22/4/2017, MK Bhadrakumar, Indian Punchline
O ‘não sabido sabido’ na fatídica decisão tomada na 5ª-feira pelo Conselho dos Guardiões do Irã quanto à lista de candidatos aprovados para a próxima eleição presidencial que acontecerá dia 19 de maio era o que seria decidido quanto à candidatura do ex-presidente Mahmoud Ahmedinejad. Isso, por três razões principais.
Primeira, porque é personalidade vistosa, que tem lugar cativo próprio no espectro político iraniano, suficiente para ser qualificado como ‘de esquerda’. A política do Irã muito precisa da plataforma de Ahmadinejad, dada a natureza dos problemas de desenvolvimento do país.
Uma disputa entre a Direita Conservadora e a Direita Moderada depõe contra a autenticidade da arena eleitoral. O paradoxo é que, embora haja no Irã uma facção conhecida como ‘os reformistas’, ela serve aos mesmos interesses de classe do establishment conservador religioso. A revolução de 1978 tinha amarrações que a ligavam à esquerda, dada sua gênese de movimento popular democrático; mas depois se alinhou ao lado do establishment do primeiro estado islâmico do mundo. E depois de luta amarga dentro da revolução, os progressistas foram eliminados. Tudo isso permanece como capítulo extremamente controverso da história moderna do Irã e volta e meia reaparece à tona, sempre reabrindo velhas feridas.

