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domingo, 27 de janeiro de 2019

Rússia, China, Índia e Irã: Quadrado mágico que está mudando o mundo

25/1/2019, Federico Pieraccini, Strategic Culture Foundation

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga


Com o fim do momento unipolar, quando Washington dominou as relações internacionais, os países eurasianos mais ricos e mais fortes começam a se auto-organizar em estruturas de aliança e acordos, que visam a facilitar o comércio, o desenvolvimento e a cooperação.


No auge do momento unipolar dos EUA, Bill Clinton liderava um país que estava em plena recuperação econômica, e os estrategistas do Pentágono traçavam planos para modelar o mundo à sua própria imagem e semelhança. O objetivo não declarado sempre foi a mudança de regime em todos os países com sistemas políticos não aprovados, o que promoveria a proliferação de “democracia” à moda EUA por todos os quadrantes do mundo. Claro que países da Eurásia como Rússia, Índia, China e Irã apareciam no topo da lista, ao lado de países do Oriente Médio e Norte da África.

O bombardeio e a destruição da Iugoslávia foi o passo final no assalto contra a Federação Russa, depois da dissolução do Pacto de Varsóvia. Yeltsin representou os meios pelos quais a alta finança ocidental decidiu roubar toda a riqueza da Rússia, privatizando empresas e saqueando recursos estratégicos.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

‘Efeito Gadkari’ e as promissoras relações Irã-Índia, por MK Bhadrakumar

12/1/2019, MK Bhadrakumar, Tehran Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga

“Primeiras manifestações definitivas do ‘Efeito Gadkari’ (...) surgiram em dezembro, quando a discussão intensa, discreta, entre Nova Delhi e Teerã, coordenada pelo ministro Gadkari, indiano, resultou no acordo para um novo mecanismo de pagamento que dispensa o uso do dólar norte-americano nas transações econômicas entre Índia e Irã.”



Se o “Efeito Newton” da Física tiver equivalente na diplomacia internacional, pode-se descrever o que está acontecendo nas relações Índia-Irã como o “Efeito Gadkari”. Como no caso dos anéis concêntricos chamados “Anéis de Newton” em homenagem ao cientista inglês do século 18 Isaac Newton, o ministro do governo da Índia Nitin Gadkari – que é, de longe, o parceiro do primeiro-ministro Narendra Modi de melhor desempenho até agora – criou uma série de anéis concêntricos alternados centrados no ponto de contato entre as economias da Índia e do Irã.

‘O anéis de Gadkari’ em torno do Porto de Chabahar na província remota do Sistão-Baloquistão no sudeste do Irã estão transformando sensacionalmente as relações Índia-Irã.

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

O novo Grande Jogo no topo do mundo, por Pepe Escobar

20/12/2018, Pepe Escobar, Asia Times

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



No topo do gracioso Forte Baltit, sobre o esplendor estilo Xangrilá do Vale Hunza, impossível não se sentir tonto ante aquela vista: uma impressionante colisão de milênios de geologia e séculos de história.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Putin cria RIC, formato trilateral com Índia e China, por M.K.Bhadrakumar

4/12/2018, M.K.Bhadrakumar, Strategic Culture Foundation

Entreouvido num boteco na Rua Abolição, Bixiga, SP:
“Golpe no Brasil-2017-8 teve a ver com nos empurrar para o lado dos EUA:
amaldiçoado lado da guerra, desgraça do mundo. Só o PT ‘eleitoral’ não vê isso?!”
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Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



O encontro trilateral de Rússia, Índia e China à margem do G20 em Buenos Aires dia 1/12 revelou-se um evento histórico, um marco na história da segurança da Ásia e da política global. O já chamado formato RIC deu um salto adiante, com os líderes dos três países decidindo “manter outros desses encontros trilaterais nas reuniões multilaterais” – para citar declarações do Ministério de Relações Exteriores da Índia.

