Durante a campanha presidencial de 1988, alguém perguntou ao reverendo Jesse Jackson "Como fará para atrair o apoio do operário metalúrgico branco?" Resposta: "Vou mostrar a ele que tem mais em comum com o operário metalúrgico negro, porque é operário, do que com o patrão, porque é branco."
Jackson também falou de reviver uma "coalizão arco-íris", mas apesar de ser associado com o radicalismo negro por grande parte do país, ganhou quase 50% dos delegados Democratas na convenção de Atlanta, com um apelo explícito que transcendeu a questão das raças, e invocou a questão das classes. O próprio Jackson não é líder provável do Partido Democrata, mas o modelo dele é um dos que os Democratas bem fariam se considerassem, se querem reconquistar a maior parte do país, que perderam nas eleições da semana passada.
Em grande medida, Bernie Sanders compreendeu e avaliou esse aspecto, embora, como hoje sabemos, os doadores de Wall Street/Vale do Silício, o bloco que doou dinheiro ao Comitê Nacional Democrata, assustaram-se com isso e puseram-se a operar ativamente para sabotar a campanha de Sanders. Quando afinal chegamos à eleição geral, a mensagem do partido já estava diluída e turva, em algumas disputas focada exclusivamente em questões de gênero e ataque à falta de 'adequação' de Trump, ao cargo.
Não há dúvidas de que Donald Trump fez forte apelo a racistas, homofóbicos e misóginos, e por mais que seus colegas Republicanos tenham manifestado cenográfica indignação, tampouco há dúvidas de que Trump só fez tornar explícito o que os Republicanos fazem há décadas – desde os dias de Nixon em 1968. Só trocaram o apito de chamar cachorro, por um berrante de chifre.

