6/3/2012, Pepe Escobar, Al-Jazeera (de Bangkok, Tailândia)
O Czar chegou às lágrimas – improvável remake de Moscou contra 007 (From Russia with love, 1967). A Igreja Russa Ortodoxa – que apoiou firmemente sua campanha – estava contentíssima. As lágrimas do Czar rolaram, em teoria, em homenagem aos cidadãos daquele "grande país", aos quais ele quer garantir "vida decente". Ele está de volta –, como uma vingança; o mais gentil, o mais doce Putinator.
Tem de enfrentar a drenagem ininterrupta de cérebros russos: até aqui, mais de dois milhões de russos já partiram.
Tem de maximizar os lucros de espantosos $1,5 trilhão das exportações de petróleo, desde que chegou ao poder pela primeira vez, em março de 2000. E que ainda não bastam para melhorar substancialmente a infraestrutura russa.
Recordo vivamente março de 2000 em Moscou: ninguém sabia, sequer, se o Czar teria competência para erguer a Rússia, depois dos pantanosos anos de Yeltsin e dependência de Washington; ou se, ao contrário, deixar-se-ia arrastar como um fantoche.