Especialmente interessante é que o presidente Vladimir Putin da Rússia tomou a iniciativa, e os dois outros, o primeiro-ministro da Índia Narendra Modi e da China, presidente Xi Jinping imediatamente abraçaram a ideia. Os três estavam intensamente conscientes do contexto real em que o encontro aconteceu.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

EUA perderam o Afeganistão: A Índia e as transições afegãs, por MK Bhadrakumar

Os Talibã estão voltando legitimamente ao poder


12/11/2018, MK Bhadrakumar, Indian Punchline


Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga

Ver também
§   “EUA a um passo de ter de devolver o AfPaq aos Talibã, à al-Qaeda”31/10/2018, MK Bhadrakumar, Indian Punchline, traduzido em Blog do Alok
§   Talibã, 2018: “Em Moscou, falamos de paz. Ninguém aqui está ‘negociando’” 
9/11/2018, Dawn, Paquistão [traduzido e editado para excluir o viés pró-EUA e pró-guerrae inserir um viés pró-Rússia e pró-paz]


Transição política é traço recorrente na moderna história do Afeganistão. A cada 10-20 anos, houve transições – o golpe de Estado contra o Rei Zahir Xá em 1973; a violenta ascensão ao poder dos comunistas em 1978 (a “Revolução do [mês] Saur); o colapso do governo comunista e a substituição pelos Mujahideen Afegãos em 1992; a tomada de Cabul pelos Talibã em 1996; e a derrubada do regime dos Talibã em 2001.


Estamos agora no limiar de mais uma transição, com os Talibã andando na direção de Cabul. A comunidade internacional praticamente sem exceção reconhece a necessidade imperativa de uma reconciliação com os Talibã (que controla mais da metade do território afegão).



Deve-se prever que os Talibã estarão de volta ao poder em Cabul já em 2019. A Índia mais uma vez enfrenta o desafio de lidar com uma transição já iminente.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Modi enterra a ‘servidão unipolar’ da Índia, por MK Bhadrakumar

3/11/2018, MK Bhadrakumar, Indian Punchline

Da série “EUA perderam”: 
Pra EUA sóssobrô BB&MoMo (Brasil de Bolsonaros e Moro&Morão)

(2/3) EUA perderam a Índia

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga




Essa semana trouxe surpresas em dois campos. De um lado, o espectro de Nova Guerra Fria EUA-China teve morte súbita, quando opresidente Trump, na 5ª-Feira, telefonou ao presidente Xi Jinping para atrasar o relógio de volta a tempos mais felizes. 



Sem meias palavras, Trump tentou encerrar de vez a guerra comercial e remendar todas as pontes com a China. Realista, Trump sabe que os EUA simplesmente não têm meios para impor seus desejos à China. Pequim está visivelmente satisfeitíssima.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Os mísseis S-400s não resolvem o dilema geoestratégico da Índia, por Pepe Escobar

7/10/2018, Pepe Escobar, Asia Times

Traduzido pelo Coletivo Vila Mandinga



“Com aquele dramalhão demente que rola no Brasil, essa notícia pode ter-se perdido na confusão, mas é MUITO importante.

Em resumo, aí estão os contornos do jogo geoestratégico de apostas altíssimas que os três (B)*RICS/OCX – Rússia, Índia, China – estão jogando na relação com o Excepcionalistão.”
Pepe Escobar, pelo Facebook, 8/10/2018





A cúpula de 2018 Índia-Rússia pode ter resultado em encontro histórico, que terá efeitos por eras. As negociações, vistas da superfície, centraram-se na possibilidade de a Índia confirmar ou não a compra de cinco sistemas S-400s russos, de mísseis de defesa, por $5,43 bilhões.

O negócio foi fechado imediatamente depois que o primeiro-ministro Narendra Modi da Índia, e o presidente Vladimir Putin da Rússia, deram por encerrada a conversa em Nova Delhi. As negociações começaram em 2015. Os S-400s serão entregues em 2020. 

