Ellen Meiksins Wood,* New Left Review vol. I, n. 127, Maio-Junho 1981 (aqui traduzido por Vila Vudu)
"O objetivo desse reexame não será re-explicar a 'fragmentação' da vida social no capitalismo, mas compreender precisamente o que, na natureza histórica do capitalismo, aparece como 'esferas' que se diferenciam, que se separam –, especificamente no processo que separou 'o econômico' de 'o político'. (...)
(...) a contradição crítica no capitalismo não é entre forças técnicas e relações sociais definidas estreitamente, mas entre dois princípios sociais potencialmente antagônicos: (i) a forma individualista, até antissocial, da propriedade capitalista e (ii) as formas altamente socializadas da produção capitalista.
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A intenção do marxismo é prover alicerce teórico para interpretar o mundo para mudar o mundo.*** Não é slogan vazio. Tem – ou deve ter – sentido muito preciso. Significa que o marxismo busca um específico tipo de conhecimento capaz de iluminar mais que qualquer outro os princípios do movimento histórico e, pelo menos implicitamente, os pontos nos quais a ação política pode intervir com máximo efeito. Isso não quer dizer que o objeto da teoria marxista seria descobrir um programa 'científico' ou técnico de ação política. Não. O objetivo é prover um modo de analisar especialmente bem equipado para explorar o terreno no qual a ação política tem de ter lugar. Pode-se contudo argumentar que o marxismo desde Marx com frequência perdeu de vista esse projeto teórico e o caráter quintessencialmente político que esse projeto tem.
Em particular, é o que acontece quando marxistas, sob várias formas, perpetuam a rígida separação conceitual entre 'o econômico' e 'o político' que tão bem serviu à ideologia burguesa desde que os economistas clássicos descobriram o 'econômico', assim, no abstrato, e puseram-se a esvaziar o capitalismo do que nele é conteúdo social e político.
