois de uma aparição de grande astro no casamento da primeira-ministra da Áustria Karin Kneissl, surgiu no Palácio Meseberg, do século 18, ao norte de Berlim, no sábado à noite, para uma conversa face a face com a chanceler alemã Angela Merkel, a surpresa foi geral: a reunião fora anunciada apenas uns poucos dias antes.

Conversaram durante três horas, com cardápio variado: acordo nuclear iraniano; o impasse sem fim na Ucrânia; o aspecto humanitário, na Síria; o gasoduto Ramo Norte 2.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Trump e o tique-taque da bomba-relógio



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




O comentário adiante foi escolhido pelo moderador HS, entre os comentários ao postado “Is President Trump A Traitor Because He Wants Peace With Rússia?” [Presidente Trump seria traidor por querer paz com a Rússia?] (16/7/2018, Paul Craig Roberts Blog). O moderador achou interessante o comentário, com bons insights sobre a conferência de imprensa de Helsinki.


Comentário de Nonlinear equation
Alô, cá da Rússia.

Estou com a sensação de que ou as pessoas não ouvem o que Putin diz, ou não compreendem o que ele diz, ou as palavras dele são deliberadamente traduzidas pela metade ou erradamente, para os EUA.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Rolê pelo lado selvagem. Trump encontra Putin na Estação Finlândia, por Pepe Escobar

17/7/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


"Todo mundo tinha de pagar e pagava
um michê aqui, um michê ali"
Rolê pelo lado selvagem (Lou Reed)

"O outro elemento do gênio de Marx é uma intuição psicológica peculiar: ninguém jamais enxergou com olhos tão implacáveis a infinita capacidade humana de não perceber ou de encarar com indiferença a dor que infligimos aos outros, quando temos oportunidade de tirar algum lucro, da dor infligida" (WILSON, Edmund, Rumo à Estação Finlândia. Escritores e Atores da História, trad. Paulo Henrique Brito. São Paulo: Companhia das Letras, 1972).*
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"A Guerra Fria é coisa do passado". Quando o presidente Putin disse tal coisa, nos comentários preliminares à conferência de imprensa que os dois presidentes, Trump e Putin deram em Helsinki, já era claro que não poderia durar. Não depois de tamanho investimento, dos conservadores norte-americanos, na Guerra Fria 2.0.

Russofobia é indústria que opera 24 horas/dia, 7 dias/semana, e inclui tudo e todos, também a mídia-empresa vassala, que permanece lívida de fúria ante a "amaldiçoada" conferência conjunta Trump-Putin. Trump está em "colusão" com a Rússia. Traidor. Como pode o presidente dos EUA promover a "equivalência moral" com um escroque de fama mundial"?

Não faltaram oportunidades para surto de indignação apoplética.

sábado, 14 de julho de 2018

Trump, OTAN e a 'agressão russa', por Pepe Escobar

13/7/2018, Pepe Escobar, Asia Times, em The Vineyard of the Saker

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




A guerra-relâmpago [orig. blitzkrieg] que o presidente dos EUA faz na reunião de cúpula em Bruxelas, ao dizer que a OTAN é obsoleta e que os estados-membros tratem de gastar mais e se autodefender, está correta.





A histeria está no auge. Depois da cúpula da OTAN em Bruxelas, a definitiva Decadência do Ocidente é favas contadas, enquanto o presidente Trump prepara-se para se reunir com o presidente Putin em Helsinki.

O próprio Trump estipulou que conversará com Putin com portas fechadas, cara a cara, sem assessores e, em teoria, com sinceridade, depois do que a reunião preparatória entre o secretário de Estado Mike Pompeo e o ministro de Relações Exteriores da Rússia Sergey Lavrov foi cancelada. A reunião acontecerá no Palácio Presidencial em Helsinki, construção do início do século 19 e ex-residência de imperadores russos.

Como preâmbulo para Helsinki, a espetacular guerra relâmpago de Trump contra a OTAN foi espetáculo que os séculos reverenciarão; sortimento variado de "líderes" em Bruxelas nem viram o trem que os atropelou. Trump sequer se deu o trabalho de chegar com pontualidade às sessões matinais que discutiram o possível ingresso de Ucrânia e Geórgia. Diplomatas confirmaram para Asia Times que, depois da tirada certeira do "paguem, senão...", Ucrânia e Geórgia foram mandadas para fora da sala, porque a questão a ser discutida passava a ser questão estritamente interna da OTAN.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Alastair Crooke: Que sentido haveria, por hora, num encontro Trump-Putin?

13/6/2018, Alastair Crooke, Strategic Culture Foundation


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu





O presidente Trump trouxe à baila a ideia – e chegou a sugerir um convite ao presidente Putin, para que viesse a Washington. Ostensivamente, parece boa ideia: détente entre Rússia e EUA permitiria escoar a pressão geopolítica que cresce na 'retorta' cheia, já estourando nos rebites.

Uma reunião de cúpula pareceu a resposta correta – outrora. Mas a política exterior de Trump já não é a que um dia foi. E está andando de modo, pode-se dizer, inesperado. 

No nível formal, séries de documentos da política exterior e da defesa dos EUA caminharam por outra via, diferente, a começar pelo incômodo casamento dos destaques da campanha de Trump (sobre reabilitar o decadente 'cinturão da ferrugem' norte-americano', com a necessidade, para os EUA de 'vencer outra vez'); e atado pelo pé a um Conselheiro de Segurança Nacional, com a 'noiva' vestida num 'longo' à Paul Wolfowitz modelo primazia norte-americana global. E daí para uma posterior metamorfose, na qual Rússia e China convertem-se, de 'rivais e concorrentes', em subversivos ('potências revisionistas') dedicados a pôr a pique o 'lar' global – e (na derradeira formulação) bem quando os EUA renascem, reemergem, ressurgem, qual fênix dominante nuclear.

Essa progressão até a dominação não casa bem com a imagem inicial de campanha de um presidente que traria de volta os empregos perdidos, e não queria saber de aventuras militares. Imagem de campanha?! Morreu. Que descanse em paz. RIP.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

The Saker: União Europeia pode ser parceira da Rússia?

15/6/2018, The Saker, Unz Reviewin The Vineyard of the Saker



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




A renomeação para os mesmos cargos (embora um pouco modificada) do "bloco econômico" do governo Medvedev gerou muitas explicações, umas melhores que outras. Hoje quero examinar uma hipótese específica que se pode resumir nos seguintes termos: Putin decidiu contra o expurgo de um "bloco econômico" (impopular) ativo dentro do governo russo, porque queria apresentar à União Europeia (UE) "caras conhecidas" e parceiros nos quais os políticos da UE pudessem confiar. Nesse momento, ante o comportamento insano de Trump, que acintosamente afasta praticamente todos os líderes europeus, é a hora perfeita para acrescentar um empurrão russo ao "tranco" dos EUA, e ajudar a trazer a UE para mais perto da Rússia. Ao renomear "liberais" russos (eufemismo para designar os russos aderidos a OMC-Banco Mundial-FMI e assemelhados), Putin dá à Rússia ares capazes de atrair, na medida do possível, a UE.