E agora? Acontece o quê? O governo Trump sanciona a Índia nos termos da Lei de Resposta aos Adversários da América mediante Sanções [ing. Countering America’s Adversaries Through Sanctions Act (CAATSA)?

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Índia, Rússia e o século pós-norte-americano, por MK Bhadrakumar

Por que os EUA tanto insistem em se intrometer no relacionamento Índia-China?!



4/9/2018, MK Bhadrakumar, Strategic Culture Foundation

Entreouvido na Vila Vudu:
No caso do Brasil, 4º (B)RICS e hoje já arruinado pelo golpe orquestrado por CIA-Aluysin,
trata-se de "século pós-Brasil & pré-nada" [pano rápido & fúria].
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Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



A compra pendente, pela Índia, do sistema russo de mísseis S-400 passou a ser o motivo central decisivo, do diálogo "2+2" dos ministros de Relações Exteriores e Defesa da Índia e dos EUA marcados para 6 de setembro em Nova Delhi. Mas a questão aqui não é só questão de defesa. Há outras ramificações geopolíticas muito mais amplas.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Por que Índia ignora sanções dos EUA e une-se ao Irã, por Pepe Escobar

3/6/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu





Prestem toda a atenção ao que o ministro de Relações Exteriores da Índia Sushma Swaraj, disse depois de se reunir com o ministro de Relações Exteriores do Irã Javad Zarif, no início dessa semana, em Nova Delhi:

"Nossa política exterior não é feita sob pressão de outros países (...) Reconhecemos as sanções da ONU e não reconhecemos sanções específicas por países. Tampouco observamos sanções norte-americanas em outras ocasiões."


Depois de Rússia e China, também do grupo BRICS, a Índia nem deixou dúvidas. E há mais. A Índia continuará a comprar óleo do Irã – seu 3º principal fornecedor – e está interessada em pagar em rúpias, pelo banco UCO estatal, sem exposição aos EUA. A Índia comprou 114% mais óleo do Irã durante o ano financeiro até março de 2018, que no período anterior.

sábado, 31 de março de 2018

EUA aceitarão a derrota ou desafiarão o Urso Russo e o Dragão Chinês? Parte 3: China & a Visão Global

28/3/2018, Elijah Magnier Blog, Damasco, Síria


Parte 1: RELATÓRIO DE SITUAÇÃO, Síria (ing. e Blog do Alok)
Parte 2: Rússia & o Oriente Médio (
ing. e Blog do Alok)


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




A Rússia apresentou a China à Síria durante a guerra, quando a Marinha chinesa chegou ao Mediterrâneo e foi até o litoral de Tartus e Lattakia, enviando uma mensagem aos EUA e aliados, de que estava acabada a dominação monolítica dos EUA sobre o mundo.

Há milhares de jihadistas chineses que lutaram com ISIS e al-Qaeda, e Pequim preocupava-se, interessada em assegurar que não saíssem vivos da Síria. Assim se estabeleceu a cooperação entre os serviços de inteligência sírio e chinês. Damasco era banco de dados inigualável, com rica informação sobre combatentes de várias nacionalidades, aos quais muitos países do mundo gostariam de ter acesso, dado que mais de 80 nacionalidades foram postos dentro da Síria, sempre como parte do esforço para derrubar o regime e implantar um Estado Islâmico.

Mas Washington ainda protege a própria posição, recusando-se a entregar a coroa da dominação mundial que lhe pertenceu por mais de uma década; hoje se apronta para lutar contra "o eixo que se opõe aos EUA" usando outros meios fora da Síria. O establishment dos EUA e aliados está expulsando diplomatas russos e impondo sanções à China e ao Irã. Impossível não ver o quanto a derrota na Síria é dolorida para os EUA.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Mais uma guerra que os EUA perderam: Afeganistão, novo conector na integração da Eurásia, por Pepe Escobar

26/2/2018, Pepe Escobar, Asia Times


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu




A inauguração do gasoduto TAPI (Turcomenistão-Afeganistão-Paquistão-Índia) sinaliza que Cabul está a bordo, no grande projeto da integração da Eurásia.

