
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu
O Oleogasodutostão – o grande tabuleiro de xadrez da energia eurasiana – nunca dorme. Recentemente, foi a Rússia quem jogou e encestou muito bem em todos os fronts: dois meganegócios de gás assinados com a China, ano passado; o lançamento do Ramo Turco, substituindo o Ramo Sul; e a duplicação do Ramo Norte, para a Alemanha.
Agora, com a possibilidade de as sanções contra o Irã afinal desaparecerem no final de 2015/início de 2016, todos os elementos entram no lugar certo para fazer reviver uma das mais espetaculares novelas do Oleogasodutostão, que acompanho há anos; a competição entre os gasodutos IP (Irã-Paquistão) e TAPI (Turcomenistão-Afeganistão-Paquistão-Índia).
O gasoduto IP, de $7,5 bilhões, está parado já há anos – uma baixa, na luta impiedosa pelo poder geopolítico. O IP começou como IPI – conectado à Índia; ambos, Índia e Paquistão precisam muitíssimo da energia iraniana. Mas a pressão furiosa e incansável de sucessivos governos, Bush, depois Obama, assustaram a Índia, que abandonou o projeto. E depois começaram as sanções, para valer.
Agora, o ministro paquistanês do Petróleo e Recursos Naturais, Shahid Khaqan Abbasi jura que o gasoduto IP sairá do papel. A perna iraniana do gasoduto de 1.800 quilômetros já está sendo construída. O IP começa no gigantesco campo Pars Sul de gás – o maior do mundo – e termina na cidade paquistanesa de Nawabshah, próxima a Karachi. A enorme significação geopolítica desse cordão umbilical de aço a ligar o Irã e o Paquistão aparece, pode-se dizer, graficamente.
É quando entra – e quem seria? – a China. Empresas chinesas de construção já começaram a trabalhar na perna do gasoduto entre Nawabshah e o estratégico porto de Gwadar, próximo da fronteira do Irã.