" ... a língua do homem é trombeta de guerra e sedição"
Thomas Hobbes, Leviatã, cap. 5º, "Do Cidadão"*

Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu
Os liberais frequentemente se preocupam com a necessidade de proteger os cidadãos contra a violência do Estado. Mas, em tempos de terror global, perigo muito, muito maior advém dos (ing.) failed states, estados malsucedidos.
Dentre as consequências das atrocidades cometidas em Paris – várias delas com consequências que ainda nem se consegue antecipar agora, ainda tão perto dos acontecimentos –, uma pelo menos já parece razoavelmente clara. O Estado está retornando à sua função primária, de provedor de segurança.
Com soldados das Forças Especiais vasculhando as ruas de Londres e Bruxelas paralisadas sob toque de recolher, o que se tem são respostas mais que claras à alta probabilidade de que mais ataques ocorram.
O que estamos testemunhando é a redescoberta de uma verdade essencial: nossas liberdades não são sólidas construções autossuficientes, mas construtos muito frágeis, que só se mantêm satisfatoriamente intactas e operantes se estiverem sob o escudo protetor do poder do Estado. A ordem liberal ideal que estaria supostamente emergindo na Europa é fantasia. A tarefa de defender a segurança pública voltou a recair sobre governos nacionais – únicas instituições capazes de proteger os cidadãos.
