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sábado, 1 de setembro de 2018

E quanto aos trabalhadores chineses?



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu






De tempos em tempos, quando falo do Marxismo Chinês, surge a pergunta: "Mas... E quanto aos trabalhadores chineses?" 

A resposta curta é que nos últimos 40 anos – tempo da 'reforma e abertura' iniciada por Deng Xiaoping – 700-800 milhões de trabalhadores chineses foram resgatados da miséria.

A resposta longa exige um pouco mais de detalhes.

terça-feira, 8 de maio de 2018

"Marx, 193 anos depois"

5/4/2012, John Lanchester, London Review of Books, v. 34, n.7, pp. 7-10.



Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu



Entreouvido na Vila Vudu:
De Marx, deve-se ler Marx, claro. Recomenda-se que os escritos do próprio Marx sejam lidos logo aos 14, 15 anos, antes de o jornalismo, as famílias, as igrejas, as escolas, as universidade da burguesia e as Dona-Dora-Kramers, Leilanes-Neubarths e que-tais darem cabo de toda a novidade revolucionária de Marx, além de novidades supervenientes das quais também dão cabo.

Mas pode-se ler Marx a qualquer momento da vida. E é leitura muito recomendável nas horas de catástrofe histórica como esses desgraçados anos de 2016ss, do golpe da CIA-EUA contra o Brasil.

Assim sendo, aos 200 anos do nascimento de Marx, deve-se começar por ler o Manifesto Comunista, cujos 170 anos também se comemoraram em 2018, em fevereiro (aos 30 anos de Marx e 28 de Engels). E ninguém perderá nada se ler também, por oportuno, Eric Hobsbaum, "Introdução ao Manifesto Comunista de Marx e Engels", 9/10/2012, traduzido em redecastorphoto. OK. Até aí, nenhuma novidade
Novidade é que, em 2018, afinal alcançamos a felicidade de já não precisar ler as discussões contemporâneas. Porque, estatisticamente falando, já não há novidade teoricamente importante a declarar CONTRA Marx, Engels, o Manifesto e todo o resto. As críticas CONTRA são já perfeitamente previsíveis, com 200 anos de empiria a considerar ou a desconsiderar.

Assim sendo, pode-se afinal ler exclusivamente as críticas A FAVOR de Marx – porque aí, sim, há novidade, afinal, nesses 200 anos de nascimento dele e 170 anos dos 30 anos de Marx e 28 de Engels. Por exemplo: o livro best-seller em matéria de economia do século 21 é marxista/marxiano: O Capital no Século XXI, Thomas Piketty, considerado "ótimo ou excelente" por 85% das pessoas que compraram. ISSO É NOVIDADE, sim, sobretudo em tempos quando 'autoridade' em matéria de economia é aquele professor do Insper cujo nome esqueci, e que fala na Rádio BandNews FM e em TODAS as rádios de São Paulo, a menos que sejam vários professores de vários Inspers e todos digam exatamente a mesma coisa [errada].

Ainda mais: semana passada o presidente Xi Ximping da China recomendou ao planeta que lesse o Manifesto. E ontem continuava a dizer que, sim, a China é país comunista.
Se a China diz que é, desde 1848 até 2018, então é!

Você sabe que uma teoria está resistindo bem ao ataque do tempo e da classe nossa inimiga, quando o comunismo de Marx e Engels, aprimorado pelo trabalho e estudo dos chineses e suas características, está, em 2018, no governo da maior nação comunista pacifista benemérita do planeta. Fato é que a China comunista não tem adversário à vista hoje, aos 200 anos do Manifesto Comunista. E Putin ali, vigilante. E o Irã ali, vigilante. E o Hezbollah ali, vigilante. Segue a luta. [Pano rápido]
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"Marx, 193 anos depois" [excerto traduzido]
5/4/2012, John Lanchester, London Review of Books, v. 34, n.7, pp. 7-10.


Ao tentar pensar o que Marx teria feito do nosso mundo contemporâneo, deve-se começar por destacar que Marx nunca foi empirista. Nunca pensou que alguém conseguiria chegar à verdade mediante dados selecionados e coletados da experiência, 'data points' como os chamam os cientistas, que em seguida sejam reorganizados num quadro da realidade feita dos fragmentos que se acumularam. Dado que isso é o que muitos de nós supomos que façamos durante a maior parte do tempo, já há aí uma separação fundamental entre Marx e o que a maioria de nós chama de 'senso comum', noção que Marx desprezava empenhadamente, porque para ele 'senso comum' nunca passou de um modo pelo qual uma determinada ordem política e de classe converte a própria construção da realidade em um conjunto aparentemente neutro de ideias as quais são tomadas como se fossem dados da ordem natural.