Uma das mais dramáticas sagas que se desenrolam no que há muito anos batizei de Oleogasodutostão, acaba de passar por virada decisiva.


O gasoduto TAPI (Turcomenistão-Afeganistão-Paquistão-Índia), de US$8 bilhões e 1.814 km de extensão, foi oficialmente inaugurado ontem, com grande pompa, e com transmissão ao vivo pela TV afegã, na fronteira entre Turcomenistão e Afeganistão, perto de Herat.

O presidente do Afeganistão Ashraf Ghani recebeu o primeiro-ministro paquistanês Shahid Khaqan Abbasi, o presidente turcomeno Gurbanguly Berdymukhamedov e o ministro de Relações Exteriores da Índia M.J. Akbar.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Novo Grande Jogo: China e Índia velejam para águas agitadas, por Pepe Escobar

12/12/2017, Pepe Escobar, Asia Times


Ver também

"Do Pacífico Asiático para o Indo-Pacífico: O Novo Grande Jogo"
8/12/2017, Pepe Escobar, Asia Times, traduzido no 
Blog do Alok


Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



O Corredor Bangladesh-China-Índia-Myanmar, que inclui um oleoduto da Baía de Bengala até a província de Yunnan, também está no coração do projeto das Rotas da Seda, bem como o Corredor Econômico China-Paquistão [ing. China-Pakistan Economic CorridorCPEC]. Estende-se de Xinjiang até Gwadar e inclui elos de fibra-ótica, zonas econômicas e investimentos em novas rodovias e portos.


Por fim, há a Rota Marítima da Seda, que parte do litoral do sudeste da China rumo ao Oceano Índico e o Chifre da África, antes de tomar o rumo de Veneza na Itália e Rotterdam na Holanda. No coração dessa teia há portos e logística de infraestrutura.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Putin chegou com a verdadeira bomba BRICS: "Mundo multipolar justo", por Pepe Escobar

6/9/2017, Pepe Escobar, Asia Times, The Vineyard of The Saker







O encontro de cúpula anual dos BRICS em Xiamen – cidade da qual o presidente Xi Jinping já foi prefeito – não poderia acontecer em contexto geopolítico mais incandescente.


Mais uma vez, é essencial ter em mente que o núcleo duro real atual dos BRICS é "RC": a parceria estratégica Rússia-China. Assim sendo, no tabuleiro de xadrez da península coreana, o contexto RC – com os dois países partilhando fronteiras com a República Popular Democrática da Coreia – é primordial.

Pequim impôs um veto definitivo à guerra – do qual o Pentágono sabe muito bem.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

O xis da questão no 'impasse' afegão, por MK Bhadrakumar

30/7/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline













A agência Associated Press distribuiu matéria exclusiva sobre o intenso diálogo político hoje em curso entre o governo afegão e os Talibã, nas coxias, inobstante o 'impasse' que pareça haver e do qual tanto se fala. Que os contatos estão ocorrendo é segredo amplamente conhecido, mas a matéria da AP é específica quanto à alta frequência dos encontros e revela que são contatos de muito alto nível. Não há razão para que se duvide do que diz a AP, que cita fontes de autoridade.

Assim sendo, há aqui dois aspectos – o momento em que ocorre o 'vazamento' e o conteúdo do vazamento. Curioso, quanto ao timing, é que o 'vazamento' aparecer apenas dez dias depois do discurso do presidente Donald Trump dos EUA, no qual delineou os passos adiante no Afeganistão. Para dizer o mínimo, o vazamento obriga a ver com mais realismo e moderação a recém proclamada nova estratégia dos EUA e lhe dá 'rosto humano'. Sem dúvida o nível de conforto no Paquistão deve subir alguns semitons, no mínimo.