12/12/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu
Com os EUA dedicados a atender exclusivamente ao próprio interesse na questão de Jerusalém, abre-se para a Rússia uma janela de oportunidade para fortalecer sua posição como o player mais ativo e criativo de toda a política do Oriente Médio. Quatro dias depois de o presidente Trump manifestar-se sobre Jerusalém, o presidente Vladimir Putin já está embarcando para 'visitas de trabalho' não agendadas ao Egito e à Turquia.
Na 5ª-feira o Ministério de Relações Exteriores da Rússia divulgou longa declaração em que critica a decisão dos EUA sobre Jerusalém e afirma que:
· "Acreditamos que qualquer solução justa e duradoura para o tão prolongado conflito entre palestinos e israelenses terá de ser baseada na lei internacional, incluindo as resoluções do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral da ONU que oferecem meios para resolver todos os aspectos do status final dos territórios palestinos, inclusive da altamente delicada questão de Jerusalém, mediante conversações diretas entre palestinos e israelenses. A nova posição dos EUA sobre Jerusalém pode complicar ainda mais as relações palestino-israelenses e a situação na região (...) A Rússia, vê Jerusalém Leste como capital do futuro estado palestino, e Jerusalém Oeste como capital do Estado de Israel."
Rússia posicionou-se de modo adequado ao que pensa e sente a Rua Árabe. Mas o que está levando Putin ao Cairo não é a questão de Jerusalém. O documento do Kremlin proclama e insiste na necessidade de "prover estabilidade e segurança no Oriente Médio e Norte da África". O que significa Líbia, Sinai e Síria e até certo ponto o Iêmen –, talvez nessa ordem.

